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quinta-feira, 17 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 54. JESUS RESSUSCITOU, HOSANA NAS ALTURAS !

JESUS, AMOR & FÉ *

54. JESUS RESSUSCITOU! HOSANA NAS ALTURAS!

Maria de Magdala obedecendo Jesus correu para a sua casa e lá encontrando Maria , mãe de Jesus, contou-lhe tudo o que tinha acontecido. Maria então cheia de júbilo quis ir ao túmulo antes de contar o sucedido aos outros discípulos de Jesus, que estavam escondidos nas imediações de Betânia. Quando chegaram lá, entrando no sepulcro viram sentado do lado direito da pedra onde o corpo de Jesus estivera, um jovem vestido com roupas brancas assustaram-se. Então ele lhes falou:
- Não tenhais medo,sei que buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Ele ressuscitou e não está mais aqui. Eis o lugar que o depositaram seu corpo e está vazio. Mas ide e dizei a seus discípulos e a Pedro que ele ressuscitou. Logo o vereis como ele já vós disse.
Elas saíram do sepulcro e estavam trêmulas e amedrontadas. Mas, as duas resolveram não dizer coisa alguma, por causa do medo que os homens as tomassem como loucas. Quando voltaram para casa em Betânia, contaram o que acontecera a Joana, mulher de Cusa, mordomo de Herodes a quem Jesus tinha ressuscitado o filho (Lc. 8:1-2) que tinha ido visitar Maria de Magdala, Maria Salomé, casada com Zebedeu, que fizera o parto de Jesus, irmã de Maria, mãe de Jesus e mãe de Tiago e João *(primos irmãos de Jesus) e Maria de Cleofás, também cunhada  de Maria, mãe de Jesus, e mãe de Tiago, Judas, José e Simão *(primos-irmão de Jesus), que acharam por bem voltar novamente ao sepulcro para verem com os próprios olhos e atestarem que Maria de Magdala não estava delirante ao dizer que tinha estado com Jesus. 
Estavam elas no sepulcro e vendo com os próprios olhos que o túmulo estava vazio, afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria no coração. Nesse momento Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes:
- Salve!
E quando elas viram a Jesus, seus joelhos amoleceram e caíram prostadas ao chão diante dele. E Jesus lhes disse:
- Não temais!
E elas beijaram os pés de Jesus tomadas de amor e reverência. Jesus então lhes disse:
- Não tenhais medo. Ide dizer aos meus irmãos *(primos-irmãos e meios-irmãos, filhos de seu pai terreno José) que ressuscitei e logo me verão.
Assim, elas foram e contaram aos homens o que tinha acontecido. Mas, estas notícias pareciam-lhe como um delírio e eles não lhe deram crédito. Os discípulos tinham estado aflitos e chorosos, mas quando Maria de Magdala lhes disse que Jesus vivia e que ela o tinha visto, assim como as outras mulheres eles não quiseram acreditar. Contudo, Maria de Magdala e Maria, mãe de Jesus, insistiam para que um deles fosse ao sepulcro para conferirem que era verdade que o corpo não estava lá. Então, Maria de Magdala disse-lhes:
- Recordem-se do que o Mestre nos disse: “O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia.”
Então, Pedro se recordou das palavras de Jesus e tomando a João consigo foram juntos ao sepulcro para averiguar aquela história. Corriam juntos, mas João correu mais que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Inclinou-se e viu ali alguns panos dobrados no chão e o sudário também dobrado e colocado à parte em cima do túmulo, mas não entrou. Quando Simão Pedro chegou, ele entrou no túmulo e João entrou junto com ele. Viram e creram, mas ainda não tinham entendido a Escritura segunda a qual Jesus deveria ressuscitar dos mortos. (Mt. 28: 1-15; Mr. 16:1-11; Lc. 24: 1-12 e Jo 20:1-18)
Ora, eles não sabiam ainda que o rei Davi assim escrevera sobre o Messias: “Porque vós não abandonareis a minha alma na habitação dos mortos , nem permitirás que o vosso Santo conheça a corrupção. Vós me ensinarei o caminho da vida. Há abundância de alegria, junto de vós e delícias eternas à vossa direita.” (Salmos 15 - HEBR. 17: 10-11)
Pedro e João depois de verem o sepulcro voltaram para a casa de Maria de Magdala na Betânia admirados do que tinha acontecido, acreditaram que tinham levado o corpo de Jesus e não sabiam onde estava. Será que José de Arimatéia e Nicodemus tinham levado o corpo de Jesus e não avisaram a ninguém? Seria preciso enviar alguém para falar com eles e contar o sucedido. E, assim, ao chegarem na casa, pediram a Maria de Magdala que mandasse sua criada à Jerusalém, à casa de José de Arimatéia perguntar aonde se encontrava o corpo de Jesus, pois ainda não acreditavam no relato de Maria de Magdala e das outras mulheres achando que elas tinham imaginado que tinham visto Jesus em razão do imenso desejo que tinham que ele não tivesse morrido. E Maria de Magdala, enviou a sua fiel criada Sara Kali *(Kali, que quer dizer “a que tem pele queimada” ou escura) até a casa de José de Arimatéia para saber se teria alguma informação sobre o paradeiro do corpo de Jesus.
Quando Sara Kali, chegou à casa de José de Arimatéia, encontrou-o também aflito, pois soubera por Nicodemus que era sacerdote no Templo, que o sepulcro tinha sido aberto, e corria a notícia que os discípulos de Jesus é que tinham roubado o seu corpo. Mas, quando José ouviu o relato feito por Sara Kali, enviou um servo imediatamente chamar Nicodemus e juntos foram até o sepulcro para ver o que tinha acontecido, e viram-no tal como Pedro e João, mas como conheciam melhor as Escrituras, logo entenderam que Jesus tinha ressuscitado e que seu corpo não fora tocado pela corrupção da morte. Eles pegaram então os panos e o sudário e admiraram-se da fragrância floral que exalava deles como se jamais tivesse estado em contato com um corpo cadavérico. E viram por bem levarem os panos com eles, para que ninguém mais os visse e pensassem assim que o corpo tinha sido levado, pois era naquele momento o mais seguro a fazer para o bem de todos os que seguiam a Jesus. Assim, deram os panos e o sudário para que Sara Kali os levasse para Maria de Magdala, e pediram que a avisasse que iriam ter com ela em seguida, pois caminhavam com mais vagar, que a jovem que saiu apressada para avisar sua Senhora de tão honrosa visita.

  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

terça-feira, 15 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 53. MARIA MADALENA REENCONTRA O SEU AMADO

JESUS, AMOR & FÉ *

53. MARIA MADALENA REENCONTRA O SEU AMADO

“Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.” (Mr. 16:9)
Findo o ritual da Páscoa no por de sol do sábado, iniciou-se a noite do primeiro dia da semana *(Domingo), quando então pouco antes do amanhecer o Arcanjo Miguel em todo seu poder divino, retornou aonde se encontrava o corpo que o revestira durante a sua passagem terrena entre os seres humanos na Terra Santa dos judeus, e então, quando o primeiro raio de sol atravessou a escuridão, ele se deitou sobre o cadáver de Jesus e o revestiu com o seu corpo espiritual angélico, restaurando-o com vida, saúde e vitalidade com o seu Santo Espírito. E sendo dois seres novamente tornaram-se um, era agora o Salvador da Humanidade, conhecido pelo nome terreno de Jesus, que quer dizer em hebreu: Deus é a Salvação.
Revestido com sua forma angélica celestial como se esta fosse uma armadura, Jesus despertou e retirou o sudário com que haviam envolvido seu cadáver e dobrou os panos com cuidado ao seu lado, os que o ligara no chão e o sudário em cima do túmulo. Depois, vestiu-se com as roupas limpas que havia trazido consigo do reino celestial para que seu corpo físico ficasse protegido de contaminações com as impurezas terrenas, até que estivesse inteiramente adequado à sua nova condição física. Pois, se antes o seu corpo espiritual era revestido da carne, agora, após a sua morte, se dava ao contrário, era o corpo celestial do seu Espírito Santo que revestia a carne e lhe dava vida.
Maria de Magdala *(Madalena) saíra antes mesmo do raiar do sol de sua casa na Betânia, atravessara o Jardim das Oliveiras e já se aproximava do Horto onde estava o sepulcro de Jesus, e levava, mirra, perfumes e flores com ela. Estava ela indo pelo caminho e pensava se teria alguém que pudesse remover a pedra pesada do sepulcro e ela não teria forças para a mover sozinha. E estando próxima já do sepulcro eis que houve um violento tremor de terra, e ela viu um anjo do Senhor descer do céu, e logo depois a pedra foi rolada e de dentro do túmulo surgiu um ser que resplandecia como um relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Maria caiu de joelhos no chão e viu ao longe os guardas dos sacerdotes morrendo de pavor saírem correndo dali.
Maria continuou prostrada e chorava sem parar, pois não conseguia conter as suas lágrimas que brotavam de seus olhos continuamente como se fossem fonte de água viva. Então, mesmo chorando reuniu suas forças, levantou-se e apoiando-se em uma das paredes da entrada inclinou-se para olhar para dentro do sepulcro. E viu dois anjos sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E, eles perguntaram para ela:
- Mulher, por que choras?
Maria de Magdala respondeu:
- Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram…
E enquanto falava com eles suas lágrimas continuavam caindo abundantes por sua face sem que pudesse as conter, mas acabara de dizer essas palavras aos anjos e viu atrás de si um homem em pé, que perguntou a ela:
- Mulher, por que choras? A quem procuras?
Maria de Magdala pensando que fosse o jardineiro do Horto, disse ao homem com zanga em sua voz apesar das lágrimas que não conseguia controlar:
- Senhor, se tu o tiraste de mim, diz-me onde o puseste, e eu o irei buscar!
E, assim falava porque estava certa que tinham levado o corpo de Jesus embora do sepulcro, pois o sepulcro não era propriamente dele, pois seu amigo José de Arimatéia tinha cedido o próprio túmulo provisoriamente, porque era véspera da Páscoa, e o corpo de Jesus deveria ser transladado para o seu próprio túmulo definitivo, que ela desejava que fosse aquele da família dela, onde Lázaro tinha sido sepultado e de onde Jesus o tinha ressuscitado. Portanto, Maria de Magdala temia que os discípulos e os irmãos de Jesus tivessem levado corpo dele embora, sem nem mesmo falarem com ela, ou mesmo com a mãe de Jesus que estava hospedada em sua casa, com outras parentes.
Vendo a aflição que Maria de Magdala se encontrava por causa do homem a quem tanto amava, o estranho que falava com ela, que não era outro senão Jesus, se dando conta que ela não o reconhecia em seu novo estado, chamou-a pelo nome com todo carinho, da maneira que sempre a chamara:
- Amada Maria!
E tomada de um susto imenso ela voltou seu rosto para olhar no rosto dele e disse sob forte emoção ao reconhecer as feições do homem amado:
- Ó Mestre!
E já estava pronta para abraçá-lo cheia de amor e saudades, mas Jesus a impediu dizendo:
- Não me toques! Ainda estou me refazendo da ressurreição.
Logo Maria se afastou dele, recordando como seu irmão ficara após ter sido ressuscitado por Jesus, tendo dificuldade para se livrar inteiramente da condição mortal para restabelecer seu estado de vivente. E sabia que o mesmo poderia estar acontecendo com Jesus. Assim deu um passo atrás e sentou-se numa pedra para restabelecer seu ânimo, duplamente abalado tanto pela emoção de não ter encontrado o corpo de Jesus como por vê-lo redivivo na sua frente, como se jamais tivesse morrido.
Jesus então disse a Maria de Magdala:
- Amada, sabes que eu te amo mais do que amei a qualquer um nessa terra. Esclarecerei a vós o que está oculto.
Então ela tomou coragem e perguntou a Jesus, pois não entendia o que estava acontecendo:
- Mestre apareceste-me hoje numa visão ou é realidade?
Jesus respondeu a ela:
- Bem-aventurada sejas, por não teres fraquejado ao me ver. Pois, onde está a mente há um tesouro.
Perguntou-lhe ainda ela:
- Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?
Jesus respondeu e disse:
- Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a sua consciência, que está entre ambos - assim é que tem a visão. Mas, tu me viste, não é visão, mas, sim, a realidade. (inspirado em trechos do Evangelho de Maria de Magdala - Codex Akhmim - século III, descoberto em 1955, tradução de M. Tradieu, in Écrits Gnostiques, Paris, 1984)
Então Jesus prosseguiu explicando o que lhe acontecera a Maria de Magdala que o ouvia atentamente:
- Como se portou o Senhor? Quando estava na carne e depois de ter se revelado como filho de Deus, circulou por esse lugar onde habitais, falando da lei da natureza, quero dizer da morte. Já esse que tu vês, o Salvador, esse assumiu a morte - tu não deves permanecer na ignorância disso - porque abandonou o mundo perecível trocando-o pelo reino de Deus imperecível, e veio e ressuscitou. Tendo assumido o visível pelo invisível , apresentando o caminho da imortalidade. Nós nos manifestamos neste mundo, nos revestimos da carne, nós somos como os raios de sol, somos retidos pelo corpo que nos reveste até o nosso crepúsculo, isto é, nossa morte nessa vida. Depois, nós somos atraídos ao céu por ele como os raios de sol, não sendo mais retidos por nada, somos arrebatados. Essa é a ressurreição espiritual, que absorve a psíquica tanto quanto a carnal. Maria, minha amada, é mais uma questão de fé. Mas, se existe alguém que não crê, essa pessoa não pode ser persuadida, pois a questão pertence ao domínio da fé, e não ao domínio da persuasão: aquele que morreu ressuscitará. Assim, não duvides em seu coração da ressurreição, Maria. Com efeito, se tu não pré existisse antes da carne e tu te revestiste de carne, por que não poderias tu revestir a carne de quem eras na tua pré existência? Aquilo que é destinado à carne é para ela causa da Vida. A ressurreição não é ilusão, mas a Verdade. Assim, é pois a ressurreição a revelação do que é a mutação das coisas e uma transformação, é a luz da incorruptibilidade que se derrama sobre a corrupção, absorvendo-a tornando-a perfeita e sem deficiência. *(trecho retirado do “Tratado sobre a Ressurreição” - documento I,4 de Nag Hammadi, Egito/1946, tradução de J.E. Ménard, 1983).
Depois de explicar estas coisas para Maria de Magdala, ordenou Jesus a Maria de Magdala:
- Agora vá e dê a boa nova à minha mãe. Diga que ressuscitei e que logo estarei entre eles.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 13 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 52. O ARREBATAMENTO E A ORIGEM DO SALVADOR

JESUS, AMOR & FÉ *

52. O ARREBATAMENTO E A ORIGEM DO SALVADOR

A benevolência e misericórdia de Deus revelam-se inteiramente no momento da transcendência de Jesus, de sua saída da carne pelo arrebatamento espiritual sendo atraído para retornar à Deus, o Pai celestial, impedindo assim o prolongamento indevido do seu sofrimento físico, algo muito bárbaro e inaceitável para os seres celestiais, algo que só a mente humana sem consciência das coisas celestiais pode conceber. Alguém poderá me dizer que os seres vivos predadores possuem também um comportamento violento, alego que na verdade não. Um predador da natureza sempre procura sua preza entre os mais fracos do que ele, em segundo na hora da morte ela se dá de maneira rápida e sem crueldade, existem animais que até anestesiam suas vítimas para que não sofram. Além disso, animais não matam por prazer, mas para saciar a fome ou em defesa de sua sobrevivência. Naturalmente já se verificou casos raros de desvio comportamental individuais, mas os estudos revelaram até atitudes surpreendentes de misericórdia entre os animais, mesmo entre espécies diferentes. A brutalidade e a selvageria humana é algo que merece ser estudado, pois se por um lado essa violência garante a sobrevivência humana por outro conduz a subsistência de uma rudeza da expressão da civilização humana na face da terra até os nossos dias.
Em termos de sua condição espiritual o Filho do Homem Jesus era um ser espiritual revestido de carne, no caso um avatar de Deus e Deus possui muitos avatares. Deus é um estado energético primordial cuja forma poderia se assemelhar mais a um átomo ou ao olho de Deus egípcio, seria ele a Fonte, de onde emana todas as coisas existentes. Nos termos de hoje poder-se-ia comparar Deus com um monumental computador com uma rede incontável de computadores a ele ligado atuando e colhendo informações para ele, a exemplo da concepção da ficção futurista feita pelos roteiristas norte-americanos Andy e Lane Wachawski para o seu filme de grande sucesso Matrix, mas digamos que nada tão obscuro e sombrio como apresentado por eles. Mas, é o mais próximo que se pode explicar a supremacia do domínio da vibração energética de Deus, que para ser mais precisa,  Deus se constitui da unidade e união de todas as suas emanações que dão vida a todas as coisas. A visão hindu e budista de que é possível ver a Deus em todas as coisas, pode ser considerada uma idéia muito mais próxima da realidade do que o Deus de personalidade individualista concebido no Ocidente, contudo a condição metamórfica com mudanças de aparências física e de sentimentos é plenamente possível. Sem dúvida Deus é único e ninguém pode ser igual a ele.
Em sua condição espiritual é Jesus o Filho de Deus, o Filho do Homem, o Anjo da Face do Senhor, o Supremo Comandante dos Exércitos Celestiais, o Príncipe dos Serafins - a primeira das nove ordens celestiais - , o Anjo da Morte - o condutor das almas-, Príncipe de Israel, Protetor da Igreja Católica e outros tantos atributos, que por isto tudo muitas vezes é identificado por estudiosos com o Arcanjo Miguel, cujo nome significa em hebraico “aquele que é similar a Deus” (mi =‘quem’, ka = “como” e el = deus), que comumente é interpretado mais como uma pergunta retórica: “Quem como Deus?”, de onde se depreende a resposta “ninguém”, simbolizando assim a humildade perante Deus. 
Os famosos Manuscritos do Mar Morto encontrados em 1947, em cavernas de Qumram, região habitada pelos judeus essênios na época de Jesus e famosos por seu estoicismo, trouxeram ao mundo uma compreensão muito maior sobre as questões do reino celestial e principalmente no que diz respeito às ordens celestiais. Com quase a totalidade dos textos publicados em 1991, tornou-se possível entender melhor o conhecimento do mundo invisível, nomeado como "gnose", ou seja o “conhecimento revelado”, pelos estudiosos desses textos. Documentos esses, que como os de Nag Hammadi (Alto Egito, 1945), desde o século XX estão contribuindo imensamente para o maior entendimento dos ensinamentos que Jesus legou à humanidade. Curiosamente, nos documentos de Qumram, o manuscrito mais bem preservado e em estado completo é justamente o da profecia de Isaías, a qual praticamente serviu de roteiro para a passagem da manifestação de Deus na Terra Santa, na forma humana de Jesus.
Com base nesses estudos o “arrebatamento” do Arcanjo Miguel do corpo de Jesus, ou seja, do seu revestimento carnal, se deu de uma forma que não restasse muita dúvida de que se tratava de um ser celestial, considerando-se a forma de sua morte súbita e rápida. Em razão do arrebatamento, Miguel retorna ao Reino do Céu, e pode-se supor que tenha se apresentado à fonte divina de Deus, na sua condição humilde de "Servo de Deus", a quem Isaías tanto se refere em suas profecias, contudo, verdadeiramente é a condição primordial de todas as emanações divinas da energia de Deus. Mesmo tendo retornado para a Fonte, onde repousa toda emanação divina, o trabalho do ser celestial Miguel não estava findo, e a dramática morte de seu avatar tinha um propósito muito mais amplo e que seria tanto de grandiosa importância para toda a Humanidade como principalmente seria o momento de glorificar o poder do próprio Deus. 
Assim, enquanto na terra o corpo humano, a carne de Jesus jazia sem vida, aquele que lhe dava vida se preparava para uma nova etapa para cumprir as ordens de Deus, o que não seria nada fácil pois a condição humana é muito pesada para ser vivenciada por um ser angélico, que se adapta melhor ao nascer como humano sendo revestido por ela e não a revestindo, pois os seres angelicais estão acostumados com modos e maneiras bem mais fluídas e leves. O processo de revestimento da carne necessita de uma adaptação extremamente precisa e bem medida, envolvendo cada célula do corpo que a carne constitui, pois um retorno a matéria com energia demasiada pode simplesmente desintegrar em milhares de átomos o corpo físico. Assim, se antes o corpo celestial Miguel fora revestido da carne de Jesus, agora exatamente o reverso se daria: o corpo de carne de Jesus seria revestido do corpo celestial de Miguel, de forma a ser inteiramente restaurado e regenerado pela energia vital do Espírito Santo existente em Miguel e que daria origem a partir da ressurreição de Jesus ao SALVADOR.
Um mero instante no céu e já se passara um e dois dia na terra… Naquele décimo quarto dia do mês de Nissan de 3789 do calendário judaico, não se comentava em Jerusalém outra coisa senão a morte do rabi galileu na véspera da Páscoa, todos falavam dos estranhos eventos que tiveram lugar e se preocupavam quanto ao futuro, pois não dissera ele que ressuscitaria depois de morto ao terceiro dia? Ora, se morrera no sexto dia, haveria de estar vivo novamente no primeiro dia após o sábado, ou seja na manhã seguinte a Páscoa. Os sacerdotes do Templo temerosos que roubassem o corpo de Jesus ou que algo inusitado” acontecesse, logo após o por do sol que sinalizava o final da Páscoa e o fim do sábado, hora em que pela Lei podiam voltar a se locomover de um lado para outro, foram ter com Pilatos, e disseram para ele:
- Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse enquanto vivia: “Depois de três dias eu ressuscitarei. Ordena pois, que seu sepulcro, seja guardado até o terceiro dia. Os seus discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira.
Respondeu-lhes Pilatos tomado de impaciência:
- Vós tendes a vossa própria guarda. Ide vós e guardai-o como entendeis. Esse não é um assunto de Roma.
Foram os guarda do templo e os sacerdotes até o sepulcro e asseguraram que este estava selado com a pedra e colocaram guardas para vigiar. (Mt. 27:62-66) Ocorreu que aproximando-se a primeira hora *(seis horas da manhã), um pouco antes do raiar do sol do primeiro dia da semana *(domingo), que era 15 de Nissan, o dia seguinte à Páscoa, ouviu-se um grandioso estrondo dentro do túmulo e luzes pareciam emanar de seu interior, de forma que a terra tremeu e os homens que faziam a guarda do sepulcro caíram por terra e foram tomados de profundo terror. E ainda mais aterrorizados ficaram quando viram que a pedra que fechava o túmulo tinha rolado e dentro do túmulo não tinha mais nenhum cadáver. 
Os guardas saíram correndo apavorados e foram direto ao Templo contar para o sumo- sacerdote Caifás e os príncipes dos sacerdotes o que tinha acontecido ao alvorecer daquele terceiro dia. Os anciãos e os outros sacerdotes foram chamados apressadamente para a reunião emergencial do Conselho, a fim de decidir que medidas deveriam ser tomadas para resguardar a autoridade deles e impedir que o povo acreditasse que Jesus teria ressuscitado. Depois de deliberarem por algum tempo, deram aos guardas uma importante soma de dinheiro e ordenaram-lhes:
- Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis. Do mesmo modo se o governador Pilatos vier a saber, nós negaremos e o acalmaremos e nos livraremos das dificuldades.
Os soldados do Templo seguiram as instruções e esta versão foi espalhada entre os judeus, que nela acreditaram, pois era a palavra dos sacerdotes do Templo, e quem poderia duvidar de sua veracidade? (Mt. 28:11-15)
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quinta-feira, 10 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 51. O SEPULTAMENTO DE JESUS


JESUS, AMOR & FÉ *

51. O SEPULTAMENTO DE JESUS

Judas Iscariotes ao ver que Jesus fora condenado a morrer crucificado, acompanhou a multidão até o monte da Caveira e ao vê-lo supliciado caiu sobre ele um remorso imenso pela sua atitude, pois com aquela visão subitamente adquirira a consciência de ter feito um verdadeiro pecado imperdoável contra o Filho de Deus. Pensava Judas Iscariotes que sendo preso Jesus viria a se manifestar com todo o poder vindo de Deus e fizesse fogo cair dos céus sobre os romanos e libertasse o povo judeu. Como a maior parte dos judeus Judas Iscariotes compreendia os tempos messiânicos como um tempo em que o reino de Israel seria restaurado ao poder como na época do rei Davi,como há mil anos, mais ainda do que isso, com todo o poder e glória das riquezas dos tempos de Salomão. Os judeus de modo geral pensavam em riquezas terrenas e não nas riquezas celestiais. Mas, o que estava escrito nas Escrituras não era isso, mas outra coisa bem diferente:
“Naquele tempo os surdos ouvirão as palavras de um livro e livres da obscuridade e das trevas , os olhos dos cegos virão. Os humildes encontrarão cada vez mais ventura no Senhor e os homens mais pobres, graças ao Santo de Israel *(o Messias), estarão jubilosos. Pois não haverá mais tiranos na terra, já terá desaparecido o cético e todos que planejavam o mal serão exterminados, os que com uma palavra acudam os outros, os que, à porta procuram enganar o juiz, e por nada fazem o inocente perder a sua causa. Por isso, eis que disse o Senhor, o Deus da casa de Jacó, que resgatou Abraão:
‘Daqui em diante Jacó não será mais confundido e seu rosto não mais empalidecerá, porque quando virem nele *(no Messias) a minha obra bendirão o meu nome.’
Glorificarão o Santo de Judá *(o Messias) e temerão o Deus de Israel. Os espíritos desencaminhados aprenderão a sabedoria e os que murmuravam receberão instrução.“ (Is. 29:18-24)
Porem, era tarde demais para o perdão para a alma perdida de Judas Iscariotes. Mesmo assim o pobre infeliz tentava desfazer o malfeito e correu à casa do sumo-sacerdote Caifás e o encontrando disse-lhe:
- Pequei, entregando o sangue de um justo.
Respondeu-lhe Caifás e aqueles que ali estavam com ele a espera de poderem comer o cordeiro pascal ao por do sol:
- Que nos importa! Isto é lá contigo!
Então, Judas Iscariotes em desespero jogou aos pés de Caifás as 30 moedas de prata que recebera para trair Jesus e saiu correndo dali.
Os sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram:
- Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue e é impuro. Nós teremos que encontrar outro destino para isso. (Mt. 27:1-6)
Nunca mais se ouviu falar de Judas Iscariotes, mas se murmurou que seu corpo fora encontrado enforcado com o próprio cordão que cingia suas roupas num galho de árvore a beira do precipício, talvez porque tivesse a esperança de que estando morto antes de que Jesus morresse, pudesse receber o perdão prometido aos judeus mortos, pois assim estava escrito:
“ Senhor na tribulação nós vos buscamos e clamamos à vos na angústia em que vosso castigo nos abate. Como uma mulher grávida prestes a dar a luz retorce e grita em suas dores, assim estamos diante de vós Senhor; Nós concebemos e sofremos para dar a luz sem poder dar a salvação à nossa terra; não nasceram novos habitantes no mundo. Que os vossos mortos revivam! Que seus cadáveres ressuscitem! Que despertem e cantem aqueles que jazem sepultados, porque o vosso orvalho e um orvalho de luz e a terra restituirá o dia às sombras.” (Is. 26: 16-19)
Nesta fugaz esperança teria tirado a própria vida o miserável infeliz traidor, esquecendo-se que também estava escrito:
“Vai povo meu, entra nos teus quartos, fecha atrás de ti as portas. Esconde-te por alguns instantes até que a cólera passe. Porque o Senhor vai sair da sua morada para punir os crimes dos habitantes da terra. Porque a terra fará brotar o sangue inocente que ela bebeu e não ocultará mais com terra para impedir de bradar vingança aos corpos dos assassinos. (26:20-21) Naquele dia o Senhor ferirá com sua espada pesada, grande e forte, Leviatã *(Satanás), o dragão fugaz, Leviatã o dragão tortuoso e matará esse monstro que se assenta sobre o mar das Nações. (Is. 27: 1 paralelo ao Apocalipse 12:13-18)
O Santo Espírito de Jesus tinha sido arrebatado por Deus à sexta hora *(ao meio-dia) e o corpo jazia já sem vida desde então e a carne que revestira seu Santo Espírito permanecia inerte e imóvel na cruz. Os sacerdotes judeus ao terem visto o remorso de Judas Iscariotes temeram que a morte de Jesus pudesse resultar numa comoção popular que se voltasse contra eles. Assim, acorreram até Pilatos e rogaram que quebrassem as pernas dos judeus crucificados para que não houvesse motivo de violação do santo ritual da Páscoa e que retirassem os corpos supliciados dos condenados das cruzes antes do por do sol, quando teria início a festa pascal. De modo que os guardas romanos que estavam a guardar os condenados receberam a ordem de Pilatos de quebrar-lhes as pernas para apressar suas mortes e não serem mais supliciados. Assim, os guardas fizeram, quebrando as pernas do primeiro e as do segundo que estavam crucificados com Jesus. Porém, quando chegaram a Jesus, como se o vissem já morto, muito se admiraram por ter morrido tão rapidamente, e tinham motivo para isso, pois a agonia mortal do corpo de Jesus não perdurara nem mesmo uma hora! Cheio de admiração o soldado chamado Longino *(Longuinho) abriu-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu sangue e água, prova que sua morte já tinha se dado a algum tempo, pois o corpo de Jesus permaneceu inerte na mesma posição e o sangue não jorrou como quando se tem um coração pulsante e vivo. E o legionário Longino daria depois seu testemunho a Pilátos, quando chamado a dar sua palavra sobre a morte de Jesus.
Quando as mulheres que estavam ao pé da cruz se deram conta que Jesus já tinha morrido, viram por bem logo providenciar o seu sepultamento por ser véspera da Páscoa. Então Maria de Magdala *(Madalena) mandou a sua serva fiel Sara Kali *(assim alcunhada por ter pele bronzeada) que sempre a acompanhava correr até a casa de José de Arimatéia que também era grande amigo de Maria  de Magdala e contar a ele que Jesus tinha morrido e que precisavam sepultá-lo e pediu que ele fizesse os arranjos necessários. José de Arimatéia que até então tinha se mantido como discípulo oculto de Jesus, e que cedera a própria casa para a ceia secreta de Jesus e seus discípulos, não mais guardou segredo de que era um seguidor de Jesus e correu até Pilatos, e sendo um dos homens mais importantes de Jerusalém e com quem Pilatos se encontrava bastante, foi logo recebido pelo governante romano. José de Arimatéia rogou a Pilatos para que pudesse tirar imediatamente o corpo de Jesus da cruz, e logicamente Pilatos também admirou-se que Jesus tivesse morrido tão rápido e, logicamente, o permitiu, porquanto sua própria mulher Claudia *(Ploca) estava desesperada com a notícia que recebera pouco antes do centurião da morte do homem que considerava um santo milagroso, porquanto ao cumprirem a ordem de quebrarem os joelhos dos condenado pedida pelos sacerdotes judeus, os guardas tinham encontrado Jesus já morto e a morte fora confirmada pelo soldado Longino que lhe enfiara a ponta da lança do lado. Nem mesmo o sacerdote Nicodemus se importou de apresentar-se como afeiçoado a Jesus e junto com José de Arimatéia seguiu para o outeiro levando alguns serviçais para ajudá-los a carregar o corpo de Jesus, porquanto lá com ele só tinham mulheres e não teriam forças para transportar o cadáver. Nicodemus com bom sacerdote levava cem libras da melhor mistura de mirra e aloés, assim como os panos do sudário para envolver o corpo.
Quando chegaram ao outeiro com a ajuda dos guardas romanos baixaram a cruz, e removeram a infame coroa de espinhos da cabeça de Jesus, e os cravos com os quais tinha sido pregado, e dos ferimentos já não vertia mais sangue, pois Jesus estava morto já a cinco horas e já era a undécima hora *(cinco horas da tarde). Os homens colocaram o corpo de Jesus sobre um pano e o carregaram como se fosse uma padiola e o levaram para o sepulcro novo que José de Arimatéia tinha mandado talhar para si mesmo na rocha, que ficava num jardim nas proximidades. Entraram todos ali e depositaram o corpo de Jesus sobre uma pedra lavrada, limparam o corpo e o untaram com a mistura de mirra e aloés para que ficasse purificado, depois o envolveram com um sudário de puro linho. Seguindo a risca todos os costumes para o sepultamento de um rabi. E depois disso, mandaram rolar a pedra sobre o túmulo para o fechar.
E o sol se punha no horizonte, anunciando que aquele longo décimo terceiro dia do mês de Nizan do ano de 3789 chegava finalmente ao seu fim naquele sexto dia da semana, e dia da Preparação Pascal, e no anunciar do dia 14 Nizan, o dia do festejo da Páscoa, o Cordeiro de Deus tinha sido devidamente morto e oferecido em sacrifício como expiação e remissão dos pecados daquela geração da Humanidade. E todos naquela noite em Jerusalém comeram da carne do cordeiro pascal como o faziam desde que tinham saído do Egito e Deus lhes tinha dado o ritual como uma instituição perpétua, para purificação de todo o seu povo escolhido.
E assim as palavras do profeta se cumpriu mais uma vez, tal como o desejo de Deus se manifestara a ele séculos antes:
“Neste monte Ele tirará o véu que vela todos os povos, a cortina que recobre todas as nações e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o povo porque o Senhor o disse. Naquele dia dirão: Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos por seu socorro, porque o braço *(ou mão) do Senhor repousa neste monte.” (Is. 25:7-10)
E disse também:
“Vosso pacto com a Morte será quebrado, vosso entendimento com a morado dos mortos não subsistirá; (…) Porque o Senhor se levantará como no monte Perasim *(Baal-perasim: lugar onde David lutou contra o gigante dos filisteus), e fremirá como no vale de Gabaon *(Josué confiante na vitória rezou a Deus para que sol parasse em cima da cidade de Gabaon, durante a conquista da terra Prometida), para concluir sua obra singular, para executar o seu trabalho, seu trabalho inaudito. Assim, pois cessai de zombar para que os vossos grilhões não se apertem. Porque eu ouvi uma sentença de ruína por ordem do Senhor dos exércitos contra toda a terra.”
(Is.28:18-22)
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

terça-feira, 8 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 50. JESUS E O SACRIFÍCIO DO CORDEIRO DE DEUS

JESUS, AMOR & FÉ *

50. JESUS E O O SACRIFÍCIO DO CORDEIRO DE DEUS

Como era do procedimento da justiça romana Pilatos mandou escrever uma tabuleta com o crime pelo qual Jesus seria crucificado, já que apesar da crucificação dele ter sido pedida pelos sacerdotes dos judeus e do povo judeu que os acompanhavam, os judeus não podiam por eles mesmos darem andamento a execução da sentença, de forma que para atender aos judeus Pilatos ordenou aos soldados romanos que fizessem o procedimento da sentença, e ao final colocassem no alto da cruz a tabuleta onde estaria escrito a seguinte inscrição em hebraico, latim e em grego: JESUS DE NAZARÉ, REI DOS JUDEUS. Feito isso entregou a tabuleta nas mãos dos acusadores de Jesus. Os sacerdotes ao lerem a inscrição disseram a Pilatos:
- Não escreves “Rei dos Judeus”, mas sim: “Este homem se disse ser rei dos judeus”.
Pilatos respondeu a eles com desprezo:
- O que escrevi, escrevi.
E deu ordem aos seus homens que buscassem o madeiro para que o condenado o carregasse. 
Naquele tempo a morte por crucificação passara a ser adotada em lugar da morte por empalação considerada demasiadamente bárbara pelos romanos, mas que fora até então largamente usada na região pelo mais cruel de todos os povos, os assírios, e veio a ser adotada por muitos povos, que apreciavam assistir o sofrimentos humano, pois consistia em enfiar uma estaca por um orifício das partes baixas da vítima e remeter-lhe até sair pela boca ou por cima em qualquer lugar, e depois colocar a vítima estacada de pé na terra. Por sua vez em razão dos sucessivos atos de rebeldia dos judeus, as cruzes eram fabricadas em série e de boa madeira para que durassem, pois era costume a sua reutilização para reduzir os custos com as execuções. Jesus bem o sabia disso, pois vira o seu pai fabricar muitas cruzes para os romanos por ser marceneiro e ele por ironia também fabricara cruzes. 
Normalmente na pretoria sempre existia cruzes disponíveis para serem utilizadas, assim Pilatos mandou que se trouxesse uma cruz romana de boa madeira e foi feito conforme fora ordenado. A cruz foi posta no chão da pretoria em frente ao portão e foi dada aos sacerdotes judeus, por que eles não só tinha pedido pela sentença, como seriam os responsáveis pela supervisão do cumprimento da sentença, apesar que essa fosse executada por soldados romanos, os soldados Templo fariam a guarda, pois Jesus era prisioneiro dos sacerdotes judeus e não dos romanos. 
Ocorreu que já que os judeus não podiam entrar na pretoria para não se contaminarem, pois era o dia da preparação da Páscoa, assim como não podiam pegar na cruz e muito menos os romanos poderiam carregar a cruz, pois Jesus não era prisioneiro dos romanos, instalou-se uma discordância em razão de um dilema previsto por Pilatos, que não perdia uma oportunidade para se divertir com as questões das tais "impurezas" dos judeus, que a tudo discriminavam. Então, os sacerdotes obrigaram um homem forte que estava entre os que observavam, que pegasse e carregasse a cruz para fora da pretoria, pois em razão de sua cor de pele escura tinham deduzido erroneamente que ele não era judeu. E o nome desse homem era Simão de Cirene *(oriundo de uma comunidade judáica de uma cidade do norte da África, atual Líbia), pai de Alexandre e de Rufo - os quais eram discípulos de Jesus -, e que naquele dia tinha vindo do campo para a festa da Páscoa. E foi assim que um homem também chamado Simão, o mesmo nome de Pedro - que afirmara que daria a vida dele por Jesus, para depois negar o nome de Jesus por três vezes apesar de ter sido ele um dos primeiros a ser escolhido por Jesus-, este Simão que mal conhecera Jesus ao ver que o condenado era aquele que os seus filhos reputavam como o Mestre, o Messias, não por ordem dos sacerdotes, nem por ordem dos soldados romanos, mas por amor e misericórdia por Jesus, lançou mão da cruz e a colocou em seus ombros e saiu da pretoria a carregá-la sem temor que quem o visse o considerasse um criminoso culpado de qualquer crime por estar carregando uma cruz. Contudo, não carregou Simão a cruz por muito tempo, pois Jesus se aproximando dele e disse-lhe com um profundo olhar de agradecimento e repleto de benevolência:
- Simão já fizeste a tua parte, deixe-me agora cumprir a vontade de meu Pai, pois está escrito: Aprouve o Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer a sua vida em sacrifício expiatório… (Is. 53:10)
E, com muito contragosto, Simão de Cirene colocou a pesada cruz nos ombros de Jesus, temendo que ela pudesse esmagá-lo por conta dos ferimentos que tinha recebido quando fora açoitado, mas espantou-se Simão de ver que embaixo daquela aparência de carne dilacerada e repleta de chagas, brilhava no olhar de Jesus uma luz poderosa e por um momento Simão pensou ver toda a energia vital do mundo a vibrar dentro daquele corpo, como se fosse a própria energia da imortalidade divina. Ao ver isso, Simão não teve mais dúvida de que aquele homem que assemelhava-se a um castigado, ferido por Deus e humilhado, era realmente o Filho de Deus, o Messias!!! E sendo o Messias, nele a vontade de Deus seria realizada e nele o próprio Deus se glorificaria.
Quando Jesus começou a carregar a sua cruz, nenhum dos seus discípulos estavam no local nem para defendê-lo, nem para ajudá-lo e nem mesmo para serem meras testemunhas oculares de seu sofrimento. Eles também não estariam presentes em sua morte, pois todos teriam fugido e se escondido. Portanto, não foi de admirar que as únicas pessoas que testemunharam esse dia de profundo sofrimento público de Jesus, e que estiveram ao seu lado durante toda a sua humilhação aos olhos dos homens e glorificação aos olhos de Deus, fossem justamente as mulheres que o tinham seguido e que durante todo o tempo tinham zelado por seu bem-estar ao lado de sua mãe amada Maria, cuidando que suas roupas estivessem sempre limpas, que jamais lhe faltasse o que comer, que fosse sempre cuidado e perfumado com o amor delas e que não hesitaram em sustentá-lo com suas posses para que pudesse fazer a pregação da Boa Nova que ele trazia do Reino de Deus. As mulheres que no passado foram as primeiras a acreditar na sua vinda - nas pessoas de Isabel, mãe de João Batista, e Maria, sua mãe -, serão também as últimas a estarem com Jesus em seu momento de maior sofrimentos na vida, não por causa da morte física, mas pelo desamor daqueles a quem Ele tanto amara. Sendo assim, devemos mais confiar nos relatos da via dolorosa em que consta a presença das mulheres que o amavam, pois nenhum dos homens estava presente, mesmo que depois tenham desejado que assim não tivesse sido e tentassem fazer com que nos futuros testemunhos e depoimentos esta circunstância passasse desapercebida com alguns artifícios de retórica.
Não demorou para se espalhar a notícia que o rabi galileu que fizera tantos milagres fora preso e condenado a crucificação e que estava a descer a principal rua de Jerusalém, aquela onde estavam as tendas de comércio, carregando a própria cruz. O povo acorria de todo lado querendo ver, pois não acreditava que tal coisa fosse possível, e as pessoas diziam entre si incrédulas:
- A crucificação de um “rabi”?
- Como os romanos poderiam ter cometido tamanha crueldade na véspera da Páscoa?
- E os sacerdotes permitiram isso?
- De que crime fora aquele homem justo acusado?
- Não era ele o Filho de Deus?
- Se estava sendo crucificado não era!!! Era um mentiroso!
- Um mortal como nós! Merece morrer por ter mentido!
Mas, o seguia bem junto como se quisessem proteger Jesus da multidão as mulheres que o amavam, que batiam no peito, lamentavam e choravam sem parar por causa da compaixão imensa que sentiam em seus corações. Jesus então disse-lhes com voz firme e forte, mas piedosa e amorosa:
- Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorais sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram. Serão destruídos os altares pelos pecados de Israel, espinhos e abrolhos crescerão em seus altares. Dirão então às montanhas; Cobri-nos e as colinas: Cai sobre nós! (Oséias 10;8) Pois se assim fazem ao lenho do ramo verde *(ao jovem), que acontecerá ao seco *(velho)?
Disse isso às mulheres para alertá-las do perigo que correriam devido a desumanidade com que os sacerdotes judeus tratariam os mais fracos, de tal forma que não haveria nem mesmo mais respeito mais pelos anciãos. Dentre essas mulheres havia uma de nome Berenice, cujo nome macedônio queria dizer ‘portadora da vitória”. Vendo que a face de Jesus se cobria de sangue e estava impedindo a sua visão, arriscando que ele tropeçasse em alguma pedra do caminho, ela tirou o seu véu e o colocou sobre a face de Jesus, imediatamente ficou retratada imagem do rosto de Jesus no tecido. Jesus então ordenou a ela:
- Guarde-o com cuidado.
Em razão de ter se tornado o único retrato de Jesus, e dizia-se com poderes milagrosos, que chegara até a curar o imperador romano Tibério de uma doença que lhe dava chagas por todo o corpo e converter o próprio Imperador romano só de ver a imagem de Jesus, o precioso véu começou a ser chamado de “vera eikon” que quer dizer imagem da verdade, assim era chamada a imagem milagrosa de o “véu de Verônica”, e por esse motivo confundiu-se o nome de Berenice com o de Veronica. 
Era costume naqueles tempos bárbaros tanto dos romanos como de muitos outros povos antes deles, colocarem os condenados à morte exibidos na estrada que conduzia ao principal portão de entrada da cidade ou em seus muros como para dissuadir os criminosos, salteadores e ladrões pensassem que aquele era um local sem lei. Normalmente morriam ali e eram comidos pela aves de rapina ou animais, de forma que com o passar do tempo lhes restasse apenas os ossos. Ora, fora dos muros de Jerusalém, de acordo com este costume havia um lugar devidamente reservado para as execuções, que ficava num montículo escarpado que ficava bem a frente do portão da cidade, de modo que todos que fossem a Jerusalém vissem os castigados, e vendo tivessem temor. A esse local chamaram lugar da Caveira *(Calvário, ou Gólgota), pois a caveira sempre fora símbolo da morte, além do que os restos dos corpos dos que ali morriam eram jogados numa vala comum vizinha, pois os criminosos não tinham direito a um enterro, menos ainda a um túmulo. 
Jesus, assim foi conduzido com a sua cruz até o outeiro. Ali já estavam crucificados também dois ladrões. Os guardas romanos incumbidos da crucificação, que seriam supervisionados pelos guardas do templo.
A cruz foi tirada dos ombros de Jesus enquanto os soldados comentavam de sua surpreendente resistência para um homem tão abatido, admiravam-se da sua vontade estóica e da força sua energia por ter carregado a própria cruz apesar do estado lastimável do seu corpo, que de tão fragilidade parecia estar já cadavérico. Então eles, ofereceram a Jesus uma mistura de vinho com ópio, mistura usualmente oferecida aos supliciados antes da crucificação para que ficando atordoados não tivessem nem medo e nem se convulsionassem por causa da dor. Mas, Jesus não aceitou beber a mistura, demonstrando sua força e coragem frente ao sofrimento que o aguardava. Os guardas, então, o despiram de suas roupas ensanguentadas e as separaram para serem sorteadas entre eles, como sempre se fazia. E, então, deram início ao procedimento da crucificação. Por cima de sua cabeça pregaram a tabuleta com escritos ordenados por Pilatos, que dava a conhecer Jesus a quem passasse por ali como “rei dos judeus”, e, depois levantaram o madeiro, e dali Jesus contemplou com o coração sangrando, tomado de imensa tristeza Jerusalém e o povo que ali estava, enquanto pensava nas palavras do profeta que se cumpriam mais uma vez:
“Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha muda nas mãos do tosquiados. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou defender sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado do meu povo?” (Is. 53:7-8)
Depois de o haverem crucificado os soldados romanos dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Pois eram vestes dignas de um rei, pois tinham sido dadas a Jesus por Herodes, Antipas. Enquanto faziam isso os judeus passavam pela cruz de Jesus e diziam:
- Tu que destróis o Templo e o reconstrói em três dias, salva-te a ti mesmo agora!
- Se és mesmo o Filho de Deus desce da cruz agora, ó miserável!
Os escribas, sacerdotes e os anciãos que tinham conspirado a sua morte também zombavam dele:
- Ele salvou outros! Não pode salvar a si mesmo!
- Si és rei de Israel desças agora da cruz!
- Si te salvares creremos em ti˜
- Confiou em Deus, Deus que te livre agora!
- Tu disseste: sou Filho de Deus. Se Deus o ama onde está Ele agora?
E ouvindo os ultrajes que proferiam-lhe, Jesus levantou os olhos para o céu e contemplou o sol que finalmente chegava quase ao seu zênite e orou:
- Pai, perdoai-os porque não sabem o que realmente estão fazendo!
E era quase a hora sexta *(o meio-dia) daquele dia quando Jesus disse essas palavras.
Então chegaram junto a cruz a sua mãe, acompanhada da irmã  Maria Salomé (mãe dos filhos de Zebedeu, João e Tiago, e e que fora a parteira de Jesus) e sua discípula amada Maria de Magdala *(Madalena), e ali se ajoelharam ao pé da cruz e ficaram orando para Jesus com todo amor, rogando pela compaixão de Deus para que Jesus fosse poupado do sofrimento e fosse levado logo pela morte, pois este era o único bem que lhe poderia acontecer naquela hora que fora abatido pelo mal. Quando Jesus viu sua mãe e ao lado dela sua tão amada Maria Madalena, ele disse à sua mãe: “Mãe, aí está a sua filha. Maria, ai está a sua mãe.” E a partir daquele momento Maria de Magdala tomou Maria como sua mãe e cuidou dela pelo resto de sua vida.
Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado e que o sopro de vida de sua alma iria deixar o corpo, disse:
- Tenho sede de justiça.
Mas, o guarda do Templo que estava próximo pensando que Jesus dissera que estava com sede de água, embebeu uma esponja no vinagre, pois o vinagre tirava a sede, colocou numa vara e levou aos lábios de Jesus. Jesus tomou do vinagre e disse:
- MEU DEUS, MEU DEUS ABANDONES ESTE TEU SERVO! ARREBATA-ME PARA TI! EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO!
E dizendo isso sua cabeça se inclinou e do seu corpo ausentou-se o Santo Espírito de Deus, e então caiu sobre a terra uma profunda escuridão cobrindo o sol que chegara ao seu zênite, de tal modo que o dia virou subitamente noite.
Os judeus que conspiraram sua morte e que ali estavam pensaram ouvir que Jesus dizia que Deus o tinha abandonado, ou que chamava pelo profeta Elias, pois dissera "Eli, Eli.." *(mas Eli em hebreu quer dizer Pai), mas então a escuridão total caiu sobre a terra. E eis que o véu do Templo que separava o altar do Santo Sanctorum *(ou Santo dos Santos, local da presença divina de Javé, onde só os sacerdotes levitas tinham acesso) se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Do céu ecoou um trovão ensurdecedor e um raio cruzou do Oriente para o Ocidente. Os acusadores de Jesus fugiram apavorados temendo que a ira de Deus caísse sobre eles, corriam gritando, tropeçavam e caiam como moscas, muitos foram pisoteados pela multidão que corria para dentro dos muros da cidade na busca de refúgio e de um lugar seguro, pois temiam que aquele fosse o fim do mundo.
O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava disseram entre si, possuídos de grande temor:
-Verdadeiramente, este homem era um justo. Ele era o Filho de Deus! (Mt. 27:32-56; Mr. 15:21-41: Lc. 23:26-49 e Jo. 19:17:30)
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 6 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 49. JESUS, O JULGAMENTO DO JUSTO POR PECADORES

JESUS, AMOR & FÉ *

49. JESUS, O JULGAMENTO DO JUSTO POR PECADORES

“Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou com nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado ferido por Deus e humilhado. Mas, foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades, o castigo que nos salva pesou sobre ele, fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual o nosso caminho, o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiados. Ele não abriu a boca… “ (Is. 53: 4-7)
Nada impressiona mais a uma pessoa amante da justiça do que o julgamento injusto recebido por Jesus, tendo em vista seus milagres e o grandioso bem que espalhara entre as pessoas necessitadas e sofridas que encontrou por seu caminho. O julgamento de Jesus nos obriga a uma profunda reflexão, pois nos faz pensar que nessa vida não vale a pena ser justo e nem bom com outras pessoas, pois se o formos acabaremos como um cordeiro sendo levado para o matadouro, ou como um bode expiatório indo para o sacrifício, para que a sordidez humana no mundo permaneça e continue sendo sempre a mesma. 
É a sentença deste julgamento injusto que faz muitos que gostariam de crer em Jesus e em suas palavras se afastarem de sua imagem estigmatizada de sofrimento. Ora, desde o tempo deste acontecimento até os dias de hoje, um número incontável de pessoas foram torturadas e mortas com as maneiras mais brutais que possam ser concebidas pela tortuosa e maléfica mente humana, que faz da morte de outro ser vivo um prazer de luxúria para si mesmo. Se isso é demoníaco? Sem dúvida que é demoníaco. Tibério César, então Imperador Romano no tempo da morte de Jesus e que era de origem germânica, tinha tamanho desgosto com o comportamento malévolo humano que mandou construir em sua ilha de Capri um verdadeiro Inferno torturante reservado para os seus mais sórdidos inimigos e criminosos. O que era praticado ali é simplesmente inenarrável, em tudo horrível, e creio que nem o deus Plutão dos Infernos seria capaz de conceber tanto sofrimento. Portanto naqueles tempos, assim como nos tempos de hoje, a vileza humana e a tendência ao mal parece não ter desaparecido, pode ter mudado suas formas, mas continua mesma. Alguém poderá me dizer que então a morte de Jesus foi inútil, eu responderei: NÃO, NÃO FOI!
SE JESUS TENDO SE MANIFESTADO E MOSTRANDO A VERDADE O MUNDO É ASSIM, IMAGINEM SE ELE NÃO NOS TIVESSE DADO A CONHECER-SE? ORA, SE O MUNDO É ASSIM COM DEUS, IMAGINEM VIVER NUM MUNDO SEM DEUS!
Para compreendermos o que acontece com Jesus doravante é preciso que tenhamos em mente que ele está cumprindo exatamente o que foi dito pelos profetas judeus sobre ele, ou seja, sobre o Messias salvador. Do mesmo modo que Oséias, filho de Num, da tribo de Benjamim, foi nomeado por Moisés como Josué (Num. 13: 8,9 e 16) que também se grafa Jesus, em hebraicoYeshua, que quer dizer “Deus Salva” ou “Salvação de Deus”, e foi ele o eleito para conduzir o povo judeu à Terra Prometida, cumprindo assim a promessa feita ao patriarca Abraão, o mesmo se dá com Jesus, que fora enviado para conduzir o povo judeu, que se dizia o único “povo escolhido” de Deus e fiel a Deus e ao chamado Reino de Deus, pois Deus conduzira os judeus pelo deserto até conquistarem a desejada riqueza material, agora Deus tinha o novo propósito de conduzir o povo judeu à desejada riqueza espiritual da sabedoria celeste. Porém, infelizmente, para que os judeus recebessem este conhecimento era necessário impressioná-los de uma forma dramática, pois a mente humana grava mais em sua memória o que lhe choca e é dramático e mórbido do que qualquer beleza que possa elevar a sua alma, sendo que a atração pelas trevas e o que é sombrio é maior do que pela luz, cuja claridade pode cegar tanto quanto a escuridão. 
O propósito de Jesus, na verdade de Deus que nele estava, era criar um evento de tal forma dramático que não fosse esquecido pela mente humana jamais. O que nós podemos dizer quase dois mil anos depois que realmente esse objetivo foi alcançado. E, apesar de fortes campanhas para derrubar a crença em Jesus, ela se sustenta até hoje de maneira formidável reunindo milhões de pessoas que  crêem em sua doutrina e na fé que Jesus exaltou. Isso por si só dá veracidade não só à pessoa de Jesus, mas, sobretudo, glorifica à Deus, nosso Pai misericordioso.
Naquela madrugada do sexto dia da semana, o décimo terceiro dia do mês de Nissan, primeiro mês do ano judaico, Jesus foi levado para o átrio da residência do sumo-sacerdote Caifás, que fora indicado ao cargo pelos romanos, onde o Conselho sacerdotal aguardava que desta feita a prisão de Jesus tivesse o desejado sucesso. Lá se encontravam vários sacerdotes e entre eles também estava Nicodemus, aquele que se encontrara em segredo em Cafarnaum, na Galiléia, a quem Jesus pedira para preparar um local para a ceia que queria ter com seus discípulos, a qual foi arranjada na casa de José de Arimatéia. Se não fosse por Nicodemus jamais se saberia o que acontecera na casa do sumo-sacerdote que era vizinha ao Templo em razão da alta dignidade que lhe era dada, como supremo zelador do Templo.
Pedro tinha seguido de longe a guarda que levara Jesus preso até a casa de Caifás, entrou na casa e juntou-se aos criados no pátio externo, onde os servos do sumo-sacerdote cuidavam de assar os cordeiros do sacrifício pascal que seria comido pelos sacerdotes do Templo. Pedro então sentou-se junto com eles desejoso de saber como terminaria aquilo. 
Lá dentro, foi com satisfação que Caifás viu que a conspiração desta vez resultara em sucesso, e os guardas trouxeram Jesus e o colocaram à sua frente em meio aos conselho de sacerdote e anciãos. Os membros do Conselho estavam ali para a santa assembléia (Sinédrio) conforme a Lei estabelecida por Deus para a Páscoa (Êx. 12: 16), portanto não estava ali para aquele julgamento inesperado de Jesus, muitos de seus membros tinham também sido pegos de surpresa, como acontecera com Nicodemus. Por ordem de Caifás, os fariseus buscavam de todas maneiras um falso testemunho que permitisse condenar Jesus à morte. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas que disseram:
- Esse homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.
Ora, era um crime proferir blasfêmias contra o Templo, um crime punido com a morte. Mas, Jesus dissera destruir este templo de Deus, referindo-se ao seu próprio corpo, e o reedificarei em três dias. (Jo. 2:19) 
Levantou-se Caifás, o sumo-sacerdote de sua cadeira, e aproximando-se mais de Jesus para olhar em sua face, perguntou-lhe:
- Nada tens a responder a essa gente que depõe contra ti?
Jesus, contudo, permaneceu calado.
Disse-lhe exasperado Caifás:
- Por Deus vivo, conjuro-te que nos diga: se és o Messias, o Filho de Deus!
Então Jesus que até então permanecera calado respondeu olhando nos olhos de Caifás:
- Sim. Além disso eu vos declaro que verei doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-Poderoso e voltar sobre as nuvens do céu.
Inesperadamente parecia que Caifás ao ouvir a resposta de Jesus fora tomado de profundo terror e tomava Jesus por um anjo feérico vindo diretamente do céu. E possuído de alguma estranha loucura começou a rasgar suas vestes, como era o costume se fazer em atitudes de lamentação e de expiação, e gritava de forma controversa como se querendo livrar de alguma maldição que lhe caíra em cima:
- Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual é o vosso parecer? Digam logo e tirem esse homem daqui!!!
Os fariseus que ali estavam ávidos para condenarem Jesus, berraram extasiados:
- Merece a morte!!!
E como demônios cercaram Jesus cuspiram em sua face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas dizendo:
- Adivinha, ó Messias, quem lhe bateu?
Enquanto isso no pátio dos servos, uma das servas que ali estava se aproximou de Pedro e perguntou-lhe:
- Também tu estavas com Jesus, o Galileu?
Mas Pedro respondeu, negando o que ela falava:
- Não sei o que dizes.
Então, resolveu se dirigir ao portão de saída antes que fosse reconhecido, quando outra criada apontou para ele e disse:
- Este homem também estava com Jesus de Nazaré!
E aqueles que estavam ali levantaram-se e aproximaram-se de Pedro, para vê-lo melhor, e disseram:
- Sim, tu és daqueles que o seguiam, seu modo de falar te dá a conhecer. Tu és um galileu também.
Pedro, então, começou a gritar imprecauções, jurando que nem sequer conhecia aquele homem. Exatamente, naquele momento cantou o galo. E, Pedro recordou o que Jesus lhe dissera durante a ceia: “Antes que o galo cante, negar0me-á três vezes.” E Pedro adiu correndo fugindo, e chorou amargamente, arrependido de sua atitude covarde. (Mt. 26; 57-75; 14;53-72; 22:54-71 e Jo 18:13-25)
A primeira hora da manhã chegara (seis horas da manhã) e o Sinédrio, cuja maioria dos conselheiros temiam que Jesus como líder religioso pudesse vir a negar-lhes a própria legitimidade que tinham de governa o povo judeu, incitando uma tabelião contra a ocupação romana que dava-lhes o poder, decidiram que tinham que acusar Jesus não por uma violação da lei judaica, como blasfêmia contra o Templo ou coisa no gênero, cuja penalidade seria a morte, isso porque os romanos simplesmente não aplicavam a pena de morte por violação da lei judáica, apenas em caso de violação da lei romana. Deste modo a acusação de blasfêmia não moveria o governante indicado pelo imperador Tibério, a condená-lo a pena de morte. A argumentação legal, então, colocada por Caifás foi que Jesus não apenas era culpado de blasfemar contra o Templo, mas por ter se proclamado o Messias, como o rei davídico dos judeus, um ato de sedição, que era punido com a execução pela lei romana. 
Ora, como sabemos o trono da Judéia estava vago e era muito ambicionado por Herodes Antipas, que também estava no Palácio de Herodes, onde morava o governador Poncio Pilatos, para os festejos da Páscoa, arquitetava assim Caifás provocar a ira de Herodes Antipas e influenciasse assim, Pilatos em sua decisão. De modo que, muitos que apoiaram Caifás nessa trama não apenas eram fariseus como também secretamente partidários do movimento zelote liderado por Beit Shammai, de forma que a morte de Jesus abriria o campo para a insurgência com uma execução injusta por parte dos romanos. Apesar desta trama conspiratória, o plano não estava consagrado desde o princípio ao sucesso. havia uma chance que viesse a dar errado, e Jesus saísse inocentado de toda a situação, o que seria o fim para o sumo-sacerdote Caifás.
Logo ao início da manhã, sacerdotes a mando de Caifás acompanhados de guardas do Templo, ataram Jesus novamente e saíram na direção do Palácio de Herodes que ficava ao lado do Templo, o segundo edifício mais importante de Jerusalém após o Templo. Abrindo um parênteses, curiosamente no dia 5 de janeiro de 2015, foi anunciado pelo arqueólogo judeu Amit Re’em após 10 ano de escavações o encontro do pátio onde Jesus ficou prisioneiro na prisão do palácio e o possível local onde se deu o julgamento, que seria próximo a um dos portões do Palácio de Herodes, que foi incendiado em 66 a.C. pelos próprios judeus durante uma rebelião contra os romanos. 
Retornando ao julgamento, Jesus foi levado a Pilatos, mas os seus acusadores judeus não entraram no pretório da residência oficial do governador romano no palácio de Herodes, local em que se dava os julgamentos e as sentenças eram distribuídas, para não se contaminarem, contraindo a imundice legal de um edifício pagão, e assim poderem comer a Páscoa a hora do crepúsculo. Ficarão os judeus ao portão, e empurraram Jesus para dentro, sem se importarem que ele se contaminasse. Saiu Pilatos para ter com eles e postou-se próximo a Jesus, de quem muito já tinha ouvido falar, já que sua esposa Cláudia *(ou Procla segundo Docs. Apócrifos. III: 3 - Cartas de Pilatos a Herodes) era seguidora secreta de Jesus e tivera sonhos terríveis sobre a condenação de Jesus à crucificação, implorando ao marido que não o condenasse. Ora naturalmente, Pilatos fora também pego de surpresa quando os sacerdotes do Templo trouxeram Jesus atado como um criminoso para ele julgar, tal como sua esposa o tinha avisado. Logo Pilatos foi perguntando aos fariseus, apontando para Jesus:
- Que acusações trazeis contra este homem?
Responderam-lhe alguns dos sacerdotes:
- Se este não fosse um malfeitor, nós não o traríamos a vós.
Disse-lhes Pilatos querendo se livrar da responsabilidade do julgamento:
- Tomai-o e julgai-o vós mesmos, segundo a vossa Lei.
Responderam-lhe os judeus:
- Não nos é permitido matar a ninguém.
E puseram-se a acusar Jesus, dizendo:
- Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar impostos ao Imperador e dizendo-se o Messias e Rei dos Judeus.
Pilatos entrou no pretório e chamou Jesus e perguntou-lhe:
- És tu o Rei dos Judeus?
Jesus respondeu ao governador romano:
- Dizes isto por ti mesmo, ou foram os outros que disseram de mim?
Disse Pilatos:
- Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu-lhe Jesus:
- “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado, para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não deste mundo.
Perguntou-lhe então Pilatos:
- És portanto rei ?
Respondeu Jesus:
- Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade, ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos:
- Que é a verdade?…
Falando isso saiu de novo para falar com os sacerdotes, e declarou-lhes:
- Eu não acho neste homem crime ou coisa alguma para julgá-lo.
Mas os sacerdotes e fariseus insistiram fortemente dizendo:
- Ele revoluciona o povo ensinando por toda Judéia , a começar da Galiléia até aqui.
A estas palavras Pilatos perguntou se ele era galileu, e quando confirmaram que Jesus era da jurisdição de Herodes, viu Pilatos mais uma oportunidade de se livrar do fardo daquele julgamento que poderia lhe trazer péssima sorte como bem avisara-lhe sua esposa. E, assim, enviou Jesus para a outra ala do Palácio, onde Herodes ficava hospedado quando estava em Jerusalém. E parte da manhã já passara quando os sacerdotes e fariseus levaram Jesus à frente de Herodes, o tetrarca da Galiléia que condenara a João Batista, e que tanto desejara conhecer Jesus, que tinha curado o filho do seu mordomo, e cuja esposa Suzana era discípula em segredo de Jesus, e não cansava de falar dos maravilhosos milagres que Jesus fazia aos ouvidos do marido, que pedira a Jesus para curar seu filho.
Herodes alegrou-se por ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. Herodes fez muita pergunta a Jesus, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os sacerdotes a lançarem acusações contra Jesus e Herodes de modo nenhum queria se indispor com eles. Herodes viu por bem tratar Jesus com desprezo, e mandou o seus guardas revestirem Jesus com uma túnica branca, retirando suas vestes originais, e dando-lhe um manto purpura apenas usado pelos romanos e a nobreza judia, pois o material usado para tingir os tecidos de vermelho era muito caro, de modo que era uma cor só usada pela elite e não pelo povo. Herodes fez isso, para desafiar Pilatos com quem estava brigado, para obrigá-lo a fazer o julgamento, pois dera a Jesus roupas dignas de um rei judeu. E ordenou que os sacerdotes levassem Jesus novamente a Pilatos, e os sacerdotes se admiraram da astúcia de Herodes Antipas, e foram pelo caminho se congratulando que agora Pilatos seria obrigado a condenar Jesus à morte por sedição. Mas, quando chegaram à frente de Pilatos novamente no pretório, e disseram-lhe que Herodes tinha devolvido o Jesus para ser julgado por ele, a teimosia daqueles em condenarem o homem chamado Jesus, o irritara por demais, disse-lhes Pilatos:
- Apresentaste-me este homem como agitador do povo, mas interrogando-o não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois ele o devolveu para mim; portanto ele nada fez para que mereça a morte. Por isso soltá-lo-ei depois de o castigar.
Então, Pilatos chamou os seus guardas e ordenou que levassem Jesus para ser flagelado segundo o castigo de chibatas com pontas de ferro, com a ordem que depois o soltassem. Assim o fizeram os soldados romanos, que surraram Jesus e depois colocaram uma coroa de espinhos na cabeça e recolocaram suas roupas e o manto púrpura nas costas, e diziam com zombaria: “Salve o Rei dos Judeus!!!!” Eles já estavam prestes a soltar Jesus quando o vozerio do populacho se fez ouvir gritar nas ruas.
- SOLTEM BARRABÁS!!!! SOLTEM BARRABÁS!!! CRUCIFIQUEM JESUS!!! CRUCIFIQUEM JESUS!!!
Assim o faziam, porque a cada festa era costume que um preso judeu fosse solto pelo governante romano.
Ora, os sacerdotes e fariseus tinham ficado enlouquecidos por serem frustrados em seu plano de matarem Jesus. Sendo, já pela terceira hora *(nove da manhã), a notícia da prisão de Jesus se espalhara e todos os que o seguiam antes correram para se esconderem de medo de também serem presos, assim nas ruas só estava o povaréu miúdo de Jerusalém, que não sabia lá muito bem quem era Jesus. De modo que foi fácil assim para os ardilosos sacerdotes e fariseus organizarem uma manifestação popular na frente da residência de Pilatos clamando pela soltura de um outro prisioneiro, o zelote Barrabás, que naqueles dias tinha sido preso devido a uma revolta levantada na cidade seguido de homicídio e esperava o cumprimento da sua sentença de morte.
pilatos saiu no pórtico para falar com a multidão e disse-lhes:
- Eis que vou mandar trazer aqui fora, mas saibam que não encontrei nele nenhum motivo de acusação para que seja crucificado.
Então, os guardas de Pilatos trouxeram Jesus, com uma coroa de espinhos na cabeça, as vestes brancas respingadas de sangue e o manto púrpura nos ombros. Mas, quem poderia reconhecer o altivo Rabi que entrara no Templo e chicoteara os comerciantes das coisas sagradas, que veria nele o homem que parecia um rei sentado no seu corcel mesmo que fosse um jumentinho novo, quem diria que aquele homem com a face coberta de sangue que escorria dos espinhos cravados em sua testa pudesse ser a imagem angelical que salvara a tantos e trouxera outros à vida. Quem poderia reconhecer naquela massa disforme de carne com os olhos pairando em órbitas vazias como um animal sacrificado fosse o Messias!!!! Ninguém o reconheceria como sendo o Filho do Homem, o Filho de Deus, aquele que ali estava não passava de um pobre infeliz, perseguido pela sorte, abandonado da graça de Deus, um infeliz desgraçado igual a qualquer um que se rastejava nas ruas de Jerusalém implorando por comida e misericórdia. Era como um leproso coberto de chagas, de quem todos fugiriam e não iam por ele querer ser tocado.
Em seu silêncio Jesus contemplava o povo que se horrorizava com a sua aparência exterior e não podia lhe ver a alma, mas de sua boca um leve murmurar saia:
-“ Quem é aquele que vem… com as vestes tintas, envolvido num traje magnífico altaneiro na plenitude de sua força? Sou eu que luto pela justiça e sou poderoso para salvar. Por que, pois, tuas roupas estão vermelhas com as vestimentas daquele que pisa o lagar? Eu pisei sozinho o lagar e ninguém dentre os povos me auxiliou. Então eu calquei com cólera, esmaguei-os com fúria, o sangue deles respingou sobre o meu vestuário manchei todas as minhas roupas. É que eu desejava um dia de vingança, e o ano da redenção dos meus havia chegado. Olhei então, e não houve pessoa alguma para me ajudar; então apelei para o meu braço e achei forças na minha indignação. Por isso na minha cólera arrasei os povos, na minha fúria triturei-os, fazendo correr seu sangue pela terra.” (Is. 63: 1-6)
Sim, lá estava ele o Deus dos judeus tratado como o mais miserável e mais desprezível dos homens, pagando por pecados que em nenhum momento cometera, atraindo para si todos os pecados da Humanidade, para que aqueles que o viam soubessem e aprendessem sobre o que o pecado é capaz fazer ao corpo, como o pecado poderia destruir aquele templo dado por Deus... Todavia, apesar dos pecados humanos cobrirem seu corpo, eles não podiam tocar de maneira alguma o Espírito Santo de Deus que nele habitava. E se por fora Jesus parecia o mais miserável dos seres humanos, por dentro era ele o mais glorioso e luminoso de todos os seres viventes.
Apontando para Jesus, Pilatos disse aos sacerdotes, fariseus, seus guardas e a multidão que haviam juntado com eles e disse-lhes:
- Eis o homem!
Quando os judeus o viram começaram a gritar:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
Falou-lhes Pilatos:
- Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho culpa alguma nele.
Responderam-lhe os judeus:
- Nós temos uma Lei, e segundo esta Lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
Estas palavras impressionaram Pilatos, e entrou novamente com Jesus no pretório e perguntou-lhe:
- Donde és tu?
Mas Jesus não respondeu.
Pilatos então lhe disse:
Tu não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te soltar e para te crucificar?
Respondeu Jesus:
- Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso quem me entregou a ti tem pecado maior.
Ao ouvir isso de Jesus, Pilatos fiou andando de um lado para outro procurando uma forma de soltá-lo. No pórtico os sacerdotes gritavam para Pilatos ouvir:
- Se o soltares, não és amigo do Imperador, porque todo que se faz rei, se declara contra o Imperador.
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, pois era pavimentado de lajes, e Pilatos disse aos judeus:
- Eis o vosso rei!
Mas eles clamavam:
- Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Solte-nos Barrabás!
Pilatos replicou pela segunda vez:
- Mas que mal fez ele?
Eles clamavam mais ainda:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
Pilatos perguntou-lhes:
- Hei de crucificar o vosso rei?
Os sacerdotes responderam:
- Não temos outro rei senão César!
Pilatos viu que nada adiantava, mas que ao contrário, o tumulto crescia, como se aquela gente estivesse enlouquecida e fora do controle de si. Fez com que lhe trouxessem água, e lavou as mão diante do povo e disse:
- Sou inocente do sangue deste homem, Isto é lá convosco!
E todo o povo que ali estava naquele julgamento respondeu:
- Caia sobre nós o seu sangue e sobre os nossos filhos!
Pilatos entregou então Jesus a vontade deles para que fosse crucificado. E soltou-lhes o que eles reclamavam que tinha sido lançado ao cárcere. (Jo. 19; Lc. 23 e Mt 27)
Talvez se fosse possível àqueles cegos que ali estavam verem o que os olhos não podem enxergar e só alma pode ver, reconheceriam uma a poderosa luz que naqueles olhos faiscava entre as gotas de sangue e veriam o sorriso de escárnio e desprezo lançado àqueles que se faziam de justiceiros sem justiça nenhuma. Ah! Se pudessem ler o pensamento de Deus que ali refulgia como o sol próximo ao seu apogeu no céu e entendessem a razão das gotas do seu sangue que caiam ao chão e a terra bebia, pois de todas as palavras proféticas as mais importantes já se cumpriam:
“ Pasmai-vos e maravilhai-vos, obstinai-vos feridos de cegueira. Embriagai-vos, mas não de vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida. Porque o Senhor espalhou sobre vós o espírito de torpor, fechou vossos olhos e ocultou vossa inteligência.
A revelação de todos estes acontecimentos permanecem para vós como texto de um livro selado. Quando oferecem a um letrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: ‘Não posso ele está selado”; se o oferecem a um iletrado, pedindo que o leia, ele responde: ‘Não sei ler’. (Is. 29: 9:12)
NAO CHAMEIS CONSPIRAÇÃO TUDO AQUILO QUE O POVO CHAMA DE CONSPIRAÇÃO; NÃO VOS ASSUSTEIS. É O SENHOR QUE DEVEIS TER POR CONSPIRADOR; É ELE QUE É PRECISO RESPEITAR, A ELE SE DEVE TEMER.
ELE SERÁ A PEDRA DE ESCÂNDALO E A PEDRA DE TROPEÇO PARA AS DUAS CASAS DE ISRAEL, O LAÇO DE CILADA PARA OS HABITANTES DE JERUSALÉM. MUITOS DENTRE ELES VACILARÃO, CAIRÃO E SERÃO DESPEDAÇADOS, SERÃO PRESOS A LAÇO E CAIRÃO NA ARMADILHA.
Eu vou recolher essa declaração e a selar para os meus discípulos. Terei confiança no Senhor que se esconde da casa de Jacó e esperarei nele. (…) Não haverá aurora para aqueles não aceitam a Lei e o Testemunho (da Verdade). Andarão errantes pela terra, fatigados e esfomeados. Atormentados pela fome, agastar-se-ão e amaldiçoarão seu rei *(o Messias) e o seu Deus. Levantarão seus olhos, depois olharão para a terra e só verão misérias, escuridão e trevas angustiantes. Repetir-se-ão dentro da noite, pois não há trevas onde há angústia?” (Is. 8:12-23)
Alguns estudiosos do Jesus histórico se escandalizam com a possibilidade de Jesus ter tramado a própria morte, ficam assim pois em seu julgamento mundano segundo a ética humana isso seria um suicídio, um pecado contra a própria vida. Pensam assim, pois não acreditam que Jesus era o avatar de Deus, a própria Face de Deus na condição humana. Ora Jesus disse: ”Eu tenho poder de tirar a minha vida e a fazer retornar a mim.” Logo, Jesus é Deus, e sendo Deus é o Senhor da Vida, com poder de vida e morte sobre todos os seres vivos. Portanto, quem aqui lê esse relato deve considerar que não tratamos neste texto do Jesus “histórico” segundo a concepção restrita de sua condição humana, longe disso, o interesse presente é justamente demonstrar a divindade de Jesus, mais do que tudo revelar o imenso amor de Deus pela sua obra da criação, e sua especial compaixão e misericórdia pela condição humana, e seu profundo e imenso desejo inesgotável que o ser humano se erga de seu estado de condenado a escravidão do corpo para o novo estado de libertação e senhor do próprio corpo, do mesmo modo que ele o foi quando se manifestou em sua condição humana.
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 2 de março de 2016

JESUS, AMOR & FÉ - 48. A PRISÃO DE JESUS

JESUS, AMOR & FÉ *

48. A PRISÃO DE JESUS

O ribeiro de Cédron separava o Monte do Templo do Monte das Oliveiras, estendendo-se ao longo do muro oriental de Jerusalém. O ribeiro era normalmente seco, mas durante os invernos chuvosos possuía um fluxo continuo de águas e era dado a enchentes, por conta disso o vale também recebia o nome de Vale da Torrente do Cédron, O vale foi chamado pelo profeta Joel em 400 a.C de Vale de Josafá *(Jehoshaphat ou Yehoshafat), que quer dizer “O vale onde Javé julgará” ou apenas “o vale do julgamento de Deus” (Joel 4:2 e 12). Além disso ao sul do Monte do Templo, antigamente encontrava-se o “Jardim do Rei”, pois as terras eram de propriedade real dos reis de Judá, também em tempos idos os sacerdotes do Templo de Salomão tinham por costume lavar os utensílios impuros usados no Templo para os sacrifícios de modo a purificá-los, sobretudo no período pascal. Portanto era um local permeado de significados importantes, local perfeito para os próximos acontecimentos na vida de Jesus.
A Lua já ia alta quando Jesus saiu de Jerusalém com seus discípulos e tomou o caminho habitual para Betânia, mas naquela noite ao atravessar o ribeiro de Cédron não seguiu adiante como de costume e tomou o rumo do Jardim do Rei, local que também costumava frequentar, e entrou nele com os seus onze discípulos. Os discípulos permaneceram na retaguarda vigiando o local, enquanto Jesus ajoelhando-se e olhando para o céu enluarado rezou:
- Pai é chegada a hora, glorifica o teu Filho, para que teu Filho te glorifique a ti e para que pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que entregaste. Ora a vida eterna consiste em que te conheçam a ti, UM SÓ DEUS VERDADEIRO, e a Jesus, o Messias que enviaste. Eu te glorifiquei na terra.Terminei a obra que me deste para fazer. Agora,pois, Pai, glorifica-me junto a ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti antes que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu. Neles sou glorificado. Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo. Enquanto eu estava com eles eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Eu conservei os que me deste e não perdi nenhum, exceto o filho da perdição. Dirijo-te esta oração enquanto eu estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. Santificai-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os envio ao mundo. Santifico-me por eles para que eles sejam santificados pela verdade. NÃO ROGO SÓ POR ELES, MAS TAMBÉM POR AQUELES QUE POR SUA PALAVRA HÃO DE CRER EM MIM. PARA QUE TODOS SEJAM UM, assim como tu estás em mim, para que eles também estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. Dai-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amastes a mim. (Jo 17:9-26)
Terminando de rezar Jesus disse aos discípulos:
- Vamos! Aquele que me trai já está perto daqui! (Mt. 26-41)
Ora, Judas Iscariotes conhecia também aquele lugar, pois Jesus frequentemente ia lá com seus discípulos. Judas que fora ter com os sacerdotes do Templo para avisar do paradeiro de Jesus para que pudessem prendê-lo, recebera um pelotão de guardas do Templo para acompanhá-lo e fazer a prisão. Passando pela casa de José de Arimatéia e vendo que as lâmpadas tinham sido apagadas deduziu que Jesus tinha retornado à Betânia, onde normalmente se hospedava. Mas, indo pelo caminho viu de longe o grupo de Jesus e os discípulos indo na direção do Jardim do Rei. A essa altura, uma multidão se juntara para acompanhar a diligência querendo saber a quem os soldados do Templo iriam prender, e as pessoas murmuravam entre si dizendo que o “rabi galileu seria preso”, outros não acreditavam e arguiam “como seria possível o Messias ser preso?”
Judas Iscariotes se aproximava com os soldados e seguido de uma multidão com lanternas e tochas. Ele combinara com o chefe da guarda que aquele que ele beijasse na face seria Jesus. Assim Judas aproximou-se de Jesus beijou-o e disse:
- Salve, Mestre!
E Jesus disse-lhe:
- É, então, para isso que vens aqui?
Em seguida aproximaram-se dele os guardas e como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes:
- A quem buscais?
Responderam:
- A Jesus de Nazaré.
Respondeu-lhes Jesus:
- Sou eu. - E ao dizer isso os guardas recuaram como que empurrados por uma força invisível e caíram por terra. Perguntou-lhes Jesus pela segunda vez:
- A quem buscais?
E os guardas responderam:
- A Jesus de Nazaré.
Replicou Jesus:
- Ja vos disse que sou eu. Se é pois a mim que buscais, deixai ir estes.- E gesticulou em direção aos seus discípulos, para que nenhum assim fosse perdido por sua causa.
Simão Pedro que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo-sacerdote Caifás de nome Malco, que acompanhara Judas e a guarda do Templo, e decepou-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio e pegando a orelha que caíra no chão a colocou no homem e o curou imediatamente. E Jesus disse a Pedro:
- Enfia a tua espada na bainha! Porque todo aquele que fizer uso de uma espada pela espada morrerá! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu? Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras segundo as quais é preciso que seja assim?
Então Jesus virou-se para todos que ali estavam e vociferou:
- Saístes armados com espadas e lanças como se viésseis contra um malfeitor. Entretanto eu estava todos os dias convosco no Templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. Mas, tudo isso aconteceu para que se cumprisse os oráculos dos profetas.”
E mal acabou de dizer isso, os discípulos o abandonaram e fugiram. Então os guardas prenderam a Jesus e ataram as suas mãos e o levaram. (Mt.26:47-56; 14:43-50; Lc. 22:47-53 e Jo 18- 1-12).
  • Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.