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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ESCÂNDALO ?!?!

"– Você sabe quem você é. Você sabia que isso poderia acontecer. Você se expôs porque quis, então aguente as consequências. Eu não vou gastar meu dinheiro processando ninguém por conta de sua própria estupidez." Foi quase isso, mas com palavras bem mais grosseiras, que Aristóteles Onassis disse à sua esposa Jacqueline, (viúva do falecido presidente dos EUA John Kennedy), a então "monstro sagrado" da Camelot norte-americana, quando em 1972  suas fotos  nua estamparam-se nas revistas européias e em 1975 acabaram publicadas no magazine pornográfico estadunidense Hastler.

Na época a atitude de brutal ética aristotélica do magnata grego causou um furor de indignação até maior que o escândalo promovido pelas fotos da nudez da esposa. A quem possa ser de interesse, pode-se ler na obra do filósofo grego Aristóteles, entitulada  Ética a Nicômaco o seguinte: "...Portanto o homem bom deve ser amigo de si mesmo, pois ele próprio lucrará com a prática de atos nobres (ao mesmo tempo que beneficiará os seus semelhantes); mas o homem mau não o é , porque, com o abandono às suas paixões, ofende tanto a si mesmo como aos outros. Para o homem mau, o que ele faz está em conflito com o que deve fazer, enquanto o homem bom faz o que deve; porque a razão, em cada um dos que a possuem, escolhe o que é melhor para si mesma, e o homem bom obedece a razão." (Livro IX, Capítulo 8, 1669b; 15) Logo, para quem faz bom uso da razão, fica claro que Onassis estava certo. Ninguém neste mundo pode "tudo", não importa a posição social que ocupe. Quem pensa que pode fazer o que quer, satisfazendo sempre seus apetites por prazer, também, tem que saber que deverá arcar com as consequências prejudiciais de sua atitude.

Jacqueline Onassis tinha pleno conhecimento que os paparazzi a perseguiam, em especial Settimio Garritano, que infiltrou-se na inexpugnável ilha de Skorpios de Onassis, no mar Egeu, como um jardineiro e fotografou tranquilamente Jacqueline enquanto tomava banho de sol nua. O escândalo que faz recordar o título da peça de Nelson Rodrigues, " Toda Nudez Será Castigada ", pode ser considerado o alvorecer da "invasão de privacidade", gerando o primeiro escândalo de proporção mundial, prenunciando o que o futuro reservaria ao ícones eleitos pela mídia; a elevar suas reputações às alturas e  a esperar apenas uma boa oportunidade para  derrubá-las na lama sem a menor piedade.

Quarenta anos se passaram do infeliz episódio inconsequente da intemperança de Jacqueline, o qual a derrubou de seu pedestal, e parece que ninguém aprendeu nada com o sucedido. Nestes últimos dias uma nova onda de fotos de "nudez" de celebridades famosas da eleite mundial, obtidas com a mesma "invasão de privacidade" de sempre, tem deixado a mídia mundial bastante atarefada, mais em justificar o comportamento inadvertido de nudez de seus protagonistas do que em condenar o ocorrido como o foi  com a pobre Jacqueline. Até que parece que os padrões morais já não são os mesmos dos anos de 1970, mas, em verdade, para a maioria das pessoas eles continuam os mesmos, se assim não o fosse esses casos pitorescos não estariam sendo taxados de escandalosos. 

Num tempo em que todos nós estamos diariamente sujeitos aos mais variados tipos de "invasão de privacidade", pelos motivos mais estranhos e torpes possíveis, neste Big Brother que a vida se tornou, o qual vai piorar ainda mais após o lançamento na semana passada do novo iPhone, com uma câmara de capacidade de 8 megapixes, dotada de zoom, contrôle de luz e foco, e com a chegada do Drones, um aviãozinho de contrôle remoto equipado com poderosas câmaras, ao melhor estilo de sondas espaciais, ninguém nunca mais estará seguro em sua privacidade. Verifica-se que a prática de invasão de privacidade e da divulgação de intimidades indevidas estão se agravando ainda mais após os recentes  escândalos de comportamento obcenos que vieram à tôna dos próprios cidadãos Kane, tal como foi o caso de Berluconi – que acabou perdendo seu poder político – e agora está revidando a quem ele acha de direito, do mesmo modo pode-se esperar que Rupert Murdoch venha a ter no futuro próximo uma atitude do mesmo calibre em razão das vissitudes que vem sofrendo com a revelação  de suas práticas aéticas de jornalismo. Sendo assim, as celebridades famosas da elite mundial deveriam redobrar ao máximo os  cuidados com suas reputações  e deveriam também passar a ter sempre em mente a sabedoria milenar de Aristóteles e não sairem culpando cheios de melindres púdicos quem se apreoveita para ganhar dinheiro com suas indiscretas atitudes insensatas que só podem dar motivos para escândalos.

Contudo, um outro espisódio da semana que passou deveria estar sendo motivo de grande indignação _– por ser de um escândalo verdadeiro e causar vergonha a todos nós –, mas não está sendo. Para espanto e assombro das pessoas racionais o video entitulado "Innocense of Muslims" (Inocência dos Muçulmanos), que foi postado no YouTube em julho deste ano, contento um ataque direto ao profeta Maomé, símbolo máximo da religião islâmica, que não é ofensivo não só aos islâmicos mas a qualquer um que possua um pingo de moral que o assista, tem ocupado um ridículo espaço nos debates na mídia e na Internet, que os casos de nudez das celebridades. Eu fiquei particularmente horrorizada ao assistir esse video, eu sentiria a mesma indignação se o foco do ataque apresentado fosse em relação à Jesus, Buda, Abraão ou Moisés, por ser uma obra de suprema intolerância religiosa, e por isso execrável e inadimissível. A sua exibição na Internet foi de uma irresponsabilidade total, pois não se considerou as consequências desastrosas que essa exibição poderia causar ao mundo e a todos nós.

Esse escândalo ofensivo de grande magnitude só se tornou de conhecimento público após o ataque em protesto contra o video ao consulado norte-americano na Líbia, no dia 12/09 (quarta-feira), que lamentavelmente ceifou a vida do embaixador Cristopher Stevens e de mais quatro cidadãos norte-americanos. De lá para cá como um rastrilho de pólvora na Internet o video passou a provocar seguidos levantes contra os Estados Unidos no mundo islâmico, mobilizando milhares de pessoas protestando , exigindo justiça e retratação do governo norte-americano pela agressão ofensiva gratuita. Essa notícia  quase passou desapercebida, pois no dia seguinte, leitores e telespectadore ocidentais só comentavam  com alegria maliciosa o escândalo dos "peitinhos" de uma Lady Godiva moderna e nada pareciam saber sobre o perigo eminente que estava a espreitá-los.

A resposta do governo americano a mais essa nova crise de sua política exterior se apresentou canhestra. Num primeiro momento a secretária de Estado Hillary Clinton – a segunda pessoa mais poderosa do governo estadunidense depois do próprio presidente – declarou-se horrorizada com o video e pediu desculpas pela ofensa cometida, mas ela salientou que o governo norte-americano não tem como monitorar e censurar os conteúdos na Internet, o que é sabidamente uma inverdade, já que qualquer pessoa no mundo está sujeita a ter sua liberdade na Internet como alvo de monitoramento e censura da CIA ou do FBI ( ou mesmo de outros serviços de inteligência de outros países e até mesmo das grandes corporações nacionais e internacionais). A investigação inicial sobre o autor do video apontou para o cidadão norte-americano Sam Bacile, 56 anos, de origem israelense, o qual chegou a dar uma entrevista nos últimos dias ao Wall Street Journal, de Rupert Murdoch, dizendo que "O Islã é um cancer". Aventou-se, então, que o video era uma peça de propaganda anti-islâmica financiada pela Associação  Pró-Israel dos EUA. Depois foi apresentado como autor o nome de um cristão-copta de origem egípcia baseado nos EUA, chamado Nikoula Basseley Nikoula, 55 anos, mas ao que parece se tratava da mesma pessoa. Ontem surgiu outro nome, o de um produtor de filmes eróticos, Alan Roberts, 65 anos,  cujo nome verdadeiro seria Robert Brownell. Já se evidência assim que o nome do autor do video está sendo devidamente enfiado debaixo do tapetão das impunidades históricas. No sábado, o presidente Barack  em seu discurso em rede nacional anunciou que não vai aceitar que nenhum cidadão americano sofra qualquer agressão nos países islâmicos e, se for preciso, estará enviando tropas para todos os focos de revolta com ou sem permissão dos governos. E, ontem, para alimentar ainda mais o caldo da discórdia, o Google anunciou sua recusa de tirar do YouTube o video que está inflamando multidões.

Isso sim que é um ESCÂNDALO! O resto  é pura asneira. Não está dando para acreditar que o mundo está caminhando agora a passos largos para uma guerra que pode ter terríveis consequências, com as proporções  de um Amargedon, por conta da imbecilidade de um sujeitinho norte-americano anônimo reacionário e discriminador, que achou-se no direito não só de divulgar suas idéias idiotas como também de extrapolar sua burrice na Internet! Mas, o que é pior ainda é que este episódio lastimável venha sendo usado tanto para combustível das campanhas à eleição presidencial norte-americano como pelo senhores da guerra do sistema financeiro mundial, que esperam ávidos sairem da crise em que se encontram com os lucros obtidos com o endividamento dos países que se envolverem nos conflitos bélicos e posteriormente com o processo de reconstrução das áreas arrazadas pela guerra.

Estejam todos certos, o mundo inteiro vai pagar um preço altíssimo por este escândalo que grande parte de nós estamos testemunhando calados. Lembrem-se, o mal só prevalece porque as pessoas de bem nada fazem, e que o nosso silêncio só nos faz cúmplices de um crime que comodamente queremos imputar aos outros. Neste caso o bode expiatório seria mais uma vez o próprio Estados Unidos e o povo norte-americano, que serão acusados novamente de imperialismo. De maneira nenhuma esse video repugnante não corresponde presentemente ao pensamento da maior parte da população estadunidense, mas serve apenas àquela minoria que deseja lucrar com a situação caótica do quanto pior melhor. Não podemos ficar calados quando o destino da Humanidade está em jogo, eu pelo menos não quero ser cúmplice da vergonha desse escândalo, que não resultará em risinhos maldosos de comentários tolos, mas no sangue  derramado dos inocentes.

SAIBA MAIS:

20/09/2012 
09h23


Substantivo Plural » Blog Archive » Filme ofensivo

15 horas atrás por Tácito Costa
Por que a família real britânica não segue a mesma lógica de Hillary Clinton e suspende o processo judicial contra a Closer, revista francesa que publicou fotos da princesa KateMiddleton fazendo topless numa praia particular? Não há que ...




Chefe da ONU considera filme anti-Islã escandaloso e vergonhoso

Globo.com - ‎há 34 minutos‎
O filme anti-islâmico que provocou violentas manifestações no mundo muçulmano é "escandaloso e vergonhoso", declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A liberdade de expressão é um direito "inalienável" que deve ser protegido, com a condição de ...


09h03

Expresso - 10 horas atrás
Como o filme "Inocência dos Muçulmanos" é tão mau que não vale uma batalha destas (que levaria, além do mais, os muçulmanos à explosão ..




Kate teve azar de as suas maminhas se cruzarem com uma obra prima sobre o profeta Maomé.
... O Ocidente não tolera que lhe mexam na liberdade de expressão. Como o filme "Inocência dos  Muçulmanos" é tão mau que não vale uma batalha destas (que levaria, além do mais, os muçulmanos à explosão total contra jornais e revistas que defendessem a produção norte-americana sobre a vida devassada do profeta Maomé), nada melhor do que (não) engolir em seco e  fazer uma pequenina transferência para  as maminhas de Kate e toda a liberdade do mundo em as mostrar (outros voltaram atrás e fizeram uma transferência para as caricaturas do profeta Maomé que já haviam publicado há anos atrás, caso do francês Charlie Hebbdo). ...



Cingapura bloqueia acesso a filme anti-Islã no YouTube

Terra Brasil - 1 hora atrás
As tentativas de acessar o filme Inocência dos Muçulmanos no YouTube recebem a mensagem "este conteúdo não está disponível em seu ...
Governos árabes pressionam YouTube para bloquear acesso a ... Último Segundo - iG
Países árabes pedem que YouTube retirem filme considerado ... Jornal do Brasil
Sudão bloqueia YouTube para tentar minimizar tensão por vídeo ... Jornal Floripa
Voz da Russia
todos os 25 artigos de notícias »
Voz da Russia


19/09/2012


20h07





BBC Brasil - ‎há 2 horas‎
Com a escalada dos protestos contra o filme anti-islâmico que satiriza o profeta Maomé, governos de todo o mundo árabe reiteraram o pedido ao YouTube para bloquear o acesso ao vídeo, prometendo retaliações caso a solicitação não seja cumprida.







Países árabes pedem que YouTube retirem filme considerado ofensivo ...

Jornal do Brasil - ‎há 1 hora‎
O YouTube, canal de vídeos do Google, tem sido pressionado por países árabes para tirar do ar o filme americano A inocência dos muçulmanos. A Arábia Saudita se juntou à lista que pede que o canal retire o vídeo do ar. Esses países prometem retaliações ...


18/09/2012







Mulher-bomba provoca atentado no Afeganistão em reação ao filme ...

Terra Brasil - ‎há 1 hora‎
Renata Giraldi Repórter da Agência Brasil Brasília - Um atentado à bomba, em Cabul, capital do Afeganistão, matou 12 pessoas, entre elas oito trabalhadores sul-africanos. O atentado suicida foi assumido pelo grupo Hezb e Islami que diz ter promovido a ...


17/09/2012







Protestos contra filme anti-Islã provocam confrontos e morte

Último Segundo - iG - ‎há 2 horas‎
Centenas de manifestantes contrários a um filme anti-Islã incendiaram prédios no Paquistão nesta segunda-feira, provocando confrontos com a polícia que deixaram um morto. Confrontos também foram registrados em frente a uma base militar americana no ...


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O RACISMO DE MONTEIRO LOBATO

.Amanhã (11/09/2012), às 19h30, estará se realizando na sala do Ministro Luiz Fux, no Anexo II do Supremo Tribunal Federal (STF) a audiência de conciliação sobre a adoção na rede pública de ensino  do livro "As caçadas de Pedrinho" (1933) de autoria do escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948). O caso desta disputa teve início em 2010, quando o Conselho Nacional de Educação (CNE) suspendeu a distribuição do livro nas escolas públicas, devido a conteúdo racista presente na comparação feita pelo autor da empregada doméstica, Dona Anastácia, com uma "macaca de carvão". Porém, logo depois, o Ministério da Educação recomendou ao CNE que reconsiderasse sua posição, o que resultou na anulação do veto anterior à obra, desde que as novas edições passassem a incluir uma nota com a  exigência de contextualização histórica da mesma pelos professores. Em seguida o Instituto de Advocacia Racial (Iara) entrou com um mandado de segurança, alegando que a obra de Monteiro Lobato possui expressão de racismo, cultural, institucional e individual, e , que está sendo adotada como um "modelo padrão" para a rede pública de ensino. Em razão disso, o ministro Luiz Fux considerou o caso relevante, pois coloca dois  aspectos constitucionais no foco do conflito: a liberdade de expressão e a vedação ao racismo.

Recentemente republiquei no meu blog "Arquivo da Bia Botana" o artigo SOMOS RACISTAS (clik no link para ler) (Jornal de Brasília, 1/9/1994), onde denunciei os aspectos culturais racistas que impregnam as sociedades contemporâneas. Eu assomarei agora às minhas considerações de então a importância da literatura infantil como fator determinante para que o racismo e outros maus costumes culturais instalem-se de maneira perniciosa na educação de uma criança. 

Particularmente, eu tive a felicidade de iniciar meu amor pelos livros com a leitura das obras do escritor e tradutor carioca Alberto Figueiredo Pimentel (1869 – 1914), que pertenceram a minha avó materna.  O primeiro livro que lí foi o adorável "Contos da Carochinha" (1896), que também foi o primeiro livro infantil editado no Brasil, depois devorei toda a coleção das "Histórias da Vovózinha" às "Histórias do Arco da Velha", encantando-me com com as tradições culturais européias e luzo-brasileiras. Assim, quando chegou a vez de dedicar-me à leitura das obras de Monteiro Lobato eu já possuia uma certa formação de conceitos morais que constituir-se-iam a base da minha educação e uma capacidade de distinguir o certo do errado. Provavelmente, em razão disso, eu não senti muito agrado pelas obras Monteiro Lobato. 

Se na minha meninice eu já não gostava dos livros de Monteiro Lobato e de alguns de seus personagens caricatos, como adulta eu gostaria menos ainda. O sarcasmo com que o autor tratava os mais fracos e destituidos de sorte, sua constantes discriminações raciais, religiosas e especialmente em relação à mulher, sempre causaram-me indignação. Ao meu ver seu personagem "Jeca Tatu" prestou um grandioso desfavor à autoimagem do povo brasileiro tanto quanto o Macunaíma de Mario de Andrade.

Monteiro Lobato pertencia a nata dos fazendeiros paulistas, era o próprio "filhinho de papai", com resquicios de um "sinhôzinho" da era escravocrata, que gostava de fazer caricaturas, mas ao ficar orfão dos pais aos 17 anos foi obrigado pelo avô a entrar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (Universidade de São Paulo - USP). Aos 29 anos herdou a fazenda do avô, mas logo demonstrou sua pouca competência administrativa para fazer a fazenda dar lucro e atribuiu o seu fracasso aos trabalhadores caboclos rurais, os chamados "caipiras". Por conta de seu insucesso, ele escreveu uma carta verborrágica de ofensas aos caipiras, entitulada "Velha Praga" e enviou para o jornal "O Estado de São Paulo", que a publicou. Frente a polemica despertada entre os leitores a redação do jornal convidou Lobato para escrever um conto sobre o mesmo tema, assim nasceu em 1912 o personagem Jeca Tatu no conto "Urupês", o primeiro sucesso literário de Lobato.

A passagem do tempo revelaria a pouca habilidade de Monteiro Lobato para ganhar dinheiro, apesar dele estar sempre atrás de um negócio que lhe desse um "saco de dinheiro". Assim, com esse intuito Monteiro Lobato abraçou a nova tendência editorial de uma literatura infantil genuinamente brasileira, no desejo de ganhar "rios de dinheiro", chegando até a ter a própria editora, a qual acabaria indo para a falência também.

Em 1926, Lobato cavou uma indicação do governo brasileiro para ser adido comercial na Embaixada do Brasil em Washington (EUA). Antes de partir, ele escreveu em três semanas um livro que tinha por propósito servir como seu "cartão de visitas" no mercado editorial norte-americano, o qual entitulou "O Presidente Negro ou O Choque das Raças", uma obra claramente racista e de discriminação feminina. Ele enfiou seu novo e único livro escrito para adultos debaixo do braço e partiu de malas e bagagens para os EUA em 1927, decidido a ganhar dinheiro fácil, ganhou algum, mas perdeu tudo o que tinha na quebra da bolsa de New York em 1929. Ele retornou ao Brasil em 1931, em piores condições do que quando partira, mas na bagagem trouxe projetos de novos livros infantis, entre eles o "Reinações de Narizinho", publicado em 1931 – reunindo obras anteriores a partir do livro "A menina de nariz arrebitado" de 1920 – e o o inédito "Caçadas de Pedrinho", que foi publicado em 1933. 

A partir de então as obras de Monteiro Lobato monopolizaram o mercado editorial de literatura infantil e posteriormente chegaram a ganhar versões para o rádio e para a televisão. Seus livros permeados de suas idéias de eugênia racial e conceitos racistas e discriminativos expressos de maneira subliminar em simbologias perniciosas, influenciariam mais de uma geração de brasileiros. E se o propósito do escritor era educar as novas gerações sua contribuição foi mais para deseducar, ao ter instituído uma espécie de "bulliying" cultural, promovendo um confronto agressivo de intolerância com as diferenças que separam as pessoas e ao ter derrubado as regras de polidez social, colocando no lugar o tratamento ofensivo e de ridicularização.

Não é de admirar, portanto, que Lobato, indo à falência novamente em 1945, tenha aproximado-se do Partido Comunista Brasileiro, chegando até a ser diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS (União Soviética, atual Russia), e, sem mais nem menos, ele tenha transformado o seu antigo personagem que tanto execrava, o "Jeca Tatu", num trabalhador sem-terra esmagado pelo latifundio e simbolo da injustiça social. Este absurdo foi o último ato de sua pena, na tentativa de obter vantagens financeiras com o último modismo da vanguarda  intelectual brasileira elitista afeita às idéias comunistas.

Em vista desta estranha história de vida de Monteiro Lobato, declaradamente um escritor racista e dado a discriminações, o ministro Luiz Fux terá amanhã uma questão extremamente delicada para conciliar. no STF, em Brasília. A questão envolvendo a adoção ou não da distribuição do livro de Monteiro Lobato para as escolas públicas merece inteira atenção dada a importância da literatura infantil brasileira na formação das novas gerações de brasileiros e o cuidado que se deve ter com os nossos brasileirinhos. Não é uma questão de "censura", mas de estabelecer uma idade adequada para a leitura das obras infantis de Monteiro Lobato, uma idade que permita a análise e a reflexão sobre as idéias do autor como um reflexo de seu tempo, idéias essas subjetivas da visão que Lobato tinha do seu "mundo particular" em que viveu, mas, que, absolutamente, não podem ser consideradas como uma regra-geral de comportamento de uma época, muito menos ainda de toda sociedade brasileira da primeira metade do século XX, pois um grande número de pessoas discordavam enormemente das idéias de Monteiro Lobato e seus livros infantis chegaram a ser proíbidos em muitos lares brasileiros, exatamente em razão da má educação e mau exemplo de seus personagens.

DESDOBRAMENTO DA NOTÍCIA:

12/09/2012



Consultor Jurídico - ‎há 8 horas‎
A discussão sobre o possível conteúdo racista na obra de Monteiro Lobato chegou ao Supremo por meio de Mandado de Segurança impetrado pelo Iara e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto, da Universidade de Brasília ...


...O livro Caçadas de Pedrinho foi publicado em 1933. É adotado por escolas públicas e faz parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). Na grade curricular, é classificado como livro de leitura obrigatória. O advogado Humberto Adami, que representa o Iara, afirmou que a intenção da ação não é censurar a obra de Monteiro Lobato ou impedir que seja adotada em escolas.
“Ninguém quer banir nada, nem censurar. O que não se pode é tratar a discussão como se fosse uma banalidade, com argumento de que o autor escreveu isso em outra época. Na verdade, há um problema sim. Isso provoca a realimentação e a reinvenção do racismo em sala de aula. Não adianta fazer campanha de educação para combater bullying se você não ensina as crianças que elas não podem chamar a colega de macaca preta ou dizer que ela vai subir na árvore como uma macaca de carvão. Isso provoca um efeito deletério”, afirmou...

veja.com - 7 horas atrás
... de Monteiro Lobato, na rede pública de ensino terminou nesta terça-feira sem acordo. Com a participação de representantes do Ministério da Educação, ...

Globo.com - 6 horas atrás
No entanto, o governo ainda vai analisar se implementará ações práticas para evitar analogia à discriminação com o uso da obra de Monteiro Lobato, como ...
Jornal da Mídia - 30 minutos atrás
Brasília – A polêmica sobre racismo em obra do autor Monteiro Lobato ainda não foi encerrada. Terminou sem consenso a audiência de conciliação realizada ...


Jornal do Brasil - 2 horas atrás
A polêmica envolvendo o escritor Monteiro Lobato ainda está longe de terminar. Nesta terça-feira, após mais de três horas de discussão, ...


Jornal do Brasil









SAIBA MAIS:



www.joped.uepg.br/2010/anais/oral/20028_2_FINAL.pdf - Em cache
Alberto Figueiredo Pimentel. Um dos primeiros autores desta época que passou a adaptar os contos europeus foi Alberto Figueiredo Pimentel, nascido no Rio ...

www.pucrs.br/edipucrs/CILLIJ/.../Literatura_de_Monteiro_Lobato.pdf - Em cache - Similares
Trabalhar com as obras de Monteiro Lobato é fazer emergir a fantasia e a criatividade, já ... positiva. Ele deu à literatura infantil uma nova roupagem, olhou -a com outros .... infantil e juvenil, o divisor de águas que separa o Brasil de ontem e o ...

pt.wikipedia.org/wiki/O_Presidente_Negro - Em cache - Similares
O Presidente Negro (originalmente denominado O Choque das Raças ou O Presidente Negro, e posteriormente, O Presidente Negro ou O Choque das Raças: ...

www.scarium.info/.../o-presidente-negro-sintese-do-pensamento-racista-de- monteiro-lobato/ - Em cache - Similares
16 ago. 2009 ... Em O Presidente Negro ou Choque das Raças (Editora Globo, 2008), publicado originalmente em 1926, Monteiro Lobato, neste seu único ...

books.google.com/books/about/O_presidente_negro.html?id...
'O presidente negro' é o único romance adulto de Monteiro Lobato. Embora ainda não tivesse pisado em terras norte-americanas quando escreveu esse livro, ...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A BELEZA INCOMODA?

Desde 25 de julho último eu já assisti a 7 espisódios do programa "Saia Justa" (quarta-feira, às 22 hs, com reapresentação domingo às 20 hs) no canal GNT/Globo e não consegui ver nenhum deles até o fim. Telespectadora do "Saia Justa" desde o primeiro episódio em 2002, eu pude ver muita gente interessante participar dos debates informais de assuntos mais variados com a coordenação da competente apresentadora e jornalista Mônica Waldvogel – nem é preciso dizer que este é um dos meus programas favoritos da telinha –, mas nunca constatei o absurdo que eu venho observando nos últimos tempos após a entrada da atriz global Maria Fernanda Cândido para integrar a turma do "Saia Justa", o qual parece até que perdeu o rumo, pior, virou um tédio de dar sono.

Nos primeiros episódios eu atribuí o fato à necessidade de ajustamento de Maria Fernanda ao formato do programa e principalmente em relação ao grupo e vice-versa. Afinal, quando um elemento novo passa a integrar um grupo coeso permeado de afinidades é preciso dar um tempo para a adaptação, mas nem sempre ela vem a ocorrer, como tem sido o presente caso, onde a cada apresentação a falta de química da Maria Fernanda com os outros integrantes se faz mais e mais patente.

Mais de um mês já se passou e Maria Fernanda permanece como um ET (Extra Terrestre) na realidade do "Saia Justa". Talvez seja em razão da beleza madura da atriz aos seus 38 anos, estonteante, sempre recordando Sophia Loren – mas sem o mesmo brilho carismático da mais famosa atriz italiana, que hoje com seus 78 anos continua arrazadora apesar de sua beleza ser apenas um vestigio do passado. Talvez seja essa beleza que esteja fazendo as jornalistas Teté Ribeiro e Mônica Waldvogel transpirarem tanta ansiedade por todos os poros, sendo tomadas a todo momento de risos nervosos e levadas a se expressarem com vozes estridentes em comentários por vezes incoerentes.

Enquanto as jornalistas se agitam em gestos , poses e bocas, assemelhando-se a a galinhas cacarejantes, a atriz sustenta a pose estudada – estática e sem emoção digna de qualquer estátua de um deusa grega –, expressando-se com frazes feitas em sua voz monocórdica, apresentando um intelectualismo politicamente correto tão raso quanto um pires. Possivelmente, Maria Fernanda que estudou no famoso e elitista colégio paulistano dos jesuítas, o São Luiz, e depois formou-se em Terapia Ocupacional pela USP (Universidade de São Paulo), tenha adquirido esse personagem de falso brilho intelectual por ser co-fundadora e conselheira da "Casa do Saber" desde 2004, também apelidada de "Daslusp" (em referência a famosa casa de luxo Daslu e a melhor universidade brasileira a USP). A "Casa do Saber"  para quem ainda não sabe é um pretencioso "centro cultural" para os novos milionários paulistanos, que vindos do nada  adquirirem um verniz cultural para que não passem vergonha pela ignorância. O negócio de vender cursos caríssimos, com aulinhas chegando a custar quase R$ 5.000,00 fez a festa da Ana Diniz, filha do Abílio Diniz, uma das principais fundadoras da "Casa do Saber", demonstrando ser um negócio bastante lucrativo, e na verdade, cá entre nós, era apenas isso que importava.

Por outro lado, os participantes masculinos do programa Leo Jaime, Xico Sá, Dan Stulbach e Eduardo Moscovis estão espremidos na estranha situação trazida por Maria Fernanda ao "Saia Justa". Eles parecem  divertir-se com a "saia justa" das meninas, dada a experiente sensibilidade masculina para notar a eterna disputa feminina pela atenção dos homens, o que eles simplesmente adoram! Um comportamento feminino tão instintivo e viceral que mesmo mulheres de inteligência brilhante como Teté e Mônica sucumbem à ele sem se darem conta disso.

Mônica é uma experiente e competente jornalista com uma carreira que fala por si só, sempre hábil na condução dos mais variados assuntos e acostumada a sair de qualquer "saia justa", ao menos até agora. Teté Ribeiro (38) não fica atrás. Ela nasceu numa família de jornalistas, basta dizer que o pai dela é o premiado José Hamilton Ribeiro, da Globo, e é casada com o Sergio Dávila, diretor-executivo do jornal "Folha de São Paulo", conceituadíssimo por suas reportagens em Washington, Bagdá e New York. Foi estudando Filosofia na USP que Teté descobriu-se jornalista e escritora, ela morou num tempo na Austrália e noutro em New York. Teté é cheia de idéias e opiniões, ela sempre fala de maneira apaixonada e irreverente, ela fala de coisas sérias brincando, mas o que ela fala sempre instiga ao pensar mais profundo. Teté é vivaz, ela não precisa ficar citando frases dos outros, pois o conhecimento nela sedimentado já se traduz nas suas próprias palavras. A experiência tanto de Mônica como de Teté no campo cultural é patente e indiscutível. É bem provável, que em razão de sua natural espontaniedade e franqueza, Teté tenha deixado transparecer inadvertidamente alguma impaciência irritadiça com o "show-off" intelectualóide de Maria Fernanda no último episódio dessa semana, o qual era entitulado "Caráter" –apesar desse tema ter sido pouco abordado e o programa ter versado mais sobre o tema de onde está o "Sagrado" no indivíduo contemporâneo, questão sobre a qual Eduardo Moscovis pontuou dando de dez a zero em todos com o seu pensamento sensível e sábio. Eu por minha vez, aos 30 minutos do "Saia Justa", usei do meu controle remoto para dar um "Cala a boca, Magda!" na Maria Fernanda e fui buscar vida mais inteligente na telinha.

Infelizmente, para os fãs fiéis do "Saia Justa", a entrada da Maria Fernanda tem pouco abrilhantando ou contribuído, ao contrário, ela tornou o programa pra lá de aborrecido. Fato esse que comprova mais uma vez a idéia de que não basta a beleza apenas, é preciso algo há mais além da atração sedutora da aparência de alguém, para que ela seja realmente uma pessoa "interessante", capaz de captar a atenção e se fazer ouvir. Quem sabe se a Maria Fernanda Cândido descer do salto alto, parar tanto de representar um personagem para granjear a simpatia de todos como de ficar dando uma de pseudo-intelectual, de modo que  ela possa vir a mostrar mais para o que veio ao apresentar um pouco mais do que existe realmente dentro dela, aí, quem sabe, a coisa toda possa vir a funcionar. Sinceramente, eu preferia muito mais o programa antes, quando Teté e Mônica com suas idéias ricas passavam um clima de camaradagem com os rapazes, sem demonstrarem nenhum traço de concorrência entre elas e faziam de cada episódio do "Saia Justa" o melhor estilo de papo-cabeça de "conversa de botequim", onde toda filosofia por mais séria que seja acaba sendo simplesmente hilária, refletindo a caótica utopia humana.

Conclusão: Maria Fernanda Cândido incomoda um pouco com a sua beleza, mas o que incomoda deveras mais é a sua postura a soar falsa falsa, sem conteúdo e, principalmente, fútil e superficial. Maria Fernanda está parecendo mesmo um belo elefante branco na sala do Saia Justa.  Nos salve dessa, ó São George! (Para aqueles que não assistem o programa no cenário há uma bela estátua do santinho bem atrás da Mônica Waldevogel).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O VOTO DE LEGENDA

Desde a abertura democrática e da primeira eleição direta à presidência da República, em 1989, o eleitor brasileiro tem demonstrado a tendência de votar mais no candidato do que no partído político ao qual ele pertença. Seja o candidato ao Poder Executivo ou ao Poder Legislativo, em eleições majoritárias ou minoritárias, ele acabará por se eleger sem nenhum comprometimento partidário. Não é pois de espantar que após as eleições os candidatos com o maior desrespeito para com o seu eleitorado e sem nenhuma ética quanto a fidelidade partidária, troquem de partido como quem está trocando de roupa, e quem havia votado no partido X se vê apoiando inesperadamente o partido Y. Tal comportamento só se explica pela falta de cultura democrática do povo brasileiro após ter sido privado por décadas do exercício do voto.

A consequência dessa atitude carente de consciência democrática tanto da parte dos partidos, dos politicos e como dos eleitores tem sido o crescente enfraquecimento dos partidos políticos em seu aspecto institucional e a queda de confiança crescente da opinião pública na classe política. O próprio exercício da democracia se vê comprometido na medida em que os partidos políticos fogem de assumir qualquer responsabilidade quanto ao comportamento de seus candidatos e afiliados. Essa circunstância prejudicial à democracia está chegando a tal ponto que atualmente nós podemos ver as campanhas eleitorais mais dedicadas aos ataques pessoais entre os candidatos e à lavação de roupa suja em público do que ao propósito de darem esclarecimentos e informações que deveriam oferecer, divulgando as idéias e propostas para a solução dos problemas cruciais da sociedade, que precisam com urgências ser resolvidos.

A proposta do voto de legenda, que poderia ser chamado também de voto partidário, não é nenhuma idéia nova. Anteriormente era possível práticá-lo na cédula eleitoral de papel, podendo-se indicar o partido sem a necessidade de indicar o nome do candidato para cargos ao Poder Executivo ou Poder Legislativo. Porém, com o advento da moderna urna eletrônica a possibilidade do voto de legenda para o Executivo ficou impedida, já que digitando o número do partido automaticamente se vota no nome do candidato do partido ao cargo executivo. Contudo, no que diz respeito ao voto aos cargos legislativos essa prática ainda é válida, e o voto de legenda contemplará os candidatos do partido segundo a listagem da ordem de votação, do mais votado ao menos votado, a fim de serem eleitos. Assim, se ocorrer uma grande presença de votos de legenda o partido receberá a mensagem correta: que os candidatos oferecidos não foram do agrado dos eleitores e que precisará investir em seu quadro político se quiser manter o seu apoio eleitoral.

O voto de legenda pode ser a solução, por exemplo, para os eleitores descontentes do PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro), que também contribuem para que o candidato tucano José Serra seja o mais rejeitado de todos os candidatos, com de 44% do eleitorado paulistano afirmando que não votaria nele de maneira nenhuma. Os "tucanos"orfãos de candidato prefeririam qualquer outro nome do PSDB do que o de Serra e grande parte deles resolveu protestar votando no Celso Russomano do PRB (Partido Republicano Brasileiro), apesar de serem PSDB no coração. A curiosidade é que Celso Russomano entrou para a política pelo PSDB em 1994 e ele permaneceu fiel ao partido na primeira candidatura como deputado federal, depois mudou de partido e ligou-se politicamente com Paulo Maluf, "cartola" do Partido Progressista (PPR/PPB ou PP dá no mesmo) e de 1999 a 2011 foi fiel escudeiro malufista, e ambicionando candidatar-se à Prefeitura de São Paulo, ele entrou em desacordo com Maluf, se desfiliou do PP e entrou para o Partido Republicano Brasileiro (PRB) – o qual teve como fundador o ex-vice presidente de Lula, o saudoso José de Alencar, um partido que tem estado coligado ao PT (Partido dos Trabalhadores) desde 2002 até os dias de hoje. Do mesmo modo, o voto de legenda pode atender os desiludidos eleitores do PT, que não conseguiram superar a indignação com a aliança espúria estabelecida pelo partido com o PP do senhor Paulo Maluf.

Como se pode ver os pobres eleitores paulistanos estão em palpos de aranha tendo que lidar com um verdadeiro saco de gatos vira-latas que se tornou a eleição à Prefeitura de São Paulo. Muitos dizem que querem anular o voto ou votar em branco para protestar, eu tenho me posicionado contra e quando consultada proponho o voto de legenda, porquanto o voto nulo ou em branco só dará uma vantagem ilícita à candidatura mais votada, que no momento segundo as pesquisas é a do senhor Celso Russomano. Também é da minha opinião que o voto num candidato duvidoso como forma de protesto não é solução, é risco. Ou pior, votar-se no candidato a Prefeito de um determinado partido e em candidatos a vereadores de um partido de oposição, fazendo uma salada política eleitoral, poderá causar o futuro engessamento governamental e abrir a porteira para negociações políticas corruptas que sempre afetam os novos governos eleitos – haja visto o que aconteceu com a presidente Dilma Rousseff.

Ora, está mais do que no momento de se dar responsabilidade a quem é de direito, e no caso trata-se dos partidos políticos brasileiros. Eu posiciono-me a favor do voto de legenda ou voto partidário com o objetivo de chamar a atenção dos partidos para a necessidade de fortalecerem-se como instituições democráticas e a obrigação que possuem de nortearem com ética a democracia brasileira e não fazer dela uma "bandalheira generalizada". O aumento da consciência do uso do voto pelo eleitor será tremendamente saudável para que uma verdadeira democracia estabeleça-se definitivamente no Brasil. O eleitor brasileiro ainda está aprendendo, mas certamente está muito mais esperto hoje do que em 1989.  

domingo, 2 de setembro de 2012

HIPOCRISIA POLÍTICA


Em tempo de eleições está aberta a temporada de hipocrisia política, seja aqui no Brasil ou e qualquer outro país democrático do globo. Em outra época o Estado democrático merecia mais respeito e a “política” era uma assunto sério para gente séria. Hoje em dia o exercício democrático virou algo patético e o político tornou-se um profissional na arte da mentira, um marionete dos índices das pesquisas de opinião pública e de “marketeiros” – aqueles sujeitos encarregados de vender a imagem de um sujeito como se fosse "ouro de tolo" para aqueles que são capazes de torná-lo um digno “representante do povo”.

Aqui no Brasil o exercício da hipocrisia política democrática conseguiu o feito de eleger para o Congresso Nacional um “palhaço” profissional – e não há aqui nenhum desmérito por esta secular profissão –, o qual infelizmente não possuía uma grama sequer da inteligência sagaz e sábia dos consagrados bufões shakespearinianos. O nosso palhaço mal sabia escrever e nem mesmo fazia idéia de suas atribuições como deputado federal, mesmo assim foi o candidato mais votado que já se ouviu falar. Na época da candidatura e da posse do tal palhaço uma questãozinha de direitos democráticos estabeleceu uma censura “politicamente correta” impedindo qualquer tipo de descriminação: o palhaço votava e tinha direito de ser votado.  Afinal, tudo bem, se os políticos parecem mesmo mais uns palhaços, nada demais ter-se um palhaço de verdade no Congresso Nacional. Todavia, passados dois anos no exercício do cargo de deputado federal o tal palhaço deu agora para dizer que está entediado de sua função e que foi “engolido pelo Congresso Nacional”. Ora, ora, o que ele pensava? Que o plenário da Câmara era um picadeiro de circo?

Mas, neste ano, o primeiro lugar no podium da hipocrisia política ficou para nada menos do que do queridinho da Nação, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que conseguiu deixar de boca aberta e falando sozinho uma montanha de gente, que não conseguia acreditar nos próprios olhos ao ver o senhor Lula de salamaleques e rapapés com o político que se fez com fama de ladrão do herário público, detentor do mote “rouba, mas faz”, o senhor Paulo Maluf. Isto porque o candidato do PT, senhor Roberto Haddad possui laços firmes de amizade com Maluf dada a origem de alhures do Oriente Médio. Foi a maior cena de “esqueçam o que eu falei” ao melhor estilo de outro ex-presidente: Fernando Henrique Cardoso.

Possivelmente, após vencer a ameaça do câncer  o Lula despirocou de vez para alegria de seus opositores, o que o levou a cometer o maior suicídio político que já se ouviu falar na história da democracia brasileira. Paricularmente, eu creio que o senhor Lula foi mordido pela temida “mosca azul”.  Em anos idos quando uma pessoa começava a se comportar com ares de quem “pode tudo”, considerando-se acima da lei e da moral vigente, superior a todos, dizia-se: “Fulano foi picado pela mosca azul.” Eu não sei por qual razão ultimamente tem gente demais sendo picada pela tal “mosca azul” e até parece que virou moda jogar-se a reputação na lama, como se reputação fosse uma coisa que se pode mandar para a lavanderia e ficar novinha em folha de novo. Sinto informar aos que se acham “intocáveis” que reputação é um rótulo que fica grudado na testa e não sai mais, já que em sociedade nada se esquece e quando se finge esquecimento se deve a um interesse ulterior.

Atualmente, nós esquecemos por exemplo que os tais “direitos humanos” entraram em voga nos anos de 1980 mais como ferramenta política dos EUA e aliados para derrubar as ditaduras implantadas durante a Guerra Fria do que por seus meroitórios valores. Assim, os EUA e seus aliados do chamado Primeiro Mundo, que antes gastaram rios de dinheiro para implantarem as tais ditaduras nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, passaram a  investir fortunas na bandeira dos “direitos humanos” em nome de um mundo democrático. Assim, o Estado de direita que antes defendiam foi satanizado em favor de um Estado de esquerda, não vermelho, mas cor-de-rosa,  e permitindo a manipulação por interesses externos da política interna de países inteiramente despreparados institucionalmente para o exercício democrático. Nada muito diferente do que está acontecendo presentemente com alguns países do Oriente Médio.

Do mesmo modo nós esquecemos convenientemente que a onda de “presevação ambiental” iniciada ao final da década de 1980, focada novamente nos países em desenvolvimento e  subdesenvolvidos,  em verdade, visava mais monitorar o uso do ricos recursos naturais desses países – de forma a supervisionar com olhos de ave de rapina o progresso e o desenvolvimento dessas nações, para que elas não viessem a ameaçar o “satus quo” de privilégios das ditas nações desenvolvidas –, do que em razão de um desejo sincero de preservar o meio ambiente para as gerações futuras.  Tanto as idéias que norteiam os direitos humanos como as de preservação ambiental são de tal maneira justas que nada se pode dizer contra elas. Contudo, não se pode dizer o mesmo daqueles que as promovem e as patrocinam, pois eles são em sua maioria de uma hipocrisia chocante, pregando uma coisa e fazendo outra bem diferente. Assim como o senhor Lula os arautos dos direitos humanos e da preservação ambiental estabelecem “alianças” políticas com pessoas que praticam claremanete exatamente o que elas enchem a boca para tanto condenar. Assim não dá, não é verdade?

Não é de espantar que cada vez mais olhemos as pessoas públicas pertencentes ao quadro político de uma nação com mais e mais desconfiança. Quando, por ventura nós encontramos alguém no cenário mundial ou nacional que razoavelmente consegur ter alguma coerência na prática política e no próprio comportamento pessoal, demonstrando uma postura profissional impecável no exercício de sua função pública e que não tenta resolver problemas sérios com tapinhas nas costas e nem empurrando com a barriga, mas, sim, mostrando-se consciente da responsabilidade que sobre si pesa, então, nós nos agarramos a ela na esperança que essa pessoa venha a ser um exemplo para ser seguido e nós rezamos fervorosamente para que ela não venha a ser picada com a maldição da mosca azul. O problema é que pessoas assim confiáveis, seja no cenário nacional ou internacional, são por demais raras e a mosca azul sempre acaba vencedora. Mas, de quem é a culpa?

A culpa é nossa. Isso mesmo, apenas nossa! Nós que estamos nos tornando por demais indulgentes e começamos a aceitar a hipocrisia política como um fato natural, um mal necessário à democracia e apenas comentamos com alguma indignação “– Que palhaçada!” e não fazemos nada. Gente acorde! Palhaçada é coisa de palhaço e quem vem sendo feito de palhaço somos nós! Nós é que damos o nosso voto alegremente para esses falastrões que se divertem às nossas custas, sempre nos enganando com seus discursos politicamente corretos tão hipócritas, falando o que pensam que nós gostaríamos de ouvir, prometendo uma coisas e fazendo outra e eles vão ficando cada vez mais milionários, como se o dinheiro caísse do céu só para eles.

Há uma maneira de mudar essa situação e restaurar a seriedade perdida: a prática do voto consciente. Na ausência de candidatos dignos – a exemplo do que está ocorrendo nas eleições deste ano para a Prefeitura da cidade de São Paulo –, que se vote em peso nas legendas partidárias como forma de protesto, a fim de dar aos partidos políticos maior responsabilidade nas escolha de seus candidatos – que no caso de São Paulo pareceu até um desrespeito à inteligência do eleitor paulistano.  Um Estado democrático forte precisa de partidos políticos fortes e comprometidos com os ideais que defendem. Essa picaretagem de partidos nânicos, de coligações partidárias espúrias e da prática de uma política interna partidária de “cartolas” – que não dá espaço para o renovamento político de seus quadros e nem chance ao surgimento de novos líderes políticos –, está minando o exercício democrático brasileiro. O voto é a nossa única arma, precisamos aprender a usar o voto estrategicamente, usá-lo a nosso favor e não jogá-lo na lata de lixo. É preciso colocar um paradeiro na hipocrisia política, pois de tanto esquecimento nós acabaremos por esquecer o valores que devem nortear uma verdadeira democracia.