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domingo, 4 de janeiro de 2026

“EU SOU VOCÊ AMANHÔ

 “EU SOU VOCÊ AMANHÔ


BIA BOTANA


A sorrir eu pretendo levar a vida

Pois chorando eu vi a mocidade

Perdida

Finda a tempestade

O sol nascerá

Finda esta saudade

ei de ter outro alguém para amar

da canção O Sol Nascerá composta por Cartola em 1961 e gravada por Nara Leão em 1964. 


Jaques Lewkowicz foi uma das mentes mais criativas da propaganda brasileira. Nascido no ano de 1944, de uma mistura de sangue russo com polonês. ele deu seu primeiro choro no bairro paulistano do Bom Retiro. Aos 30 anos, fez o seu gol de placa, tendo o aclamado jogador da Seleção Brasileira, o Gerson, como protagonista dizendo no seu comercial de cigarros: “… Você não precisa pagar mais caro por outra marca. Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?! Leve vantagem você também, leve Vila Rica.”

Assim, surgiu em 1974 a famosa “Lei de Gerson” que entrou para a forma de ser e viver do brasileiro de levar sempre “vantagem em tudo” literalmente, mesmo que a vida esteja uma droga, sempre há uma maneira de tirar vantagem da situação.


O otimismo brasileiro é realmente surreal e contagiante. Eu acho que apesar de ter viajado por muitos lugares do mundo, eu jamais encontrei um povo tão alienado a ponto de viver para a felicidade enlouquecida dos dias de folia de Carnaval. Seja o grego Hades ou o romano Plutão, o deus da riqueza e da prosperidade e juíz das almas humanas, no seu Infernos se rejubila pois ninguém no mundo jamais o festejou com tanto vigor e alegria quanto o povo brasileiro, que sabe como ninguém que o pecado maior é ser feliz e que o pecado mora abaixo da linha do Equador. Para uma ávida observadora da natureza humana, ter nascido no Brasil foi uma benção de Deus, mesmo que a princípio eu tenha achado que foi uma maldição. 


No ano de 1974, talvez para celebrar seus 40 anos, Lewkowicz, fez um strike com a sua nova campanha tendo como produto a marca de vodca Orloff para bater na ressaca dos beberrões de whisky, o protagonista sentado no banquinho da bancada de um bar elegante com as diversas garrafas de bebidas, dizia ao companheiro de copo: “Pense em você amanhã, exija Orloff hoje.” Foi assim que nasceu o jargão politizado da disputa política-econômica dos anos 80 entre Brasil-Argentina, o chamado “efeito Orloff - Eu sou você amanhã”, que se refere ao temor de sofrer um efeito negativo decorrente de uma situação de dano colateral. Do tipo, hoje, as circunstâncias adversas que podem advir para qualquer país da América do Sul, em decorrência à intervenção militar questionável dos Estados Unidos na Venezuela, com o rapto de seu governante para um julgamento também questionável em um tribunal em New York (NY-USA).


O nível de ressaca mundial entre os líderes políticos está gigante, ninguém parece falar coisa com coisa. O clima é de barata voa! O motivo parece ser o silencio dos corrompidos, pois não há inocente nesta história em que um país agride quem não o agrediu, e abre um grave precedente ao rasgar todo e qualquer tratado de não agressão. Falar que o sujeito por ser um “ditador” merece ser punido, é pura hipocrisia para quem vive recebendo ditadores com pompa e circunstâncias à sua mesa, “pensa grande” e vá raptar o sheikh da Arábia Saudita! 😂 (Coragem para peitar os ditadores árabes ou aquele bro 😎 da Rússia… Ninguém tem, né? Só pé de chinelo…)


Foi ouvindo os comentários feitos por líderes mundiais como o presidente da França Emmanuel Mácron, que fez um discurso melancólico e down para o povo francês a poucos minutos da passagem de 2025 e 2026, que eu me inspirei para escrever o texto de ontem: “PLUTOCRACIA DIGITAL e o fim da democracia contemporânea” (link ⬇️ em referências), que percebo só agora que a palavra plutocracia tem mais a ver com o deus romano da riqueza Plutão ou Pluto, do que com outra coisa. o qual eu pretendia publicar amanhã, mas o desespero que me causou o plutocrata Donald Trump bateu antes. 


Hoje, eu fiquei sabendo que a operação na Venezuela era para ter sido presente de Réveillon para os venezuelanos, como se a chegada dos norte-americanos fosse um tipo de salvação da Pátria. De arrogância e água benta já se disse que cada um bebe quanto quer, não é?


Lewkowicz, após ter levado em 1985 o Grand Prix de melhor campanha por seu “efeito Orloff” só seria o Lew da agencio de propaganda Lew Lara, em 1993, quase aos 50 anos e quase aos 70, com 69 foi ser um “senhor estagiário” no Google, deixando o seu legado de humor  único partiu para ser eterno na memória dos brasileiros em 2024, com 80 anos de vida muito bem vividos. 


Por conta da lembrança tipo chiclete grudada na mente do efeito Orloff, eu acordei às cinco da madrugada antes mesmo da passarinhada cantar com uma bruta ressaca por não ter tomado Orloff, mas em vez disso tomei a minha revelia uma garrafa de Jack’s Donald de baixa qualidade garganta abaixo. E, por isso, esse atual texto se auto escreveu na minha cabeça. 


Pergunto-me se não está passando no pensamento de muita gente ao ver o Maduro sendo levado algemado pelos agentes do DEA (Drug Enforcement Administration) com uma coisa na cabeça que mais parecia as orelhas do Mickey e uma fisionomia de ursinho Puff de dar dó, que nada poderia  ser mais estranhamente ridículo. Pois, como pode um ditador, que governou um país de 2013 a 2026, sendo o país detentor da maior reserva de petróleo do mundo, no decorrer de 13 anos não ter conseguido dar para a população venezuelana, de apenas quarenta milhões de pessoas, condições de vida e oportunidades para ter a mais admirável condição de vida da América do Sul? A Venezuela podia ser hoje algo como a Noruega  o é, uma Nação tão próspera a ponto de ser um exemplo para o mundo, por conta  da alta distribuição de renda e condições invejáveis dada ao povo. Quando visitei a Noruega por motivos óbvios eu desejei ter nascido lá, mesmo com todo o frio, eu suportaria, talvez eu tenha sido  viking em outra vida… Vai se saber?


Realmente, o sujeito, o tal Maduro, só pode ser um imbecil “imaturo” e o povo que o colocou no poder totalmente estúpido! Mas, daí a Venezuela virar “protetorado” dos Estados Unidos do Donald Trump, que quer ser o dono do petróleo venezuelano, fala sério, ninguém merece! Nem posso pensar no “eu sou você amanhã” sem vomitar 🤮!!! 


Nem bem vai se completar um ano do governo Trump em 20 de janeiro, que eu fico me perguntando como eu vou aguentar mais 365 dias de desespero, ou melhor dizer, mais 1.095 dias, numa montanha-russa 🎢 alucinante repleta de looping seguidos como dos parques de diversōs de Orlando, que para mim não diverte nada… Como sobreviverei a loucura Trump? Como o mundo sobreviverá? 😱


Resta-me pois o bom conselho de Sêneca, que aos seus 53 anos escreveu em sua obra “Sobre a brevidade da vida:

“0 maior obstáculo da vida é a expectativa, que depende do amanhã e desperdiça o hoje. Você está discutindo o que está sob o controle do destino e abandonando o que está sob o seu controle. O que você está observando? Para qual objetivo você está se esforçando? Todo o futuro está envolto na incerteza:viva imediatamente.”


Era o ano de 49 d.C., quando Sêneca escreveu esse bom conselho e no mesmo ano foi posto por Agripina, mãe do futuro imperador Nero, como preceptor de seu jovem filho, que retribuiria à dedicação do sábio conselheiro o obrigando a suicidar-se. Que destino! Nem mesmo o mais sábio dentre nós escapa da estupidez humana.


Quase sempre temos mais a temer de quem está próximo do que de quem está distante. Todavia, quando quem está distante está a se aproximar, necessário é ficar atento. Uma noite vendo uma peça de teatro na Broadway, em New York, em julho de 2005, Donald Trump sentou-se umas duas fileiras atrás de mim, e depois o veria novamente à saída. A postura de valentão daquele homenzarrão descortês e o machismo com que tratou a jovem mulher que o acompanhava, deu-me um arrepio na espinha, aquele calafrio que a morte dá quando passa perto. A última vez que  estive nos Estados Unidos foi em 2008, e ao partir tinha a certeza que jamais voltaria. Eu estava certa. Eu quase esqueci que os Estados Unidos existiam, para mim estava em outro planeta, mas desde que plutocrata Trump e seus asseclas saíram dos Infernos para perseguir todo mundo, tenho sido lembrada todo dia da existência de quem só quero legar ao esquecimento. Será que alguém conhece um bom encanto para livramento? Se souber me manda in box! 😇


Referências 


BIA BOTANA' NEWS & OPINION: PLUTOCRACIA DIGITAL e o fim da democracia contemporânea

http://biabotananews.blogspot.com/2026/01/plutocracia-digital-e-o-fim-da.html

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