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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 32. JESUS E A REVELAÇÃO DA VIDA ETERNA

JESUS, AMOR & FÉ *

32. JESUS E A REVELAÇÃO DA VIDA ETERNA 

Nós julgamos sem saber o que se passa realmente. Nós julgamos que algo é mau pois não analisamos as consequências, não conhecemos o enredo do destino por completo. Consideramos a morte uma coisa má porque desconhecemos o que acontece após a morte. Consideramos o sofrimento mau, pois não compreendemos a razão pela qual se deve sofrer. 
Eu devo o início da minha pesquisa sobre Jesus em razão da minha sobrevivência em 17 de novembro de 1984 das garras da morte, e me parece hoje que meu quase morrer foi um mal que resultou em um bem maior. Após alguns anos a esse traumático incidente, chegou às minhas mãos uma das primeiras versões do Evangelho de São Tomé, encontrado em 1945, cuja tradução para o português se deu em 1988,  sendo que a primeira tradução para o inglês se dera nos EUA, em 1977.  O  Evangelho de São Tomé era, então, um assunto delicado e foi classificado como um Evangelho gnóstico cuja data de sua primeira versão poderia ser de 40 d.C a 140 d.C., apesar de tudo, era de grande importância para os estudiosos de Jesus, sendo aquele um dos últimos documentos surgidos a respeito de Jesus no século XX. 
Foi através da leitura desse novo Evangelho que passei a empenhar-me numa pesquisa metódica sobre Jesus, o homem-deus que vivera sobre a terra, e mais do que isso passei a ambicionar a entender Deus, e a razão do destino trágico que dera a si mesmo em sua vinda à Terra. Naquele tempo sem Internet, não era tão fácil obter boas informações, além do que as igrejas cristãs não tinham interesse em questionamentos sobre a verdade de Jesus, isso não era lucrativo em nenhum sentido. Além do que o mundo vivia seu tempo final da Guerra Fria, e aquele era um outro mundo, onde liberdades individuais era um pensamento lúdico e bastante mais filosófico do que prático. 
“É maravilha que a carne tenha vindo à existência por causa do espírito; e maravilha das maravilhas que o espírito tenha vindo à existência por causa do corpo. Mas, eu me maravilho muito mais disto: Como é que essa grande riqueza pôde habitar nessa pobreza?”, Ao terminar de ler essas palavras de Jesus da passagem  29 de Tomé, que eu encontrei a mesma pergunta que rondava a minha cabeça há tanto tempo e que era causa constante da minha admiração: como Deus veio habitar nessa situação miserável que é o corpo? Como um ser superior como Ele em sã consciência ia querer viver prisioneiro de um corpo e conhecer a horrível experiência de se ser escravo das necessidades físicas? Por que sendo livre alguém se sujeitaria à uma escravidão tão poderosa que muitos não conseguem se libertar nunca durante a vida? Dizia-me isso porque o que eu mais testemunhava na vida era gente morrendo devido às necessidades que tinham criado para si mesmas. 
Assim foi com avidez que continuei a minha leitura de Tomé. Já na passagem 58, Jesus disse: “Feliz do homem que sofreu (penou); ele encontrou a Vida”. Ora, não é lá muito compreensível, mas é preciso perder para se reconhecer o valor do que se possui, e, queiramos ou não, essa é uma estranha realidade. Só o sofrimento nos leva a encontrar o valor e a razão da vida, mas seria necessário mesmo tal mal para se valorizar a vida? A resposta parece vir na passagem 69: Jesus disse: “Felizes daqueles que foram perseguidos em seus corações: foram eles que conheceram o Pai na verdade. Feliz do que tem fome, pois se encherá o ventre de quem o deseja.” Pois, sem dúvida, o sofrimento assola o coração e em dado momento só Deus pode dar o consolo à alma aflita, será tudo entre ela e Deus apenas. A alma que busca o conhecimento só encontra o alimento que a contente em Deus. Momento que compreende que está no Todo, e o Todo é Deus, e nada existe fora do Todo. E de certa maneira após esse encontro com Deus, o ente não pertence mais ao mundo e anseia por retornar ao Todo, pois conheceu a si mesmo. Por isso está escrito na passagem 80: Jesus disse “Aquele que conheceu o mundo encontrou (ou dominou) o corpo, mas o mundo não é digno de quem dominou o corpo.” Mas, a questão disso vem a seguir na passagem 81; Jesus disse “Quem enriqueceu, se torne rei, mas quem tem a força, que possa renunciar a ela.” Nada mais difícil nesse mundo do que tendo um status se renunciar a ele, por um motivo ou por outro, até a renuncia por causa de uma ética moral é um dilema difícil de ser decidido. 
Destarte, só aquele que já renunciou ao que tem por um bem maior, e que desapegou-se de suas necessidades é que pode compreender a passagem 84, em que Jesus disse: "Nos dias em que vedes vossa semelhança, vós vos rejubilais. Mas, quando virdes vossas imagens, produzidas antes de vós, que não morrem nem se manifestam, o quanto tereis de suportar!” Ora, que assombro é quem pode ver a si mesmo e descobrir que o corpo não passa de uma “casaca"! Saber que se é Espírito e não corpo, e, assim, adquirir a plena consciência disso e compreender o que quer dizer “conhece a ti mesmo”. Isso assusta! Pois este é o dia em que, então, se há de ver o filho do Vivente, e não ter medo! (Tomé 37) tal como está escrito na passagem 111 ; Jesus disse: “Em vossa presença os céus se desdobrarão e o Vivente (saído) do Vivente não verá a morte nem (terá medo) , porque eu disse: “O mundo não é digno daquele que se encontra a si mesmo.” Esse é o drama maior do que o medo da morte, é descobrir a imortalidade da alma, como está escrito na passagem 50 do Evangelho de São Tomé, onde Jesus disse: “Se eles vos dizem ‘De onde vindes?’, dizei-lhes: ’Nós viemos da luz, do lugar onde a luz nasceu dela mesma; ela (se ergueu) e revelou-se em sua imagem’. Se eles vos dizem ‘Quem sois vós?’, dizei: ’Nós somos seus filhos, pois nós somos os eleito do Pai vivo’. Se eles vos perguntam: ‘Qual é o sinal do vosso Pai que está em vós?’, dizei-lhes: ‘É movimento e repouso’.”
Ora, de fato, a vida é movimento e repouso! Por esse motivo Jesus disse “Vinde a mim, pois meu jugo é bom e meu domínio é suave; em mim encontrareis repouso”. Pois quando nos tornamos dignos de Deus, encontramos toda a grande força e a riqueza de onde saímos e passamos a agir de maneira magnânima, não só porque o mundo não pode nos oferecer maior riqueza ou força do que já possuímos quando Deus está conosco, como não é capaz de nos dar a paz do repouso da nossa consciência em Deus, estando a consciência doravante certa de sua eternidade em Deus. Ora, aquele que compreende a eternidade da vida e consegue aceitá-la sem vertigem, esse também aceita a presença de Deus em todas as coisas, e está em paz consigo mesmo, pois a ele foi revelado que a vida é eterna.
João Batista foi um sagrado instrumento de Deus, e viveu sua vida para aquilo que fora disposto por Deus, foi ele o mensageiro, aquele que preparou o caminho para o tempo da manifestação de Deus na Terra Prometida, na pessoa de Jesus, o homem-Deus, o avatar divino. Do mesmo modo que Deus gerou a Jesus, fez João descer dos céus, deixando o seu estado angelical para servir Deus na carne, nesse quesito podemos aventar a possibilidade de ele ter sido um avatar do Arcanjo Gabriel, aquele que anunciou a vida de Jesus a Maria, uma possibilidade provável para quem aceita que os anjos podem tomar forma humana para trabalharem para Deus sobre a face da Terra. 
Portanto, quando ao final daquele verão com o aproximar do outono, a vida de João Batista foi ceifada pelo rei Herodes, devemos ver como um mal praticado pelas mãos humanas por vezes pode estar concorrendo na grandiosidade do poder de Deus, exatamente por isso nada absolutamente significa, como bem disse Jesus “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temais, sim, Aquele que pode precipitar a alma e o corpo no Inferno.” (Mt. 10:28) A vida humana existe para atender um propósito divino de atividade, atingido esse propósito tal vida é colhida do mundo para retornar ao todo divino a que pertence e ter seu merecido repouso. 
Conta a História, que o rei Herodes Antipas, era filho do Herodes, o Grande, que fora casado várias vezes, sendo que em uma delas com a filha de um alto sacerdote do Templo, que se envolveu numa conspiração com seu filho primogênito numa tentativa de envenená-lo em 4 a.C., mas acabou morrendo naquele ano mesmo aos 70 anos de idade, deixando o reino dividido entre Herodes Antipas,, Tetrarca da Galiléia, Herodes Arquelau, tetrarca da Judéia, e Filipe, o tetrarca de Traconítide. Ora, Herodes Antipas, foi para Roma e lá tomou a mulher do meio-irmão, Herodes Filipe, neto do sumo sacerdote e a trouxe a Herodiasde - que era também neta de Herodes o grande e irmã de Herodes Agripa, rei falecido da judéia - e sua filha Salomé para morarem com ele na Galiléia. O que era um tremendo escândalo moral, já que ambos não eram casados e não poderiam se casar pela lei, pois ela era casada. Por volta de 18 d.C, Herodes Arquelau, que tinha ficado como rei da Judéia faleceu, e o trono estava vago, havendo uma disputa política em andamento entre Herodes Antipas e seu irmão Filipe, o Tetrarca, pois Herodes Antipas queria ser o rei dos judeus.
No dia do seu aniversário, a situação se apresentou para que Herodes Antipas colocasse o fim desejado na vida de João Batista que estava aprisionado na masmorra de seu palácio em Tíberiades, pois como saduceu ele tinha medo de almas de outro mundo e de que João Batista ressuscitasse para o acusar de seus mal atos virando o povo contra ele. Assim, por artimanha de uma mulher devassa, que faz uso de sua filha para seduzir o rei e exigir a cabeça de João Batista numa bandeja de prata, esse homem hediondo é lembrado até os nossos dias, quando deveria ter sido esquecido, todavia que sirva para lembrar da sordidez da natureza humana e a que ponto uma pessoa pode descer tão baixo pelas necessidades de seu corpo inútil. Bom, João Batista, não foi o primeiro ser humano e nem mesmo seria o último a perder a própria cabeça, dir-se-ia que é uma morte rápida, há historiadores que a descrevam como uma “morte limpa”, se isso for possível!, tanto que só os cidadãos romanos mereciam a “dignidade” de serem decapitados. De qualquer forma o ato é sanguinolento, mas bem menos bárbaro do que as formas cruéis de morte que a mente humana era capaz de criar naqueles horríveis tempos de obscuridade (Mt. 14:1-12; Mr. 6:14-29 e Lc 9:7-9).
Jesus estava em Nazaré quando foi informado da triste notícia por antigos discípulos de João Batista, que tinham transladado o corpo do palácio e o enterrado. Jesus ficou muito entretecido, mas sendo quem era sabia que isso fazia parte do seu destino, que João Batista viera ao mundo seis meses antes dele e que partira de retorno aos céus seis meses antes dele também. A respeito de João Batista, disse Jesus:
- Em verdade vos digo, entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto o menor no reino dos céus é maior do que ele *(porque o estado celestial é superior ao terreno). Desde a época de João Batista até o presente, o reinos dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam *(o uso da força e da espada em nome de Deus para se ter atendida na terra as ambições humanas). Porque os Profetas e a Lei tiveram a palavra até João. E, se quereis compreender é ele o Elias que devia voltar. Quem tem ouvido ouça” (Mt. 11:11-15).
Depois disso Jesus desceu sozinho para Cafarnaum e lá aguardou o retorno dos seus apóstolos. Nesses dias o tetrarca Herodes Antipas ouviu falar de tudo o que Jesus fazia e ficou perplexo, tomando consciência de que fora inútil decapitar João Batista, a ameaça de um Messias ainda existia, como fora dito ao seu pai no passado. Uns diziam: “É João que ressurgiu dos mortos”; outros: “É Elias que apareceu”; e ainda outros: “É um dos antigos profetas que ressuscitou” e outros apenas diziam: “Ele é Aquele que esperamos de quem falava Moisés, Davi e Isaías.” Mas Herodes dizia:
- Eu degolei a João. Quem é pois, este, de quem ouço tantas coisas?
E Herodes procurava ocasião para ver a Jesus. (Lc. 9:7-9)
Naturalmente muitos criticaram Jesus por não ter salvo João Batista e ao que se saiba nem ter ido visitá-lo na prisão, dois enganos lamentáveis, prova de falta de Fé de quem não acredita que Jesus não é a manifestação de Deus na carne e concebe a vida apenas em conceitos limitados às coisas terrenas, esquecendo do quão são diferentes das coisas celestiais. Jesus sempre se retirava para um lugar isolado para rezar, sempre de uma maneira ou de outra estava orando. Ele ensinou aos seus discípulos dizendo:
- E, eu vos digo: Pedi e vos será dado, buscai e achareis; batei e vos abrirá. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, ser lhe abrirá… Se vós sendo maus sabeis dar coisa boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que pedirem-lhe. (Lc. 11:1-13)
Pois, creiam, Jesus não deixou João Batista desamparado no sofrimento nem por um único instante, seu Espirito Santo o reconfortou por todo o tempo dando força e coragem até o minuto derradeiro, até nesse momento Jesus estava com João Batista, pois Deus jamais abandona um dos seus servos, até mesmo os seus anjos são confortados na hora da provação quando estão a Seu serviço. Esse é o mistério da Fé que é dado por Deus a todos que nele acreditam.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

sábado, 2 de janeiro de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 31. JESUS DESPREZADO EM NAZARÉ

JESUS, AMOR & FÉ *

31. JESUS DESPREZADO EM NAZARÉ

JESUS DISSE: “AQUELE QUE PROCURA NÃO DEIXE DE PROCURAR ATÉ ENCONTRAR; QUANDO ENCONTRAR, ELE SE PERTURBARÁ; DEPOIS DE SE PERTURBAR ELE FICARÁ MARAVILHADO E REINARÁ SOBRE O TODO”. ( Tomé 2)
Ainda naquele dia em que falava ao povo de Cafarnaum sentado na popa da barca, Jesus ainda lhes falou mais algumas parábolas explicando como era o Reino dos céus, e assim ele o descrevia:
- O reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo (Mt. 13:44). O reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. E encontrando uma de grande valor, vai vende tudo que possui e a compra (Mt 13:45-46). Vós também deveis buscar o tesouro que não acaba, que permanece, onde nenhuma traça pode penetrar para roer e onde o verme não estraga (Tomé 76).
Jesus quer dizer que quem descobre a Fé dentro de si, se maravilha com a descoberta, pois é como encontrar a fonte da própria vida, e sem dúvida dará tudo o que possui por ela, pois sabe que com Fé mesmo o impossível é possível.
Tendo dito essas coisas encerrou suas palavras dizendo:
- Quando vós possuíres isto *(o Reino dos céus) em vós, aquilo *(a Fé) que tiverdes vos salvará. Se vós não tiverdes isto *(o Reino dos céus) em vós, aquilo *(a Fé) que não tiverdes em vós vos fará morrer. (Tomé 70)
Olhando para aqueles que ali permaneceram o ouvindo, Jesus perguntou:
- Compreendeste tudo isto?
E muito responderam:
- Sim, Senhor!”
Então, Jesus os despediu dizendo:
- Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus, é comparado a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas (Mt. 13:51).
Após ter exposto as parábolas, Jesus partiu de Cafarnaum e retornou para sua cidade, Nazaré, nas montanhas da Galiléia. E lá ele começou a ensinar na sinagoga, de modo que todos comentavam admirados entre si:
- Donde lhe vem essa força miraculosa?
- Não é este o filho de José, o carpinteiro?
- Não é Maria, sua mãe?
- Não são seus irmãos: Tiago, José, Simão e Judas?
- E suas irmãs não viviam todas entre nós?
- Donde lhe vem pois tudo isso?
Devido a tanta incredulidade Jesus não pode fazer ali muitos milagres. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhe as mãos. Jesus admirava-se da desconfiança daqueles que o conheciam desde que era criança. Assim, percorria as aldeias circunvizinhas ensinando. 
Um dia, Jesus entrou na sinagoga no dia de sábado e segundo o seu costume e levantou-se para ler os textos sagrados, e foi lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61:1s): “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos restauração de vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ANO DA GRAÇA DO SENHOR.” 
E terminando de ler, enrolou o livro e o dei ao ministro e voltou a sentar-se em seu lugar. Mas, todos que estavam na sinagoga estavam com os olhos fixos nele. E vendo seus olhares indagativos, disse-lhes:
- Hoje se cumpriu esta oráculo que vós acabais de ouvir.
E todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, mas murmuravam entre si:
- Mas, este não é o filho de José?
Depois perguntaram a ele:
- Por que não fazes aqui na tua pátria todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum?
Então Jesus lhes disse:
- Em verdade vos digo, muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome em toda a terra, mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, de Sidônia. Igualmente havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi limpo senão o sírio Naama. Um profeta só é desprezado na sua pátria.”
Ao ouvirem essas recriminações de Jesus os que ali estava levantaram-se e o lançaram fora da sinagoga, pois estavam indignados por que Jesus não daria aos nazarenos seus conterrâneos a mesma atenção dada aos estranhos de outras terras. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se para sua casa (Mt.13:53-58; Mr. 6:1-6 e Lc 4: 16-30).
Depois disso, Jesus chamou seus doze discípulos, e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; como calçado, unicamente sandálias, e que se revestissem de duas túnicas. E disse-lhes: - "Em qualquer casa que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. Se em algum lugar não vos receberem, nem vos escutarem, saia dali e sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra ele." Eles partiram e pregando o Evangelho. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.(Mt.10:5-15; Mr. 6:7-12 e Lc. 9:1-6).
Por essa experiência de uma vida de andarilho, vivendo apenas como se estivesse de passagem, Jesus queria que seus discípulos aprendessem a se desapegar das coisas materiais, de modo a forjar neles um espírito de independência e liberdade, livre da escravidão das necessidades, para que assim viessem a confiar em Deus quanto aos seus destinos, pois bem sabia Jesus que um caráter se provava na superação das dificuldades. E, Jesus permaneceu sozinho, usufruindo um pouco do aconchego do lar da sua infância, apenas na companhia de sua mãe e alguns familiares. Enquanto aguardava o novo tempo que se iniciaria com a chegada do outono.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 30. JESUS E A SEMENTE DE MOSTARDA

JESUS, AMOR & FÉ *

30. JESUS E A SEMENTE DE MOSTARDA

E, assim, Jesus continuava a falar às pessoas que cercavam a barca em que estava na praia de Cafarnaum:
- O reino de Deus é como o homem que lança a semente à terra. Dorme e levanta-se de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber. Poisa terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga, e por último, o grão abundante na espiga. Quando o fruto amadurecer, ele mete-lhe a foice, pois é chegada a colheita. (Mr. 4:26-29)
O reino de Deus, a Fé que é a manifestação desse reino em nós, é como uma semente plantada no nosso coração, ela está ali enterrada, oculta, e não podemos notar a sua presença. A Fé que se fortalece cresce dia após dia sem que nos apercebamos, pois é o poder de Deus em nós. Então, quando a Fé amadurece e dá seus frutos, só então quando colhemos é que percebemos que são frutos da Fé que havia em nós, a manifestação visível à nossa consciência do Reino de Deus e são frutos produzidos por nós mesmos.
Dizia ainda Jesus:
- A quem compararei o Reino de Deus? Ou, com que parábola o representaremos? É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes, mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que os passarinhos do céu podem se abrigar à sua sombra. (Mr. 4:30-32; Mt. 13:31-32 ; Lc 13:18 e Tomé 20)
Então, ouvindo isso, perguntaram em particular para Jesus:
- Por que não podemos nós também fazermos milagres?
Jesus respondeu-lhes:
- Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo, SE TIVERDES FÉ COMO UMA SEMENTE DE MOSTARDA, direis a essa montanha: Transporta-te daqui para lá , e ela irá, e nada vos será impossível. (Mt. 17: 19-20)
Jesus nos mostra ao louvar as qualidades da semente de mostarda, que o que importa não é o “tamanho” da Fé, se é grande ou pequena, o que importa é a qualidade da Fé, a persistência, a perseverança, a firmeza, a coragem, a coragem para lutar contra a adversidade e a vontade de se erguer da maior escuridão debaixo da terra para buscar a luz, e se erguendo para a luz e estando na luz crescer, verdejar, produzir flores, frutas e sementes… e começar tudo de novo. Esse é o exercício da Fé, semear a semente que cresce para semear novamente, ou seja quando aprendemos a fazer uso da Fé em nossas necessidades específicas, e vemos o resultado em pequenas coisas, nós podemos ver a intervenção de Deus, e vendo a intervenção de Deus nas nossas vidas em pequenas coisas nossa Fé cresce e se fortalece, pois colhemos resultados da nossa Fé.
A medida que aprendemos a fazer bom uso da nossa Fé, nós aprendemos que ter Fé é como galgar uma escada degrau após degrau e nesse exercício a nossa Fé se torna forte, musculosa, capaz de suportar maiores esforços que se façam necessários para cumprir nossos destinos. Jesus menciona níveis de Fé diferentes, ele admirou-se e elogiou a Fé do centurião de Cafarnaum, dizendo que tinha uma “grande Fé” e inúmera vezes repreendeu a “pequena Fé” de outros, e inclusive a de seus discípulos, como vimos acima dizendo que lhes “faltava” Fé.
Se a Fé é pouca, é necessário exercitar a Fé para que ela cresça. No início exercitar a Fé pode ser tão desconfortável e tão difícil quanto fazer regime e ir numa academia de ginástica, pode parecer estranho pedir a intervenção de Deus e fazer uso da Fé em coisas corriqueiras do nosso dia a dia, mas é assim que se aprende a fortalecer a ter Fé, mas depois vai se acostumando a ter Fé, para tanto apenas é preciso aprender a pedir com humildade a Deus, e aos poucos vamos sentir a nossa Fé aumentar na mesma medida que a usamos. 
Os psicanalistas poderão dizer que é superstição e que tal costume gera um tipo de dependência. O engraçado é que Sigmund Freud (1859 - 1939), o pai da psicanálise fosse judeu, e soubesse muito bem que a Fé cresce na medida que é praticada. Nesse ponto, Freud prestou um grande desfavor à Humanidade, afastando grande parte dela de Deus, e esse afastamento veio a ter horríveis consequências não só para os judeus, mas para a Humanidade como um todo. Por isso, nesse tempo em que vivemos, é mais do que necessário que consigamos restabelecer uma forte ligação com Deus o que só se poderá dar com o uso da Fé.
Para restabelecer a nossa ligação com Deus, nós devemos seguir o exemplo do homem que tinha um filho epiléptico que os discípulos não tinham conseguido curar e Jesus esbravejando por que seus discípulos não tinham curado o rapaz, disse:
- Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei de aturar? Traga o seu filho, cá!
O pai do rapaz trouxe o filho e disse à Jesus:
- Se tu podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-te de nós!
Jesus arguiu indignado com a hesitação do homem quanto ao “poder” dele:
- “Se podes alguma coisa”…! TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ!
Imediatamente ao ouvir as palavras de Jesus, o homem prostrou-se dizendo:
- CREIO! VEM EM SOCORRO DA MINHA FÉ! SENHOR EU CREIO, FORTALECEI A MINHA FÉ! (Mr. 9-14-29)
E a cura se deu conforme o homem desejava.
Ora, não basta apenas ter Fé é preciso crer, o milagre da revelação do Reino de Deus nas nossas vidas, a manifestação de Deus, é uma energia transitiva, é uma ação de duas mãos, de ida e volta, não funciona apenas de um lado. Por isso que que se fala em “exercício de Fé”, ou a prática diária da Fé que conduz a manifestação de Deus em nossas vidas até nas menores coisas, aprendemos com essa prática a nos entregarmos à Deus, mais do que isso, a fazer a vontade de Deus, deixamos de ser tão egocêntricos, de pensar que o nosso destino está em nossas mãos e fazemos nessa vida apenas o que queremos, aprendemos a ser obedientes, dóceis, mais do que tudo, aprendemos a SERVIR À DEUS, mais do que desejamos por Ele ser servido, e essa transformação em nosso caráter humano já é por si só um milagre imenso, pois antes de curar o corpo é preciso curar a alma de seus males, e uma alma sadia tornará o corpo saudável e forte. A força da Fé dará vigor ao coração e poder à mente, e com essa mudança, passamos a estar em SINTONIA COM DEUS, ai sabemos que o Reino de Deus chegou para nós.

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sábado, 26 de dezembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 29. JESUS, O SEMEADOR

JESUS, AMOR & FÉ *

29. JESUS, O SEMEADOR

Então, Jesus, com aquela paciência de um bom pai de família ia contando parábolas como quem conta contos de fadas, de forma que ensinava e aqueles que ouviam suas palavras aprendiam sem se darem conta disso. Jesus contou outra parábola sobre a semeadura, mas dessa vez foi sobre o trabalho do semeador, e foi com essas palavras que ele falou:
- Um semeador saiu a semear, mas parte das sementes caiu ao longo do caminho e alimentaram os pássaros do céu, que vieram e as comeram, pois elas tinham caído ao acaso e não tinham sido semeadas. Outras sementes caíram por acaso num solo pedregoso, onde não havia muita terra, nasceram logo, mas não conseguiram sobreviver por muito tempo, pois a terra era pouca e não conseguiu deitar suas raízes, então o sol nasceu e as queimou. Outras sementes caíram pelo caminho entre os espinhos, mas os espinhos as sufocaram e não conseguiram germinar. Mas, as que foram semeadas pelos semeador em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um e trinta por um.
E como o tempo da semeadura se daria a partir do inicio do outono, que seria em setembro, as pessoas que o ouviam prestavam atenção, pois a semeadura era fundamental para que não viessem a passar fome, pois agora colhiam os grãos e os guardavam no celeiro para comerem durante o inverno. E uma boa colheita dependia principalmente de boas sementes e de um bom terreno, e disso os agricultores que estavam entre aquele povo que ouvia a Jesus à beira do mar em Cafarnaum entendia. Contudo, seus discípulos, em boa parte pescadores pouco ou nada entendiam de agricultura, pois não plantavam nem colhiam, e compravam ou trocavam seus peixes no mercado por outras mercadorias.
Assim, quando encontraram um momento a sós com Jesus pediram que ele explicasse qual era o significado da parábola, e Jesus disse-lhes, com um pouco de impaciência, pois os seus discípulos se portavam como quem ouve com a mente e não com o coração:
- Não entendeis essa parábola? Como entendereis então todas as outras coisas?
E responderam a Jesus:
- Não entendemos porque agora tu falas por parábolas e não mais abertamente…
Jesus respondeu:
- Porque a vós foi dado compreenderem os mistérios do reino dos céus, pois eu os instruo sobre isso todos os dias, mas a eles não. Ao que tem *(Fé) lhe dará e terá em abundância; mas ao que não tem *(Fé), será tirado até mesmo o que tem *(refere-se à Fé primordial que Deus dá para que a alma viva). Eis porque falo em parábolas: Para que vendo não vejam, e ouvindo, não ouçam e nem compreendam. Assim, se cumprirá para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração desse povo se endureceu: taparam seus ouvidos e fecharam seus olhos para que os seus olhos não vejam, e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda: para que não se convertam e eu os sare (Isaías 6:9). Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos porque vêem! Ditosos os seus ouvidos porque ouvem! Eu vos declaro em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vêdes e não o viram; ouvir o que ouvis, e não ouviram. 
Os discípulos ouvindo isso ficaram ainda confusos, pois eles também não tinham entendido o significado da parábola, e acharam que deveriam ter entendido, por isso se sentiram decepcionados com a própria ignorância, mas Jesus escutando seus corações, apiedou-se e logo disse a eles:
- Ouvi, pois o significado da parábola do semeador: Quando uma pessoa ouve a palavra do reino dos céus e não a entende, o Maligno *(Satanás) vem e arranca o que foi semeado em seu coração, essas são as sementes que caíram a beira do caminho e os passarinhos comeram. Quando uma pessoa ouve a palavra do reino dos céus e a acolhe com alegria, mas por sua falta de firmeza sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda para desprezá-la, essas são as sementes que caíram em solo pedregoso e não criaram raízes. Quando uma pessoa apesar de ter ouvido bem a palavra e a ter entendido se deixa tomar pelos cuidados do mundo e pela sedução de suas riquezas, que a sufocam e tornam infrutuosa, essas são as sementes que caíram entre os espinhos. Mas, a terra boa em que o semeador semeou, são as pessoas que ouviram a palavra e a entenderam e a compreenderam e por causa da bondade de seus corações a palavra frutificou e prosperou. (Mt. 13:1-23; Mr. 4:1-20; Lc. 12:10 e Tomé 9)
Jesus vendo que mesmo eles sendo seus discípulos tinham dificuldade para compreender o que ele tinha dito, acrescentou mais uma parábola:
- Saibam, o reino dos céus é como uma mulher que carrega um vasilhame de farinha, andando por longo caminho. A alça do vasilhame se quebra e a farinha se espalha atrás dela pelo caminho. Sem dar-se conta, ela ignora o acidente e não se aflige. Chegando em casa, pousou o vaso no chão, e só então se deu conta que estava vazio. (Tomé 97)
Ora, a mulher que carrega o vasilhame é semelhante ao semeador que carrega a sacola de sementes, como o semeador que deixa as sementes por onde passa, ela deixa um rastro de farinha, ao final do caminho uma estará com o vasilhame vazio, da mesma forma o semeador ficou com a sacola sem sementes. Ambos deixaram pelo caminho um rastro de Fé. E o Reino dos céus age assim, se dispersando por onde passa em sabedoria e fé. 
Jesus acrescentou ainda outra parábola a essa, disse ele:
- O reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa, e depois ela faz grandes pães. Quem tem ouvidos ouça! (Mt. 13:33; Lc 13:20 e Tomé 96)
E Jesus, por isso avisou aos discípulos:
- Mas, eu vos digo, guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus, pois a fé deles é hipocrisia, por isso não prosperarão e nem conhecerão o reino dos céus.
Sim, verdadeiramente, a Fé é um mistério, não pode ser comprada, emprestada, adquirida ou fingir que se tenha, a Fé tal como o amor é um estado de Espírito, que existe sem que nos demos conta que ali esteja, da Fé provém a alegria, o contentamento, a confiança e um amor maior, que tudo abarca e permeia. A Fé realmente é a luz do mundo, sem a Fé o mundo seria apenas trevas e escuridão.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 28. PARÁBOLA DO REINO DE DEUS: O JOIO

JESUS, AMOR & FÉ *

28. PARÁBOLA DO REINO DE DEUS : O JOIO

Após a discussão sobre o dia de sábado com os fariseus na Sinagoga de Cafarnaum, Jesus deixou de falar abertamente quem era e para o que viera, passando a pregar através de parábolas e assim ensinava aqueles que o ouviam, para que suas palavras tocassem seus corações e entendessem mais com os sentimentos do que com a razão.
Como poderemos perceber ao estudar a vida de Jesus, o período de sua manifestação como Filho de Deus se dá em um ano, apesar que alguns estudiosos queiram atribuir um período de três anos com base no Evangelho de São João. Contudo, considerando as profecias, principalmente a feita pelo profeta Isaías, há respaldo para crer que tudo se deu num período de um ano, o chamado: ANO DA GRAÇA DO SENHOR, que Isaías assim o descreve: "… proclamais um ano de graças da parte do Senhor, um dia de vingança do nosso Deus (Is. 61:1) Lamentai-vos, porque o dia do Senhor, está próximo como uma devastação provocada pelo Todo- Poderoso (Is. 13:6) . Eis que virá o dia do Senhor, dia implacável, de furor e cólera ardente para reduzir a terra a um deserto e dela exterminar os pecadores (Is. 13:9)."
A passagem de Jesus pela Terra Santa também estará sincronizada com as estações do ano, a saber:
- Ao final do inverno, Jesus jejuou no deserto:
- No início da Primavera, abril, ele foi batizado e ungido no rio Jordão, o que deve ter se dado após a Páscoa judáica, a qual ocorre no geralmente ao final do inverno e início da primavera:
- Ele se manifestou a primeira vez na Primavera, tempo em que tradicionalmente aconteciam os casamentos:
- Jesus pregou a beira do Mar da Galiléia durante todo o verão:
- A primavera e o verão são as estações que se dá a colheita dos grãos, como por exemplo o trigo. É o tempo da ceifa;
- No final do verão começa o tempo de colher os frutos e
- O outono e o inverno são o tempo de semeadura do trigo.
Por ora, é o que nos basta saber, para compreender os próximos acontecimentos, principalmente, no que diz respeito aos ensinamentos dados por Jesus nas principais parábolas sobre o Reino de Deus. Jesus começou a falar por parábolas justamente no tempo da colheita do trigo, e foi com a parábola do joio que seus ensinamentos sobre o Reino de Deus, das coisas celestiais, iniciaram-se.
Num certo dia, estando Jesus em Cafarnaum, como deixara de ensinar na sinagoga por causa das discussões que ali tivera,  ele sentou-se a beira do mar da Galiléia, mas sua solitude durou pouco. Logo as pessoas foram chegando e puxando prosa com ele e iam se sentando para ouvi-lo, tantas eram as pessoas que se achegavam que Jesus acabou por entrar dentro de uma barca. Ele subiu na popa e nela se sentou para que todos pudessem vê-lo. E Jesus começou a revelar a natureza do Reino dos céus e assim ele falava a todos:
- O reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que o homem repousava veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio *(cuja semente é muito semelhante a do trigo, mas o joio é uma praga e para nada serve). Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: “Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde veio, pois o joio?” Disse-lhe o senhor da terra: “Foi um inimigo que fez isso para prejudicar minha colheita!” Replicaram-lhe os servidores: “Queres que vamos lá e arranquemos o joio?”. O pai de família disse: “Não, de modo nenhum. Pois, se arrancares o joio poderás arrancar o trigo também *(já que o trigo e o joio quando brotam ainda são muito semelhantes e fica difícil distinguir um do outro). Deixai-os crescer juntos até a colheita . No tempo da colheita, direi aos ceifadores para arrancarem primeiro o joio e o atem em feixes para o queimar, enquanto o trigo recolherei ao meu celeiro. (Mt. 13:24-29)
Mais tarde, os seus discípulos perguntariam a Jesus o significado oculto dessa parábola, e sentados em casa agrupados ao redor de Jesus como crianças reunidas ao redor de um pai de família, Jesus lhes ensinou, dizendo:
- O homem que semeia a boa semente é o Filho do Homem. As sementes são as palavras que saem da minha boca. O campo é o mundo. O trigo são os filhos do reino de Deus. O inimigo que semeia a má semente é Satanás, pois ensina o que é mentira, logo o joio são os filhos do Maligno. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos, que recolherão os maus primeiro para destruí-los e depois colherão os bons para Deus, assim será o fim do mundo. O Filho do Homem enviará seus anjos que retirarão do seu reino todos os responsáveis por escândalos e todos os que fazem mal e os lançará a destruição. Então, os justos resplandecerão como o sol no Reino de Deus. (Mt. 13;36-43)
Essa parábola só se encontra no Evangelho de São Mateus, todavia em 1945, quando lavradores escavavam num velho cemitério de Nag Hammadi, no Egito, encontraram alguns potes de barro com manuscrito em caracteres coptas. Parte desses papiros encadernados em couro foi usado pelos colonos ignorantes para acender fogo; mas por milagre uma parte foi salva e vendida e foi parar no museu do Cairo, onde esses manuscritos foram guardados por 11 anos, sem que ninguém lhes desse importância. Mais tarde, quando finalmente em 1956, peritos examinaram cientificamente esses documentos, verificaram que além dos outros manuscritos, esses papiros continham o Evangelho de São Tomé, até então desconhecido, e que era uma cópia do original que remontava ao século II da nossa era. A primeira tradução desse Evangelho de São Tomé, que se constitui de frases e aforismos, foi feita em Paris em 1959, a coleção com a traduções de todos os textos de Nag Hammadi, só foi feita em Paris, em 1984, mas continuam sendo objeto de estudo até os dias de hoje.
Pois bem, no Evangelho de São Tomé, essa parábola do joio esta escrita no item 57, da seguinte maneira:
“Jesus disse: O Reino do Pai se assemelha ao homem que tinha (boa) semente. Seu inimigo veio durante a noite semeou joio por cima da boa semente. O homem não deixou que (os servos) arrancassem o joio. Ele lhes disse: “Temo que vós acabeis arrancando o joio (e) também o trigo junto com ele, com efeito, no dia da colheita, as ervas más aparecerão, então, as arrancaremos e as queimaremos.”
Eu pessoalmente gosto dessa versão sintética, que me parece tão mais usual na maneira de Jesus falar, sempre simples e indo direta mente ao ponto, revelando na sua síntese uma incrível sabedoria.
Se Mateus deu uma versão macro cósmica da parábola, essa de São Tomé inspira uma visão micro cósmica. Tal como Jesus demonstra em seu ensinamento no pequeno está o grande, no grande está o pequeno, quem é justo no pouco será justo no muito. Portanto, a essa parábola podemos dar uma visão micro, mais pessoal e individual, onde coloca a pessoa como centro do mundo, pois toda pessoa trás um próprio mundo em si. Cada pessoa é um campo fértil onde Deus semeia as sementes de sua sabedoria, assim do mesmo modo que Deus, Jesus semeia a sabedoria de suas palavras no coração das pessoas.
Porém, como todos nós sabemos, junto com o bom conhecimento que adquirimos das boas sementes de sabedoria divina, de alguma maneira inexplicável a má semente dos ensinamentos malignos também são semeados no coração e na mente humana. A princípio é muito difícil distinguir entre o bem e o mal, todo estudioso se detém para se perguntar o que é o bem e o que é o mal, fazendo isso ponto do estudo fundamental de todos os filósofos que já passaram pela face da terra. De modo geral todos concordam que só com a passagem do tempo se poderá demonstrar o que é um bem e o que um mal, só quando o bem e o mal estão manifestos inteiramente se pode distinguir entre o bem e o mal, antes disso é simplesmente pura especulação e muito difícil mesmo a distinção entre ambos.
Portanto na mente e no coração de uma pessoas as palavras são semeadas, semeando sementes do bem e do mal, até que chega-se à maturidade, tempo em que o conhecimento adquirido começa a dar seus frutos, tempo em que também a pessoa de bom senso começa a separar o bom conhecimento daquele que é nocivo. Essa pessoa de bom senso então vai agir para eliminar tudo o que houver de ruim em seus pensamentos e sentimentos, fazendo uma verdadeira “faxina”, ela literalmente vai rejeitar tudo aquilo que a afasta de Deus e com o auxílio da Fé e da interferência benéfica de seres angelicais, poderá limpar-se e estando limpa manifestará nela a luz da sabedoria de Deus. Simples assim.
De modo que podemos dizer que todo conhecimento adquirido enquanto estamos no mundo faz parte da nossa natureza mundana, contudo do momento que somos capazes de distinguir o bem do mal, cabe a nossa natureza angelical, de filhos de Deus, separar o joio do trigo plantados nas nossas consciências e sentimentos, para que possamos ser luminosos tal como Deus nos concebeu, e nisso reside o livre arbítrio que nos foi dado por Deus e amá-lo acima de todas as coisas e O amando, amamos o próximo como a nós mesmos, desde que no próximo possamos ver um pouco da luz que também há em nós, pois quem ama a Deus por instinto rejeita o mal e jamais amará o mal.
Na maturidade de um ser humano se dá a distinção de sua real condição no mundo, ou será joio ou será trigo, e isso nos remete à parábola conforme está redigida no Evangelho de São Mateus, de modo que o que aconteceu no micro cosmos também acontecerá no macro cosmos. E assim procede o pensamento de Deus, no pequeno ou no grande a lei que rege será a mesma, e isso se faz maravilhoso aos nossos olhos! E juntando os ensinamentos das duas fica simples assim: no final dos tempos os ensinamentos de Jesus e os ensinamento de Satanás se refletirão nas pessoas, e os que receberam e guardaram os ensinamentos de Jesus estarão iluminados e os que guardaram os ensinamentos de Satanás, não terão luz nenhuma, e os que não tiverem luz em si serão colhidos e destruídos e os que tiverem luz estarão com Jesus na renovação de todas as coisas e terão a vida eterna, terão sido restaurados a condição de perfeição humana de quando Deus criou a Adão, seremos todos como JESUS, deuses-humanos de verdade!!!

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sábado, 19 de dezembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 27. JESUS E O RENOVO DA LEI DO SÉTIMO DIA

JESUS, AMOR & FÉ *

27. JESUS E O RENOVO DA LEI DO SÉTIMO DIA

"JESUS FAZIA MILAGRES NO DIA DE SÁBADO.
OS JUDEUS E FARISEUS O CRITICAVAM POR ISSO.
JESUS RESPONDEU A ELES
- MEUS PAI CONTINUA TRABALHANDO ATÉ AGORA, E EU TAMBÉM ESTOU TRABALHANDO!"
(Jo 5: 9-17)
No Decálogo *(os dez mandamentos) que Deus deu a Moisés, o terceiro mandamento diz:
“Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas, no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum… (…) Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm e repousou no sétimo dia; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou. “ (Êxodo. 20:8-11) Moisés mais adiante dará uma conotação de ritual religioso com intenção de através desse ritual estabelecer uma aliança entre os judeus e Deus, pois pela repetição de um comportamento se constitui uma tradição cultural que dá característica a um grupo social ou povo.
Moisés, pois, escreveu: “Disse mais o Senhor a Moisés: Tu, pois, falarás aos filhos de Israel, e lhes dirás: Certamente guardareis os meus sábados; pois é o sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibas que eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado porque é santo para vós outros: aquele que o profanar, morrerá, pois qualquer que nele fizer alguma obra morrerá. Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou e tomou alento. E tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” (Êxodo 31: 12-18)
Todavia, esse preceito parecia estar fadado a ser em certas ocasiões desconsiderado até pelo o temível Senhor dos exércitos. Tendo em vista que por ocasião da conquista de Jericó, para derrubar as muralhas que tornavam a cidade inexpugnável, o repouso obrigatório do dia de sábado foi assim esquecido. Está escrito no Livro de Josué: “Jericó, cidade murada, tinha-se fechado diante dos israelitas, ninguém saia dela, ninguém entrava. O Senhor disse a Josué: “Vê: te entregarei Jericó, seu rei e seus valentes guerreiros. Dai a volta à cidade, vós todos os homens de guerra; contornai toda a cidade uma vez. Assim farás por seis dias. Sete sacerdotes tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No SÉTIMO DIA dareis sete voltas em torno da cidade, tocando os sacerdotes as trombetas. Quando o som da trombeta for mais forte e ouvirdes a sua voz todo o povo soltará um grande clamor e a muralha da cidade desabará. Então o povo tomará a cidade de assalto, cada um no lugar que lhe ficar defronte.”(Josué 6:1-5)
De modo que se pode deduzir que esta “Lei” do sábado era um ritual dado por Deus especialmente aos judeus para mantê-los ligados à  Sua memória através de um ritual e tradição de seus atos. Ora, se o próprio Deus abriu uma exceção à Lei, é que ela está sujeita em seu cumprimento ao bom senso na sua aplicação.
Em seu sermão da montanha Jesus logo anunciou que tinha vindo não para mudar a Lei *(o Torá ou o Pentateuco) nem as palavras dos profetas, mas sim para levar esses ensinamentos à perfeição (Mt. 5-17). Jesus não prega a abolição de nenhuma Lei dada por Moisés. Jesus propôs uma mudança no conceito de repouso e “inatividade” imposto por Moisés. Jesus não via muito sentido na interpretação dos judeus a este mandamento, já que Deus continua a trabalhar todos os dias. O processo da criação divina não para a sua atividade natural para glorificar o seu Criador com nenhuma forma de "descanso". Mais uma vez o entendimento humano obscurece a clareza do entendimento da sabedoria divina, pois como está escrito em Isaías, disse o Senhor: “Pois os meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não são os meus.” (Is. 55:8)
Assim aconteceu que um dia, que Jesus com seus discípulos atravessavam um campo de trigo num dia de sábado. E seus discípulos tendo fome iam arrancando as espigas e debulhava-as com as mãos e comiam os grãos. Quando os fariseus viram isso, logo foram dizendo que isso não podia ser feito no dia de sábado, pois era um mandamento do Decálogo que Deus dera para Moisés. Jesus lhes retrucou:
- Não lestes que Davi estando com fome e não tendo pães comuns, o sacerdote deu a ele os pães sagrados reservados aos sacerdote para alimentar a si e aos seus amigos? Ora nem a ele e nem a seus companheiros era permitido comerem esses pães sagrados. Não lestes na Lei que nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no templo o descanso do sábado e não se tronam culpados? Ora, eu vos declaro que aqui está quem é maior que o templo. Se compreendêsseis o sentido desta palavra: QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO … (Oséias 6:6) NÃO CONDENARIAS OS INOCENTES! Porque o Filho do Homem também é o Senhor do sábado. O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.
Partindo dali, Jesus entrou na sinagoga de Cafarnaum, e atrás dele o seguiam tanto os seus discípulos como os fariseus que buscavam pegá-lo em erro em seus atos e palavras. Chegando lá Jesus viu um homem que rezava e tinha uma das suas mãos mirrada. E alguém perguntou a Jesus:
- É permitido curar no dia de sábado?
E a pergunta foi feita para poder acusá-lo de pecar. Jesus, sabia das más intenções de seu adversário, e perguntou-lhe:
- Há alguém entre vós que, tendo uma única ovelha e se esta cair num poço no dia de sábado, não irá a procurar, a retirar do poço e salvar a sua vida? Não vale o homem muito mais que uma ovelha? É pois permitido fazer o bem ou o mal no dia de sábado? Salvar uma vida ou matar?
Mas, ninguém respondeu a Jesus.
Então, Jesus lançou um olhar indignado sobre aqueles homens, contrariado com a dureza de seus corações. Disse então ao homem da mão seca:
- Estenda a sua mão!
E o homem a estendeu e no mesmo instante a mão tornou-se sã e perfeita como se nunca tivesse sido atacada de nenhum mal.
Os fariseus retiraram-se da sinagoga indignados e passaram conspirar uma maneira de matar Jesus, e Jesus perscrutando seus corações, o soube e afastou-se daquele lugar e não voltou mais à sinagoga de Cafarnaum.
Nessa passagem Jesus ensinou o quão é necessário o uso do discernimento e na aplicação da lei para que a justiça seja realmente praticada. Não é porque uma lei foi escrita, deliberada e assentada pela tradição que ela deva permanecer imutável com a passagem dos tempos e a evolução da sociedade. Antes de praticar a justiça o julgamento deve ser justo, e para ser justo tem que ser balizado pelo bom senso na sua aplicação, considerando as circunstancias que originou a sua violação, isto é misericórdia, e na falta de misericórdia no julgamento, é mais do que provável que inocentes venham por esta lei a serem julgados e condenados injustamente.
Jesus não violou a Lei do sábado, mas sim deu a ela um novo significado, tirando o que fora mal interpretado e acrescentado indevidamente ao mandamento dado por Deus pelas mãos humanas. Assim a Lei do sábado ganhou de Jesus uma nova concepção luminosa, que a revestiu de misericórdia, porquanto admitia todo bem e tudo que fosse bom deveria ser praticado no sábado, dia em que todo mal e aquilo que afasta de Deus deveria ser rejeitado. Ou seja, que ao menos um dia em sete dias, uma pessoa se dedicasse unicamente a fazer o bem, e rejeitando todo o mal, de modo que estaria verdadeiramente dando um "descanso", uma trégua, a constante luta entre o bem e o mal que infelizmente permeia e faz parte da existência neste mundo. VIVA PARA FAZER O BEM AO MENOS UM DIA POR SEMANA, DESCANSE DO MAL AO MENOS NO SÉTIMO DIA. Será que é tão difícil de entender?
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domingo, 13 de dezembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 26. O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS!

JESUS, AMOR & FÉ *

26. O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS!

“O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou Ei-lo ali. Pois O REINO DE DEUS JÁ ESTÁ DENTRO DE VÓS, ISTO É, DENTRO DOS VOSSOS CORAÇÕES.” (Lc 17: 20-21)
Um dia Jesus disse: “Todo aquele que procura salvar a sua vida, perdê-la-á; mas todo o que a perder, a encontrará.” (Lc. 17:33) Ora, Jesus com esta frase descreveu perfeitamente o neófito, aquele que acabou de nascer pelo Espírito Santo, aquele que nasceu de novo. Pois, aquele que está buscando a salvação de sua vida, já está em seu sofrimento seja físico, psicológico ou espiritual, ou até as três condições juntas, conhecendo a transformação que a resiliência e a busca da sobrevivência trás. Podemos ver no mundo muito sofrimento, mas se olharmos com atenção veremos muito mais superação. E quem quer que tenha descido aos infernos e tenha retornado é um sobrevivente, e todo sobrevivente é um renascido espiritualmente. Portanto pode parecer um paradoxo é preciso que se sofra com a perda de um status na vida, para que o perdendo se possa encontrar o verdadeiro significado da vida, a vida verdadeira. E a vida verdadeira é fazer a vontade de Deus e ter a FÉ no coração. Pois a FÉ é o verdadeiro REINO DE DEUS!!! Só assim é possível haver paz na Terra como no Céu!
Nada existiria nesse mundo se não tivesse a chama da FÉ para inspirar a vida, sem FÉ nada sobreviveria. Todos os seres vivos possuem FÉ, até o nosso planeta Terra possui FÉ, se não possuíssem FÉ não poderiam existir. Eis porque A FÉ É O REINO DE DEUS, A FÉ É A SABEDORIA DE DEUS QUE AGE EM EM TODA OBRA DE SUA CRIAÇÃO!!! Portanto, FÉ não é algo que se adquire por algum preço, pois é dada por Deus, toda chama de vida possui o sopro da Fé de Deus, contudo a partir do recebimento da centelha da Fé estará na responsabilidade do ente vivo fortificar ou enfraquecer a Fé que recebeu, poderá até chegar a não ter mais Fé nenhuma em si, e esse estado o tornará um ser inútil, que apesar de estar aparentemente vivo está morto por dentro, tudo dependera muito das circunstâncias existências e de sua capacidade própria de superação, sobrevivência e resiliência de cada ser vivo.
Um dia Jesus estando na sinagoga de Cafarnaum iniciou a dar os seus ensinamentos sobre o “Reino de Deus” , mesmo que os homens que ali estavam fossem iniciados em sabedoria, infelizmente eram apegados a um conceito por demais materialista da vida e pouco ou quase nada entendiam da sabedoria divina, e Jesus percebeu que teria que lhes falar de uma maneira que despertasse seus corações para um novo entendimento. Então, Jesus dizia:
- Em verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer milagre nenhum ou coisa alguma. Ele só faz o que vê fazer o Pai, mas tudo o que o Pai faz semelhantemente lhe faz o Filho. Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz e maiores obra fará para que ficais admirados e acrediteis. Com efeito, tal como o pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá a vida a quem ele quer.
Assim, Jesus justificava a necessidade dos milagres para que crendo fortalecessem a Fé. E continuou dizendo:
- Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho; deste modo todos devem honrar o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.
Naturalmente, que seria necessário que aqueles judeus acreditassem que Jesus era mesmo o Filho de Deus, o Messias, o que na verdade havia muita relutância para se aceitar, crer e ter confiança e Fé entre aqueles a quem Jesus estava a falar, mesmo assim Jesus prosseguiu abrindo-lhes o entendimento dizendo:
- Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação mas, passou da morte para a vida. Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. … E não a palavra de Deus permanente em vós, pois não credes naquele em mim que Ele vos enviou…Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim. E vós não quereis vir a mim para que tenhais vida… Não espero que a minha glória venha dos homens, pois sei que não tendes em vós mais o amor de Deus, a Fé que Ele vos deu desde o nascimento, vós a perdeste, sois homens sem Fé! Vim em nome do meu Pai, mas vós não me recebeis. SE VIER OUTRO EM SEU PRÓPRIO NOME, HAVEIS DE RECEBÊ-LO… De fato, como podeis crer e ter fé, vós que recebeis apenas a glória uns dos outros e não buscais a glória que é só de vosso Deus? Se crêsseis em Moisés também creríeis em mim! Se não acreditais nos vossos escritos das Escrituras, como acreditareis nas minhas palavras?
Então perguntaram a Jesus:
- Que faremos para praticar as obras de Deus?
E ele lhes respondeu assim:
- A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.
Perguntaram-lhe então:
- Que milagre de Deus que fazes tu para que vejamos e acreditemos em ti? Nossos pais comeram o maná no deserto segundo o que está escrito: “Deus-lhes de comer o pão vindo do céu (Salmo 77,24).”
Jesus, abismado com a falta de Fé daquela gente respondeu com autoridade na voz:
- Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo *(pois pão da vida Deus que vivifica e alimenta é a Fé).
Ao ouvirem as palavras de Jesus todos que ali estavam disseram em uma só voz em súplica:
- Senhor, dá-nos sempre deste pão!
Jesus replicou, em tom duro, pois sabia que assim pediam apenas por interesse em terem a vida eterna e queriam que Jesus fizesse um milagre para eles acreditarem:
- EU SOU O PÃO DA VIDA: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Mas, já vos disse: Vós me vêdes e não cres… Todo aquele que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, dele não desistirei e não o lançarei fora. Pois não desci do céu para fazer a minha vontade, mas a vontade de Deus que me enviou. Esta é a vontade do Pai, que todo que tiver Fé, mesmo que pequena e creia em que Ele enviou tenha a vida eterna.
E os judeus ficaram murmurando entre si, sobre o que ele dissera:
- Como diz ele ser o “pão que desceu do céu”?
- Porventura não é ele Jesus filho de José, cujo pai e a mãe eu conhecia?
- Como pois ele diz: “desci do céu”?
Ouvindo-os Jesus os repreendeu:
- Não murmurei entre vós! Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is. 54-13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído, vem a mim. Em verdade vos digo quem crê em mim tem a vida eterna porque tem Fé. Eu sou o pão da vida, a Fé viva. Eu sou o pão vivo, a Fé viva que desci do céu! Por isso digo: Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer desse pão viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
Ouvindo essas palavras os judeus ficaram escandalizados e começaram a discutir:
- Como pode esse homem dizer que dará de comer a sua própria carne? Por ventura somos nós pecadores que comemos a carne de outro homem?
Certamente os judeus que ali estavam tinham se esquecido de um episódio na vida de Abraão, talvez em razão das poucas palavras da breve narrativa, mas cuja importância é fundamental pois trata da conversão de Abraão para a fé no Deus Altíssimo. Ora está escrito no Gênesis:
“Voltando Abraão da derrota de Codorlomor e seus reis aliados, o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro no vale de Savé, que o o vale do rei.
MÉLQUISEDEQUE, rei de Salem e SACERDOTE DE DEUS ALTÍSSIMO MANDOU TRAZER PÃO E VINHO, e abençoou Abraão dizendo: “Bendito seja Abraão pelo DEUS ALTÍSSIMO QUE O CRIOU O CÉU E A TERRA! Bendito seja Deus Altíssimo que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” E Abraão deu-lhe o dízimo de tudo. (Gên. 14:17-20) No Capítulo 15 do Gênesis é apresentada a conversão de Abraão ao Deus Altíssimo e a visão que ele teve onde estabeleceu uma aliança com Deus, a quem Abraão chamou pela primeira vez de JAVÉ, de originou-se a promessa que daria a ele um descendente como a chamada TERRA PROMETIDA. 
Então que se entenda que o corpo de Jesus era como o invólucro da sabedoria divina de Deus, o pão da vida que alimenta o conhecimento e o sangue, tal como vimos antes seria beber da alma divina que vivifica, ou seja, o corpo de Deus da energia de Fé que tudo dá a vida, e ter por conseguinte a vida eterna, através do nascimento espiritual, pois aquele que nasce do Espírito Santo de Deus possui a vida eterna em seu Espírito.
Ouvindo a confusão que suas palavras mal interpretadas ocasionaram, pois falara das coisas celestiais e os judeus as interpretaram como coisas terrenas, Jesus tentou explicar melhor para que entendessem o que ele queria falar:
- Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes do seu sangue não tereis a vida em vós mesmos, não tereis a Fé que devem ter. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Ora, quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele, do mesmo modo que o Pai que me enviou vive em mim e eu vivo no Pai, pois compartilhamos as nossas substâncias de vida e conhecimento. Do mesmo modo que meu Pai vive eu vivo através do Pai, o mesmo vai acontecer com aquele que comer da minha carne e beber do meu sangue, pois compartilharemos com ele a nossa substância de Fé e o nosso conhecimento. Ele estará comigo e o Pai e nós estaremos nele. Este é o pão que desceu do céu, não como o maná que foi dado aos seus pais que comeram daquele pão e morreram. Quem comer desse pão que eu vos ofereço viverá eternamente.
Tal foi o ensinamento de Jesus na Sinagoga de Cafarnaum, que muitos dos seus discípulos que o ouviram ficaram perplexos e disseram:
- Isso é muito duro!
- Quem pode admitir tal coisa?
Ouvindo os murmúrios deles Jesus perguntou-lhes com uma certa ironia na voz:
- Isto vos escandaliza? Como será então quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes? … O ESPÍRITO É O QUE VIVIFICA, a carne de nada serve. AS PALAVRAS QUE VOS TENHO DITO SÃO O ESPÍRITO DA VIDA *(Os ensinamentos de Fé é que vivificam a vida terrena na carne do crente, dando-lhe um nascimento espiritual que dará a vida eterna na comunhão como Espírito Santo). Mas, há alguns entre vós que não crêem… Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim se por meu Pai não lhe for concedido.”
Vendo que alguns daqueles que o seguiam por ali preferiram se retiraram e preferiram não mais andar com ele, Jesus perguntou aos que estavam mais próximo deles:
- Quereis vós também retirar-vos?
Respondeu-lhe Simão Pedro:
- A quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus! O Messias consagrado por Deus para o estabelecimento do Reino de Deus!
Ao ouvir Pedro, Jesus sorriu intimamente e disse aos outros:
- Não vos escolhi eu todos os doze? Contudo um de vós é um demônio!…
Jesus se referia a Judas Iscariotes, o qual sabia que iria o trair e o entregar ao sacrifício, pois deste o começo assim fora predestinado que assim o fizesse, para que as profecias se cumprissem e muitos acreditassem e convertessem os seus corações à Deus. (Jo 5:19-47 e Jo 6:26-71)
Assim o Reino de Deus é a Fé na sabedoria divina que impregna os conhecimentos dados por Jesus que por isso é comumente como a “DOUTRINA DA FÉ”, mas um conhecimento que não pode ser entendido segundo os padrões terrenos e que é preciso abrir a mente para aceitar o que está além da sua limitadora concepção da realidade, que em grande parte sob a luz da Fé não passa essa de uma ilusão transitória, pois a condição espiritual seria transcendente quando ligada ao Espírito Santo de Deus. Mas, em vista da dificuldade da compreensão vigente naquela época para as coisas do espírito e celestial, Jesus prudentemente passou a falar em parábolas, para que as pessoas ouvindo pudessem entender mais com os seus corações do que com a mente que os impedia de ter Fé. Destarte, que mesmo em nossos dias é difícil aceitar que o espírito vindo de Deus, é o próprio reino de Deus, que habita no corpo físico e a ele dá vida, come da carne e bebe do sangue que o sustento. Porquanto, o espírito é tal uma chama da vela que queima e ilumina a alma, mas consome a cera da vela até que ela finde. Se hoje isso assombra ainda, imaginem no tempo de Jesus!!! 

  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.