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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

JOGO DE CULPAS

 JOGO DE CULPAS


BIA BOTANA


O jogo de culpas não diz respeito a ser culpado de algo, mas de fazer os outros se sentirem culpados por algum motivo qualquer que os faça sentir inferiores ou não adequados. 


O jogo de culpas é uma prática antiga, que deu ao decadente império romano uma nova roupagem e uma sobrevida milenar ao personificar a Igreja Católica Apostólica Romana. Apesar de Jesus, o Nazareno, o Senhor e Filho Unigênito de Deus, o Messias, ter vindo para tirar os pecados do mundo, perdoar a todos de seus erros e arrancar a culpa humana carregada desde o pecado original e sobretudo condenar os acusadores por castigar os pecadores, o jogo de culpa foi e é o maior ganha pão da Igreja Católica, assim como de TODAS as outras igrejas saídas dela com a título

de serem melhor do que a Igreja Mater que as originou, seja qual forma de protestantismo adotado sempre estará presente o uso do jogo de culpas, com acusadores com o dedo em riste, tal como no passado foi acusado o mais justo dos homens que andou na face da terra, Jesus. 


A passagem mais reveladora da perfídia do jogo de culpas é apresentado por Jesus quando uma mulher acusada de adultério estava prestes a ser apedrejada como mandava a lei levítica de Moisés. E, os judeus fariseus querendo colocar Jesus à prova, perguntaram a ele o que lhe parecia, se a mulher devia ou não ser apedrejada, e Jesus que estava a escrever algo riscando o chão com um graveto (Ah! Sim! Jesus sabia escrever e ler, o que lhe dava status de escriba e mestre naqueles tempos em que raras eram as pessoas versadas em letras, é bom não esquecer disso.), parando de escrever e olhando para eles, Jesus disse: “Atire a primeira pedra quem não pecou.” E Jesus voltou a escrever. Os homens após uma breve reflexão não atiraram nenhuma pedra e retiraram-se do local. Estando Jesus a sós com a mulher, então falou a ela: “Onde estão aqueles que a acusavam? Se eles não a condenaram, eu também não a condeno. Vá e não peque mais.” 


Minha curiosidade sempre foi querer saber o que Jesus estava escrevendo. E, hoje, eu tenho uma convicção absoluta que ele escrevia: “Porque misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (Oséias 6:6) Afinal, sempre foram muito raras as pessoas que se interessam em querer saber como Deus pensa, e, principalmente em querer aprender de vero com o conhecimento de Deus, a maioria se importa com o próprio pensamento, se acham sábias, se o fossem conheceriam a própria ignorância. 


Toda criança católica é educada com o jogo de culpas, pois Deus que tudo-sabe a está julgando e a culpando o tempo todo, Deus geralmente vira o bicho-papão, e possivelmente nasceu daí a ideia do “Big Brother” dos nossos dias, que vigia a todos e virou programa de grande sucesso televisivo pelo mundo, onde a prática do jogo de culpas manipula os participantes psicologicamente. Particularmente, eu não gosto deste programa, eu acho abusivo, e aqui no Brasil está na 26° edição transmitido pela TV Globo, o BBB está com estreia marcada para a próxima segunda-feira. dia 12 de janeiro de 2026. Fica para quem quiser ver o programa e identificar as mais diversas práticas do jogo de culpas. 


Se diz que católico nasce culpado, e que a culpa católica jamais abandona uma pessoa. Eu acho que é verdade. Eu luto contra essa culpa católica todos os dias falando o seguinte mantra para mim mesma:”Você merece o bem que recebe. Deus quer que você seja feliz.” Mesmo assim, ainda ela teima em surgir em pensamentos intrusivos e eu expulso-os com firmeza, sem o menor sentimento de estar errada. 


Eu sou especialista no jogo de culpas, pois fazer o que é certo sempre foi algo natural para mim, não tenho mérito algum por isso, e acho que por essa razão que vivo sendo chamada com desdém de “Madame Certinha” (“Lady Uptight”) ou de “Santinha” (“Little Saint”). Todavia, quando tudo mais dá errado para meus detratores e eles bem sabem vir atrás de mim pedindo para que eu conserte o malfeito deles. Eu acho muito curioso o comportamento desse tipo de gente, mas tenho aprendido a deixar que se virem e arquem com as consequências dos próprios atos, mas eu ainda tenho meus momentos de misericórdia e ajudo quando posso ajudar. Dada a essa experiência, eu reconheço o jogo de culpas desde o primeira jogada e aprendi a não entrar nele. Por isso as pessoas dizem que eu sou uma pessoa “difícil” de dobrar, resistente às críticas etcetera e tal. É verdade, sou mesmo, e, hoje ainda muito mais do que antes, eu não entro no jogo de culpas que tentam sempre armar para mim. Logo eu alerto aos desavisados: “– Não tentem me fazer sentir culpada de nada, porque não vou me sentir culpada e muito menos eu vou me desculpar por ser como sou, uma pessoa do bem e avessa a praticar o mal.” Isso não quer dizer que eu sou perfeita, longe disso, mas sempre dou o melhor de mim e tento me aperfeiçoar praticando o “vá e não peque mais” de Jesus cotidianamente, adotando o bom hábito de corrigir-me quando erro. Como escritora eu sei que um bom texto é feito de muitas correções e revisões, há que ter paciência com os próprios erros. 


Na política, os partidários da esquerda adoram praticar o jogo de culpa, o sujeito não pode ser rico que já é culpado por isso. Já os partidários da direita praticando o jogo de culpa dizendo que benefícios sociais é para gente vagabunda. Ambos os lados políticos estão errados, pois o rico não pode ser culpado por ser rico, mas, sim, por ser mesquinho e devia descobrir o prazer de fazer o bem e sentir-se bem por compartilhar sua prosperidade. Já os necessitados de auxílio social do governo deviam fazer uso dos benefícios ofertados enquanto fosse preciso e ter a dignidade de deixar de fazer uso deles quando não precisassem mais, para que outra pessoa pudessem ser beneficiadas. O bem agir pode estar tanto num lado político como no outro. Afinal podemos pensar de maneiras diferentes e ao mesmo tempo agirmos juntos para o bem comum, ou não podemos? Para vivermos coletivamente é preciso aceitar as regras pré-estabelecidas do contrato social que a rege. As regras da Lei são para todos e ninguém deve pensar que está acima da Lei. Eu gosto muito de ler as Epístolas de São Paulo, ou Paulo de Tarso, como queiram. Se Jesus foi o mestre, Paulo foi o legislador dos ensinamentos de Jesus. Não concordo com todas colocações de Paulo, mas com a maior parte. Paulo, cujo passado fariseu permeia seu pensamento, nos dá uma medida correta da Lei, ao analisar que aquele que vive segundo a Lei já faz uso dela e a necessidade da Lei se aplica mais a quem a transgride. O transgressor da Lei tem que arcar com as consequências de seus maus atos. Isto, não é uma questão de culpa aleatória, mas culpa comprovada pela justiça. Então, quero esclarecer que o jogo de culpas não se refere à culpa jurídicas, mas a outro tipo de coisa, se refere a manipulação psicológica.


Todo mundo uma hora ou outra adquire o seu “telhado de vidro” e quem atira pedras nos telhados dos outros, poderá eventualmente receber as mesmas pedras de volta. As pessoas deveriam pensar nisso antes de atirar a primeira pedra. 


Se o mundo hoje se reaproxima outra vez de uma terceira grande guerra é porque se está cometendo os mesmíssimos erros de antes, os erros de então não foram corrigidos e não estão sendo corrigidos agora. É bom que recordemos que foi um jogo de culpas bem jogado que colocou essa gente duvidosa e oportunista para exercer o poder e governar aquele que se diz o “mais poderoso” país do mundo e está a virar de cabeça para baixo as leis que regem a nossa sociedade, trazendo a instalação do caos a fim de exercer seu poder. Considerando que quem precisa praticar a autoafirmação constantemente demonstra mais  insegurança do que poder que possa possuir, pois a sabedoria comum ensina que o verdadeiro poderoso não tira a espada da bainha, impõem seu poder com fala baixa e não grita. Daí se dizer que quem muito grita não está com a razão. Então, não culpem este velho homem recalcado com complexo de deus, pois ele é fruto da má escolha do povo dele, que foi vítima da manipulação desse senhor e seu maléfico jogo de culpas.Mas, daí nós que não tivemos parte nessa escolha cairmos na infelicidade do jogo de culpas dele também, é  de muita falta de discernimento da nossa parte, não é não? 


Será que não há nenhum adulto na sala do cenário Internacional para colocar ordem no presente caos? Não terá alguém de coragem para chamar os líderes mundiais a terem um pouco de sensatez em vez de colocarem fogo nesta incendiaria fogueira de vaidades, que está se alimentando de toda essa gente insana que está vendendo suas almas para o diabo para serem ricos, famosos e poderosos, e se acham os tais e vão acabar na miséria do pó como todos viventes, mais dia menos dia?


Eu não acuso ninguém, eu não culpo ninguém da atual nefasta circunstância que ameaça toda a humanidade e a nossa essência humana que faz sermos quem somos, eu busco entender como chegamos a este ponto, pois não acredito que o destino humano seja a autodestruição com bombas atômicas, tipo “little boy”, lançada pelos norte-americanos sobre um povo civil indefeso em Nagasaki, só para que o Japão não se rendesse à União Soviética (Rússia) e, sim, aos Estados Unidos. A primeira bomba atômica não foi lançada para acabar com a Segunda Guerra, em 1945, isto é a lenda que criaram como desculpa e virou “História”, mentirosa, mas ainda é História. Não, eu não culpo ninguém, pois buscar culpados nunca e jamais resolve nada. Eu julgo para ter consciência do certo e do errado, a fim de praticar o bem para mim e para os outros, combatendo como posso a insensatez deste tempo turbulento, para que alguns escapem da desgraça e encontrem refúgio para sua consciência além do amanhecer por mais um dia. É preciso buscar soluções, é preciso mudar o comportamento que se tem frente à adversidade e ao que é de contrário ao progresso civilizatórios que almejamos para o futuro da humanidade, mas, mais do que tudo, nós precisamos acabar de vez com esse jogo de culpas que nos faz tanto mal.

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