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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

SÓ (alone)

 SÓ (alone)


BIA BOTANA


A sociedade patriarcal em vigor há milênios, que constitui a família como célula mater do tecido social, entrelaçando famílias com objetivo de as tornar mais fortes e poderosas, teve o início de seu enfraquecimento a partir do emprego da mão de obra feminina assalariada no decorrer das duas grandes guerras mundiais, na primeira metade do século XX. A mudança social que passou a ocorrer contou também com o apoio ao proletariado do sistema comunista, que deu às mulheres uma libertação de suas obrigações familiares. 


Mas, foi na década de 1960, justamente para dar às mulheres mais capacidade de trabalho, que a indústria farmacêutica norte-americana introduziu a pílula anticoncepcional, dando à mulher sua “liberdade sexual”. Porém, é preciso esclarecer que não foi uma escolha das mulheres, mas uma imposição masculina, pois tal liberdade feminina dava aos homens a possibilidade de terem sexo gratuito – sem terem que casar ou de pagarem por isso –, além do que afastava a possibilidade de gestações indesejadas.


Foi após s década de 1960, pós pílula anticoncepcional portanto, que em 1970, se deu o advento do chamado “amor livre”, dando início ao que ficou conhecido como  guerra dos sexos”. Sutiãs seriam queimados em praças públicas, mulheres se disseram donas do próprio corpo e passaram a fazer sexo com a mesma liberdade que os homens. E a partir disso emergiu a filosofia do “feminismo”. Mas, para falar a verdade as mulheres não faziam a menor ideia do que realmente acontecia nas cabeças de cima dos homens e menos ainda com os mistérios da sexualidade masculina da debaixo. Imaginem um mundo em que o sexo foi mantido como tabu e tudo acontecia literalmente por debaixo dos panos! Não se falava a respeito de sexo no seio das famílias patriarcais, e ponto. Só os homens dominavam, muito mal aliás, tal assunto sigiloso. 


Eu acredito que a maior revelação para as mulheres foi que grande parte dos homens era homossexual e que, quando eles começaram a sair do “armário” como se diz, muitas mulheres ficaram tão chocadas que não conseguiram mais se relacionar com homens sem pensar que eles poderiam as trair, não com outra mulher, mas com outro homem. Ficou tudo tão escancarado homem com homem, mulher com mulher, que homem com mulher deixou de ser o normal. 


Foi um tempo de muita incerteza sexual, pois recebia-se uma educação rígida patriarcal e de um momento para outro ganhou-se as asas da liberdade sem ter aprendido a voar. Com o decorrer do tempo a excitação inicial de descobrir a própria sexualidade ao tirar o véu do mistério do sexo, fez com o seu encanto se perdesse. É inegável que sexo pode ser maravilhoso, pode levar ao êxtase, mas nem sempre o é. Eu costumo dizer que o sexo dura só vinte minutos e o dia tem 24 horas, sua importância vai depender da qualidade, sexo por sexo pode não satisfazer, logo, para uma pessoa com libido normal sexo demais pode até enjoar, e em vez de causar atração causa justo o oposto, repulsa. 


E foi o que aconteceu, após décadas de liberdade sexual de todos os tipos e maneiras, bateu um tédio, e foi se descobrindo que nem sempre a felicidade que se almeja não está no outro, mas em si mesmo. 


Foi mais precisamente com a Pandemia, a partir de 2020, em que as pessoas tiveram que ficar isoladas socialmente, com cada uma no seu quadrado durante o Lockdown, que muitas pessoas se viram frente a necessidade de descobrir como se viver só; tendo que aprender a viver sozinhas, tendo que encarar a tão temível solidão, aquele estado down de se sentir solitário, e o que encontraram em vez disso foi a solitude; o prazer de estar só e de ter a oportunidade de ter tempo de sobra para desenvolver

autoconhecimento e usufruir de uma tranquilidade reveladora de que o sua melhor amizade, afinal, é você mesmo. 


Isto foi uma revolução, pois muitas pessoas aprenderam a viver sozinhas e gostaram tanto de ser só que não voltaram a se relacionar como antes, porque depois de algum tempo vivendo solitárias descobriram que se relacionar com outra pessoa dá muito trabalho, vive-se em constantes crises discutindo a relação e o custo é caro demais, financeiramente e emocionante. Já a liberdade de ser o que se quiser ser sem constantes críticas, cobranças e exigências, era capaz de tornar a vida mais fácil e menos conflituosa, inclusive muito mais feliz. Porquanto a felicidade não estava em outras mãos, mas nas próprias mãos. Após adquirir o controle da própria felicidade de fato fica muito difícil abrir-se mão dela. 


O aumento do número das pessoas jovens que optaram por viver sozinhas e não constituir família está causando uma preocupação desmedida e ficcionista dos governos, que dizem que com o envelhecimento da população e o decrescimento da contribuição de impostos para previdência social dos contribuintes jovens, haverá um déficit orçamentário, pura desculpa para continuar escoando pelos ralos governamentais as verbas que deviam ir para o serviço social e simplesmente não vão! Fechem as torneiras da corrupção que terăo dinheiro mais do que de sobra! A bem da verdade a diminuição da população humana mundial de mais de 8 bilhões de pessoas, na grande maioria pobres e miseráveis, seria muito bem vinda, pois asseguraria uma melhor distribuição de renda e menos desigualdade. Os governos fariam bem se deixassem a hipocrisia de lado e tivessem ações mais pragmáticas como um programa sério de controle de natalidade.


Eu me irrito muito quando na hora do meu almoço passam na TV os mesmos anúncios de de dez anos atrás com criancinhas famintas, sobretudo da África, pedindo doações. Como se eu tivesse culpa! Faça-me o favor, se em mais de dez anos o problema não foi solucionado é certo que as milhares de doações não serviram ao seu propósito. Por que ninguém apresenta resultados de suas filantropias? Por que a situação dos necessitados só piora em vez de melhorar? Resposta: enquanto o ser humano continuar se reproduzindo mais do que os ratos, a situação não vai mudar nem em mil anos! Não usei como exemplo os coelhos porque ratos se reproduzem muito mais, é só perguntar aos parisienses e aos nova-iorquinos. 


Seja no Japão, na China, no Europa ou nas Américas, a cada vez mais alertas dramáticos de que viver só ocasiona doenças, diminui a expectativa de vida e aumenta a incidência de doenças mentais. Quanta mentira! 😂 O último terrorismo foi o aplicativo chinês “Você está morto?”, não podia ser “Você está vivo?” (Link ⬇️ em Referências) É o temor que a pessoa só causa aos demais desde sempre. 


Afinal, aquele que consegue viver sozinho é independente e por isso mais “perigoso”. É verdade, a pessoa só tem a verdadeira dimensão de quem é, aprendeu a conhecer a si mesmo, conhece as próprias fraquezas a ponto de ter domínio sobre elas. Não é uma pessoa carente, sabe controlar suas emoções e, principalmente, aprendeu a julgar as pessoas com uma aguçada perspicácia, a possibilidade de ser enganado ou manipulado por outro ser humano é zero.


Os solitários são o terror daqueles que gostam de exercer o poder sobre os outros. Pois, quem o solitário sabe que o verdadeiro poder se exerce “com” os outros. 


Todavia, a pessoa só não é uma reclusa, antes ela se relaciona muito bem com as outras pessoas. Ela tem mais compreensão e possui franqueza de propósito. E, se o amor por acaso surgir será bem recebido, pois o que ela busca para amar é uma pessoa inteira como ela própria. Não busca completude, mas, sim, a soma e o compartilhar de experiências. 


Pessoas inteiras não estabelecem relações doentias de dependência, nem são dadas a caprichos, chantagens emocionais ou manipulações. As pessoas inteiras são bem resolvidas, não possuem medo de ficar sózinhas, pois encontram prazer na própria companhia e vivem seu dia a dia valorizando cada momento. 


Eu compreendo que a fragmentação da estrutura social patriarcal, geradora de constantes dependências entre seus membros, e o fim da família tradicional, com o peso do seu fardo de constantes cobranças e, quando não, com seus brutais abusos psicológicos, deve mesmo causar temor aos apegados ao passado e aos relutantes de se engajarem na nova revolução trazida pelos solitários. Esses indivíduos sozinhos considerados de longe tāo estranhos  e que de perto assustam mais ainda pela surpreendente normalidade, só mostram à excelência de vida que conquistaram com a própria independência, e por isso são temidos por aqueles que na verdade os invejam, que gostariam de ser livres mas não possuem coragem de ser. 


De certo os solitários são muito mais fortes, por terem superado a necessidade de pertencimento, para assim saberem quem são realmente. Sozinhos aprenderam que liberdade não é libertinagem, assim como que amar a si mesmo é autoestima e autorrespeito, e não narcisismo. E que a solidão pode se sentir a dois ou no meio de uns e de outros, que nada pior que a solidão imposta que aprisiona e dói. Mas, o estar só voluntário é o prazer da leveza de ser quem se é, descobrindo  na solitude a calma que o coração gosta de ter. 


Imaginem, a transformação revolucionária que os felizes solitários poderão fazer neste mundo, pois há uma única verdade, pessoas felizes não fazem mal a ninguém. 🦋


Referências 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2ge42pzlwo


'Você está morto?': O aplicativo para jovens solitários que viralizou na China

13 janeiro 2026


Um novo aplicativo de telefone celular com aparência sombria tomou a China de surpresa. Seu nome: Você Está Morto?

O conceito é simples. Você precisa fazer check-in a cada dois dias, clicando em um grande botão na tela do celular, para confirmar que está vivo.

Se não o fizer, ele avisará o contato de emergência que você indicou, informando que você pode estar com problemas.

O aplicativo foi lançado sem muito alarde em maio do ano passado. Mas a atenção em torno dele explodiu nas últimas semanas.

Muitos jovens chineses que moram sozinhos nas cidades do país baixaram e instalaram o aplicativo em massa. Com isso, Você Está Morto? passou a ser o aplicativo pago mais baixado na China.

Institutos de pesquisa indicam que, em 2030, poderá haver até 200 milhões de pessoas morando sozinhas no país asiático, segundo o portal estatal chinês Global Times.




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