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sábado, 26 de setembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 4. JESUS, AQUELE QUE DÁ VIDA

JESUS, AMOR & FÉ *

4. JESUS, AQUELE QUE DÁ VIDA.

É assim que Jesus nos conta do início da sua infância no texto apócrifo "São José e o Menino Jesus"/ História de José, o Carpinteiro”:

"Eu da minha parte, desde que minha mãe me trouxe a este mundo, estive sempre submisso a ela, como um menino. Procedi dentro do que é natural entre os homens, exceto o pecado. Chamava Maria de "minha mãe” e a José de "meu pai". Obedecia-lhes em tudo o que me ordenavam, sem me permitir jamais replicar-lhes. Pelo contrário, dedicava-lhes sempre grande carinho." (Cap. XI; 2-3)

Podemos perceber que Jesus se considera um filho "perfeito", daqueles que todos os pais desejariam ter, mas como será que os outros o viam em sua infância? De certo para os padrões humanos não era tão perfeito assim!!!

O eminente tradutor inglês William Wright teve a responsabilidade de traduzir um um texto siríaco pertencente então ao Museu Britânico, um manuscrito do século V, que considerava-se que tivera como fonte um texto grego, encontrado no Sinai entre os séculos XIV E XV, e que foi pela primeira vez publicado em 1865 pela Peeters Publishers (UK). Esse texto em questão revelou pela primeira vez como Jesus se comportava em sua meninice e foi nomeado como "Narrações de Tomé, Filósofo Israelita, sobre a Infância do Senhor" ou "Evangelho Pseudo-Tomé" e não deve ser confundido com o "Evangelho de Tomé", documento copta encontrado em 1945.  

Aqui abrirei um parênteses para uma breve explicação sobre a identidade de Tomé. poucos sabem que Judas Tadeu segundo os estudiosos é cada vez mais considerado como o irmão de Jesus, chamado de Judas e alcunhado de Tomás, que em aramáico quer dizer "Gêmeo", ou São Tomé, o Dídimo (o gêmeo), e nos evangelhos  do Novo Testamento é chamado de o "Irmão do Senhor", assim como seu irmão Tiago, o menor, o justo, que viria a ser o primeiro bispo de Jerusalém. Tanto São Judas Tadeu, o irmão do Senhor - São Tomé, o Dídimo como São Tiago (o menor), o Justo, seriam filhos de Maria Salomé, irmã de Maria mãe de Jesus, com Zebedeu (por vezes chamado de Alfeu) e irmãos do mais jovem discípulo de Jesus, o amado João, todos portanto primos-irmãos de Jesus, considerados na tradição tribal judáica como se irmãos o fossem.

Assim, São Judas Tadeu sendo ele também São Tomé tem uma importância muito maior que a tradição atribui a ele, pois sendo ele também Tomé foi quem só acreditou na ressurreição de Jesus ao colocar o dedo nas chagas de Jesus, razão pela qual seria o santo das "causas impossíveis", pois nada pode parecer mais impossível a qualquer pessoa que um morto ressuscitar!!!!

São Tomé ou Judas Tadeu - que devido a sua semelhança com o Mestre muitos alegaram que tinha sido ele o crucificado no lugar de Jesus a fim de desacreditar a ressurreição-, era considerado pelo próprio Jesus o seu discípulo mais perfeito, mas mesmo assim ele se mostrou deveras humano, tão semelhante a nós, pois nós também temos muita dificuldade de verdadeiramente acreditar em Deus, precisamos ver e tocar para crer na manifestação milagrosa de Deus. 

É por isso que São Judas Tadeu ou São Tomé, santo das causas impossíveis, tem vital importância, pois não nos inspira apenas a acreditar que milagres são possíveis, muito mais do que isso nos inspira a acreditar firmemente em Deus, e tendo verdadeira fé em Deus tudo se torna possível. No famoso Evangelho de São Tomé (descoberto em 1945) constatamos quão são preciosos os ensinamentos de Jesus para possamos nos aproximar de Deus e assim permitir que Deus permaneça em nós, de modo que todos possam aprender a andar na Terra como se andassem no Céu. 

Tendo em vista essa explicação esclarecedora, o nome "Tomé" 
permite tomarmos a liberdade de supor a possibilidade que a narrativa "Narrações de Tomé, Filósofo Israelita, sobre a Infância do Senhor"  tenha sido feita por Tiago, filho menor de José, que morava com o pai e que brincava com Jesus na infância. Naturalmente, se os estudiosos do Vaticano considerassem que esse texto fora fruto do testemunho de Tiago, filho de José, enteado de Maria, seu valor seria muito outro. Assim, esse texto apócrifo vem sendo considerado como uma narrativa fantasiosa sobre a infância de Jesus, mas em tudo, com o conhecimento que temos hoje, poderia ser considerado mais do que provável realidade do comportamento de um ser de alta divindade num avatar humano, porquanto a encarnação ou  a corporificação  é uma limitação física e como vimos recentemente tão bem apresentado no filme "Avatar" de 2009, escrito e dirigido por James Cameron, também pode ser causa de tremendas confusões para o ser corporificado num corpo desconhecido. Assim sendo, que o nosso julgamento sobre essa curiosa narrativa da infância de Jesus, que passarei a apresentar para vocês seja tido nesse sentido: de Deus descobrindo as agruras de ter se encarnado e estar corporificado num ser humano e, pior, a necessidade de ter seus poderes limitados. Pois, não se esqueçam que Deus se fez homem para conhecer melhor a sua criação e poder ajudá-la a encontrar a felicidade e se libertar do sofrimento.

Tomé (ou Tadeu/Tiago) inicia a sua narrativa desse modo: 

"Eu, Tomé Israelita, julguei necessário transmitir a todos os irmãos procedentes da gentilidade o conhecimento da infância de Nosso Senhor Jesus e de todas as maravilhas que realizou, desde seu nascimento em nossa terra. Aqui dou início: 
Aos cinco anos de idade, o menino Jesus estava brincando em uma correnteza de água depois da chuva. 
Recolhia a água em pequenas poças e a tornava límpida em um instante, dominando-a só com a sua palavra.
Formou uma pasta com o barro e modelou com ela doze passarinhos.
Fez isso em um sábado; e havia outras crianças brincando com ele.
Vendo o que Jesus fizera em dia de sábado, certo judeu saiu correndo e contou tudo a seu pai José:- Olha, teu filho está na correnteza. Apanhou massa de barro e fez doze passarinhos. Ele profanou o sábado.
José dirigiu-se ao lugar e , ao vê-lo, o repreendeu, dizendo:
- Por que fazes, no sábado, o que não é permitido fazer? 
Jesus bateu as mãos, voltou-se para os passarinhos e disse-lhes: 
- Ide!
Abrindo as asas, os passarinhos voaram, gorjeando.
Ao presenciar isso, os judeus ficaram admirados e foram contar a seus chefes o que tinham visto Jesus fazer." (Capítulos I e II)

Como sabemos o "sábado" é o dia sagrado dos judeus, em que era obrigatório um descanso absoluto, Jesus sempre censurou os exageros dessa regra e pregou contra ela na passagem das espigas arrancadas em dia de sábado (Mt. 12) . Disse Jesus: "Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado... Há alguém dentre vós que, tendo uma única ovelha e esta cair num poço num dia de sábado, não a irá procurar e retirar? Não vale o homem muito mais que uma ovelha? É permitido, pois fazer o bem no dia de sábado." Pois, bem agora sabemos que a censura de suas ações num dia de sábado teria forte reflexo no seu futuro, como um ensinamento novo que precisaria ser ministrado aos humanos. 

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 3. A ENCARNAÇÃO PERSEGUIDA

JESUS, AMOR & FÉ *

3. A ENCARNAÇÃO PERSEGUIDA

Ao mesmo tempo que Jesus nascia numa gruta do caminho entre Belém e Jerusalém, chegava ao palácio do rei Herodes, o Grande, três príncipes vindos do Oriente, sacerdotes de Zoroastro que tinham tomado conhecimento em suas consultas às estrelas que um rei nasceria aos judeus e reinaria sobre toda a terra. E assim os três príncipes se dirigiram ao rei da Judéia, crentes que o novo rei seria filho de Herodes, o Grande. Então foram eles à corte transmitir tão fantástica notícia ao rei, certos que ele se alegraria com a notícia, mas eles nada sabiam de Herodes, pois se soubessem jamais teriam ido lá dar tal notícia a esse ímpio rei judeu.

Herodes nasceu em 73 a.C. na Iduméia (região ismaelita, que deu origem aos árabes) ao sul da Judéia, que fora no passado anexada pelos judeus, que obrigaram forçosamente a todos idumeus a se converterem ao judaísmo e serem circuncisos. Quando o general romano Pompeu conquistou a Judéia em 63 a.C, a região se tornou tributária de Roma. Aos 25 anos, em 49 a.C., Herodes foi feito governador da Galiléia e posteriormente foi colocado no trono da Judéia por César Augusto, em 37 a.C. e ganhou o título de "rei da Judéia" como cliente de Roma.

Herodes I queria tornar seu reino tão esplendoroso quanto se contava ter sido um dia o reino de Salomão, assim ele foi responsável pela reconstrução do segundo templo, que ficou conhecido como o Templo de Herodes, também construiu o seu palácio em Jerusalem e embelezou toda a cidade com grandes obras, construiu cidades como Cesaréia e a fortaleza de Massada. Herodes I, o Grande, instalou uma corte helenizada, e trouxe sacerdotes da Alexandria e da Babilônia para ocuparem cargos do alto sacerdócio do templo, caindo no desagrado dos fariseus e dos saduceus, as duas correntes sacerdotais levitas da época.

Herodes I era repudiado tanto pela classe sacerdotal judáica como pelo o povo judeu, pois esses consideravam um usurpador, um impuro, que para satisfazer sua megalomania impunha altos impostos e uma dura submissão à Roma. Por sua vez, Herodes I, tinha um ego insuflado e não podia suportar a idéia que um dia alguém viesse a ocupar seu trono, ou pior, o destronar.  Jesus conta que "Satanás apresentou a sugestão a Herodes, o Grande (…), para que ele procurasse encontrá-lo para tirar-lhe a vida , pensando que o reino de Jesus fosse deste mundo.” (do Livro São José e o menino Jesus, capítulo VII). Herodes I, ardiloso, ao ouvir a notícia que lhe foi dada pelos príncipes do Oriente, ele pediu para que eles fossem à região de Belém e encontrando a criança predestinada a ser rei dos judeus voltassem para contar à ele, para que ele também pudesse ir lá adorar o recém-nascido. 

E, os três príncipes foram em busca do recém-nascido real, seguindo uma estrela que brilhava mais que todas no céu noturno, até que chegaram à gruta onde um menininho repousava numa manjedoura sob olhar encantado dos seus pais. E vendo a criança eles se maravilharam tocados em seus corações e ofereceram ao recém-nascido ouro, incenso e mirra. Em conversa com José, pai de Jesus, os príncipes tiveram conhecimento da real situação política da Judéia e preocuparam-se por terem ido à corte de Herodes, o Grande, para contar o que lhes pareceu ser uma "boa nova" ao povo judeu.

Conta, a tradição que quando estavam retornando para Jerusalém, os três sacerdotes receberam a visita de um anjo, que os alertou para não voltassem ao palácio de Herodes, o Grande, e não contassem para ele o paradeiro da criança que tinham acabado de conhecer e ouvindo o conselho do anjo Melchior, Baltazar e Gaspar retornaram à Pérsia. Após a partida dos príncipes do Oriente, Jesus conta em seu relato que José também foi avisado numa visão dada por Deus, que Herodes planejava matar seu filho e que eles deviam fugir para o Egito o quanto antes (São José e o menino Jesus Capítulo VIII). Sem perda de tempo, José retornou com Maria e o menino Jesus para Nazaré, onde arrumou suas coisas para a fuga, se fazendo acompanhar do seu filho pequeno Tiago e de Maria Salomé, que ajudaria Maria a cuidar da criança durante a longa viagem. E assim a família desceu até o Egito, por onde permaneceu pelo tempo de apenas um ano. 

O aviso angelical salvou assim a vida de Jesus. Porquanto, como os sacerdotes do Oriente tardavam a retornar para dar o paradeiro do nascimento da criança predestinada, Herodes, o Grande, tomado de furor editou a ordem para que todas as crianças abaixo de dois anos de idade nascida na região de Belém fosse morta. Considerasse que em razão de à época não serem mais de 20 crianças na pequena Belém e arredores, o triste episódio chamado "o massacre dos inocentes", não recebeu nenhum registro histórico, não sendo considerado tão relevante quanto o fato de Herodes ter mandado matar seus dois filhos e sua mulher, pois a crueldade de Herodes era digna de Satanás. Mas tal medonho ato foi devidamente castigado por Deus, como contado por Jesus "... o corpo de Herodes se tornou um pasto de vermes, morreu como justo castigo pelo sangue dos meninos inocentes que ele derramara." (São José e o Menino Jesus VIII-3). A morte de Herodes por putrefação da sua carne e devorado por vermes à olho nu, está confirmada em textos históricos, e um de seus filhos veio a morrer da mesma estranha doença. Com a morte de Herodes em 4 a.C, foi estabelecida uma tetrarquia por Roma com seus três filhos: Herodes Arquelau, Herodes Antipas e Felipe, com a destituição de Arquelau o reino ficou dividido entre Herodes Antipas ,em Jerusalem, e Felipe, em Cesaréia.

Foi assim que Jesus narrou seu retorno à Galiléia: "Quando morreu o ímpio Herodes, voltamos a Israel e fomos viver numa cidade da Galiléia, de nome Nazaré. Meu pai José, o ancião bendito, continuou exercendo a profissão de carpinteiro e , assim, com o trabalho de suas mãos, pudemos manter-nos. Jamais se poderá dizer que comeu seu pão sem trabalhar. Conformava-se, desse modo, ao que prescreve a lei de Moisés." Pois, diz a lei mosáica, que o homem deve viver do trabalho de suas próprias mãos e todo pai deve ensinar uma profissão ao filho para que ele não se desvie do caminho da correção. 

E foi desse modo que começou a vida de Jesus na Terra, sendo perseguido desde o seu nascimento pelo mal, mas protegido por aqueles que conservavam o bem como o tesouro precioso de seus corações.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 20 de setembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 2. JESUS, A LUZ DO MUNDO.

JESUS, AMOR & FÉ *

2. JESUS, A LUZ DO MUNDO.

Assim a história de Jesus começa em algum tempo entre os anos de 7 a.C e de 4 a.C., com José conduzindo sua família da cidade de Nazaré para Belém, sua cidade de origem, distante  8 quilômetros ao sul de Jerusalém, que era mesma cidade de origem do rei Davi e de seus descendentes. De tempos em tempos, tanto as autoridades romanas assim como os  sacerdotes dos judeus obrigavam os homens a se recensearem, em ambos os caso o objetivo era um só, tomar dinheiro do povo cobrando pesadas taxas. No que diz respeito aos judeus a lei mosaica determinava: “Quando fizerdes os recenseamentos dos israelitas, cada um pagará ao Senhor pelo resgate da sua vida, para que este alistamento não atraia sobre ele algum flagelo. Cada um daqueles que forem recenseados pagará meio-ciclo (segundo o valor do ciclo do santuário, que é de vinte gueras), meio ciclo como contribuição devida ao Senhor. Todo homem recenseado de vinte anos para cima pagará contribuição devida ao Senhor.” (Êxodo 30: 11-14), assim o recenseamento dos israelitas era feito de maneira a contar o número de membros de cada uma das doze tribos de Israel, no caso José pertencia à tribo de Judá, a mesma de Davi com sede em Belém. Quanto ao governo romano, desde que Pompeu conquistara a região do antigo reino de Israel, em 63 a.C, o povo judeu tornara-se vassalo de Roma,   e no tempo do nascimento de Jesus era imperador romano César Otávio , o Augusto (o Filho de Deus Jupiter/ e ou Zeus), cuja cobrança de impostos era a maior causa de levantes dos judeus contra Roma.

José percorreria com sua família algo em torno de 108 quilômetros,  de Nazaré a Belém, um pouco mais ou um pouco menos dependendo do caminho que tomasse e das condições do tempo.

Não está nos evangelhos mas é certo que o clã de José permaneceu em Nazaré pois foi ali que os filhos de José nasceram: o pequeno Tiago, seu filho menor, seus filhos maiores José e Simão, suas duas filhas Lísia e Lídia, tal como nos conta o documento apócrifo de "Sao José e o Menino Jesus", também conhecido como o livro da "História de José, o carpinteiro", que apresenta a vida de Jesus segundo  as próprias palavras do Salvador, tal como contou aos seus discípulos, documento este publicado pela primeira vez em 1722, pelo sueco George Wallin, que traduziu para o latim o texto manuscrito em árabe, que tinha vindo do Egito e fora encontrado na Biblioteca Real de Paris. 

De modo que José seguiu na jornada com sua esposa Maria  acompanhada de  sua irmã Maria Salomé (filha também de Joaquim e Ana como Maria) e que a ajudaria no parto, porquanto Maria estava grávida prestes a dar a luz, e por isso foi carregada no lombo de um burrinho. E é assim que Jesus descreveu a ocasião do seu nascimento:

"Saiu naquela ocasião, um edito do imperador Augusto ordenando que todas as pessoas fossem recensear-se, cada um no lugar de sua origem.
Também o bom ancião se pôs a caminho e levou Maria minha mãe virginal, à sua cidade de Belém. E como já se aproximava o dia do parto, apresentou seu nome ao escrivão na seguinte forma:
'José, filho de Davi; Maria, sua esposa; e seu filho (Jesus, que estava prestes a nascer) da tribo de Judá.' 
E, Maria, minha mãe, me deu à luz, ao voltar de Belém, junto ao túmulo de Raquel, esposa do patriarca Jacó e mãe de José e Benjamim."

O túmulo de Rachel fica em algum ponto dos oito quilômetros que separa Belém de Jerusalém. O nascimento de Jesus é atestado pelo apologista cristão Justino, o Mártir (c. 100-165 d.C.), que observou em sua obra Diálogo com Trifão que a Sagrada Família (José, Maria e o menino Jesus) se refugiou em uma caverna fora da cidade:
"José pegou seus aposentos em uma determinada caverna perto da aldeia (Belém), e enquanto eles estavam lá Maria deu à luz ao Cristo (que quer dizer o “ungido" em grego, traduzido também como o Messias) e colocou-o numa manjedoura, e foi nesse local que os Magos que vieram da Arábia o encontraram." (capítulo LXXVIII).

O filósofo grego Orígenes de Alexandria (185 d.C. - cerca de 254 d.C.) escreveu também a respeito do local: "Em Belém, a caverna é apontada onde nasceu, e a manjedoura na caverna onde ele foi envolto em panos. E o boato é nesses lugares, e entre os estrangeiros da fé, que na verdade Cristo nasceu em uma caverna que é adorada e venerada pelos cristãos." (Contra Celso, livro I, capítulo LI).
Pois foi assim, que Jesus veio ao mundo, numa caverna "sagrada", iniciando a sua vida humana na Terra num local semelhante ao que marcaria o seu fim, provando do nascimento e da morte como todo ser vivo. 

"FOI ASSIM QUE UM MENINO FOI DADO AO MUNDO PARA SALVAÇÃO DAS PESSOAS. QUE DEUS SEJA LOUVADO POR NOS AMAR TANTO E NOS DAR A SI MESMO EM JESUS COMO PROVA DE SEU IMENSO AMOR POR NÓS.”

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 1. JESUS, O AVATAR DE DEUS

JESUS, AMOR & FÉ *

1. JESUS, O AVATAR DE DEUS


Hoje eu vou começar a contar a história de Jesus de uma maneira diferente para que os seus corações e as suas mentes possam compreender melhor não só a presença de Jesus no mundo, como também para fortalecer a Fé de vocês para a sua aguardada manifestação pública no mundo outra vez.

Alguns poderão dizer que repudiam os conhecimentos tradicionais e seculares oferecidos pelas Igrejas cristãs com base nas escrituras sagradas constantes da Bíblia, mas deveriam pensar duas vezes  e mais seriamente sobre essa atitude. Darei aqui para vocês um motivo racional, destituído de fé ou religiosidade para que até os adeptos do racionalismo cientifico se convençam da importância inegável da vinda de Jesus ao mundo há mais de dois mil anos. 

Naquela época o mundo era de extrema crueldade e os corações das pessoas estavam de tal modo tomados pelo mal que não conseguiam mais se aproximar da luz da sabedoria de Deus. Mesmo entre os judeus - que se diziam não só um povo predestinado por Deus como também "filhos do Deus Único" (Jeová)-, a corrupção era tanta que os princípios fundamentais dados por Moisés estavam praticamente esquecidos. 

Naquele tempo a palavra AMOR só tinha valor carnal, e expressava mais a paixão humana sexual do que um sentimento de afeição, solidariedade, empatia e generosidade entre os seres humanos e entre esses e os outros seres vivos. As pessoas não eram gentis umas com as outras e não gostavam de estranhos e menos ainda de estrangeiros. Os relacionamentos eram agressivos e sempre à beira da violência por causa do costume de discriminar esse ou aquele por qualquer coisa, principalmente entre os judeus, que usavam de sua religião para praticar com rigor da lei atos discriminatórios entre o que era "puro" e "impuro". Duros tempos eram aqueles em que os corações humanos eram embrutecidos e duros como pedra, porém, se não fosse essa frieza de coração ninguém sobreviveria a um mundo tão inóspito e distante de conceitos de verdadeira humanidade.

Foi nesse mundo que Jesus veio pregar sua mensagem de justiça, cordialidade, fraternidade e amor. Nesse mundo de uma civilização brutal Jesus veio ensinar "bons modos" às pessoas, veio "educar" suas almas para terem mais cortesia uns com os outros. Eis porque seus ensinamentos são tão importantes, porque antes dele NUNCA ninguém colocara o sentimento humano do AMOR em tão alto patamar, ou seja, ninguém antes havia dito que DEUS É AMOR!!! Ora, se até os bichinhos a as plantinhas são capazes de amar, como o ser humano que foi criado à imagem de Deus, não sabia amar? 

Se Jesus não tivesse vindo para ensinar o valor do amor como estaria o mundo hoje? Não haja dúvida que seria muitas vezes pior do que já o é, pois a única coisa que ainda salva esse mundo é encontrarmos nele ainda um pouco de amor. Então, está aí o valor histórico de Jesus, só por isso já mereceria ser lembrado como o maior homem da Humanidade que andou na face Terra. 

Porém, existem pessoas como eu que acreditam que o homem Jesus é como um "avatar" de Deus na Terra, ou seja, o próprio Deus em pessoa, criado de si mesmo, portanto filho de Deus. Quando faço a distinção entre Deus e Jesus eu estou em verdade distinguindo o homem que Deus corporificou e Deus como a energia fundamental da vida e da criação de tudo que existe, a suprema inteligência, que  fazem assim de Deus e Jesus personificações bem distintas. Quando Deus se corporificou no seu "avatar" de Jesus foi para conhecer a condição humana e ajudar às pessoas como um ser humano, com todas as limitações que carne dá ao espírito divino. Apesar de ser Deus Ele se tornou um "igual" entre os seres humanos para ensinar-lhes o quanto o ser humano poderia ser "divino" em si mesmo. Assim, quando me refiro à Jesus, refiro-me ao Mestre divino, ao Amigo sempre disposto a ajudar, ao Deus que tanto amou sua criação que se fez humilde e igual à ela para socorre-la em suas aflições, refiro-me Àquele que nos ama mais do nós mesmos possamos nos amar. Assim, apesar de Jesus e Deus serem a mesma pessoa, é em Jesus que Deus manifestou e manifesta toda sua forma amorosa pelas pessoas, porque sendo Deus, o Criador, se fez um ser humano para amar melhor a sua criatura.

Então, será assim que contarei essa história de Jesus para vocês, não do ponto de vista humano, mas do ponto de vista de Deus e do próprio Jesus, pois só mudando a perspectiva terrena humana e deixando que a mente veja o que está além do que pode ser visto com os olhos, permitindo que Deus esteja no controle e invada com sua luz mente e coração se pode compreender o mistério que Jesus revela com sua vida entre aqueles que ama. Mais, só assim é possível atingir a maior das ambições humanas: entender a Deus. E, será narrando essa história dessa inusitada perspectiva que eu espero alcançar a proposta de não só manter a memória de Jesus viva entre nós, como também resgatar todos aqueles que por um motivo ou por outro se afastaram da fé em Jesus.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O PODER DO DESTINO

O PODER DO DESTINO

BIA BOTANA


Eu estava aqui escrevendo o meu "Bom dia" de hoje no Facebook quando ouvi ao longe um forte estrondo, por volta das dez horas da manhã. Nada anormal, pois aqui no Guarujá (SP) é normal ouvir-se estrondos já que há muitas construções à volta, além disso tem o pessoal que sempre está soltando rojões tenha motivo ou não. 

Depois de postar, eu fui dar continuidade a pintura de um dos meus quadros que está em estágio de contínuo aperfeiçoamento. Foi só quando liguei a TV na Globo News que eu tomei conhecimento da queda do avião Cessna 560XL no bairro residencial do Boquirão, em Santos, nas imediações do Canal 3, nas proximidades de quem se dirige às balsas pra travessia para o Guarujá, porquanto o avião arremeteu por causa do mau tempo justo quando se dirigia para a travessia do canal de Santos em direção ao futuro aeroporto do Guarujá, na Base Aérea da Aeronáutica, mas segundo testemunhas teria caido de bico na manobra. Foi com choque que recebi a notícia que o candidato pernambucano à presidência da República Eduardo Campos (PSB-Partido Socialista Brasileiro), 49 anos completados no último dia 10, falecera no acidente, deixando viúva, um filho recém-nascido e mais quatro filhos.

Eduardo Campos, era neto do politíco tradicional pernambucano da esquerda socialista, e ex-governador Miguel Arraes, falecido também num dia 13 de agosto em 2005 de sepcemia. Eduardo Campos tinha agenda de campanha em Santos onde daria uma entrevista a uma radio local às 9hs30 e uma visita agendada no bairro de Vicente Carvalho no Guarujá, depois iria à São Paulo para outros compromissos.

Rei morto, rei posto. E a vida política do país continuará, com o início da campanha eleitoral em poucos dias. Sua vice Marina SIlva, ex-ministra do governo Lula, que não conseguiu se candidatar à presidência por falta do registro o seu partido "Rede" e virou vice de Eduardo Campos, é nesse momento a sua virtual herdeira dos 9% nas pesquisas e sua provável sucessora na candidatura. Coisas do destino... 

Se assim for o confronto entre a atual presidente Dilma Rousseff (com 38% nas pesquisas) e Marina Silva será inevitável. Será engraçado ver duas esquerdistas se engalfinhando pelo poder, ambas mais representativas de forças políticas internas e externas interessadas em patrocinar seus interesses obscuros, e que não possuem voz própria, e não passam de meros fantoches no tabuleiro de xadres político do Brasil. Do outro lado da disputa estará Aécio Neves (PSDB - Partido Social Democrático Brasileiro), com 23% nas pesquisas, que como Eduardo Campos é neto é herdeiro moral da tradição política mineira do falecido presidente Tancredo Neves.

Eduardo Campos que poderia representar uma espécie de terceira via nessas eleições foi retirado dramaticamente do cenário pelo poder do destino. A disputa esquerda-direita se radicaliza a partir de agora, e não há como negar isso. Após onze anos de uma governança socialista conduzida pelo PT (Partido dos Trabalhadores), o Brasil está pagando um alto preço por uma política governamental que só se sustenta pelo clientelismo e por um paternalismo social que incha o Estado e aumenta a divida interna do Brasil em detrimento de uma política de crescimento econômico e progresso desenvolvimentista. O eleitor brasileiro terá que pensar se deseja continuar sustentando um bando de pançudos que estão vivendo às custas do Estado sem contribuir em nada para o crescimento da economia brasileira ou se prefere apoiar uma política desenvolvimentista de viés capitalista que tem por objetivo implementar um progresso que não vise apenas maquiar o problema social brasileiro, mas abrir verdadeiras oportunidades para que o povo, em todos segmentos representativos da sociedade, tenha meios de alavancar um processo de desenvolvimento sustentado com base de oportunidades para todos segundo o mérito de cada.

Desse triste tragédia que afeta inesperadamente a todos nós, fica uma única lição: nada nessa vida pode ser dado como cartas marcadas, do mesmo modo que o povo brasileiro foi surpreendido com a morte inesperada de Tancredo Neves, agora foi surpreendido com a morte do jovem candidato à presidência Eduardo Campos. Fica claro que o destino tem poder, e que poder! E, a vitória nas eleições será certamente de quem for "a vez".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A PERVERSIDADE DO BULLYING SILENCIOSO


A PERVERSIDADE DO BULLYING SILENCIOSO

Bia Botana

Nós temos um conceito de bullying que abrange a idéia geral de uma situação entre indíviduos que molesta fisicamente e emocionalmente de maneira constante. Todavia, existe uma maneira mais sútil de bullying, uma que se assemelha ao assédio moral, eu refiro-me ao perverso bullying silencioso.

O objetivo do bullying é o exercício do poder de um ser humano sobre outro, seja ele praticado pelo uso da “força física”, seja pela “intimidação psicológica” o bullying é uma prática de violência contra a integridade humana.  Na violência pela intimidação psicológica, o chamado bullying silencioso, busca-se o constrangimento do indíviduo, sua humilhação, com um ataque acobertado direto e agressivo à sua dignidade e autoestima a fim de submetê-lo através da perda crescente da sua autoconfiança a uma opressão da sua personalidade. O agressor objetiva manipular a vontade do sujeito tal como se esse fosse um marionete. O bullying silencioso deveria ser considerado mais seriamente em razão das graves consequências que pode ter para um indivíduou ou para um grupo de pessoas, sua agressão oculta leva os agredidos a sentir como se estivessem a morrer na alma. Esse tipo de bullying é tão perigoso que pode levar o indivíduo agredido a uma forte depressão e em casos extremos até ao suicídio, decorrente do sentimento de rejeição despertado pela exclusão social a que foi submetido.

Quem faz o bullying silencioso sabe perfeitamente o que está fazendo à outra pessoa, que a faz sentir-se estúpida, mas como não usa comportamentos verbais, quando questionada de sua atitude simplesmente desculpa-se dizendo cinicamente que não estava fazendo nada. Os agressores do bullying silencioso podem ser os chefes autoritários e desqualificadores, companheiros de trabalho ou de estudos, que invejosos sobrecarregam seus alvos com constantes culpas por situações insatisfatórias de desempenho, companheiros amorosos e familiares que são arrogantes e mentirosos, mas principalmente são  os manipuladores os piores de todos. Os agressores manipuladores podem ser pessoas ou os ambientes de atividades sociais que se caracterizam pelo objetivo de quererem ter o controle sobre a vida de um indíviduo ou de um grupo de pessoas, que sendo notados por alguma qualidade de valia especial passarão a ser alvo do agressor manipulador, interessado em suprimir o estado de sucesso e tirar em proveito próprio tudo o que puder, além de eliminar qualquer possível rivalidade.

Normalmente o agressor manipulador usa da sedução para atrair, oferece algo do interesse de sua vítima em troca de nada (apenas na aparência), em ocasião oportuna exigirá a disposição desse a todo momento para satisfazer suas necessidades, até então ocultas, colocando seu alvo na posição de devedor por conta de seus favores gratuitos prestados anteriormente. Será tarde demais quando a vitíma do manipulador descobrir que sua vida foi contada a todo mundo e que o manipulador adquiriu o poder de controlar a sua vida, com o poder de fazê-lo sentir-se constantemente mal, fragilizado, inteiramente  “dependente”  de outra pessoa, de um grupo social ou de uma situação, caindo na armadilha que lhe foi armada para apenas ter a  impressão de ser aceito e  não sofrer uma exclusão social.

Em março de 2011,  Kipling D. Williams, pesquisador da Universidade de Purdue, nos EUA, publicou um estudo relevante que alertava que o bullying silencioso era uma forma de exclusão social – que leva ao ostracismo e à solidão. Segundo esse estudo, “ser excluído ou sofrer ostracismo é uma forma invisível de bullying e geralmente seus impactos são substimados”. Para Williams “ser excluído por seus colegas no colégio, no trabalho, ou mesmo por cônjuges ou familiares pode ser insuportável. O bullying silencioso, tal como a exclusão social e o ostracismo causa sentimentos de dor que podem ter efeitos duradouros, quando uma pessoa é isolada socialmente, o córtex cingulado dorsal anterior do cérebro, que registra a dor física, também sente como dor essa sensação de injustiça social. Ser excluído é doloroso porque ameaça as necessidades humanas fundamentais, que são o  pertencimento e a autoestima. Essa dor pode ser sentida mesmo quando a exclusão é praticada por um desconhecido ou por um curto período. “

O estudo de Kipling D. Williams envolveu 5 mil participantes em um jogo de computador, desenvolvido por ele, com o foco de demonstrar que como o  ostracismo a exclusão social do bullying silencioso é uma experiência de três estágios:  (i) os atos iniciais de ser ignorado ou excluído,  (ii) enfrentamento e (iii) resignação.  E, demonstrar, também, o efeito tóxico que apenas dois ou três minutos de exclusão social provoca no indivíduo sentimentos negativos prolongados.

As reações ao primeiro estágio, de ser ignorado ou excluído (i), foram semelhantes a todos participantes, mas as formas de enfrentamento (ii) foram diferentes. A mais comum foi adotar uma atitude comportamental inclusiva, tal como obedecer ordens, cooperar ou expressar simpatia. Todavia, se a esperança de reinclusão futura se dissipava e dava lugar a sensação de perda de controle da própria vida, os jogadores recorriam ao comportamento provocativo e mesmo até agressivo. Com o surgimento do sentimento de frustração  em algum ponto do processo de inclusão a pessoa parava de se preocupar em ser agradável e passava a querer apenas ser notada. Evidenciou-se que se uma pessoa é isolada por um longo tempo ela pode perder a capacidade de enfrentamento contínuo, pois a dor emocional se faz persistente, conduzindo a pessoa à desistência, ou ao estado de resignação (iii) onde a pessoa passou a apresentar um aumento da raiva e da tristeza.

Assim, comprovou-se que o ostracismo de longo termo presente na exclusão social e no bullying silencioso, pode resultar em alienação, depressão, sensação de desamparo e sentimento de indignidade, os quais fomentam o radicalismo e a intolerância, tornando a pessoa propensa à hostilidade e à violência. Pois, em resposta a sensação de se perder o controle sobre a condução da própria vida o comportamento agressivo apresenta-se como uma forma eficaz de restaurar a integridade individual, não importando que esse comportamento venha acompanhado de violência contra si mesmo ou contra terceiros.  E é nesse ponto que o bullying social e a exclusão social aparecem como faces  mesma moeda com um viés de perversidade e ainda pouco estudado, cujas consequências ainda não foram dimencionadas corretamente.

Ora, é difícil de acreditar que é exatamente esse tipo de jogo psicológico elaborado por Kipling D. Williams para seu estudo, que foi aplicado num jogo comercial tremendamnete viciante distribuído pelo Facebook, o notório “Candy Crush”, do desenvolvedor de jogos britânico, King.

A King Com. tem desenvolvido jogos há 10 anos e tornou-se rentável a partir de 2005, mas teve um sucesso meteórico a partir do final de 2011, justo no mesmo ano da divulgação do jogo de exclusão social da pesquisa de Williams. Desde então a King tem fornecido os jogos mais populares e ganhando rios de dinheiro com plataformas como o Facebook e iOS. Um não tão inocente jogo como o “Candy Crush” não é apenas viciante, mas também extremamente torturante com seu processo de bullyings de exclusão social, aplicados em métodos subliminares de manipulação mental capazes de fazerem as técnicas torturantes de reflexos condicionados de Pavlov uma brincadeirinha infantil.

Não foi apenas em razão da onda de suicídios crescente desde 2008 entre os frequentadores das redes sociais, adolecentes, jovens e não tão jovens assim, que em meados do último setembro o Facebook criou um recurso para prevenir suicídios. Decisão tomada após o suicídio da adolescente britânica Hannah Smith de 14 anos, no último dia 2 de agosto, aparentemente devido aos insultos e ameaças que recebeu em seu perfil no Ask.fm, uma rede social em que os usuários postam perguntas e resolvem dúvidas de forma anônima. A Ask.fm pertence aos milionários letões Ilja e Marks Terebins, e está registrado na Letônia e tem mais de 60 milhões de usuários.  O fato dos usuários poderem se conservar no anonimato, e a presunção do anonimato como forma de ocultar a sociopatia, é, ao que parece, o cerne do problema, já que sites como o Ask são viciantes e, mesmo contendo insultos, as pessoas continuam regressando a estas páginas curiosas a respeito do que estão dizendo delas.

A bem da verdade, ao que parece ninguém está se importando muito ao que está acontecendo não só às crianças e aos jovens na Internet como também a todos níveis de usuários, porque os altíssimos rendimentos financeiros que a Internet vem apresentado são mais importantes que o bem-estar dos indivíduos. O drama que se desenvolve no cenário das redes sociais da Internet está inteiramente tomado pelo processo do bullying silencioso que vem sendo práticado tanto pelos usuários entre si como pelas plataformas de redes sociais em relação aos seus usuários.

No passado, cada um de nós administrava o risco de dano em sua vida pessoal. Hoje os riscos são globais e de vítimas não delimitáveis. Um dano ao sistema afetará a todos, enquanto novos intrumentos de produção de dano, intencional ou não, surgem com diferenciado potencial para produzir lesividades. Ou seja, a questão que atormenta as vítimas do cyber bullying silencioso é não terem o controle, nem a instrumentação para o enfrentamento da perturbação, aliado à questão do anonimato potencial dessa prática e a sensação de impunidade para os agressores.

A sociedade tornou-se menos solidária,  está desaparecendo a rede de apoio antes sustentada pelos laços fraternos de amizade entre as familias. Há uma crescente solidão e distanciamento entre as pessoas, a intimidade não é algo desejável, as pessoas tendem a se isolar em autodefesa contra relacionamentos com pessoas tóxicas, aquelas agressoras e dadas ao bullying silencioso. As pessoas que já foram agredidas com o bullying silencioso aprenderam a estudar seus agressores como forma de defesa, fazendo um plano para conhecer o “inimigo”, descubrindo suas debilidades e pontos fracos, assim eliminando o próprio medo e abandonando o papel de  vítima e podendo demonstrar com atitudes firmes que não é  mais vulnerável a este tipo de ataque, o que é preferível ao confronto verbal, o qual só será eficaz com um plano prévio que dê segurança à vítima, mas não é o mais indicado, pois a tensão pode ser tão grande que a pessoa se sinta como uma panela de pressão prestes a estourar, e pode perder o controle sobre a sua raiva e recorrer à violência, o que seria indesejável.   

Tendo em vista a tomada de atitudes positivas para defesa contra o cyber bullying silencioso nas redes socias o suicídio virtual está cada vez mais frequente. Questões relacionadas com a privacidade, combate a situações de manipulações viantes na Internet estão entre os principais motivos que estão levando ao suícidio virtual, ou seja, a eliminação dos perfis nas redes sociais, em serviços como Facebook, Google+ ou Twitter.  A tendência está chamando a atenção dos investigadores da Escola de Psicologia da Universidade de Viena, que identificou o perfil dos suicidas virtuais em maioria do sexo masculino, e , em média, mais velhos que aqueles que permanecem ativos, a par da questão da privacidade e da proteção de dados, e o do tempo gasto online , os suicidas virtuais alegam aspectos negativos como a pressão social de ter amigos, de ser “comentado” e de ser obrigado a ter uma determinada qualidade em suas publicações, gerando um aumento de insatisfação e levando à perda de interesse. Há ainda a pressão social para não só ser feliz como para ter sucesso nas atividades e ser popular. Todo mundo tem que se sentir ótimo. A obrigação de “ser feliz e bem sucedido” gera uma crescente tensão na medida que se enfrenta situações de fracasso e logo não se é feliz. Nessa situação a convivência nas redes sociais são nocívas e intoxicantes ao indíviduo, e o suícidio virtual é uma maneira de baixar o nível de pressão.

Ao meu ver, o grande problema tem ocorrido quando a pessoa se torna um viciado dependente do mundo virtual, a ponto que o seu perfil tenha se transformado em um avatar e ela já nem saiba quem é mais de verdade, e sua personalidade ter ficado desassociada inteiramente da realidade, caso em em que o processo poderá levar a pessoa a se comportar na vida real como seu avatar da vida virtual. Esse tipo de pessoa poderá ser tanto vítima como agressora do cyber bullying silencioso e tendo perdido a noção de limites passa a trazer para a realidade mundana toda a violência e agressividade que está sendo vivenciada no mundo virtual, o que pode ser desde a prática constante de bullying silencioso nas suas relações sociais como até a vivenciar a angustia profunda da exclusão social e chegar ao suicídio real. Ao final de 2012 eu disse para os meus amigos: “Quem quiser sobreviver a esta década terá que desligar o computador e  o celular, para voltar a encontrar  o prazer na vida real e esquecer o mal que as pessoas podem fazer umas às outras.”  O final de 2013 se aproxima e continuo pensando da mesma maneira. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

INGENUIDADE ULTRAJADA DO BRASIL


INGENUIDADE ULTRAJADA DO BRASIL

Bia Botana

Honestamente, por vezes eu não acredito nas coisas que acontecem com o Brasil! Eu fico me perguntando em que mundo os brasileiros vivem, pior, em que mundo as autoridades brasileiras vivem, ou pior ainda, em que mundo a presidenta Dilma Rousseff  está vivendo.

Quando o presidente Fernando Collor subiu ao poder no início da década de 90 ao final do século XX, ele fez o desfavor à nação brasileira de desmantelar os arquivos do SNI (Serviço Nacional de Informação), passou todos os arquivos pelo picador e guardou só as informações estratégicas para o seu grupo de amigos privilegiados poderem roubar  bem e melhor a Nação. O Collor caiu e veio presidente Itamar Franco e os assutos de segurança nacional ficaram ao encargo da SAE ( Secretaria de Assuntos Estratégicos), que foi a responsável maior das confusões absurdas que rondaram a concorrência do projeto SIVAM (Serviço de Vigilância da Amazônia), devido a total falta de articulação e troca de informação entre as divisões de inteligência das Forças Armadas, da Polícia Federal e também do Itamaraty, o episódio foi uma verdadeira “guerra de informações”, que fez cair até cabeças de ministros. Com o presidente Fernando Henrique Cardoso surgiu o Ministério da Defesa e com ele a Abin (Agencia Brasileira de Inteligência), a essa altura foram concursados novos analistas brasileiros de informações que nada sabiam da arte da espionagem e muitos dos antigos “arapongas” brasileiros foram contratados com polpudos salários por agências estrangeiras de inteligência como a CIA (EUA), o MI 5 (GRA), Mossad (Israel) e outros, quando não por grandes empresas internacionais que vivenciavam  um período de grande disputa dentro do mercado global. Certamente, se o aparelhamento de inteligência de segurança nacional não tivesse sido desmantelado pelos próprios governantes brasileiros,  o Brasil não teria enfrentado durante o período do governo Henrique Cardoso, em 1999, a crise russa, ou ao menos estaria melhor preparado para enfrenta-la.

Já ao chegar à cadeira da presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT) contava com o apoio do serviço de inteligência do próprio partido, o qual era considerado por todos como um dos melhores serviços de espionagem do Brasil.  O que havia naquela época e deixou de existir hoje era uma maior coesão  entre os próprios petistas, que hoje estão fragmentados e lutando entre si, numa constante guerra de informação e contra-informação, a qual fragiliza cada vez mais não só o próprio partido como também o governo de Dilma Rousseff. Haja visto o episódio absurdo dos protestos de junho de 2013, o qual comprovou-se recentemente com o fracasso dos protestos previstos para o último dia 7 de setembro, não ter sido em nenhum tempo um movimento espontâneo de massa movido pelo descontentamento popular, mas, sim, de ter sido um ato claro de alto poder de manipulação das massas populares pelo uso das redes sociais da Internet,  uma instrumentação que foi usada ousadamente por refinados marketeiros e manipuladores políticos, tanto do PT como da oposição. A experiência de junho de 2013 revelou a inépcia generalizada dos serviços brasileiros de informação dos orgãos responsáveis pela segurança pública e, sobretudo, a incompetência da Abin.

É bom recordar que os protestos brasileiros de junho de 2013 tiveram ocasião justamente quando o caso “Snowden” vinha ao público denunciando o uso de um sofisticado sistema tecnológico de espionagem norte-americano, o qual era partilhado com outras nações aliadas como o Reino Unido. Curiosamente, o caso em questão veio ao público pelas mãos de um jornalista norte-americano que trabalha para um jornal britânico e que vive maritalmente com um brasileiro no Rio de Janeiro. O caso tem todos os ingredientes para virar um "triller" hollywoodiano daqueles para derramar rios de dolares nas bilheterias e consagrar o Brasil como uma “República da Bananas” em pleno século XXI!!!

Desde que o programa Fantástico da rede Globo fez as reportagens patrocinadas por informações de Edward Snowden e seus porta-vozes oficiais do The Guardian britânico, denunciando que os EUA espionavam a presidenta Dilma Rousseff e a Petrobras uma onda gigantesca de indignação tomou a mídia tupiniquim e o próprio governo petista, como se ninguém soubesse o nível da espionagem estrangeira que o Brasil estava exposto – a começar pela própria mídia internacional capitaneada por Rupert Murdoch. Para se ter uma idéia, desde 1996 jornalistas estrangeiros com a desculpa de fazerem jornalismo investigativo passaram a bisbilhotar descaradamente e abertamente em cidades como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Eles são os maiores espiões de todos, grampeiam telefones e celulares, invadem e-mails e vigiam a navegação da Internet de seus alvos, sem o menor respeito pela privacidade de quem for, se disfarçam e inventam histórias para terem informações que forneçam bases para escandalos como os da corrupção nas privatizações, da exportação de carne brasileira,  das queimadas na amazonia e outros tantos que vieram a prejudicar o progresso e desenvolvimento brasileiro. Esses jornalistas agem como agentes de espionagem, usam táticas de espionagem e estratégias de inteligência. Em tempo, são esses mesmos jornalistas que hoje estão dando de indignados, e, na prática, eles  agem na mesma maneira que estão a criticar a agência norte-americana de informação  ou qualquer uma das agências de inteligência governamental de outro país do mundo com poder aquisitivo para bancar um serviço de informações que venha a  defender seus interesses atuais, principalmente os econômicos e comerciais, que podem ser nos dias atuais também considerados de segurança nacional, tendo em vista os fatos que levaram à  crise econômica mundial de 2008. 

Portanto, o atual atuação da presidente Dilma Roussef  dando um show de indignação por conta de uma ingenuidade ultrajada do Brasil é simplesmente de um ridículo tal, que alcança as raias do absurdo com o  ato de cancelamento da visita oficial aos EUA que a presidenta faria em 23 de outubro próximo àquele país. A presidente acabou de passar o recibo da total da incompetência brasileira na área de informação e  inteligência, a ponto que as informações de segurança nacional e pública sejam dadas ao conhecimento do governo através da mídia nacional, sem ao menos a exigência de fatos comprovatórios, permitindo intevir nas decisões governamentais envolvendo relações internacionais relevantes como as existentes entre os Estados Unidos da América e o Brasil.

É incompreensível dentro do procedimento de uma lúcida relação internacional entre duas grandes nações como os EUA e o Brasil, que o chefe de uma dessas nações comprometa as relações de amizade existentes entre elas por conta de um fato notório de conhecimento geral e que é de procedimento  histórico nas relações políticas internacionais, que é o caso da pratica de  espionagem. Em outras ocasiões históricas, em que um dos países ficou a descoberto em sua estratégia de inteligência,  a resposta diplomática usada sempre foi aquela masi sábia, que não revela a ignorância total do país alvo de espionagem, mas sim deixa claro a inexistência de ignorância, ao contrário, estando este bem informado da exposição à espionagem, estrategicamente atuou para ofertar informações irrelevantes e não comprometedoras dos interesses nacionais ou, apenas, contra-informações para saciar a curiosidade do país bisbilhoteiro. Era assim no tempo da Guerra Fria, quando os agentes do KGB, CIA, MI-5, Mossad se degladiavam entre si por importantes informações estratégicas.

Então, paremos todos nós com essa postura de indignação quanto a uma ingenuidade ultrajada do Brasil com essa questão da espionagem dos EUA e aliados. Todos nós sabíamos que isso acontecia e deixamos acontecer de uma maneira ou de outra, principalmente os jornalistas investigativos da grande mídia brasileira vitíma dos conchavos financeiros com os interesses estrangeiros. Se a presidente não sabia, sendo ela uma ex-guerrilheira e ex-terrorista, então ela não devia nem ter se candidatado à presidencia do Brasil e não passa de uma incompetente. Fazer uma cena para alavancar a  sua popularidade em queda  junto a opinião pública brasileira jogando pela janela importantes acordos entre os EUA e o Brasil com negócios em torno de US$ 100 bilhões ao ano em comércio e serviços, que alavancariam a economia brasileira em áreas estratégicas como educação, ciência, tecnologia e energia, além de abrir campo de negociações para os setores privados, é de uma estupidez única.  Não sejamos tolos,  o Brasil com a atitude de ingenuidade ultrajada da presidenta não saiu por cima, nem de cabeça erguida, ao contrário só expôs a fragilididade dessa nossa cultura de "República das Bananas",  a sua incompetência na atuação de sua segurança nacional e segurança pública, além de promover um grandioso prejuízo à Nação nos setores econômico e de relações internacionais.  Presidenta Dilma, se num casamento de interesses ninguém deve ser tão idiota de fazer escândalo e passar recibo de traído, só os tolos agem assim, quanto mais quando se trata das relações diplomáticas entre duas potências. A corda sempre estoura para o lado mais fraco e o Brasil demonstrou assim que, infelizmente, ainda é o lado mais fraco por pura incompetência de seus governantes.

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