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terça-feira, 8 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 50. JESUS E O SACRIFÍCIO DO CORDEIRO DE DEUS

JESUS, AMOR & FÉ *

50. JESUS E O O SACRIFÍCIO DO CORDEIRO DE DEUS

Como era do procedimento da justiça romana Pilatos mandou escrever uma tabuleta com o crime pelo qual Jesus seria crucificado, já que apesar da crucificação dele ter sido pedida pelos sacerdotes dos judeus e do povo judeu que os acompanhavam, os judeus não podiam por eles mesmos darem andamento a execução da sentença, de forma que para atender aos judeus Pilatos ordenou aos soldados romanos que fizessem o procedimento da sentença, e ao final colocassem no alto da cruz a tabuleta onde estaria escrito a seguinte inscrição em hebraico, latim e em grego: JESUS DE NAZARÉ, REI DOS JUDEUS. Feito isso entregou a tabuleta nas mãos dos acusadores de Jesus. Os sacerdotes ao lerem a inscrição disseram a Pilatos:
- Não escreves “Rei dos Judeus”, mas sim: “Este homem se disse ser rei dos judeus”.
Pilatos respondeu a eles com desprezo:
- O que escrevi, escrevi.
E deu ordem aos seus homens que buscassem o madeiro para que o condenado o carregasse. 
Naquele tempo a morte por crucificação passara a ser adotada em lugar da morte por empalação considerada demasiadamente bárbara pelos romanos, mas que fora até então largamente usada na região pelo mais cruel de todos os povos, os assírios, e veio a ser adotada por muitos povos, que apreciavam assistir o sofrimentos humano, pois consistia em enfiar uma estaca por um orifício das partes baixas da vítima e remeter-lhe até sair pela boca ou por cima em qualquer lugar, e depois colocar a vítima estacada de pé na terra. Por sua vez em razão dos sucessivos atos de rebeldia dos judeus, as cruzes eram fabricadas em série e de boa madeira para que durassem, pois era costume a sua reutilização para reduzir os custos com as execuções. Jesus bem o sabia disso, pois vira o seu pai fabricar muitas cruzes para os romanos por ser marceneiro e ele por ironia também fabricara cruzes. 
Normalmente na pretoria sempre existia cruzes disponíveis para serem utilizadas, assim Pilatos mandou que se trouxesse uma cruz romana de boa madeira e foi feito conforme fora ordenado. A cruz foi posta no chão da pretoria em frente ao portão e foi dada aos sacerdotes judeus, por que eles não só tinha pedido pela sentença, como seriam os responsáveis pela supervisão do cumprimento da sentença, apesar que essa fosse executada por soldados romanos, os soldados Templo fariam a guarda, pois Jesus era prisioneiro dos sacerdotes judeus e não dos romanos. 
Ocorreu que já que os judeus não podiam entrar na pretoria para não se contaminarem, pois era o dia da preparação da Páscoa, assim como não podiam pegar na cruz e muito menos os romanos poderiam carregar a cruz, pois Jesus não era prisioneiro dos romanos, instalou-se uma discordância em razão de um dilema previsto por Pilatos, que não perdia uma oportunidade para se divertir com as questões das tais "impurezas" dos judeus, que a tudo discriminavam. Então, os sacerdotes obrigaram um homem forte que estava entre os que observavam, que pegasse e carregasse a cruz para fora da pretoria, pois em razão de sua cor de pele escura tinham deduzido erroneamente que ele não era judeu. E o nome desse homem era Simão de Cirene *(oriundo de uma comunidade judáica de uma cidade do norte da África, atual Líbia), pai de Alexandre e de Rufo - os quais eram discípulos de Jesus -, e que naquele dia tinha vindo do campo para a festa da Páscoa. E foi assim que um homem também chamado Simão, o mesmo nome de Pedro - que afirmara que daria a vida dele por Jesus, para depois negar o nome de Jesus por três vezes apesar de ter sido ele um dos primeiros a ser escolhido por Jesus-, este Simão que mal conhecera Jesus ao ver que o condenado era aquele que os seus filhos reputavam como o Mestre, o Messias, não por ordem dos sacerdotes, nem por ordem dos soldados romanos, mas por amor e misericórdia por Jesus, lançou mão da cruz e a colocou em seus ombros e saiu da pretoria a carregá-la sem temor que quem o visse o considerasse um criminoso culpado de qualquer crime por estar carregando uma cruz. Contudo, não carregou Simão a cruz por muito tempo, pois Jesus se aproximando dele e disse-lhe com um profundo olhar de agradecimento e repleto de benevolência:
- Simão já fizeste a tua parte, deixe-me agora cumprir a vontade de meu Pai, pois está escrito: Aprouve o Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer a sua vida em sacrifício expiatório… (Is. 53:10)
E, com muito contragosto, Simão de Cirene colocou a pesada cruz nos ombros de Jesus, temendo que ela pudesse esmagá-lo por conta dos ferimentos que tinha recebido quando fora açoitado, mas espantou-se Simão de ver que embaixo daquela aparência de carne dilacerada e repleta de chagas, brilhava no olhar de Jesus uma luz poderosa e por um momento Simão pensou ver toda a energia vital do mundo a vibrar dentro daquele corpo, como se fosse a própria energia da imortalidade divina. Ao ver isso, Simão não teve mais dúvida de que aquele homem que assemelhava-se a um castigado, ferido por Deus e humilhado, era realmente o Filho de Deus, o Messias!!! E sendo o Messias, nele a vontade de Deus seria realizada e nele o próprio Deus se glorificaria.
Quando Jesus começou a carregar a sua cruz, nenhum dos seus discípulos estavam no local nem para defendê-lo, nem para ajudá-lo e nem mesmo para serem meras testemunhas oculares de seu sofrimento. Eles também não estariam presentes em sua morte, pois todos teriam fugido e se escondido. Portanto, não foi de admirar que as únicas pessoas que testemunharam esse dia de profundo sofrimento público de Jesus, e que estiveram ao seu lado durante toda a sua humilhação aos olhos dos homens e glorificação aos olhos de Deus, fossem justamente as mulheres que o tinham seguido e que durante todo o tempo tinham zelado por seu bem-estar ao lado de sua mãe amada Maria, cuidando que suas roupas estivessem sempre limpas, que jamais lhe faltasse o que comer, que fosse sempre cuidado e perfumado com o amor delas e que não hesitaram em sustentá-lo com suas posses para que pudesse fazer a pregação da Boa Nova que ele trazia do Reino de Deus. As mulheres que no passado foram as primeiras a acreditar na sua vinda - nas pessoas de Isabel, mãe de João Batista, e Maria, sua mãe -, serão também as últimas a estarem com Jesus em seu momento de maior sofrimentos na vida, não por causa da morte física, mas pelo desamor daqueles a quem Ele tanto amara. Sendo assim, devemos mais confiar nos relatos da via dolorosa em que consta a presença das mulheres que o amavam, pois nenhum dos homens estava presente, mesmo que depois tenham desejado que assim não tivesse sido e tentassem fazer com que nos futuros testemunhos e depoimentos esta circunstância passasse desapercebida com alguns artifícios de retórica.
Não demorou para se espalhar a notícia que o rabi galileu que fizera tantos milagres fora preso e condenado a crucificação e que estava a descer a principal rua de Jerusalém, aquela onde estavam as tendas de comércio, carregando a própria cruz. O povo acorria de todo lado querendo ver, pois não acreditava que tal coisa fosse possível, e as pessoas diziam entre si incrédulas:
- A crucificação de um “rabi”?
- Como os romanos poderiam ter cometido tamanha crueldade na véspera da Páscoa?
- E os sacerdotes permitiram isso?
- De que crime fora aquele homem justo acusado?
- Não era ele o Filho de Deus?
- Se estava sendo crucificado não era!!! Era um mentiroso!
- Um mortal como nós! Merece morrer por ter mentido!
Mas, o seguia bem junto como se quisessem proteger Jesus da multidão as mulheres que o amavam, que batiam no peito, lamentavam e choravam sem parar por causa da compaixão imensa que sentiam em seus corações. Jesus então disse-lhes com voz firme e forte, mas piedosa e amorosa:
- Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorais sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram. Serão destruídos os altares pelos pecados de Israel, espinhos e abrolhos crescerão em seus altares. Dirão então às montanhas; Cobri-nos e as colinas: Cai sobre nós! (Oséias 10;8) Pois se assim fazem ao lenho do ramo verde *(ao jovem), que acontecerá ao seco *(velho)?
Disse isso às mulheres para alertá-las do perigo que correriam devido a desumanidade com que os sacerdotes judeus tratariam os mais fracos, de tal forma que não haveria nem mesmo mais respeito mais pelos anciãos. Dentre essas mulheres havia uma de nome Berenice, cujo nome macedônio queria dizer ‘portadora da vitória”. Vendo que a face de Jesus se cobria de sangue e estava impedindo a sua visão, arriscando que ele tropeçasse em alguma pedra do caminho, ela tirou o seu véu e o colocou sobre a face de Jesus, imediatamente ficou retratada imagem do rosto de Jesus no tecido. Jesus então ordenou a ela:
- Guarde-o com cuidado.
Em razão de ter se tornado o único retrato de Jesus, e dizia-se com poderes milagrosos, que chegara até a curar o imperador romano Tibério de uma doença que lhe dava chagas por todo o corpo e converter o próprio Imperador romano só de ver a imagem de Jesus, o precioso véu começou a ser chamado de “vera eikon” que quer dizer imagem da verdade, assim era chamada a imagem milagrosa de o “véu de Verônica”, e por esse motivo confundiu-se o nome de Berenice com o de Veronica. 
Era costume naqueles tempos bárbaros tanto dos romanos como de muitos outros povos antes deles, colocarem os condenados à morte exibidos na estrada que conduzia ao principal portão de entrada da cidade ou em seus muros como para dissuadir os criminosos, salteadores e ladrões pensassem que aquele era um local sem lei. Normalmente morriam ali e eram comidos pela aves de rapina ou animais, de forma que com o passar do tempo lhes restasse apenas os ossos. Ora, fora dos muros de Jerusalém, de acordo com este costume havia um lugar devidamente reservado para as execuções, que ficava num montículo escarpado que ficava bem a frente do portão da cidade, de modo que todos que fossem a Jerusalém vissem os castigados, e vendo tivessem temor. A esse local chamaram lugar da Caveira *(Calvário, ou Gólgota), pois a caveira sempre fora símbolo da morte, além do que os restos dos corpos dos que ali morriam eram jogados numa vala comum vizinha, pois os criminosos não tinham direito a um enterro, menos ainda a um túmulo. 
Jesus, assim foi conduzido com a sua cruz até o outeiro. Ali já estavam crucificados também dois ladrões. Os guardas romanos incumbidos da crucificação, que seriam supervisionados pelos guardas do templo.
A cruz foi tirada dos ombros de Jesus enquanto os soldados comentavam de sua surpreendente resistência para um homem tão abatido, admiravam-se da sua vontade estóica e da força sua energia por ter carregado a própria cruz apesar do estado lastimável do seu corpo, que de tão fragilidade parecia estar já cadavérico. Então eles, ofereceram a Jesus uma mistura de vinho com ópio, mistura usualmente oferecida aos supliciados antes da crucificação para que ficando atordoados não tivessem nem medo e nem se convulsionassem por causa da dor. Mas, Jesus não aceitou beber a mistura, demonstrando sua força e coragem frente ao sofrimento que o aguardava. Os guardas, então, o despiram de suas roupas ensanguentadas e as separaram para serem sorteadas entre eles, como sempre se fazia. E, então, deram início ao procedimento da crucificação. Por cima de sua cabeça pregaram a tabuleta com escritos ordenados por Pilatos, que dava a conhecer Jesus a quem passasse por ali como “rei dos judeus”, e, depois levantaram o madeiro, e dali Jesus contemplou com o coração sangrando, tomado de imensa tristeza Jerusalém e o povo que ali estava, enquanto pensava nas palavras do profeta que se cumpriam mais uma vez:
“Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha muda nas mãos do tosquiados. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou defender sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado do meu povo?” (Is. 53:7-8)
Depois de o haverem crucificado os soldados romanos dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Pois eram vestes dignas de um rei, pois tinham sido dadas a Jesus por Herodes, Antipas. Enquanto faziam isso os judeus passavam pela cruz de Jesus e diziam:
- Tu que destróis o Templo e o reconstrói em três dias, salva-te a ti mesmo agora!
- Se és mesmo o Filho de Deus desce da cruz agora, ó miserável!
Os escribas, sacerdotes e os anciãos que tinham conspirado a sua morte também zombavam dele:
- Ele salvou outros! Não pode salvar a si mesmo!
- Si és rei de Israel desças agora da cruz!
- Si te salvares creremos em ti˜
- Confiou em Deus, Deus que te livre agora!
- Tu disseste: sou Filho de Deus. Se Deus o ama onde está Ele agora?
E ouvindo os ultrajes que proferiam-lhe, Jesus levantou os olhos para o céu e contemplou o sol que finalmente chegava quase ao seu zênite e orou:
- Pai, perdoai-os porque não sabem o que realmente estão fazendo!
E era quase a hora sexta *(o meio-dia) daquele dia quando Jesus disse essas palavras.
Então chegaram junto a cruz a sua mãe, acompanhada da irmã  Maria Salomé (mãe dos filhos de Zebedeu, João e Tiago, e e que fora a parteira de Jesus) e sua discípula amada Maria de Magdala *(Madalena), e ali se ajoelharam ao pé da cruz e ficaram orando para Jesus com todo amor, rogando pela compaixão de Deus para que Jesus fosse poupado do sofrimento e fosse levado logo pela morte, pois este era o único bem que lhe poderia acontecer naquela hora que fora abatido pelo mal. Quando Jesus viu sua mãe e ao lado dela sua tão amada Maria Madalena, ele disse à sua mãe: “Mãe, aí está a sua filha. Maria, ai está a sua mãe.” E a partir daquele momento Maria de Magdala tomou Maria como sua mãe e cuidou dela pelo resto de sua vida.
Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado e que o sopro de vida de sua alma iria deixar o corpo, disse:
- Tenho sede de justiça.
Mas, o guarda do Templo que estava próximo pensando que Jesus dissera que estava com sede de água, embebeu uma esponja no vinagre, pois o vinagre tirava a sede, colocou numa vara e levou aos lábios de Jesus. Jesus tomou do vinagre e disse:
- MEU DEUS, MEU DEUS ABANDONES ESTE TEU SERVO! ARREBATA-ME PARA TI! EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO!
E dizendo isso sua cabeça se inclinou e do seu corpo ausentou-se o Santo Espírito de Deus, e então caiu sobre a terra uma profunda escuridão cobrindo o sol que chegara ao seu zênite, de tal modo que o dia virou subitamente noite.
Os judeus que conspiraram sua morte e que ali estavam pensaram ouvir que Jesus dizia que Deus o tinha abandonado, ou que chamava pelo profeta Elias, pois dissera "Eli, Eli.." *(mas Eli em hebreu quer dizer Pai), mas então a escuridão total caiu sobre a terra. E eis que o véu do Templo que separava o altar do Santo Sanctorum *(ou Santo dos Santos, local da presença divina de Javé, onde só os sacerdotes levitas tinham acesso) se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Do céu ecoou um trovão ensurdecedor e um raio cruzou do Oriente para o Ocidente. Os acusadores de Jesus fugiram apavorados temendo que a ira de Deus caísse sobre eles, corriam gritando, tropeçavam e caiam como moscas, muitos foram pisoteados pela multidão que corria para dentro dos muros da cidade na busca de refúgio e de um lugar seguro, pois temiam que aquele fosse o fim do mundo.
O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava disseram entre si, possuídos de grande temor:
-Verdadeiramente, este homem era um justo. Ele era o Filho de Deus! (Mt. 27:32-56; Mr. 15:21-41: Lc. 23:26-49 e Jo. 19:17:30)
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 6 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 49. JESUS, O JULGAMENTO DO JUSTO POR PECADORES

JESUS, AMOR & FÉ *

49. JESUS, O JULGAMENTO DO JUSTO POR PECADORES

“Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou com nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado ferido por Deus e humilhado. Mas, foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades, o castigo que nos salva pesou sobre ele, fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual o nosso caminho, o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiados. Ele não abriu a boca… “ (Is. 53: 4-7)
Nada impressiona mais a uma pessoa amante da justiça do que o julgamento injusto recebido por Jesus, tendo em vista seus milagres e o grandioso bem que espalhara entre as pessoas necessitadas e sofridas que encontrou por seu caminho. O julgamento de Jesus nos obriga a uma profunda reflexão, pois nos faz pensar que nessa vida não vale a pena ser justo e nem bom com outras pessoas, pois se o formos acabaremos como um cordeiro sendo levado para o matadouro, ou como um bode expiatório indo para o sacrifício, para que a sordidez humana no mundo permaneça e continue sendo sempre a mesma. 
É a sentença deste julgamento injusto que faz muitos que gostariam de crer em Jesus e em suas palavras se afastarem de sua imagem estigmatizada de sofrimento. Ora, desde o tempo deste acontecimento até os dias de hoje, um número incontável de pessoas foram torturadas e mortas com as maneiras mais brutais que possam ser concebidas pela tortuosa e maléfica mente humana, que faz da morte de outro ser vivo um prazer de luxúria para si mesmo. Se isso é demoníaco? Sem dúvida que é demoníaco. Tibério César, então Imperador Romano no tempo da morte de Jesus e que era de origem germânica, tinha tamanho desgosto com o comportamento malévolo humano que mandou construir em sua ilha de Capri um verdadeiro Inferno torturante reservado para os seus mais sórdidos inimigos e criminosos. O que era praticado ali é simplesmente inenarrável, em tudo horrível, e creio que nem o deus Plutão dos Infernos seria capaz de conceber tanto sofrimento. Portanto naqueles tempos, assim como nos tempos de hoje, a vileza humana e a tendência ao mal parece não ter desaparecido, pode ter mudado suas formas, mas continua mesma. Alguém poderá me dizer que então a morte de Jesus foi inútil, eu responderei: NÃO, NÃO FOI!
SE JESUS TENDO SE MANIFESTADO E MOSTRANDO A VERDADE O MUNDO É ASSIM, IMAGINEM SE ELE NÃO NOS TIVESSE DADO A CONHECER-SE? ORA, SE O MUNDO É ASSIM COM DEUS, IMAGINEM VIVER NUM MUNDO SEM DEUS!
Para compreendermos o que acontece com Jesus doravante é preciso que tenhamos em mente que ele está cumprindo exatamente o que foi dito pelos profetas judeus sobre ele, ou seja, sobre o Messias salvador. Do mesmo modo que Oséias, filho de Num, da tribo de Benjamim, foi nomeado por Moisés como Josué (Num. 13: 8,9 e 16) que também se grafa Jesus, em hebraicoYeshua, que quer dizer “Deus Salva” ou “Salvação de Deus”, e foi ele o eleito para conduzir o povo judeu à Terra Prometida, cumprindo assim a promessa feita ao patriarca Abraão, o mesmo se dá com Jesus, que fora enviado para conduzir o povo judeu, que se dizia o único “povo escolhido” de Deus e fiel a Deus e ao chamado Reino de Deus, pois Deus conduzira os judeus pelo deserto até conquistarem a desejada riqueza material, agora Deus tinha o novo propósito de conduzir o povo judeu à desejada riqueza espiritual da sabedoria celeste. Porém, infelizmente, para que os judeus recebessem este conhecimento era necessário impressioná-los de uma forma dramática, pois a mente humana grava mais em sua memória o que lhe choca e é dramático e mórbido do que qualquer beleza que possa elevar a sua alma, sendo que a atração pelas trevas e o que é sombrio é maior do que pela luz, cuja claridade pode cegar tanto quanto a escuridão. 
O propósito de Jesus, na verdade de Deus que nele estava, era criar um evento de tal forma dramático que não fosse esquecido pela mente humana jamais. O que nós podemos dizer quase dois mil anos depois que realmente esse objetivo foi alcançado. E, apesar de fortes campanhas para derrubar a crença em Jesus, ela se sustenta até hoje de maneira formidável reunindo milhões de pessoas que  crêem em sua doutrina e na fé que Jesus exaltou. Isso por si só dá veracidade não só à pessoa de Jesus, mas, sobretudo, glorifica à Deus, nosso Pai misericordioso.
Naquela madrugada do sexto dia da semana, o décimo terceiro dia do mês de Nissan, primeiro mês do ano judaico, Jesus foi levado para o átrio da residência do sumo-sacerdote Caifás, que fora indicado ao cargo pelos romanos, onde o Conselho sacerdotal aguardava que desta feita a prisão de Jesus tivesse o desejado sucesso. Lá se encontravam vários sacerdotes e entre eles também estava Nicodemus, aquele que se encontrara em segredo em Cafarnaum, na Galiléia, a quem Jesus pedira para preparar um local para a ceia que queria ter com seus discípulos, a qual foi arranjada na casa de José de Arimatéia. Se não fosse por Nicodemus jamais se saberia o que acontecera na casa do sumo-sacerdote que era vizinha ao Templo em razão da alta dignidade que lhe era dada, como supremo zelador do Templo.
Pedro tinha seguido de longe a guarda que levara Jesus preso até a casa de Caifás, entrou na casa e juntou-se aos criados no pátio externo, onde os servos do sumo-sacerdote cuidavam de assar os cordeiros do sacrifício pascal que seria comido pelos sacerdotes do Templo. Pedro então sentou-se junto com eles desejoso de saber como terminaria aquilo. 
Lá dentro, foi com satisfação que Caifás viu que a conspiração desta vez resultara em sucesso, e os guardas trouxeram Jesus e o colocaram à sua frente em meio aos conselho de sacerdote e anciãos. Os membros do Conselho estavam ali para a santa assembléia (Sinédrio) conforme a Lei estabelecida por Deus para a Páscoa (Êx. 12: 16), portanto não estava ali para aquele julgamento inesperado de Jesus, muitos de seus membros tinham também sido pegos de surpresa, como acontecera com Nicodemus. Por ordem de Caifás, os fariseus buscavam de todas maneiras um falso testemunho que permitisse condenar Jesus à morte. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas que disseram:
- Esse homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.
Ora, era um crime proferir blasfêmias contra o Templo, um crime punido com a morte. Mas, Jesus dissera destruir este templo de Deus, referindo-se ao seu próprio corpo, e o reedificarei em três dias. (Jo. 2:19) 
Levantou-se Caifás, o sumo-sacerdote de sua cadeira, e aproximando-se mais de Jesus para olhar em sua face, perguntou-lhe:
- Nada tens a responder a essa gente que depõe contra ti?
Jesus, contudo, permaneceu calado.
Disse-lhe exasperado Caifás:
- Por Deus vivo, conjuro-te que nos diga: se és o Messias, o Filho de Deus!
Então Jesus que até então permanecera calado respondeu olhando nos olhos de Caifás:
- Sim. Além disso eu vos declaro que verei doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-Poderoso e voltar sobre as nuvens do céu.
Inesperadamente parecia que Caifás ao ouvir a resposta de Jesus fora tomado de profundo terror e tomava Jesus por um anjo feérico vindo diretamente do céu. E possuído de alguma estranha loucura começou a rasgar suas vestes, como era o costume se fazer em atitudes de lamentação e de expiação, e gritava de forma controversa como se querendo livrar de alguma maldição que lhe caíra em cima:
- Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual é o vosso parecer? Digam logo e tirem esse homem daqui!!!
Os fariseus que ali estavam ávidos para condenarem Jesus, berraram extasiados:
- Merece a morte!!!
E como demônios cercaram Jesus cuspiram em sua face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas dizendo:
- Adivinha, ó Messias, quem lhe bateu?
Enquanto isso no pátio dos servos, uma das servas que ali estava se aproximou de Pedro e perguntou-lhe:
- Também tu estavas com Jesus, o Galileu?
Mas Pedro respondeu, negando o que ela falava:
- Não sei o que dizes.
Então, resolveu se dirigir ao portão de saída antes que fosse reconhecido, quando outra criada apontou para ele e disse:
- Este homem também estava com Jesus de Nazaré!
E aqueles que estavam ali levantaram-se e aproximaram-se de Pedro, para vê-lo melhor, e disseram:
- Sim, tu és daqueles que o seguiam, seu modo de falar te dá a conhecer. Tu és um galileu também.
Pedro, então, começou a gritar imprecauções, jurando que nem sequer conhecia aquele homem. Exatamente, naquele momento cantou o galo. E, Pedro recordou o que Jesus lhe dissera durante a ceia: “Antes que o galo cante, negar0me-á três vezes.” E Pedro adiu correndo fugindo, e chorou amargamente, arrependido de sua atitude covarde. (Mt. 26; 57-75; 14;53-72; 22:54-71 e Jo 18:13-25)
A primeira hora da manhã chegara (seis horas da manhã) e o Sinédrio, cuja maioria dos conselheiros temiam que Jesus como líder religioso pudesse vir a negar-lhes a própria legitimidade que tinham de governa o povo judeu, incitando uma tabelião contra a ocupação romana que dava-lhes o poder, decidiram que tinham que acusar Jesus não por uma violação da lei judaica, como blasfêmia contra o Templo ou coisa no gênero, cuja penalidade seria a morte, isso porque os romanos simplesmente não aplicavam a pena de morte por violação da lei judáica, apenas em caso de violação da lei romana. Deste modo a acusação de blasfêmia não moveria o governante indicado pelo imperador Tibério, a condená-lo a pena de morte. A argumentação legal, então, colocada por Caifás foi que Jesus não apenas era culpado de blasfemar contra o Templo, mas por ter se proclamado o Messias, como o rei davídico dos judeus, um ato de sedição, que era punido com a execução pela lei romana. 
Ora, como sabemos o trono da Judéia estava vago e era muito ambicionado por Herodes Antipas, que também estava no Palácio de Herodes, onde morava o governador Poncio Pilatos, para os festejos da Páscoa, arquitetava assim Caifás provocar a ira de Herodes Antipas e influenciasse assim, Pilatos em sua decisão. De modo que, muitos que apoiaram Caifás nessa trama não apenas eram fariseus como também secretamente partidários do movimento zelote liderado por Beit Shammai, de forma que a morte de Jesus abriria o campo para a insurgência com uma execução injusta por parte dos romanos. Apesar desta trama conspiratória, o plano não estava consagrado desde o princípio ao sucesso. havia uma chance que viesse a dar errado, e Jesus saísse inocentado de toda a situação, o que seria o fim para o sumo-sacerdote Caifás.
Logo ao início da manhã, sacerdotes a mando de Caifás acompanhados de guardas do Templo, ataram Jesus novamente e saíram na direção do Palácio de Herodes que ficava ao lado do Templo, o segundo edifício mais importante de Jerusalém após o Templo. Abrindo um parênteses, curiosamente no dia 5 de janeiro de 2015, foi anunciado pelo arqueólogo judeu Amit Re’em após 10 ano de escavações o encontro do pátio onde Jesus ficou prisioneiro na prisão do palácio e o possível local onde se deu o julgamento, que seria próximo a um dos portões do Palácio de Herodes, que foi incendiado em 66 a.C. pelos próprios judeus durante uma rebelião contra os romanos. 
Retornando ao julgamento, Jesus foi levado a Pilatos, mas os seus acusadores judeus não entraram no pretório da residência oficial do governador romano no palácio de Herodes, local em que se dava os julgamentos e as sentenças eram distribuídas, para não se contaminarem, contraindo a imundice legal de um edifício pagão, e assim poderem comer a Páscoa a hora do crepúsculo. Ficarão os judeus ao portão, e empurraram Jesus para dentro, sem se importarem que ele se contaminasse. Saiu Pilatos para ter com eles e postou-se próximo a Jesus, de quem muito já tinha ouvido falar, já que sua esposa Cláudia *(ou Procla segundo Docs. Apócrifos. III: 3 - Cartas de Pilatos a Herodes) era seguidora secreta de Jesus e tivera sonhos terríveis sobre a condenação de Jesus à crucificação, implorando ao marido que não o condenasse. Ora naturalmente, Pilatos fora também pego de surpresa quando os sacerdotes do Templo trouxeram Jesus atado como um criminoso para ele julgar, tal como sua esposa o tinha avisado. Logo Pilatos foi perguntando aos fariseus, apontando para Jesus:
- Que acusações trazeis contra este homem?
Responderam-lhe alguns dos sacerdotes:
- Se este não fosse um malfeitor, nós não o traríamos a vós.
Disse-lhes Pilatos querendo se livrar da responsabilidade do julgamento:
- Tomai-o e julgai-o vós mesmos, segundo a vossa Lei.
Responderam-lhe os judeus:
- Não nos é permitido matar a ninguém.
E puseram-se a acusar Jesus, dizendo:
- Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar impostos ao Imperador e dizendo-se o Messias e Rei dos Judeus.
Pilatos entrou no pretório e chamou Jesus e perguntou-lhe:
- És tu o Rei dos Judeus?
Jesus respondeu ao governador romano:
- Dizes isto por ti mesmo, ou foram os outros que disseram de mim?
Disse Pilatos:
- Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu-lhe Jesus:
- “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado, para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não deste mundo.
Perguntou-lhe então Pilatos:
- És portanto rei ?
Respondeu Jesus:
- Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade, ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos:
- Que é a verdade?…
Falando isso saiu de novo para falar com os sacerdotes, e declarou-lhes:
- Eu não acho neste homem crime ou coisa alguma para julgá-lo.
Mas os sacerdotes e fariseus insistiram fortemente dizendo:
- Ele revoluciona o povo ensinando por toda Judéia , a começar da Galiléia até aqui.
A estas palavras Pilatos perguntou se ele era galileu, e quando confirmaram que Jesus era da jurisdição de Herodes, viu Pilatos mais uma oportunidade de se livrar do fardo daquele julgamento que poderia lhe trazer péssima sorte como bem avisara-lhe sua esposa. E, assim, enviou Jesus para a outra ala do Palácio, onde Herodes ficava hospedado quando estava em Jerusalém. E parte da manhã já passara quando os sacerdotes e fariseus levaram Jesus à frente de Herodes, o tetrarca da Galiléia que condenara a João Batista, e que tanto desejara conhecer Jesus, que tinha curado o filho do seu mordomo, e cuja esposa Suzana era discípula em segredo de Jesus, e não cansava de falar dos maravilhosos milagres que Jesus fazia aos ouvidos do marido, que pedira a Jesus para curar seu filho.
Herodes alegrou-se por ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. Herodes fez muita pergunta a Jesus, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os sacerdotes a lançarem acusações contra Jesus e Herodes de modo nenhum queria se indispor com eles. Herodes viu por bem tratar Jesus com desprezo, e mandou o seus guardas revestirem Jesus com uma túnica branca, retirando suas vestes originais, e dando-lhe um manto purpura apenas usado pelos romanos e a nobreza judia, pois o material usado para tingir os tecidos de vermelho era muito caro, de modo que era uma cor só usada pela elite e não pelo povo. Herodes fez isso, para desafiar Pilatos com quem estava brigado, para obrigá-lo a fazer o julgamento, pois dera a Jesus roupas dignas de um rei judeu. E ordenou que os sacerdotes levassem Jesus novamente a Pilatos, e os sacerdotes se admiraram da astúcia de Herodes Antipas, e foram pelo caminho se congratulando que agora Pilatos seria obrigado a condenar Jesus à morte por sedição. Mas, quando chegaram à frente de Pilatos novamente no pretório, e disseram-lhe que Herodes tinha devolvido o Jesus para ser julgado por ele, a teimosia daqueles em condenarem o homem chamado Jesus, o irritara por demais, disse-lhes Pilatos:
- Apresentaste-me este homem como agitador do povo, mas interrogando-o não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois ele o devolveu para mim; portanto ele nada fez para que mereça a morte. Por isso soltá-lo-ei depois de o castigar.
Então, Pilatos chamou os seus guardas e ordenou que levassem Jesus para ser flagelado segundo o castigo de chibatas com pontas de ferro, com a ordem que depois o soltassem. Assim o fizeram os soldados romanos, que surraram Jesus e depois colocaram uma coroa de espinhos na cabeça e recolocaram suas roupas e o manto púrpura nas costas, e diziam com zombaria: “Salve o Rei dos Judeus!!!!” Eles já estavam prestes a soltar Jesus quando o vozerio do populacho se fez ouvir gritar nas ruas.
- SOLTEM BARRABÁS!!!! SOLTEM BARRABÁS!!! CRUCIFIQUEM JESUS!!! CRUCIFIQUEM JESUS!!!
Assim o faziam, porque a cada festa era costume que um preso judeu fosse solto pelo governante romano.
Ora, os sacerdotes e fariseus tinham ficado enlouquecidos por serem frustrados em seu plano de matarem Jesus. Sendo, já pela terceira hora *(nove da manhã), a notícia da prisão de Jesus se espalhara e todos os que o seguiam antes correram para se esconderem de medo de também serem presos, assim nas ruas só estava o povaréu miúdo de Jerusalém, que não sabia lá muito bem quem era Jesus. De modo que foi fácil assim para os ardilosos sacerdotes e fariseus organizarem uma manifestação popular na frente da residência de Pilatos clamando pela soltura de um outro prisioneiro, o zelote Barrabás, que naqueles dias tinha sido preso devido a uma revolta levantada na cidade seguido de homicídio e esperava o cumprimento da sua sentença de morte.
pilatos saiu no pórtico para falar com a multidão e disse-lhes:
- Eis que vou mandar trazer aqui fora, mas saibam que não encontrei nele nenhum motivo de acusação para que seja crucificado.
Então, os guardas de Pilatos trouxeram Jesus, com uma coroa de espinhos na cabeça, as vestes brancas respingadas de sangue e o manto púrpura nos ombros. Mas, quem poderia reconhecer o altivo Rabi que entrara no Templo e chicoteara os comerciantes das coisas sagradas, que veria nele o homem que parecia um rei sentado no seu corcel mesmo que fosse um jumentinho novo, quem diria que aquele homem com a face coberta de sangue que escorria dos espinhos cravados em sua testa pudesse ser a imagem angelical que salvara a tantos e trouxera outros à vida. Quem poderia reconhecer naquela massa disforme de carne com os olhos pairando em órbitas vazias como um animal sacrificado fosse o Messias!!!! Ninguém o reconheceria como sendo o Filho do Homem, o Filho de Deus, aquele que ali estava não passava de um pobre infeliz, perseguido pela sorte, abandonado da graça de Deus, um infeliz desgraçado igual a qualquer um que se rastejava nas ruas de Jerusalém implorando por comida e misericórdia. Era como um leproso coberto de chagas, de quem todos fugiriam e não iam por ele querer ser tocado.
Em seu silêncio Jesus contemplava o povo que se horrorizava com a sua aparência exterior e não podia lhe ver a alma, mas de sua boca um leve murmurar saia:
-“ Quem é aquele que vem… com as vestes tintas, envolvido num traje magnífico altaneiro na plenitude de sua força? Sou eu que luto pela justiça e sou poderoso para salvar. Por que, pois, tuas roupas estão vermelhas com as vestimentas daquele que pisa o lagar? Eu pisei sozinho o lagar e ninguém dentre os povos me auxiliou. Então eu calquei com cólera, esmaguei-os com fúria, o sangue deles respingou sobre o meu vestuário manchei todas as minhas roupas. É que eu desejava um dia de vingança, e o ano da redenção dos meus havia chegado. Olhei então, e não houve pessoa alguma para me ajudar; então apelei para o meu braço e achei forças na minha indignação. Por isso na minha cólera arrasei os povos, na minha fúria triturei-os, fazendo correr seu sangue pela terra.” (Is. 63: 1-6)
Sim, lá estava ele o Deus dos judeus tratado como o mais miserável e mais desprezível dos homens, pagando por pecados que em nenhum momento cometera, atraindo para si todos os pecados da Humanidade, para que aqueles que o viam soubessem e aprendessem sobre o que o pecado é capaz fazer ao corpo, como o pecado poderia destruir aquele templo dado por Deus... Todavia, apesar dos pecados humanos cobrirem seu corpo, eles não podiam tocar de maneira alguma o Espírito Santo de Deus que nele habitava. E se por fora Jesus parecia o mais miserável dos seres humanos, por dentro era ele o mais glorioso e luminoso de todos os seres viventes.
Apontando para Jesus, Pilatos disse aos sacerdotes, fariseus, seus guardas e a multidão que haviam juntado com eles e disse-lhes:
- Eis o homem!
Quando os judeus o viram começaram a gritar:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
Falou-lhes Pilatos:
- Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho culpa alguma nele.
Responderam-lhe os judeus:
- Nós temos uma Lei, e segundo esta Lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
Estas palavras impressionaram Pilatos, e entrou novamente com Jesus no pretório e perguntou-lhe:
- Donde és tu?
Mas Jesus não respondeu.
Pilatos então lhe disse:
Tu não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te soltar e para te crucificar?
Respondeu Jesus:
- Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso quem me entregou a ti tem pecado maior.
Ao ouvir isso de Jesus, Pilatos fiou andando de um lado para outro procurando uma forma de soltá-lo. No pórtico os sacerdotes gritavam para Pilatos ouvir:
- Se o soltares, não és amigo do Imperador, porque todo que se faz rei, se declara contra o Imperador.
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, pois era pavimentado de lajes, e Pilatos disse aos judeus:
- Eis o vosso rei!
Mas eles clamavam:
- Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Solte-nos Barrabás!
Pilatos replicou pela segunda vez:
- Mas que mal fez ele?
Eles clamavam mais ainda:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
Pilatos perguntou-lhes:
- Hei de crucificar o vosso rei?
Os sacerdotes responderam:
- Não temos outro rei senão César!
Pilatos viu que nada adiantava, mas que ao contrário, o tumulto crescia, como se aquela gente estivesse enlouquecida e fora do controle de si. Fez com que lhe trouxessem água, e lavou as mão diante do povo e disse:
- Sou inocente do sangue deste homem, Isto é lá convosco!
E todo o povo que ali estava naquele julgamento respondeu:
- Caia sobre nós o seu sangue e sobre os nossos filhos!
Pilatos entregou então Jesus a vontade deles para que fosse crucificado. E soltou-lhes o que eles reclamavam que tinha sido lançado ao cárcere. (Jo. 19; Lc. 23 e Mt 27)
Talvez se fosse possível àqueles cegos que ali estavam verem o que os olhos não podem enxergar e só alma pode ver, reconheceriam uma a poderosa luz que naqueles olhos faiscava entre as gotas de sangue e veriam o sorriso de escárnio e desprezo lançado àqueles que se faziam de justiceiros sem justiça nenhuma. Ah! Se pudessem ler o pensamento de Deus que ali refulgia como o sol próximo ao seu apogeu no céu e entendessem a razão das gotas do seu sangue que caiam ao chão e a terra bebia, pois de todas as palavras proféticas as mais importantes já se cumpriam:
“ Pasmai-vos e maravilhai-vos, obstinai-vos feridos de cegueira. Embriagai-vos, mas não de vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida. Porque o Senhor espalhou sobre vós o espírito de torpor, fechou vossos olhos e ocultou vossa inteligência.
A revelação de todos estes acontecimentos permanecem para vós como texto de um livro selado. Quando oferecem a um letrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: ‘Não posso ele está selado”; se o oferecem a um iletrado, pedindo que o leia, ele responde: ‘Não sei ler’. (Is. 29: 9:12)
NAO CHAMEIS CONSPIRAÇÃO TUDO AQUILO QUE O POVO CHAMA DE CONSPIRAÇÃO; NÃO VOS ASSUSTEIS. É O SENHOR QUE DEVEIS TER POR CONSPIRADOR; É ELE QUE É PRECISO RESPEITAR, A ELE SE DEVE TEMER.
ELE SERÁ A PEDRA DE ESCÂNDALO E A PEDRA DE TROPEÇO PARA AS DUAS CASAS DE ISRAEL, O LAÇO DE CILADA PARA OS HABITANTES DE JERUSALÉM. MUITOS DENTRE ELES VACILARÃO, CAIRÃO E SERÃO DESPEDAÇADOS, SERÃO PRESOS A LAÇO E CAIRÃO NA ARMADILHA.
Eu vou recolher essa declaração e a selar para os meus discípulos. Terei confiança no Senhor que se esconde da casa de Jacó e esperarei nele. (…) Não haverá aurora para aqueles não aceitam a Lei e o Testemunho (da Verdade). Andarão errantes pela terra, fatigados e esfomeados. Atormentados pela fome, agastar-se-ão e amaldiçoarão seu rei *(o Messias) e o seu Deus. Levantarão seus olhos, depois olharão para a terra e só verão misérias, escuridão e trevas angustiantes. Repetir-se-ão dentro da noite, pois não há trevas onde há angústia?” (Is. 8:12-23)
Alguns estudiosos do Jesus histórico se escandalizam com a possibilidade de Jesus ter tramado a própria morte, ficam assim pois em seu julgamento mundano segundo a ética humana isso seria um suicídio, um pecado contra a própria vida. Pensam assim, pois não acreditam que Jesus era o avatar de Deus, a própria Face de Deus na condição humana. Ora Jesus disse: ”Eu tenho poder de tirar a minha vida e a fazer retornar a mim.” Logo, Jesus é Deus, e sendo Deus é o Senhor da Vida, com poder de vida e morte sobre todos os seres vivos. Portanto, quem aqui lê esse relato deve considerar que não tratamos neste texto do Jesus “histórico” segundo a concepção restrita de sua condição humana, longe disso, o interesse presente é justamente demonstrar a divindade de Jesus, mais do que tudo revelar o imenso amor de Deus pela sua obra da criação, e sua especial compaixão e misericórdia pela condição humana, e seu profundo e imenso desejo inesgotável que o ser humano se erga de seu estado de condenado a escravidão do corpo para o novo estado de libertação e senhor do próprio corpo, do mesmo modo que ele o foi quando se manifestou em sua condição humana.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 2 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 48. A PRISÃO DE JESUS

JESUS, AMOR & FÉ *

48. A PRISÃO DE JESUS

O ribeiro de Cédron separava o Monte do Templo do Monte das Oliveiras, estendendo-se ao longo do muro oriental de Jerusalém. O ribeiro era normalmente seco, mas durante os invernos chuvosos possuía um fluxo continuo de águas e era dado a enchentes, por conta disso o vale também recebia o nome de Vale da Torrente do Cédron, O vale foi chamado pelo profeta Joel em 400 a.C de Vale de Josafá *(Jehoshaphat ou Yehoshafat), que quer dizer “O vale onde Javé julgará” ou apenas “o vale do julgamento de Deus” (Joel 4:2 e 12). Além disso ao sul do Monte do Templo, antigamente encontrava-se o “Jardim do Rei”, pois as terras eram de propriedade real dos reis de Judá, também em tempos idos os sacerdotes do Templo de Salomão tinham por costume lavar os utensílios impuros usados no Templo para os sacrifícios de modo a purificá-los, sobretudo no período pascal. Portanto era um local permeado de significados importantes, local perfeito para os próximos acontecimentos na vida de Jesus.
A Lua já ia alta quando Jesus saiu de Jerusalém com seus discípulos e tomou o caminho habitual para Betânia, mas naquela noite ao atravessar o ribeiro de Cédron não seguiu adiante como de costume e tomou o rumo do Jardim do Rei, local que também costumava frequentar, e entrou nele com os seus onze discípulos. Os discípulos permaneceram na retaguarda vigiando o local, enquanto Jesus ajoelhando-se e olhando para o céu enluarado rezou:
- Pai é chegada a hora, glorifica o teu Filho, para que teu Filho te glorifique a ti e para que pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que entregaste. Ora a vida eterna consiste em que te conheçam a ti, UM SÓ DEUS VERDADEIRO, e a Jesus, o Messias que enviaste. Eu te glorifiquei na terra.Terminei a obra que me deste para fazer. Agora,pois, Pai, glorifica-me junto a ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti antes que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu. Neles sou glorificado. Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo. Enquanto eu estava com eles eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Eu conservei os que me deste e não perdi nenhum, exceto o filho da perdição. Dirijo-te esta oração enquanto eu estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Santificai-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os envio ao mundo. Santifico-me por eles para que eles sejam santificados pela verdade. NÃO ROGO SÓ POR ELES, MAS TAMBÉM POR AQUELES QUE POR SUA PALAVRA HÃO DE CRER EM MIM. PARA QUE TODOS SEJAM UM, assim como tu estás em mim, para que eles também estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. Dai-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amastes a mim. (Jo 17:9-26)
Terminando de rezar Jesus disse aos discípulos:
- Vamos! Aquele que me trai já está perto daqui! (Mt. 26-41)
Ora, Judas Iscariotes conhecia também aquele lugar, pois Jesus frequentemente ia lá com seus discípulos. Judas que fora ter com os sacerdotes do Templo para avisar do paradeiro de Jesus para que pudessem prendê-lo, recebera um pelotão de guardas do Templo para acompanhá-lo e fazer a prisão. Passando pela casa de José de Arimatéia e vendo que as lâmpadas tinham sido apagadas deduziu que Jesus tinha retornado à Betânia, onde normalmente se hospedava. Mas, indo pelo caminho viu de longe o grupo de Jesus e os discípulos indo na direção do Jardim do Rei. A essa altura, uma multidão se juntara para acompanhar a diligência querendo saber a quem os soldados do Templo iriam prender, e as pessoas murmuravam entre si dizendo que o “rabi galileu seria preso”, outros não acreditavam e arguiam “como seria possível o Messias ser preso?”
Judas Iscariotes se aproximava com os soldados e seguido de uma multidão com lanternas e tochas. Ele combinara com o chefe da guarda que aquele que ele beijasse na face seria Jesus. Assim Judas aproximou-se de Jesus beijou-o e disse:
- Salve, Mestre!
E Jesus disse-lhe:
- É, então, para isso que vens aqui?
Em seguida aproximaram-se dele os guardas e como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes:
- A quem buscais?
Responderam:
- A Jesus de Nazaré.
Respondeu-lhes Jesus:
- Sou eu. - E ao dizer isso os guardas recuaram como que empurrados por uma força invisível e caíram por terra. Perguntou-lhes Jesus pela segunda vez:
- A quem buscais?
E os guardas responderam:
- A Jesus de Nazaré.
Replicou Jesus:
- Ja vos disse que sou eu. Se é pois a mim que buscais, deixai ir estes.- E gesticulou em direção aos seus discípulos, para que nenhum assim fosse perdido por sua causa.
Simão Pedro que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo-sacerdote Caifás de nome Malco, que acompanhara Judas e a guarda do Templo, e decepou-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio e pegando a orelha que caíra no chão a colocou no homem e o curou imediatamente. E Jesus disse a Pedro:
- Enfia a tua espada na bainha! Porque todo aquele que fizer uso de uma espada pela espada morrerá! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu? Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras segundo as quais é preciso que seja assim?
Então Jesus virou-se para todos que ali estavam e vociferou:
- Saístes armados com espadas e lanças como se viésseis contra um malfeitor. Entretanto eu estava todos os dias convosco no Templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. Mas, tudo isso aconteceu para que se cumprisse os oráculos dos profetas.”
E mal acabou de dizer isso, os discípulos o abandonaram e fugiram. Então os guardas prenderam a Jesus e ataram as suas mãos e o levaram. (Mt.26:47-56; 14:43-50; Lc. 22:47-53 e Jo 18- 1-12).
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 47. JESUS E A SANTA CEIA.

JESUS, AMOR & FÉ *

47. JESUS E A SANTA CEIA

Era então o quinto dia da semana e o segundo antes da Páscoa. E o sacrifício pascal começaria na tarde do dia que precederia a Páscoa, o dia precedente ao décimo quarto dia do mês de Nissan. O sacrifício da Páscoa tinha precedência sobre o Sabá, mas sempre havia grande discussão entre os fariseus e os sacerdotes quando ocorria da Páscoa e do Sabá se darem no mesmo dia, e vivia tendo contentas a respeito deste assunto, sem que chegassem a um acordo. Mas, os pães sem fermento ja tinham sido preparados assim como o molho de ervas para o assado, apesar que a oferta do sacrifício só seria feita no décimo terceiro dia do mês, que naquele ano seria o sexto dia da semana, o qual se iniciaria após o crepúsculo daquele dia.
Naquele dia Jesus se preparava para o início do sacrifício pascal, pois os galileus eram famosos pela escrupulosa observância da cerimônia da Páscoa. Naquela tarde do quinto dia, Simão Pedro fora enviado ao mercado para comprar o cordeiro sacrificial por ordem de Jesus, o qual seria abatido quando ao por do sol e chegasse a noite da Páscoa. Mas, Jesus queria fazer a ceia da véspera da Páscoa dentro dos muros de Jerusalém, então enviou um mensageiro à Nicodemus, aquele sacerdote que se tornara seu discípulo em segredo e que fora ao seu encontro em oculto em Cafarnaum, para lhe arranjar um lugar para ceiar com seus discípulos, mas todos os arranjos deveriam ser mantidos em segredo.
Nicodemus ficou cheio de alegria em poder atender um pedido de Jesus e logo foi ter com José de Arimatéia, porquanto Nicodemus sendo sacerdote do Templo não poderia fazer a ceia em sua morada pois sem dúvida chamaria a atenção. José de Arimatéia, era aquele homem rico que se entristecera de não poder seguir Jesus, já que não poderia abandonar os seus negócios, mas também se tornara seu discípulo em segredo. Nicodemus e José de Arimatéia eram grandes amigos, e este ao receber o pedido de Nicodemus vindo de Jesus não coube em si em contentamento por poder oferecer a sua casa para que Jesus realizasse com seus discípulos a ceia de véspera da Páscoa. 
José de Arimatéia mandou preparar o grande salão com riqueza de requintes, com belas bandejas e jarras do melhor vinho. Designou os serventes para atender a ceia, Mandou comprar do bom e do melhor das ervas, verduras, grãos, frutas para que a ceia fosse à altura da dignidade de Jesus. Ordenou que todas as lâmpadas fossem acesas logo que caísse o crepúsculo. Mandou cobrir a mesa com a melhor seda e os bancos com suas melhores tapeçarias. O melhor do melhor ele ofereceria a Jesus, a quem ele acreditava piamente ser o Messias, o rei dos Judeus prometido pelas profecias. 
A sala que José de Arimatéia mandara preparar para a ceia era no alto e dava para o terraço, do qual podia se avistar o horizonte além de Jerusalém, por ele ser um dos homens mais ricos de Jerusalém, se não fosse o mais rico, sua casa era na parte alta da cidade, o local mais nobre. E, José de Arimatéia mandara colocar a mesa da ceia de tal forma que Jesus teria uma esplendida vista do por do sol e do anoitecer pascal. Recomendou aos seus serviçais que não esquecessem as bacias de água e as toalhas para a lavagem das mãos. E todo o ambiente foi perfumado com o mais luxuoso perfume. E tudo finalmente ficou pronto e José mandou um dos seus servos avisar Jesus que o recinto para a sua ceia estava pronto.
Quando Jesus chegou em oculto com seus discípulos, trazendo o cordeirinho que seria oferecido em sacrifício em seus braços protegido por sua manta, ele ficou encantando de como José de Arimatéia se dedicara a preparar tudo nos menores detalhes para seu inteiro contentamento e abraçou o amigo com muito carinho o agradecendo por tudo. Então, antes de entregar o cordeirinho ao empregado que o guardaria até que fosse levado ao Templo para ser sacrificado por um sacerdote, Jesus afagou-o e lhe disse doces palavras de ternura ao seu ouvido, para que ele se sentisse amado e soubesse que o sacrifício de sua vida não seria em vão, e, depois, o abençoou. Depois, dirigindo-se a José de Arimatéia rogou-lhe para deixar ele a sós com seus doze discípulos, pois seria uma cerimônia secreta. José de Arimatéia já o sabia que assim seria e se retirou com seus servos, deixando apenas dois serventes para vigiarem a porta para que nenhum estranho entrasse na casa, pois temia pela segurança de Jesus naquela Páscoa, pois sabia que o sumo-sacerdote Caifás e seus asseclas o queriam matar.
Estando a sós com seus discípulos, Jesus como era costume da lei que ordenava que se lavasse as mãos antes das refeições para que fossem purificadas, também estava na lei que igualmente deveriam ser lavados os pés quando se fosse oferecer um “sacrifício ao Senhor, e por Ele fora ordenado aos sacerdotes descendentes de Araão, irmão de Moisés, que assim o fizessem para que não morressem. (Êx. 30:17-21) Assim, Jesus levantou-se do seu lugar, depôs as suas vestes, e, pegando duma toalha se cingiu com ela. Em seguida, deitou de água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los coma a toalha que estava cingido. Quando chegou a vez de Simão Pedro, ele disse a Jesus:
- Senhor, queres me lavar os pés!…
Ao que Jesus respondeu-lhe:
- O que faço não compreendes agora, mas compreende-lo-ás em breve.
Disse-lhe Pedro cheio de indignação:
- Jamais me lavarás os pés!…
Jesus achando graça em Pedro, sorriu para ele e perguntou com ternura:
- Se eu não lavar teus pés, não terás parte comigo…
Vendo que não entendera nada antes e consciente de seu orgulho tolo, Pedro exclamou:
- Senhor, não somente laves os meus pés, mas também as mãos e a cabeça!…
Jesus sorrindo mais ainda e balançando levemente a cabeça como quem se diverte, disse a Pedro:
- Aquele que já se banhou só necessita lavar os pés e as mãos para ficar inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!…
Jesus assim o disse porque havia entre os seus discípulos um que mesmo após Jesus fazer-lhe a lavagem de seus pés, mesmo estando purificado, se deixaria contaminar pelo pecado novamente.
Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes para compor-se, Jesus sentou-se novamente no seu lugar à mesa e perguntou ao discípulos:
- Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu sou. Logo se eu, vosso Senhor e Mestre, vos laveis os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Ou seja, vós precisais vos servir mutuamente com toda humildade e não querer ser um melhor ou superior ao outro. Dei-vos o exemplo, para como eu fiz vós também façais uns aos outros. Em verdade vos digo O SERVO NÃO É MAIOR DO QUE O SEU SENHOR, NEM O ENVIADO MAIOR DO QUE AQUELE QUE O ENVIOU. Se compreenderdes estas coisas felizes sob a condição de as praticardes. Não digo isso de vós todos; conheço os que eu escolhi; mas é preciso que se cumpra as palavras da Escritura: “Até o próprio amigo em quem eu confiava, que partilhava do meu pão, levantou contra mim o calcanhar (Salmo 40:10) E, eu vos digo isso antes que aconteça, para quando acontecer, vós creiais e reconheçais que sou eu. Em verdade, em verdade vos digo: QUEM RECEBE AQUELE QUE EU ENVIEI, RECEBE A MIM, E QUEM ME RECEBE, RECEBE ‘AQUELE’ QUE ME ENVIOU.
Quando acabou de dizer isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito, pois aquele que iria o trair apesar de tudo que ele falara mantinha-se em silêncio e não lhe pedia perdão de seu pecado, antes o tivesse pedido… Então, Jesus declarou abertamente em acusação:
- Em verdade, em verdade eu vos digo; um de vós me há de trair!…
Os discípulos se olharam uns aos outros, sem saber de quem Jesus falava. Simão Pedro que estava ao lado de João, o qual tivera lugar ao lado de Jesus, reclinado em seu divã pediu ao ouvido daquele discípulo que Jesus mais amava, que perguntasse-lhe de quem ele falava, João reclinou-se em direção ao peito de Jesus e aflito perguntou para ele num sussurro:
- Senhor, quem é o traidor?
Jesus respondeu:
- É aquele que eu der o pão embebido.
Em seguida, Jesus molhou o pão e deu-o a Judas Iscariotes. Naquele exato momento, Judas soube que Jesus já sabia de sua traição, que o tinha vendido por miseráveis 30 denários de prata, não sentiu vergonha, mas mais raiva ainda e sentiu-se tomado de fúria, e seus olhos flamejaram como se estivesse sendo possuído por um demônio, seu próprio demônio, pois tinha Judas Iscariotes um espirito colérico. Jesus então vendo o que se passava no ser de seu traidor, disse-lhe:
- O que queres fazer, faze-o depressa.
Mas, ninguém além de João e Pedro soube por qual motivo Jesus dissera aquelas palavras a Judas Iscariotes, pois como Judas tinha a bolsa de dinheiro pensavam que Jesus tinha dito aquelas palavras em razão de algo que ainda fosse preciso comprar para a festa, pois ainda as trombetas do Templo não tocaram, ou tivesse ido dar alguma coisa aos pobres. Mas, tendo recebido o pedaço de pão embebido, Judas Iscariotes apressou-se em sair da sala e da casa de José de Arimatéia. (Jo 13: 1-30)
Já era o crepúsculo e o sol estava se colocando no Mar Morto, quando se ouviu o som das trombetas de prata do Templo tocarem dando a ordem para que se iniciasse o sacrifício da oferenda pascal. Então, Jesus ordenou a dois de seus discípulos que levassem ocultamente o cordeiro deles ao templo para que fosse degolado por um sacerdote levita açougueiro conforme era ordenado pela Lei para que o animal não tivesse nenhum tipo de sofrimento na morte, cortada pois a artéria na altura do pescoço o sangue do holocausto era escorrido numa calha no átrio das ofertas em frente ao altar, onde um grande fogo queimava. Isso porque era proibido por Deus comer do sangue de qualquer ser vivo, pois no sangue é que se encontrava a alma a centelha de vida, a qual tinha que ser libertada do corpo da vítima. A cada vitima do holocausto pascal os Levitas diziam: “Aleluia! Nós saudamos o Senhor, nós louvamos o Senhor! Nós seus servos locamos o nome do Senhor” e os donos a quem a vitima era destinada respondiam: “Louvado seja o nome do Senhor deste dia para todo sempre!”
Logo João e Simão Pedro saíram do Templo e João carregava o cordelinho sacrificado em suas costas embrulhado num pano e Pedro o seguia. Quando voltaram o sol já tinha mergulhado no Mar Morto e a noite anunciava a chegada do novo dia 13 de Nissan, o sexto dia da semana. Os dois discípulos subiram ao salão no terraço onde eram aguardados e foram colocar o cordeiro pascal para assar em fogo brando conforme o costume e como era ordenado pela lei, pois só seria consumido ao final daquele sexto dia, na ceia pascal. E todos esperavam que Jesus estivesse com eles para a ceia pascal. E quando o cordeiro começou a ser assado uma estranha luz apareceu no céu, parecia como se fosse a primeira luz do início da criação, pois era uma luz que ninguém vira no horizonte até então, pois dava aos céus vários tons de azuis e no horizonte uma linha prateada parecia separar a terra do céu. A Lua cheia subia ao céu com um brilho radiante derramando sua luz prateara sobre a terra fazendo reluzir as pedras como se fossem diamantes. Neste exato momento a voz de Jesus se fez ouvir quebrando o silêncio, e era tomada de devoção no recinto iluminado com as lâmpadas de óleo preciso perfumado a forma como Deus ordenara para as ocasiões solenes e sagravas de unções e holocausto. E passando um pouco desse perfume nas mãos que permitia ao sacerdote consagrar a Deus tudo que tocasse, Jesus através da unção santa disse:
- Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele; também Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará em breve. Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas para onde vou não podeis ir. Dou-vos um novo mandamento: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS TENHO AMADO, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que são meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Perguntou-lhe Simão Pedro:
-Senhor, para onde vais?
Jesus respondeu-lhe:
- Para onde vou tu não podeis me seguir agora, mas me seguirás quando chegar a tua hora.
Pedro era teimoso e insistiu em perguntar:
- Senhor, porque não posso te seguir agora? Darei a minha vida por ti!
Respondeu-lhe Jesus, com doloroso cinismo permeando sua voz:
- Darás tua vida por mim!… Em verdade te digo Pedro, não cantará o galo este alvorecer antes que me negues três vezes.
Voltando seu olhar aos outros discípulos, Jesus disse:
- Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas. Não fora assim eu vos teria dito: ‘pois, eu vou vos preparar um lugar, depois de ir, eu volto e os tomarei comigo para que onde eu esteja vós estejais’, mas não foi isso que eu vos disse, porque vós conheceis o caminho para onde eu vou, e podem me seguir.
Perguntou Tomé a Jesus:
- Como podemos conhecer o caminho?
Jesus lhe respondeu:
- Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conheceis, certamente conhecêsseis, certamente conhecereis meu Pai; desde agora já o conheceis pois o tendes visto.
Então Filipe disse a Jesus:
- Senhor nos mostra o Pai e isto nos basta!
Jesus respondeu com um certo desalento em sua voz:
- Há tanto tempo que estou convosco, e não me conheceste Filipe?… Aquele que me viu, viu também o Pai. Como pois, dizes: Mostra-nos o Pai?… Por ventura, não credes que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo, não te digo de mim mesmo, mas do Pai que permanece em mim e realiza as suas próprias obras. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede ao menos por causa dessas obras!… (Jo 13: 31-37 e Jo 14: 1-11)
Após dizer isso, Jesus lançou um olhar repleto de misericórdia aos seus discípulos e disse-lhe em tom solene:
- Tenho desejado ardentemente comer convosco está Páscoa. Mas o tempo do meu sofrimento está próximo.
Tomou então Jesus de um dos pães que estava na bandeja a sua frente e benzeu-o para consagrá-lo, o partiu e o deu em pedaços aos seus discípulos:
- TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO QUE É DADO POR VÓS PARA REMISSÃO DOS PECADOS.
E todos comeram seu pedaços de pão, dado a cada um por Jesus. Então, Jesus disse tomando do seu cálice de vinho que estava cheio, rendeu graças e o consagrou dando aos seus discípulos dizendo:
- BEBEI DELE TODOS VÓS, ESTE É O CELICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA 'NOVA ALIANÇA' EM MEU SANGUE QUE SERÁ DERRAMADO POR MUITOS HOMENS EM REMISSÃO DOS PECADOS.
Repetia assim Jesus o mesmos gestos de Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote de Deus Altíssimo, que mandou trazer vinho e pão e abençoara Abraão dizendo: "Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo que criou o céu e a terra! Bendito seja o Deus altíssimo que entregou os inimigos de Abraão em sua mãos!", e deu Abraão um dizimo de tudo a Melquisedeque. (Gên. 14:18-20) Foi a partir desse ritual queAbraão passou a ter conhecimento da existência do Deus Altíssimo, e veio a ter parte com Ele, estabelecendo uma "Aliança", em razão disso Jesus disso aos seus discípulos: "... o sangue da NOVA ALIANÇA em meu sangue que será derramado por muitos homens em remissão dos pecados." No dia em que Deus estabeleceu a Aliança com Abraão, Deus disse ao patriarca que resistia em acreditar nas palavras de sua promessa e pedia uma "prova" para que cresse, para dar-lhe as vidas de uma novilha de três anos, de uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho. Abraão matou os animais e os colocou sobre uma pedra em oferenda e ficou vigiando para que nenhuma ave de rapina se aproximasse da carne do sacrifício. 
Ao por do sol veio um profundo sono a Abraão, e uma espessa escuridão o assaltou e Deus disse a Abraão que os descendentes dele habitariam como peregrinos na terra numa terra que não era deles onde seriam escravizados e só após 400 anos seriam libertados e sairiam dessa terra carregando grande riqueza *(referia-se ao Egito) e só na quarta geração os descendentes dele retornariam para Canaãn, a Terra Prometida. Quando o sol se pôs , na densa escuridão viu Abraão uma tocha ardente passar pelo meio das carnes, que se tornaram um braseiro fumegaste, assando imediatamente. Portanto, a Aliança era estabelecida com carne e sangue, representando a força da energia divina de Deus e a condição de todo corpo físico de seres vivos que vivem e morrem. Enquanto a Nova Aliança estabelecidas por Jesus representa a força da energia divina de Deus, o seu Santo Espírito e o seu próprio corpo físico na condição humana ofertado em sacrifício para expiação dos pecados dos pecadores, para que assim todo aquele que COMUNGASSE da Nova Aliança, pudesse fazer parte do "corpo" de Deus, tanto em seu Santo Espírito como na permanência da manifestação do corpo físico, o Templo de Deus na terra. Pois todo ser vivo de certa maneira sacrifica sua vida à Deus, dá a sua vida para a criação de Deus, para sua glória e eternidade, e isso faz parte do grande mistério sobre a vida e a morte que Jesus em nome de Deus veio revelar a toda a Humanidade.
E Jesus passou o cálice a João que dele bebeu um gole e passou para Pedro que fazendo o mesmo passou ao seu vizinho, até que todos os 11 discípulos bebessem do mesmo cálice, chegando novamente às mãos de Jesus, que bebeu seu último gole, e ao beber do vinho disse:
- Doravante não beberei mais deste fruto da vinha até o dia que o beberei de novo convosco estando em mim o reino de Deus. (Mt 26: 17-29; Mr 14: 12-25 3 Lc 22: 7-21)
E depois de dizer isso, Jesus disse para que compreendessem:
- Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. O ramo não poderá dar fruto por si só, precisa estar na videira. Assim, vós também não podereis dar frutos se não permaneceis em mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muitos fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, e está lançado fora não permanecerá. Se permaneceres em mim e eu permanecer em vós, pedireis tusso o que quiseres, e vos será feito. Nisto é glorificado o meu Pai, pois foi desejo dele que torneis meus discípulos e que deis muito frutos. Como o Pai me ama, assim também vos amo. PERSEVERAI NO MEU AMOR. Disse-vos estas coisas para que amanha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: AMI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMO. NINGUÉM TEM MAIOR AMOR DO QUE AQUELE QUE DÁ A SUA VIDA POR SEUS AMIGOS. (Jo 15: 1-9)
Então os discípulos disseram a Jesus:
- Eis que agora falas claramente e tua linguagem já não é figurada e podemos entender. Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas de ninguém que te pergunte mais nada. Por isso cremos que saístes de Deus.
Mais uma vez Jesus fechou os seus olhos, pois sabia que aquelas palavras eram desejosas de serem verdadeiras, mas não correspondia a verdade da realidade, então disse com dor na voz:
- Credes agora?… Eis que vem a hora que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas, não estarei só, porque o Pai está comigo. Eu fiz referência a estas coisas celestiais para que vós tenhais paz em mim. No mundo vós tereis grandes aflições. Coragem! Eu venci!
Dizendo essas últimas palavras Jesus se levantou para sair, e os discípulos o seguiram, e a lua cheia brilhava alta no céu estrelado. O grande dia da vingança do Senhor estava para começar.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 46. JESUS E A SUPREMA ANGÚSTIA

JESUS, AMOR & FÉ *

46. JESUS E A SUPREMA ANGÚSTIA

Era o décimo dia do mês de Nissan, dia em que o dono da casa ou o chefe de família seguindo as instruções dadas por Deus no Egito para Moisés quanto a celebração da Páscoa, escolheria um cordeiro ou um cabrito para imolar no crepúsculo do décimo-quarto dia. (Êx. 12:1-7) Era este portanto o dia que o Filho de Deus, Jesus, tinha selado o seu destino, sendo ele o avatar de Deus, o anjo da Face de Deus, conhecido também como São Miguel Arcanjo, cujo destino final fora descrito pelo profeta Isaías da seguinte maneira:
“Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou com nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado ferido por Deus e humilhado. Mas, foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades, o castigo que nos salva pesou sobre ele, fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual o nosso caminho, o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiados. Ele não abriu a boca… “ (Is. 53: 4-7)
Não se admirem de tão perfeita descrição profética de Isaías ter ganhado a realidade em Jesus, não se esqueçam que Ele era o próprio Deus, o avatar terreno de Deus, e conhecia o seu destino mesmo 700 anos que este acontecesse, Ele é que tinha escrito o roteiro dos acontecimentos e o anunciava antes que acontecessem. Para Deus o tempo se desdobra em momentos e instantes, o tempo humano não é o Dele, por isso não compreendemos nem seus pensamento, nem mesmo seus propósitos. Assim nós devemos nos tornar humildes em nossa ignorância e não sejamos presunçosos em julgar segundo a nossa miserável mente tão apegada às coisas terrenas, que pouco ou nada compreende das coisas celestiais. Eu peço que fiquem abertos a aceitarem em seus corações o que passarei a contar agora nos próximos capítulos, só assim compreenderão a verdade da revelação que Deus, nosso Pai Amado nos fez na pessoa do Filho do Homem, Jesus, seu avatar entre os humanos, quando se deu a conhecer em carne e osso.
Foi no crepúsculo do décimo dia de Nissan, quando simbolicamente o “cordeiro de Deus” seria tomado e escolhido entre os descendentes da casa de Davi, que Jesus chamou seus discípulos mais chegados Pedro, Tiago e João *(os dois últimos filhos de Zebedeu e Maria Salomé irmã de Maria mãe de Jesus) para irem com ele rezar no sopé do Monte das Oliveiras, num local chamado Jardim de Getsêmani, *(que quer dizer ‘prensa de oliva’ por ser próximo ao local que se prensava as azeitonas para se obter o azeite). E Jesus estava muito angustiado e entristecido e disse a eles:
- A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai comigo! Orai para que não caias em tentação.
E, Jesus se afastou deles se colocando de joelhos para rezar a poucos metros e dizia:
- Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice para que eu não tenha de o beber. Não se faça todavia a minha vontade, mas sim a tua.
Então levantou-se e aproximou-se dos discípulos e os encontrou dormindo. Então disse a Pedro:
- Então não pudestes vigiar uma hora comigo… Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
E dizendo isso pela segunda vez se afastou e pensava consigo: Ora, não me ouviram dizer aquela manhã mesmo sobre a importância de que se mantivesse um estado de vigília? Mas, a profecia de Isaías tem que se cumprir...
“ENTÃO PORQUE NÃO ENCONTREI PESSOA ALGUMA QUANDO VIM? POR QUE NINGUÉM RESPONDEU AO MEU APÊLO. TENHO EU REALMENTE A MÃO DEMASIADO CURTA PARA LIBERTAR, OU NÃO TENHO BASTANTE FORÇA PARA SALVAR? “ (Is. 50:2)
Suas palavras, suas próprias palavras agora eram lhe amargas como o mais puro fel! Como pode aquela gente temer um mortal, um filho do homem que acabará como a erva? Como puderam esquecer o Senhor, o seu criador, que estendeu os céus e fundou a terra? E Jesus voltou a orar a Deus:
- Meu Pai, se não é possível que esse cálice passe sem que eu o beba , faça-se a tua vontade!
E, voltou novamente onde estavam os discípulos e os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados e não se mantinham abertos. Deixou-os e foi orar pela terceira vez dizendo:
- Pai não se faça a minha vontade mas a tua. Se é da tua vontade que eu beba deste cálice de sangue daí-me forças para suportar toda dor desta provação.
E tendo dito isso, Jesus entrou em profunda agonia e orava ainda com mais fervor, de modo que a sua angustia saia-lhe pelos poros em gotas de sangue, que tingiam sua roupa de vermelho e caiam por terra. E estando sua alma em supremo sofrimento apareceu-lhe um anjo do céu para confortá-lo. E dizia-lhe o anjo:
- Desperta, braço do Senhor, desperta e recobra o teu vigor! Levanta-te como nos dias do passado, como nos tempos de outrora. Não fostes tu que esmagaste Raab, aquele que trouxe o caos e o venceu? Não fostes tu que precipitaste do alto abaixo o Dragão? (Is.51:9) Lembras de quando houve a batalha no céu, tu Miguel e teus anjos combateram o Dragão, mas ele e seus anjos não prevaleceram sobre ti. E já não houve lugar no céu para eles. Fostes tu que precipitaste o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás o sedutor do mundo inteiro à terra. Foi por tua autoridade que o acusador dos nossos irmãos, que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. Mas, nossos irmãos vencerão por causa do sangue do Cordeiro e do seu eloquente testemunho! (Apocalipse 12;7-10) Pois assim foi escrito pelo Profeta:
“Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender a sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado do seu povo? Foi lha dada sepultura ao lado de facínoras *(dos próprios judeus) e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma e em sua boca nunca houvesse mentira. Mas aprouve o Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; SE ELE OFERECER A SUA VIDA EM SACRIFÍCIO EXPIATÓRIO, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias e A VONTADE DO SENHOR SERÁ POR ELE REALIZADA. Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se de o conhecer até ao enlêvo. O Justo, meu Servo, justificará a muitos homens e tomará sobre si suas iniquidades. Eis porque lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos, porque ele próprio deu a sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens e intercedendo pelos culpados.” (Is. 53:8-12)
Foi assim que o anjo de Deus consolou aquele seu filho unigênito amado, o próprio Deus na forma humana, que revelava em sua pessoa o mistério supremo da fraternidade entre os seres celestiais, em que pela identificação através da empatia amorosa e misericórdia de Deus com suas criaturas terrenas podia ser capaz de revelar tão vivamente a resignação voluntária de um inocente para salvar culpados e para com sua atitude realizar o plano de Deus. 
Tocado pelo profundo amor divino, que veio em seu auxílio, Jesus levantou-se revigorado em sua força e energia, sabendo que tudo suportaria para dar ao Pai sua glória perante os seres humanos.
Assim, quando Jesus voltou junto aos seus discípulos e viu que eles ainda dormiam disse:
- Dormi agora e repousai, está decidido. Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores…
Ouso abrir um adendo explicativo sobre essa passagem, que foi me dada em revelação há alguns anos por Jesus. Naquele tempo eu muito me preocupava com essa aparente e cultuada “necessidade de sofrimento" para se alcançar a redenção, via nisso um problema que afastava muitos fiéis da pessoa de Jesus, não por respeito, mas por medo de terem que sofrer algum tipo de estigmatização. Ora, como sempre, Jesus me deu a resposta quando eu menos esperava. Um dia, eu estava numa banca de jornal e colocando meus olhos no titulo do livro de Oscar Wilde chamado “Dorian Grey”, Jesus me disse: “O reverso de Dorian Grey”. Até então, eu nunca tinha lido o livro apesar de conhecer a história, cujo quadro pintado de um jovem adquirira o poder de impregnar-se com os seus pecados e enquanto a sua aparência conservava-se eternamente jovem. O escritor irlandês era cristão e católico, um profundo conhecedor da Bíblia e se interessava por seus mistérios, sem jamais ter se sentido digno de uma graça divina em razão de seus apetites mundanos. Ora, o que Jesus queria me dizer, é que o sacrifício dele tinha o propósito de mostrar o que os pecados causam ao corpo humano, como dilaceram e estigmatizam a ponto de colocar um termo à vida que no corpo habita. Portanto, o sofrimento da morte é decorrente do pecado humano. Por isso Isaías escreveu também:
“Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido demasiado surdo para ouvir, são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face *(São Miguel Arcanjo, o Anjo da Face de Deus, Ou seja, Jesus) se oculta para não vos ouvir. Porque vossas mãos estão manchadas de sangue e vossos dedos de crimes… “ (Is. 59:1-2)
Compreenderemos a revelação desses mistérios que envolvem a morte de Jesus de uma maneira muito diferente se a virmos de um outro ponto de vista, como vimos neste capitulo, do ponto de vista de Jesus, do próprio Deus, e não mais dos seus discípulos ou de suas testemunhas, que em verdade, agiam sem saber o que faziam, realmente.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 45. AS PROFECIAS DE JESUS

JESUS, AMOR & FÉ *

45. AS PROFECIAS DE JESUS

Não é por acaso que as profecias de Jesus sejam desconsideradas, alguns a chamam apenas “predições”, outros consideram “maldições”, esses últimos são justamente aqueles que contribuíram para os acontecimentos desafortunados que levaram ao estranho desfecho da condenação e morte de Jesus. Mas, não, em verdade são profecias que se enquadram perfeitamente ao que já tinha sido dito por outros profetas judeus de Isaías a Malaquias. Ora, como o próprio Deus disse a Moisés: “Quando o profeta tiver falado em nome do Senhor, se o que ele disser NÃO se realizar, é que essa palavra NÃO veio do Senhor. O profeta falou presunçosamente. Não o temas.” (Deu. 18:22) Ora, impõe-se assim a lógica de que se o que o profeta falar em nome de Deus acontecer, deve-se temê-lo. E as palavras ditas por Jesus aconteceram, então devemos não só acreditar em suas palavras por serem verdadeiras e expressão de Deus, como devemos temer sua profecia, mais ainda do que damos crédito àquelas que vieram depois dele, como o Apocalipse de João.
No dia anterior, Jesus entrara triunfalmente em Jerusalém, mas o que poderia ser para os outro um motivo de júbilo e alegria, era para ele causa de profunda amargura. Alarmados com o que Jesus dissera sobre a necessidade da sua morte, os discípulos na manhã seguinte acorreram a ele para entender o que Jesus queria dizer com aquelas palavras angustiantes. Estando Jesus sentado no monte das Oliveiras contemplando Jerusalém, achegaram-se a ele os seus discípulos e Jesus disse-lhes:
- Vêdes toda essa cidade. Em verdade vos declaro: Não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.
Um dos discípulos então perguntou-lhe:
- Quando acontecerá isto?
Outro perguntou também:
- Qual será o sinal do fim do mundo?
E ainda outro questionou:
- Qual será o sinal da tua volta para que nós possamos o esperar?
Perguntavam todos ao mesmo tempo, pois estavam por demais ansiosos devido as coisas que Jesus andavam dizendo e que não compreendiam. Pois, era opinião comum entre os judeus que o reino do Messias coincidiria com catástrofes que deviam preceder o fim do mundo.
Então Jesus lhes falou assim:
- Cuidai que ninguém vos seduza. Muitos virão em meu nome dizendo eu sou o Messias. E seduzirão a muitos. Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras. Atenção que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas, ainda não será o fim. Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares. Tudo isso será apenas o início das dores. Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas nações. Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.
Realmente, depois de Jesus muitos vieram se dando o título de Messias e exaltavam o povo judeu para a guerra, o que acabou acontecendo e levando os judeus à desgraça a partir de 70 d.C. com sucessivos levantes até 117 d.C, e em 132 d.C chegou o fim com a diáspora judaica, ordenada pelo imperador romano Adriano. Com a dispersão dos judeus pelo território do Império Romano, exilados de sua pátria de origem, tornaram-se um povo sem pátria, e justamente em razão da expansão da religião cristã tomada sob a tutela de um renovado império romano, pode-se dizer que o povo judeu foi o mais perseguido da história humana, se tornando uma abjeção para muitos. 
Assim, Jesus descrevia o que aconteceria não apenas com os seus discípulos, mas com todo o povo judeu, o povo que anteriormente fora escolhido por Deus para ser objeto de sua afeição e se tornar exemplo do caminho a ser seguido por toda a humanidade, mas que apesar disso foi causa de uma decepção tão grande quanto a causada por Adão e Eva, que após serem expulsos do Paraíso seus descendentes levaram Deus a tal ira que decidiu destruir toda sua criação, não o fazendo apenas por ter encontrado em Noé um Homem digno de ser chamado de Filho de Deus, todavia a descendência de Noé que deu origem ao patriarca Abraão fundador do povo hebreu, que viria a ser o povo escolhido de Deus, apesar de todos os ensinamentos recebidos do próprio Deus e da promessa de que receberia a Terra Prometida de Canaan em seu devido tempo, impacientou-se, em busca das riquezas impuras do Egito acabou escravizado, e teria desaparecido nessa condição se Deus não tivesse suscitado Moisés para tirá-los dessa situação lamentável e levá-los para a Terra Prometida à Abraão. Justo esse povo que fora depositário da riqueza da sabedoria divina, a quem Deus dera tantos motivos para que Nele acreditasse, provou-se ser o mais rebelde, sempre contestando-o e se desencaminhando, afeito ao pecado e distante de um coração piedoso e misericordioso, acabando sendo condenado a dispersão entre a humanidade pois fora avarento com os conhecimentos que Deus lhe dera e não tivera a generosidade de atrair para si mais e mais servos de Deus, ao contrário, restringia e discriminava de maneira que ninguém pudesse descobrir uma maneira própria de se aproximar de Deus se não fosse por eles e por suas maneiras. Contudo, ao final, seriam eles um bando de facínoras, pois voltaram-se contra Aquele ao qual juraram ser fiel, foram por isso perversos e criminosos com quem menos deviam ser.
Depois de dizer qual seria o destino do povo judeu e de Jerusalém, Jesus passou a dar ao seu relato uma nova direção mais universal:
- Então este Evangelho, a Boa Nova do Reino de Deus, será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.
Ora, esse aspecto universalista da doutrina de Jesus foi o maior motivo para ela ter sido adotada pelo Império Romano no século IV de nossa era para constituir-se um estado teocrático romano, o que alcançou um verdadeiro sucesso, porquanto a “conversão” ao cristianismo se tornou uma obsessão para muitos povos, que se viam abençoados pela prosperidade e pela proteção divina num tempo em que viver tanto quanto sobreviver era verdadeiramente um desafio de vida ou morte. Sem dúvida foi um atributo da doutrina legada por Jesus a evolução da condição humana sanguinária, sempre sedenta de sangue, para uma condição de inteligência e de melhor uso de sua racionalidade, todavia em razão disso, uma nova forma de impiedade humana se estabeleceria dando continuidade ao apego humano às coisas materiais e a necessidade do forte exercer seu poder sempre de maneira brutal sobre o mais fraco, o que se expressou na pior maneira possível em dois aspectos ocorridos em tempo recente durante a Segunda Guerra Mundial, tanto no holocausto dos judeus, ciganos, alemães, poloneses e outros considerados "inferiores" e não dignos da vida pelo governo alemão nazista de Hitler, como no lançamento de duas bombas atômicas pelos norte-americanos no Japão nas ilhas de Hiroxima e Nagasaki. Ambos casos dois imensos pecados de assassinato em massa, de fratricídio humano, que mancham a dignidade humana de uma maneira ignóbil, ofensivos pecados contra toda a Humanidade, contra a Lei da vida de Deus.
Jesus disse a seguir:
- E ANTE O PROGRESSO CRESCENTE DA INIQUIDADE O CORAÇÃO DE MUITOS SE ESFRIARÁ *( com a ausência de amor, caridade, generosidade e  piedade). ENTRETANTO AQUELE QUE PERSEVERAR NA FÉ ATÉ O FIM SERÁ SALVO.
Jesus predisse assim um tempo em que a razão sobrepor-se-ia sobre os sentimentos que provêem do coração, um tempo de racionalismo e quase nenhum amor. E esse tempo começou com o movimento filosófico do Iluminismo, no século XVIII, na França, e promoveu o início de uma escalada revolucionária do racionalismo que continua em voga até os nossos dias.
Em seguida continuou Jesus:
- Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel, (12:11-12 - capítulo referente aos tempos messiânicos) - que o leitor entenda bem a profecia de Daniel - então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas. Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em casa. E aquele que está no campo não volte para para buscar suas vestimentas. Ai das mulheres que estiverem grávidas naqueles dias. Rogai para que a sua fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado, já que não podeis caminhar nesse dia, nem segundo a Lei salvar a própria vida., porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será. SE AQUELES DIAS NÃO FOSSEM ABREVIADOS, CRIATURA ALGUMA ESCAPARIA, MAS POR CAUSA DOS ESCOLHIDOS, AQUELES DIAS SERÃO ABREVIADOS.
Diz a passagem de Daniel mencionada por Jesus: “Desde o tempo em que for suprimido o holocausto perpétuo e quando for estabelecida a Abominação do devastador, transcorrerão mil duzentos e noventa dias. Feliz quem esperar e alcançar mais mil trezentos e trinta e cinco dias. Quanto a ti, vai até o fim, Tu repousarás e te levantarás para receber tua parte na herança, no fim dos tempos.”
Quem está habituado a estudar as profecias sabe que inúmeras vezes os profetas cifram e usam de códigos para salvaguardarem elas do entendimento de quem não é devido. Ao contrário do que se possa imaginar não é nada muito complicado, e nada é mais seguro do que guardar um segredo de maneira tão simples e óbvia que não desperte maiores suspeitas. Contudo para entender de qual “Abominação” o profeta Daniel fala é preciso saber um pouco da História dos judeus, principalmente do Reino de Judá onde ficava a cidade de Jerusalém e o Templo de Salomão, erguido segundo as ordens de Deus.
O profeta Daniel era de família abastada e pertencia à nobreza do Reino de Judá, pois após a morte do Rei Salomão, filho do rei Davi, o seu reino foi dividido em dois, ao norte o Reino de Israel e ao sul o Reino de Judá. Daniel nasceu em 623 a.C., e Daniel tinha 33 anos quando subiu ao trono o jovem rei Joaquim, então com 18 anos. Há alguns anos o Reino de Judá se tornara vassalo do reino da Babilônia, todavia a falta de pagamento da vassalagem levou o rei da Babilônia, Nabucodonosor a invadir o reino de Judá e levar o rei Joaquim então com 21 anos e toda a sua corte, assim como os tesouros do Templo de Salomão em cativeiro. Daniel também foi levado para a Babilônia e tinha a idade de 36 anos, era então o ano de 587 a.C. quando a “Abominação” do devastador foi estabelecida, pois Nabucodonosor não só pilhou o templo como suspendeu o o sacrifício da Páscoa, o chamado holocausto perpétuo em memória da libertação dos judeus do Egito. 
Ora, no versículo anterior Daniel dá uma pista sobre o que ocorrerá na humanidade: “Muitos serão limpos e acrisolados e provados. Os ímpios agirão com perversidade, mas nenhum deles compreenderá, enquanto os sábios compreenderão.” (12:10) No capítulo 12 que Daniel faz a profecia dos tempos messiânicos, também está escrito: “Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo *(Arcanjo Miguel, o anjo da Face de Deus). Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento. Então os filhos do teu povo, serão salvos todos aqueles que se acharem inscritos no livro. Muitos daqueles que dormem no pó da terra, despertarão uns para a vida eterna, outros para a ignorai, a infâmia eterna. Os que tiverem sido inteligentes fulgirão com o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos nos caminhos da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor.” (12:1-3) A exaltação dupla de Daniel a inteligência e a sabedoria nos oferece a compreensão de que a Humanidade estava destinada a uma evolução intelectual trazida por um aumento e melhor uso de sua inteligência, os dias da contagem de Daniel representam na verdade “anos”, e estes 1290 anos, e não dias, nos levam a uma data muito expressiva a partir da tomada do Templo de Salomão por Nabucodonosor, em 587 a.C., a data do ano de 703 da nossa era, que diminuído aqueles quatro anos de erro do calendário gregoriano, seria o ano de 699 d.C., se alguém pensa que aconteceu algo muito digno de nota para constar nos anais históricos da humanidade, eu diria que não, mas em termos de uso da inteligência algo começa a acontecer em algum lugar do território francês, dando início ao estudo da primeira obra de engenharia do chamado “moinho de água”, que permitiria captar a energia da água de um rio para criar “movimento” sem força de trabalho humano ou animal.  Décadas depois em 770 d.C. os moinhos de água dariam início ao processo industrial da moagem da cevada. Portanto, não seria errôneo afirmar que a “Revolução Industrial” teve início exatamente nessa época escalando após várias etapas de conhecimento que nos trouxe a sociedade industrializada que vivemos hoje, uma revolução que já dura desde a criação do primeiro moinho de água em 699 na França até os dias de hoje exatamente 1316! Restando assim apenas 19 anos pelos cálculos de Daniel para o tempo do Messias, ou para o retorno definitivo de Jesus. Ora, não cause espanto a nós que em breve no ano de 2029, estaremos comemorando dois mil anos de ressurreição de Jesus, ou seja dentro de apenas 13 anos, contando a partir do ano presente de 2016. Ou seja, o que verdadeiramente importa, é que estamos próximos de ver o que a maior parte da humanidade sempre desejou ver a volta manifesta de Jesus e o tempo do início de um novo tempo amplo de misericórdia e felicidade.
Esclarecidas essas palavras de Jesus, que causam tanto desconforto para a interpretação de alguns estudiosos, tanto que nem gostam de se dedicar mais profundamente a este estudo, pois afinal é o que mais se teme o que menos se fala, que poderemos ir avante na profecia que Jesus faz sobre a sua segunda vinda manifesta entre as pessoas, disse ele:
- Então, se alguém vos disser: Eis aqui está o Messias! ou: Ei-lo acolá! Não creias, porque se levantarão falsos messias, falsos profetas a ponto de seduzir, se isso fosse possível até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos. Se vos disserem: Vinde ele está no deserto, não saias. Ou: Lá está ele em casa, Não o creias. Porque como o relâmpago parte do Oriente e ilumina o Ocidente, assim será a volta do Filho do Homem. Onde houver um cadáver, ai se juntarão os abutres. Não conheceis vós esses provérbios? Do mesmo modo a minha vida se dará de maneira expontânea e natural. Ouçam pois, logo após os dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, pois haverá um eclipse. Os luminares serão abalados, como se vissem as estrelas e as potências dos céus caírem. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e majestade. Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos duma extremidade do céu à outra. Compreendeis isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo. Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabeis que o Filho do Homem está próximo. Tudo isso virá sem aniquilar essa raça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto aquele dia e aquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai. Assim, como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia que Noé entrou na arca. E os homens nada sabiam, até o momento que veio o dilúvio, e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem. Dois homens estarão no campo; um será tomado e outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo o mesmo moinho, uma será tomada e outra será deixada. Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e deixaria arrombar a sua casa. Por isso estai também vós preparada, porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes. (Mt. 24:3-44) Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo. Será como um homem que partindo em viagem, deixa a sua casa e delega a sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho que cada um deve fazer e manda o porteiro que vigie. Vigiai, pois visto que não sabeis quando o Senhor da casa voltará, se à tarde ou à meia- noite, se ao cantar do galo ou pela manhã, para que se ele vindo de repente não vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai! (Mr. 14:34-37)
Vendo que os discípulos o olhavam com seus olhos arregalados sem muito compreender a razão daquelas fatalidades, Jesus lhes disse ainda:
- Quando na terra a aflição apoderar-se das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir sobre a terra. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Quando virem estas coisas começarem acontecer reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação. Assim, vendo que esta coisas se sucedem saibam que está perto o reino de Deus. Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Pois, como um laço cairá sobre aqueles que habitam sobre a face da terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, e orai a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que há de acontecer. Oreis, para que vós tenhais força de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem e não de joelhos! (Lc. 21:25-36)
E seus discípulos lhe perguntaram:
- Que dia virá o Reino de Deus?
Jesus disse-lhes:
- Ele não virá após uma espera. Não se dirá 'eis que ele está aqui 'ou eis que ele está lá'. Pois bem, o reino do Pai está espalhado pela terra e vós não o enxergais! O Reino de Deus está no meio de vós! (To. 113 e Lc. 17:21)
Então os discípulos rogavam para Jesus:
- Diga-nos quem és para que creiamos em ti!...
Jesus lhes disse tomado de uma certa indignação:
- Vós puseste à prova a Face do céu e da terra, mas aquele que está diante de vós nem chegastes a conhecer... E, neste momento, nem sabeis colocá-lo à prova. (To. 91)
Perguntaram então a Jesus:
- Vinte e quatro profetas falaram em Israel, falaram todos eles de ti?
Jesus respondeu-lhes:
- E, vós abandonais aquele que vive em vossa presença, para falares de mortos? (To. 52)
E entristecido pensava consigo mesmo: Eu me mantive no meio do mundo e revelei-me na carne. Encontrei a todos embriagados. Entre eles, não encontrei nenhum que tivesse sede da minha alma, aflijo-me pelos filhos do homens, pois eles são cegos em seus corações e não enxergam. Assim como eles vieram vazios ao mundo, também procuram sair vazios. Mas agora eles estão embriagados das coisas mundanas. Quando eles tiverem curado sua embriaguez, se arrependerão... (To. 28)
Sim era isso, infelizmente Jesus sabia que os discípulos não poderiam entendê-lo e nem compreenderiam o que estava acontecendo. Contudo bastava que eles ouvissem e ouvindo guardassem alguma coisa de suas palavras na memória, pois na hora certa ele próprio Jesus, se encarregaria de os fazer recordar de suas palavras e de sua Profecia. E tanto o foi, que até hoje não se encontrou documentação nenhuma com data anterior a queda de Jerusalem nas mãos do general Tito, filho do imperador romano Vespasiano, em 70 d.C. Isso não foi obra do acaso, isso se deveu ao fato que a doutrina de Jesus era transmitida boca a boca apenas, mas quando a profecia de Jesus quanto ao destino do Templo, de Jerusalém e do próprio povo judeu aconteceu conforme suas palavras sua fama ganhou poder e status entre os seus seguidores, só então os Evangelhos foram escritos, sendo que aqueles conhecidos como dos apóstolos evangelistas de Jesus apenas São João teria testemunhado a queda de Jerusalém, e o outro Evangelista seria Lucas, que era da Antióquia, e não chegou a conhecer Jesus, mas por seu relato é possível aventar que obteve preciosos depoimentos de Maria, mãe de Jesus. Portanto, só do momento que algum fato concreto respaldou a profecia de Jesus ela passou a ter algum crédito no meio de seus seguidores. Mesmo assim, não compreendiam muito sobre o que Jesus falava, nem mesmo entendiam sua referência à profecia de Daniel, menos ainda poderiam compreender que “luminares” abalados fossem os sábios de alguma época distante e não astros celestes, afinal Jesus se expressava sempre com o uso de metáforas. Além do mais, o que poderia parecer estranho como “chegar numa nuvem” e “descer dos céus” naquele tempo, bem…, hoje com o uso costumeiro dos aviões qualquer um faz isso, não é verdade? Portanto, ao lermos essa profecia de Jesus, não devemos tomara ao pé da letra, mas buscar compreender o seu principal conteúdo: a necessidade de perseverar na Fé em Deus, a necessidade de vigiar e a necessidade de não deixar o coração esfriar, mesmo que se alcance um alto grau de sabedoria, pois só assim conseguiremos ser dignos deste tão desejado reencontro com o Nosso Amado Senhor Jesus. 
Contudo como o próprio Jesus tinha considerado, a embriaguez com a mundanidade toma a muitos ainda e parece que nada é capaz de deixa-los sóbrios, e verdadeiramente, esses VIERAM VAZIOS AO MUNDO E TAMBÉM PROCURAM SAIR DO MUNDO VAZIOS, são sem nunca terem sido algo realmente, estão vivos para as coisas terrenas, mas mortos para o conhecimento das coisas celestiais e estando mortos não conhecerão a vida eterna, pois não dão frutos e nem sementes, são inúteis às obras de Deus e até o fim não se dão conta disso e morrerão como se jamais tivessem existido e deles ninguém se lembrará.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.