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domingo, 15 de novembro de 2015

JESUS, AMOR E FÉ - 18. A REVELAÇÃO DAS BODAS DE CANÁ

JESUS, AMOR & FÉ *


18. A REVELAÇÃO DAS BODAS DE CANÁ


Em certo dia celebrava-se em Caná o casamento de aparentados da família de Jesus, e sua mãe Maria estava lá hospedada. Caná era pertinho de Nazaré e lá se chegava numa rápida caminhada. Jesus era convidado para as bodas e o convite foi estendido também aos seus novos amigos, que passaram a acompanhá-lo naqueles dias onde quer que ele fosse. Jesus gostava por demais de uma festa, pois tinha um temperamento muito alegre, e ele não negava essa sua peculiaridade, chegando a rir quando o chamavam de beberrão e comilão (Mt. 11:19). Ele não gostava de quem não sabia se divertir na ocasião oportuna, de gente que tendo música para dançar e não dança e em vez de cantar verte lamentações, pois ao seu ver a falta de alegria era tão vulgar quanto lamentações excessivas, pois ambos casos demonstram um coração frio e uma mente calculista. 

A festa estava animada, quando sua mãe se aproximou dele para o avisar que o vinho acabara. Jesus despreocupado disse a ela que nem ele nem ela tinham nada a ver com a falta de vinho, pois não eram os anfitriões da festa, nem os donos da casa. Mas, Maria fez aquela cara de mãe desapontada que sabe que o filho tem como resolver aquele constrangimento para amigos tão queridos. Afinal, se não tivesse mais vinho a festa logo se acabaria e, pior, os convivas sairiam falando mal da festa, dizendo que os anfitriões não receberam com a largueza devida para as bodas. Jesus sabia disso, e olhou nos olhos de sua mãe querida e alertou-a dizendo: “Minha hora ainda não chegou.” Mas, Maria que compartilhava o segredo divino do filho, olhou-o mais profundamente nos olhos e meneou a cabeça como a dizer: “Acho que já chegou, sim, meu filho amado.” A este segundo olhar Jesus não discutiu mais, e como filho obediente que era seguiu atrás da mãe até onde estavam os serventes. Ela disse aos empregados: “Fazei como ele vos disser.” 

Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra que tinham sido usadas para as purificações. Isso porque os judeus apegados à tradição não comiam sem fazer abluções das mãos, de forma que as talhas estavam com água da lavagem das mãos, algumas estavam cheias pela metade e outras com um terço dessa água impura. Jesus ordenou aos serviçais para que enchessem as talhas até a boca do vasilhame com água limpa. Depois disso Jesus ordenou a um dos serventes que enchesse uma taça com o líquido de uma das talhas e a levasse ao chefe dos serventes para experimentá-la. Quando o chefe dos serventes provou a água que se tornara vinho sem saber de onde ele viera, disse: “É costume servir primeiro o vinho bom , e depois, quando os convidados já estão quase embriagados servir o menos bom. Mas, tu guardaste o vinho melhor até agora.”

Esse foi o primeiro milagre de Jesus, contudo, apesar de ser aparentemente tão singelo é permeado de um simbolismo oculto, de verdades veladas e de uma fina ironia. Lembram-se quando o Senhor disse a Isaías: “É o Senhor que vós deveis ter por conspirador; é a Ele que é preciso respeitar, a Ele se deve temer” (Is.7:13) ? Pois bem, aqui podemos ver quão sutil é a inteligência divina a ponto de confundir até o mais sábio entre os sábios.

O costume de lavar as mãos e os pés teve seu início segundo o livro do Gênesis quando o Senhor disse a Moisés que os sacerdotes e os levitas deveriam “lavar os pés e as mãos para não morrerem e Isto será para eles uma lei perpétua de geração em geração” (Êxodo 30:17-21)

Segundo o Evangelho de São Marcos fica-se sabendo que esse era um costume antigo da tradição judaíca e que os fariseus tomavam essa prática como um principio indiscutível, tanto que haveria de ser causa de discussão acalorada com Jesus. Escreveu Marcos: “Os fariseu e alguns dos escribas vindos de Jerusalém (* pois o caso se deu em Genesaré), tinham se reunido em torno dele. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é sem as lavar. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegados à tradição dos antigos não comiam sem lavar cuidadosamente as mãos; e quando voltam do mercado não comem sem ter feito abluções; e há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal). Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: “Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?”Jesus disse-lhes : “Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (Is. 29:13). Deixando o mandamento de de Deus , vos apegais a tradição dos homens. E Jesus acrescentou: Na realidade invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição." (Mar. 7:1-9) “Nada há fora do homem que entrando nele, o possa manchar , mas o que sai do homem, isso é o que o mancha o homem. A bom entendedor meia palavra basta!” (Mar. 7:15)

Mas, o texto que Jesus cita de Isaías ainda é mais esclarecedor se lido em seu contexto completo:
"Pasmai-vos e maravilhai-vos, obstinai-vos, feridos de cegueira. Embriagai-vos, mas não de vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida. Porque o Senhor espalhou sobre vós o espírito de torpor, fechou vossos olhos e cobriu vossas cabeças. A revelação de todos estes acontecimentos permanecem para vós como o texto de um livro selado. Quando o oferecem a um letrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: “Não posso, o livro está selado”; se o oferecem a um iletrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: “Não sei ler”. O Senhor disse: 'Este povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim e o temor que ele me testemunha é convencional e rotineiro, por isso continuarei a tratar esse este povo de modo tão estranho que sabedoria dos espertalhões se perderá e a inteligência dos astutos desaparecerá' Aí daqueles que querem esconder do Senhor seus desígnios que fazem intrigas nas trevas…” (Is. 29:9-15)

Durante toda a pregação de Jesus veremos as parábolas sobre a vinha, e como essas parábolas vão revelando quem Jesus é e a disposição de Deus em relação aos judeu. Isso também foi escrito pelo profeta Isaías, e conhecendo-se as palavras dos versos do profeta pode-se compreender a amplitude do significado do milagre que transformou a água “impura”, que estava em vasos de pedra e não de cerâmica como seria o usual, para o vinho, acrescentando apenas água “pura”, no melhor vinho que já tinha sido servido durante as bodas. Escrevera Isaías sobre a vinha:

“Eu quero cantar o canto do meu bem-amado sobre a sua vinha. Meu amigo possuía uma vinha num outeiro fértil. Ele a cavou e tirou dela as pedras; plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio e construiu aí um lagar. E contava com uma colheita de uvas., mas ela só produziu argaço. (…) A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel e os homens de Judá, são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado, esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.” (Is. 5;1,2, 7)

“Naquele dia se dirá: Cantai a bela vinha! Eu o Senhor sou o vinhateiro, no momento oportuno eu a rego, a fim de que seus sarmentos não murchem. Dia e noite eu a vigio, nada tenho contra ela. Se nela crescerem sarças e espinhos, eu lhes farei guerra e os queimarei a todos a menos que se coloquem sob a minha proteção , que façam paz comigo, que façam comigo a paz! Um dia Jacó lançará raízes, Israel produzirá flores e botões e eles cobrirão o mundo de frutos.” (27: 2-3)

Há uma decepção de Deus com o resultado da sua vinha, mas há também uma esperança muito grande de salvá-la e torná-la algo muito melhor. Na passagem do milagre em que Jesus transforma água em vinho, a água impura e suja representa os pecados dos judeus, assim, quando Jesus coloca as águas puras nas talhas com águas impuras, é como se juntasse água milagrosa que transformou os pecados dos judeus em vinho, ou seja transforma o mal num bem. Pois esse é o poder do bem divino: transformar o mal num bem maior. Pois como Jesus disse: “ Sois também vós ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não pode o tornar impuro, porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre, e dali segue sua lei natural?” - Assim ele declarava puros todos alimentos. E acrescentava: “Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos, devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraude, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem."(Mar. 7:17-23)

E, foi assim, que Jesus fez o seu primeiro milagre repleto de sabedoria, e demonstrando o quanto o pensamento humano está longe da inteligência divina. “Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não são os meus, diz o Senhor., mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos.” (Is. 55:8-9)

Portanto, quando ocorreu outra disputa por causa que os discípulos de João e os fariseus jejuavam e os dele não Jesus disse: “Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto tem consigo o esposo, não lhes é possível jejuar. Dias virão porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão. (…) E ninguém põe vinho novo em odres velhos: se o fizer, o vinho os arrebentará, e perder-se-á juntamente com os os odres; mas para vinho novo, odres novos.” (Mar. 2: 19,20 e 22) Em caso de falta de odres novos, que sejam talhas de pedra,  pois assim não thá perigo que se rompam, não é Jesus?

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 17. OS ESCOLHIDOS DE JESUS

JESUS, AMOR & FÉ *


17. OS ESCOLHIDOS DE JESUS


Ora, os discípulos de João vendo a reverência que ele demonstrava com Jesus estranharam a sua atitude o questionaram: “Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão de quem tu deste testemunho ei-lo que ele está batizando e todos vão ter com ele. João replicou: “Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu. Vós mesmo me sois testemunhas, de que disse: Eu não sou o Messias, mas fui enviado diante dele. Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se, sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa. IMPORTA QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA.”

"Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho. Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas. O Pai ama o seu Filho e confiou-lhe todas as coisas. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus. “ (Jo 3: 26-35)

Quando pois, Jesus ouviu que João fora preso, retirou-se para a Galiléia. E estando nas plagas de Cafarnaum, à margem do lago da Galiléia, nos confins de Zabulon e de Neftali, cumpriu as palavras de Isaías que disse que no passado o Senhor humilhou aquela terra mas que no futuro cobrirá de honras o Caminho do mar (Is. 9:1). Assim, caminhando ao longo do mar da Galiléia , ele viu dois irmãos, Simão e André, que eram pescadores e lançavam a rede no mar. Jesus deles se aproximou e falou-lhes: “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens”. (Mt.4:12-18). 

Ora, André irmão de Simão era um dos dois que tinha ouvido o testemunhos de João e seguira a Jesus no Jordão. Depois, ele tinha ido a procura do irmão e dissera-lhe: “Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo, o Ungido). André apresentou Simão à Jesus, e Jesus fixando nele o olhar disse: “Tu és Simão, filho de João, serás chamados ‘Cefas’ (que quer dizer Pedra). “ (Jo 1: 40-42) E assim, Simão passou a se chamar Pedro. E deu-lhe esse apelido carinhoso mais porque Simão era um "cabeça-dura", bastante teimoso, mas suficientemente perseverante para ser uma "pedra angular" para marcar a edificação do ministério de Deus na Terra para todas as nações. Simão simboliza a mente dominada apenas pela razão, que não aceita os ensinamentos da alma, manifestos através dos sentimentos amorosos do coração. Por essa razão Pedro será um personagem crucial para a compreensão do que acontece com Jesus, pois todos nós, querendo ou não somos muitas vezes durante a nossa existência como Pedro.

André tinha por companheiro seu amigo Filipe quando seguia João o Batista. Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro (Jo 1:43). E André chamou a Filipe e o apresentou a Jesus. Mais adiante Jesus encontrou com Zebedeu que estava consertando suas redes em companhia de seu filhos com Maria Salomé, irmã de sua mãe; Tiago (Maior) e João. Salomé foi parteira de sua irmã Maria e acompanhou o recém nascido Jesus ao Egito, razão pela qual privava de grande amizade com Jesus, pois o conhecia desde o nascimento. E sendo eles seus primos-irmãos e chamados por Jesus largaram o que estavam fazendo e o seguiram. E, Jesus colocou em Tiago (Maior) e João o nome de “Boanerges”, que quer dizer filhos do Trovão (Mc 3:17), porque Zebedeu ao falar soava como se trovejasse e tinha um temperamento altivo e zeloso.

Os irmão de Jesus, filhos do primeiro casamento de José, também passaram a seguí-lo, eram eles: Tomé (o Didimo - Gêmeo) e Judas, o Tadeu (* o filho menor de José que viveu desde pequeno com Maria e acompanhou Jesus ao Egito), assim como seus primos Tiago (Menor) e Simão, o Zelador (ou Zeloso, também chamado de Cananeu) filhos de Maria de Cleofas (ou de Alfeu), prima irmã de Maria por parte de José. Assim, quatro dos 12 discípulos eram parentes segundo a carne de Jesus. Os discípulos pescadores em número de quatro também possuíam laços de amizade com a família de Jesus.

Os discípulos vindos de fora do seu círculo próximo foram: Mateus (o publicado, também chamado Levi, o cobrador de impostos) a quem Jesus chamou para seguí-lo estando nas proximidades do mar da Galiléia e ele largou tudo que estava fazendo e seguiu Jesus. (Mr. 2:12-14); Judas Iscariotes que seguia João Batista;  Filipe, discípulo de João Batista e amigo de André, e Natanael de Caná (ou também chamado de Bartolomeu) que foi apresentado por Filipe à Jesus, segundo São João (Jo 1:45-51). Porquanto, Filipe encontrando Natanael, dele se aproximou dizendo: "Achamos aquele que Moisés escreveu na Lei e que os profetas anunciam: é Jesus de Nazaré, filho de José."  

Ora, antes de prosseguir é preciso esclarecer a natureza do "Profeta" prometido à Moisés, para compreender perfeitamente essa passagem de Natanael. Moisés escrevera no livro sagrado do Deutoronômio: "O Senhor teu Deus te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que deves ouvir. Foi o que tu mesmo pediste ao Senhor, teu Deus em Horeb, quando lhe disseste no dia da assembléia: Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra! - E o Senhor disse-me: Está muito bem o que disseram: eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos; pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas ordens. Mas, o que se recusar ouvir o que ele disser da minha parte, pedir-lhe-ei contas disso. O profeta que tiver a audácia de proferir em meu nome uma palavra eu lhe não mandei dizer, ou se atrever a falar em nome de outros deuses, será morto. Se disseres a ti mesmo: Como posso distinguir a palavra que não vem do Senhor? - Quando o profeta tiver falado em nome do Senhor, se o que ele disse não se realizar, é que essa palavra não veio do Senhor. O profeta falou presunçosamente. Não o temas." (Deu. 18: 15-22). Ora, o conhecimento dessa profecia de Moisés é crucial para que se entenda por qual motivo os Sacerdotes do Templo e os fariseus buscavam pegar Jesus em erro em suas palavras, para que assim pudessem justificar seu ato homicida. 

Ao ouvir Filipe se referir às palavras de Moisés, Natanael respondeu: "Pode porventura vir coisa boa de Nazaré?", dizendo isso pois a profecia de Miquéias (5:2) dizia: "Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." 

Filipe retrucou-lhe: "Vem e vê." Jesus vê Natanael que lhe vem ao encontro e diz: "Eis um verdadeiros israelita, no qual não há falsidade." Jesus disse isso, porquanto Jacó antes de sua disputa com seu irmão gêmeo Esaú para atravessar o Jordão e voltar para a região de herança paterna de Abraão, teve uma noite insone em que lutou com alguém até a aurora. E vendo o homem a persistência de Jacó inquebrantável, tocou-lhe na articulação da coxa, mas Jacó continuou lutando e o homem desejou partir, mas Jacó falou que não o deixaria partir até que ele o abençoasse. Então o homem perguntou o nome daquele que pelejava incansavelmente com ele e Jacó respondeu: "Jacó". Então o homem lhe disse: "Teu nome não será mais Jacó, mas ISRAEL, porque lutaste com Deus e com os homens e venceste." Ao ouvir isso Jacó admirado quis saber o nome daquele com que lutara quase até ao raiar da aurora, e o homem lhe disse: "Porque queres saber o meu nome?" e dizendo isso abençoou Jacó. Que imediatamente após a benção disse a si mesmo: "Chamarei esse lugar de 'Fanuel', porque eu vi Deus face a face, e conservei a vida". Pois, a tradição dizia que quem visse Deus face a face morreria. (Gen. 32:24-31) 

Natanael ouvindo Jesus perguntou-lhe donde ele o conhecia, e Jesus disse que antes que Filipe o chamasse ele já o tinha visto sentado debaixo da figueira, certamente foi o próprio Jesus que inspirara Filipe a ir chamar Natanael, pois todo discípulo de Jesus por ele é 'escolhido', antes de ser chamado, por isso Jesus diria que escolhera seus discípulos do mundo (Jo 15:19) e sendo eles escolhidos, deixavam de ser do mundo. 

Sentindo na alma que Jesus lhe perscrutara o seu coração Natanael disse Jesus: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel" E tomado de êxtase prostrou-se perante Jesus que tomando-lhe as mão o ajudou a levantar e olhando nos olhos de Natanael sorrindo disse-lhe: "Porque eu te disse que te viste debaixo da figueira crês? Verás coisas maiores do que estas. Em verdade, em verdade vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem." (Jo 1-51) Tal como o sonho de Jacó: " E teve um sonho: Via uma escada, que apoiando-se na terra, tocava como o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor, que lhe dizia "Eu sou o Senhor", o Deus de Abraão, teu pai e o Deus de Isaac: darei a ti e a tua descendência a terra em que estás deitado. Tua posteridade será tão numerosa como os grãos da poeira do solo; tu te estenderás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o meio-dia, e todas as famílias da terra serão benditas em ti e em tua posterioridade. Estou contigo , para te guardar onde quer que fores, e te reconduzirei a esta terra e não te abandonarei sem ter cumprido o que prometi." Jacó despertou do sono cheio de pavor, tendo consciência que a terra era a cada de Deus, e no lugar que dormira ergueu uma pedra, uma estela, para demarcar e a ungiu com óleo dizendo: "A este lugar chamado Luz, dou o nome de Betel, que quer dizer "casa de Deus", e dizendo isso fez um voto: "Se Deus for comigo e Deus me guardar, me der pão, me vestir e me fizer retornar em paz para a casa do meu pai, então o Senhor será o meu Deus". (Gên. 28:12-22).

Como podemos notar há sempre um propósito nas atitudes de Jesus, nada é por acaso, fruto da coincidência. Do mesmo modo a escolha de Judas Iscariotes teve o seu propósito quando se toma conhecimento da discrição das seitas em vigor ao tempo de Jesus, que eram quatro: a dos fariseus, dos saduceus, dos essênios e dos zelotes. Havia naquele tempo segundo Flávio Josefo lideres que incitavam o povo à rebelião, porquanto diziam que os romanos queriam levar os judeus à escravidão e que eles não deviam esperar que Deus lhes fosse favorável se da parte deles não fizessem tudo o que era possível. Um tal de Judas, o Galileu, fundou uma quarta seita, a dos zelotes, que em tudo estava de acordo com os fariseus, afirmavam que havia um só Deus, ao qual se deve reconhecer por senhor e por rei. Os seguidores dessa seita tinham um amor ardente pela liberdade, que não haviam tormentos que não sofriam e que não deixavam sofrer as pessoas mais caras, antes de que dar a quem quer que seja o nome de Senhor e de Mestre, era impossível expressar até que ponto ia a incrível paciência e desprezo pelas dores dos fanáticos dessa seita. O povo judeu ficava tão impressionados com as palavras desses líderes seguidores dessa seita, que preparavam secretamente a rebelião. "A perturbação era suscitada por todos os lados. Eram assassínios e latrocínios; saqueava-se e roubava-se tanto a amigos indiferentemente, como a inimigos, com o pretexto de se defender a liberdade pública; matava-se pelo desejo de enriquecer às pessoas mais ilustres e ricas; a raça desses sediciosos chegou a tal excesso de furor que , uma grande carestia que sobreveio, não pode impedir que eles atacassem as cidades e derramassem o sangue de seus compatriotas; viu-se o fogo dessa cruel guerra civil levar suas chamas até o templo de Deus, tão perigoso é querer subverter as leis e os costumes do próprio país." (História dos Hebreus, Livro XVIII, Capítulos 1 e 2). 

Como poderemos constatar Judas Iscariotes se fará um perfeito adepto dessa seita que causou tanta má impressão ao historiador judeu a ponto de culpá-la pelas calamidades que sobrevieram sobre o povo judeu a partir de 70 d.C., que levaria à Terra Prometida à ruína. 

Esses são os 12 discípulos históricos, mas Lucas nos conta que além deles Jesus veio a ter 72 discípulos, os quais mandou-os dois a dois, adiante dele para todas as cidades e lugares para onde iria, e a estes Jesus também daria o poder de fazer milagres e teriam os nomes deles escritos nos céus. (Lc. 10: 1, 17 e 20)

Contudo, além desses discípulos, sabe-se que Jesus teve outros de grande importância para a sua vida tais como José de Arimatéia, assim chamado por ser  importante comerciante de Arimatéia, cidade da Judeia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o colégio dos mais altos magistrados do povo judeu e que formava a suprema magistratura judaica; Nicodemus, fariseu membro do Sinédrio; o Centurião romano de Cafarnaum; Lázaro fazendeiro da Betânia e suas irmãs Marta e Maria; Maria Madalena, rica senhora judia que doou todas as suas posses para ajudar Jesus em sua vida missionária,assim como outras como Suzana, Joana e Verônica que ajudavam Maria, mãe de Jesus, nas tarefas cotidianas para cuidar de Jesus e daqueles que o seguiam, pois Jesus por onde ia era acompanhado de grande comitiva, havendo a necessidade de providenciar acomodações e refeições ao menos para aqueles que lhe eram mais próximos. Sem dúvida durante o período de um ano Jesus promoveu uma campanha nunca antes vista de divulgação de seus ensinamentos, usando toda uma estratégia de marketing que faria inveja a qualquer político da atualidade, conseguindo em sua empreitada hercúlea um sucesso nunca antes visto entre o povo judeu e nem mesmo entre os romanos, pois sua fama foi tal que chegou até aos ouvidos do imperador Tibério. 

Apesar daqueles que desejam denegrir ainda hoje a memória histórica de Jesus, lançando toda sorte de suspeitas e conspurcando sua imagem de maneira vil, nem mesmo o grande historiador Flávio Josefo deixou de lhe prestar a honra devida dando-lhe o próprio tópico em sua narrativa, com as seguintes palavras: 

“Nesse tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto as suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e ele faria muitos milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome. “ (Livro XVIII, Cap. IV, 772) 

Muitos vieram de muito longe para poder seguí-lo, muitos não eram judeus e nada sabiam da história dos hebreus, nem sabiam sobre os hebreus serem o povo escolhido de Deus, ainda menos sabiam das discriminações religiosas praticadas pelos judeus contra os estrangeiros, ninguém sabia disso, pois como veremos a pregação de Jesus era Universal e não fazia distinção entre as pessoas, um fato até então inaudito. Até hoje, parece que a voz de Jesus ecoa através do tempos como se eternamente chegando até nós dizendo apenas: “Siga-me”. 

FELIZES OS QUE OUVINDO O CHAMADO, O SEGUEM. POIS, O CAMINHO DE JESUS É PERFEITO.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 8 de novembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 16. JESUS - A EMANAÇÃO DE DEUS

JESUS, AMOR & FÉ *


16. JESUS - A EMANAÇÃO DE DEUS


Disse Jesus falando aos príncipes dos sacerdotes do Templo e aos fariseus: "Nunca lestes as Escrituras: 'A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular (* marco inicial de uma construção): isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Salmo 117:22)? POR ISSO VOS DIGO: SER-VOS-Á TIRADO O REINO DE DEUS, E SERÁ DADO A UM POVO QUE PRODUZIRÁ OS FRUTOS DELE. Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços, e aquele sobre quem ela cair, será esmagado." (Mt. 21:42-44)

Em outra ocasião, Jesus estando saindo do templo, aqueles que  o acompanhavam incitaram que ele apreciasse as construções do Templo que fora reconstruído por Herodes, o Grande. Jesus, porém, respondeu-lhes: "Vêdes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: NÃO FICARÁ AQUI PEDRA SOBRE PEDRA; TUDO SERÁ DESTRUÍDO." (Mt. 24:1-2)

A saber, o templo de Herodes, o grande foi a terceira reconstrução do Templo. A primeira construção foi feita pelo rei Salomão, filho do rei Davi, no século XI a.C., sobre o monte Sião (ou monte Moriah, onde segundo constava Abraão teria ido para o sacrifício de Isaac). Salomão seguiu as instruções que Deus dera ao profeta Natã (II Samuel 7:1-17), para satisfazer o desejo do rei Davi de construir um palácio para que Deus habitasse em meio ao seu povo. Deus, mesmo considerando despropositada a idéia de Davi de querer conter Ele num lugar fixo, porquanto estava em toda parte (II Sam. 7;1-17), permitiu a construção de uma “casa" para Ele, mas determinou que o templo não seria erguido por Davi, mas por um de  seus filhos. Esse templo construído por Salomão foi destruído no século VI a.C. quando os babilônios invadirem Jerusalém e levaram os judeus para o cativeiro. Foi apenas em 538 a.C., após a tomada de Babilônia por Ciro, o Grande, rei da Pérsia, que os judeus  tiveram permissão para retornarem à Terra Santa, e foi-lhes permitido também que erguessem um segundo templo no mesmo local do Templo de Salomão, o qual veio a ser consagrado na primavera de 516 a.C., durante o reinado do rei Dario I, o Grande da Pérsia, que deu autonomia política-religiosa aos judeus. No século I a.C., Herodes o Grande ordenou a remodelação ao templo, obra essa  considerada por muitos judeus como uma profanação, pois só tinha como propósito agradar a César Augusto, o Imperador Romano de quem os judeus eram vassalos, e para horror dos judeus Herodes mandou construir num dos vértices da muralha do templo, a Torre Antonia, uma guarnição romana que dava acesso direto aos romanos ao interior do pátio do templo. O historiador judeu Flavio Josefo registrou que Herodes, o Grande reconstruiu o prédio do templo completamente entre 20-18 a.C, indo ao ponto de mudar as pedras de fundação para aplainar a superfície da Montanha do Templo. O Templo de Herodes foi uma das maiores projetos de Herodes, segundo ainda Flavio Josefo, Herodes tinha interesse de perpetuar seu nome com um rei tão grande quanto Davi ou Salomão apesar de sua origem edomita (*o Edom era uma região amaldiçoada pela tradição hebraica) através de grandiosas construções, e para tanto sobrecarregava o povo judeu com pesadas taxas e impostos, mas sua obra prima foi sem dúvida o Templo de Jerusalém. Assim, cumprindo inteiramente a profecia de Jesus o Templo de Herodes foi destruído em 70 d.C quando o general Tito, filho do imperador romano Vespasiano, obedecendo as ordens de seu pai foi com suas legiões sufocar a rebelião dos judeus, marcando a primeira diáspora dos judeus pela Europa, e em 135 d.C, por ordem do imperador romano Adriano, se deu a segunda diáspora, quando os judeus foram expulsos da Terra Santa. E tal como Jesus profetizou o "reino de Deus" foi dado a outro povo, e quem diria que esse povo seria justo os dos opressores dos judeus? 

O Concílio de Nicéia teve sua abertura solene no dia 20 de junho de 325. Cansado de tentar obter uma solução diplomática e mais preocupado com a união do Império do que a com união de Deus, o imperador Constantino chamou a cidade de Nicéia os bispos representantes do cristianismo nas várias regiões do vasto império romano. Foi nesse encontro que foram decididas as bases legais sobre as quais a nova religião sob o comando do imperador romano teria, cujas principais foram:

- Jesus deixou de ser classificado como um homem e passou a ser oficialmente considerado como Deus na Terra;
- O domingo passou a ser considerado o dia sagrado do descanso, -substituindo o sábado. Neste tópico é possível perceber a influência de Constantino nessa decisão, afinal, ele era um profundo devoto do deus solar Apólo. Nada mais justo do que transformar o dia do sol no dia sagrado da “sua” nova religião;
- A Páscoa também foi discutida durante o concílio e uma data oficial para a realização dos festejos foi fixada e além destas, cerca de 20 cânones de disciplina eclesiástica foram criados e passaram a ter efeito imediato sobre os membros do clero.
Foi nesse primeiro concílio que o "credo", juramento de fé de todo cristão foi definido:
“Cremos em um só Deus, Pai todo poderoso, criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, gerado do Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai. Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai, por quem todas as coisas foram feitas no céu e na terra, o qual por causa de nós homens e por causa de nossa salvação desceu, se encarnou e se fez homem, padeceu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e virá para julgar os vivos e os mortos. Cremos no Espírito Santo. Mas quantos àqueles que dizem: ‘existiu quando não era’ e ‘antes que nascesse não era’ e ‘foi feito do nada’, ou àqueles que afirmam que o Filho de Deus é uma hipóstase ou substância diferente, ou foi criado, ou é sujeito à alteração e mudança, a estes a Igreja Católica anatematiza.”

Em 330 d.C. a cidade de Bizâncio, assentada às margens do canal de passagem para o Mar Negro, foi renomeada com o nome de Constantinopla *(hoje Istambul, na Turquia). Em 381 d.C, lá se deu o Primeiro Concílio Ecumênico de Constantinopla, sob o comando do Imperador romano Teodósio I, de maio a junho daquele ano. Naquela época, ainda não existia a compilação de livros conhecida hoje como Bíblia, cada cidade possuía uma coletânea de textos favoritos. Como cada apóstolo partiu para regiões diferentes espalhando a palavra de Jesus, textos variados foram criados e cada grupo cristão possuía a sua própria coleção de livros sagrados.A primeira idéia de um "Livro Sagrado" para toda comunidade cristã partiu do imperador Constantino, que defendia a produção de um documento fazendo uso dos textos sagrados do cristianismo, a fim de colocar um paradeiro nas heresias e promover a unidade hegemônica da nova religião a fim de sustentar o sistema teocrático de governo do império. Essa idéia foi retomada no Concílio de Constantinopla, dando origem à Vulgata, que é a tradução para o latim da Bíblia, escrita entre fins do século IV início do século V, por São Jerónimo, a pedido do bispo Dâmaso I, que foi usada pela Igreja Cristã e ainda é muito respeitada. Mas, para tanto, ficou estabelecido como um supremo dogma de fé, no qual o Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, o mesmo que o Deus Pai, é o "doador da vida que procede do Pai, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.”

Assim, se Jesus na concepção dos judeus era apenas um "homem", no máximo um Profeta, os romanos que já tinham feito no passado no tempo de Jesus seu imperador Octaviano César, filho do Divino" (Divi Filius), dando o título de Augustus, um verdadeiro deus na terra em 42 a.C. sustentando sua condição divina até 14 d.C. por ocasião da sua morte. Portanto a concepção de um homem ser filho de um deus era por demais familiar então aceitar a Santíssima Trindade não tinha para eles nenhuma dificuldade religiosa ou moral, menos ainda elevar Jesus à dignidade de ter sido o próprio Deus Pai ("Dei Pater" ou Fevos) na terra. O que parecia não fazer nenhum sentido aos judeus, para os romanos parecia assim fazer todo o sentido. 

Como veremos, a passagem de Jesus pela Terra Santa, será realmente de tal maneira espetacular, que muitos acreditaram piamente que Jesus era realmente a emanação do próprio Deus, com sua personalidade radiante que a todos atraia como um poderoso imã e exercendo uma fascinação mais própria da concepção de um super-homem, do que de um ser humano comum. Em tudo Jesus foi heróico e caminhou sem medo sobre a terra como se essa a pertencesse e a sua coragem se revelava em cada palavra verdadeira que sai da sua boca, que tocava a todos os corações os convertendo à Deus e elevando as almas que dele se aproximavam através de sue amor, da compaixão e da sua imensa misericórdia. Em seu rosto radiante o sorriso se abria e seus olhos faiscavam de amor abundante, Jesus era sem dúvida o REI PROMETIDO, o próprio Deus revelando a sua FACE a todos que o amassem e o amam, tendo em si toda a alegria de Deus, e assim o foi e continua sendo e será por toda eternidade.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 15. A EPIFANIA DE JESUS, O UNGIDO

JESUS, AMOR & FÉ *


15. A EPIFANIA DE JESUS, O UNGIDO

Meu primeiro contato com a profecia de Isaías foi em dezembro de 1996, quando, então, trabalhando para um editor de origem judáica foi-me pedido para escrever um artigo de ficção sobre o retorno de Jesus em nossos dias, pois era época natalina. Assim que abri minha Bíblia, que ganhara de presente no primeiro dia daquele mesmo ano do meu padre confessor Joaquim Horta, qual não foi meu espanto quando o livro sagrado abriu-se justamente nessa intrigante passagem do profeta Isaías: 
“Com suas asas desdobradas cobrirá a terra , ó Emanuel ! (*nome do Messias, que quer dizer ‘Deus Conosco”, mencionado pelo profeta na narrativa da concepção de Jesus em 7:14 e constante em Mateus 1:23) Aprendei-o, povos, e ficareis consternados. Ouví com atenção, terras longínquas. Podeis pegar em armas e sereis destruídos, preparai um plano, e ele malogrará, dai ordens e elas não serão executadas, porque Deus está conosco. Porque, eis o que o Senhor me disse quando me agarrou e preveniu contra esta política (* a de considerar que estando 'Deus conosco' haja isenção da observação da justiça de Deus). ‘NÃO CHAMEIS CONSPIRAÇÃO TUDO AQUILO QUE O POVO CHAMA CONSPIRAÇÃO; NÃO VOS ASSUSTEIS. É O SENHOR QUE DEVEIS TER POR CONSPIRADOR; É A ELE QUE É PRECISO RESPEITAR, A ELE QUE SE DEVE TEMER. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço para as casas de Israel, o laço e a cilada para os habitantes de Jerusalém. Muitos dentre eles vacilarão , cairão e serão despedaçados, serão presos ao laço e apanhados na armadilha.” (Is. 8: 8-15) 
Ora, pois não foi que lendo essa passagem, no exato instante recordei-me das palavras de Jesus: "Aquele que tropeçar nessa pedra *(‘pedra angular' usada por construtores para usar como 'marco' do início de uma construção), fazer-se-á em pedaços, e aquele sobre quem ela cair, será esmagado." (Mt. 21:44). Em razão desses pensamentos paralelos separados por 700 anos no tempo, minha mente ficou clara e eu compreendi que ao contrário do que me fora dado a saber pelas tradição católica, absolutamente, Jesus não tinha sido levado pelos acontecimentos, jamais esteve sujeito às circunstâncias, muito menos foi a vítima inocente de um povo teimoso que só compreendia as coisas do ponto de vista material, que ansiava por um herói como Josué *(nome que Moisés deu ao seu principal general, que também como o nome Jesus recebe a mesma grafia em hebráico "Yoshuá" que quer dizer; "Deus Salva”), que introduziu o povo judeu na Terra Prometida, ou, ainda como o rei Davi, que ergueu a glória do reino de Israel, um povo que não conseguia entender nada das questões espirituais, pois só compreendia o que dizia respeito à matéria. Porquanto, se no passado Deus dera para aqueles que consideravam-se como seus filhos toda riqueza de um reino na Terra, agora exatamente por ser esse ser o seu “povo escolhido” colocava-os sob teste, em troca de poderem receber o Reino dos Céus e a vida eterna. Ora, sob essa perspectiva toda a minha compreensão sobre Jesus teve que ser refeita, dando prioridade ao ponto de vista de Deus. Foi assim que eu alcancei o início da realização do que sempre foi a minha maior ambição na vida: entender como Deus pensava. Não só para compreender seus atos, mas, mais do que tudo, poder servi-lo melhor e cumprir o meu próprio destino sem estar sujeita a tantos erros, que me levavam sempre a cair em desfavor aos olhos de Deus, e por isso ser obrigada a repetir-me tantas vezes quase sem fim até aprender a acertar o caminho. Esse foi o início do processo que tornou-me de uma rebelde contestadora a uma pessoa dócil e obediente a Deus.
Logo após, no mesmo dia, ao dar continuidade a leitura de Isaías,  eu me deparei com um novo trecho ainda mais intrigante, que dizia:
 “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz (…) porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, a soberania repousa sobre seus ombros e ele se chama Conselheiro admirável, Deus forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. O seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo dos Senhor dos exércitos”. (Is. 9: 1, 5 e 6) Essa foi a  imagem viva do Messias, o Salvador de Israel, pelo qual os judeus aguardavam desde o século VII a. C., portanto quando lemos no Evangelho de João com sua introdução formidável é impossível não reconhecer Jesus na bela metáfora do  Messias (em grego Cristo, o ungido), como poderemos ler abaixo:
“No princípio era o Verbo ( * substância de Deus, a palavra, segunda pessoa da Trindade) , e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele e sem ele nada foi feito. Nele havia a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunho, para dar testemunho da luz, a fim de que todos crescessem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar o testemunho da luz. O Verbo era a verdadeira Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Os quais não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade de homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que um Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (…) Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.” (Jo. 1: 1-16)
Ao contrário que possam ter divulgado, ao final dos 40 dias e 40 noites de jejum, Jesus absolutamente não possuía a aparência de um homem enfraquecido ou que tivesse jejuado, ao contrário, o HOMEM JESUS adquiriu uma aparência do HOMEM PRIMORDIAL, inteiramente perfeito, exatamente como fora criado por Deus no início dos tempos. A aparência de Jesus é impregnada de magnetismo e energia divina, e nessa condição de redivivus (renovado de vida), a exemplo do que acontecera com Moisés mais de mil anos antes após ter subido ao monte Sinai e permaneceu em jejum junto do Senhor por quarenta dias e quarenta noites (Êxo. 34;28-32) e ao descer a pele do seu rosto se tornara brilhante e tão radiosa que teve que cobrir o rosto com um véu. 
Ou mesmo, como aconteceu com o príncipe indiano do Nepal, Sidarta Guautama (563 a.C a 483 a.C), que após 49 dias de meditação e jejum debaixo de uma figueira sagrada alcançou o estado de ILUMINAÇÃO e tornou-se o Buda, o Iluminado, também será como um ILUMINADO que Jesus se encaminhou para o Jordão, não para fazer uma expiação de pecados, nem muito menos para ser limpo de impurezas, mas para cumprir o ritual da “unção” previsto em Isaías: 
“O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção: enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade., proclamar um ano da graça da parte do Senhor, um dia de vingança de nosso Deus; consolar os aflitos, dar-lhes um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero” (Is. 61:1-3).
 “Com grande alegria eu me rejubilarei no Senhor e meu coração exultará de alegria em meu Deus, porque me fez revestir as vestimentas da salvação. Envolveu-me com o manto da justiça (…) Porque quão certo o sol faz germinar seus grãos e um jardim faz brotar suas sementes, o Senhor Deus fará germinar a justiça a a glória diante de todas as nações” (Is. 61: 10,-11). 
Assim, quando Jesus aproximou-se de onde João estava a batizar no Jordão, para ser “ungido” a fim de que se cumprisse a profecia de Isaías, João ao ver Jesus se recusou a batiza-lo e disse-lhe: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens à mim!” Mas, Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa." 
Então, Jesus mergulhou nas águas do Jordão e ao sair das águas os céus se abriram e viu-se descer dos céus sobre ele, o Espírito Santo de Deus na forma de uma pomba com as asas abertas como se fossem as mãos de Deus espalmadas sobre a cabeça de Jesus. E do céu ouviu-se uma voz que dizia: “Eis meu filho muito amado em quem ponho a minha afeição” (Mt. 3;14-17).
E assim cumpriu-se as palavras da profecia de Isaías: "EIS O MEU SERVO QUE EU AMPARO, MEU ELEITO AO QUAL DOU A MINHA AFEIÇÃO, FAÇO REPOUSAR SOBRE ELE O MEU ESPÍRITO, PARA QUE LEVE ÀS NAÇÕES A VERDADEIRA RELIGIÃO". (Is. 42:1)
"E João vendo o sucedido deu seu testemunho à multidão: Eu voz batizei com água, em sinal de penitencia, mais quem vem depois de mim, é mais poderoso do que eu e nem sou digno de desatar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Sobre quem vistes descer e repousar o Espírito de Deus , este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus”. (Mt. 3:11, Jo 1:33-34).
A partir da unção, Deus revelou-se abertamente na epifania de Jesus  (*Epifania - que quer dizer aparição ou manifestação divina),  dando a conhecer-se na condição humana de seu avatar Jesus, sobre o qual o seu Santo Espírito repousava e apresentando-o ao mundo como o Filho de Deus, aquele que incorpora a entidade salvadora do Messias, o redentor, mas, e, que ninguém se engane, trazia Ele também a espada vingadora da justiça divina em suas mãos, por ser a Face de Deus, o Arcanjo Miguel em sua manifestação celestial, Jesus trazia também a sua espada invisível da justiça divina para  assim limitar o poder de Satanás sobre as pessoas e ensinar as pessoas a lutarem contra o mal. Jesus, o ungido pelo Espírito Santo, passará a partir do batismo no Jordão a conduzir os acontecimentos como o próprio Deus, para que a sua vontade divina se cumpra e o julgamento daqueles que louvavam o seu nome se desse, separando os que teriam a dignidade de serem chamados de Filhos de Deus e os que teriam os seus nomes riscados do livro da vida.
GLÓRIA SEJA DADA AO SENHOR NOSSO DEUS, QUE NA TRINDADE COM SEU AMADO FILHO JESUS E COM O ESPÍRITO SANTO, NOS FEZ DIGNOS DE SERMOS CHAMADOS DE FILHOS DE DEUS !!!
* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

domingo, 1 de novembro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 14. JOÃO, O BATISTA - A VOZ QUE CLAMOU NO DESERTO

JESUS, AMOR & FÉ *


14. JOÃO, O BATISTA - A VOZ QUE CLAMOU NO DESERTO

Então, após séculos e séculos (740 a.C), chegou o tempo em que as palavras proféticas de Isaías (escritas por volta de 740 a.C - sec. VIII)  ganhassem a realidade. Para tanto o anjo mencionado pelo profeta Daniel (sec. V a.C.) em suas profecias (9;21), que anunciou a vinda do Santo dos Santos, o Ungido de Deus (9:20-27) torna-se o protagonista de uma das histórias mais formidáveis já contadas, e o nome desse ser angelical era Gabriel, que em hebráico “gébher” quer dizer homem com força ou forte e “El” quer dizer Deus, ou seja, o nome de Gabriel pode significar tanto “O homem forte de Deus” ou “Fortaleza de Deus”. Em relação ao significado do nome, Gabriel é o anjo que aparece na forma humana para trazer uma mensagem reveladora de Deus a algum dos seus escolhidos entre os seres humanos para cumprir uma determinada missão predestinada por Deus, a acontecer para dar um rumo ao destino da Humanidade, portanto a função do Anjo Gabriel, que não é um arcanjo, é ser o mensageiro de Deus. Será assim que ela aparecerá a Maria mãe de Jesus, anunciando que ela conceberia o Messias pelo poder do Espírito Santo de Deus e também foi ele que anunciou o nascimento de um filho para o sacerdote do templo Zacarias, casado com Isabel prima-irmã de Maria. 

Quando chegou o tempo de sua prima Isabel dar à luz, Maria retornou ao convívio com seu prometido marido José, na cidade de Nazaré, pois não poderia se contaminar com a impureza do trabalho de parto, porquanto já estava grávida de Jesus pelo poder do Espírito Santo do Senhor Deus. 

Quando em conformidade com o que o anjo Gabriel havia dito à Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém, sua velha esposa Isabel lhe deu um filho primogênito varão, ambos deram o nome ao menino de João, que quer dizer “Deus é propício”, tal como fora ordenado pelo anjo. Seis meses após o nascimento de João, também Maria deu à luz Jesus, nas proximidades de Belém. Algum tempo depois o rei da Judéia, Herodes, o Grande, promulgou a ordem de matar os recém nascidos de até dois anos na região de Belém. José pegou Maria e o recém-nascido Jesus, e acompanhado de seu filho menor Tiago e de sua irmã Maria Salomé , que os acompanhou para ajudar Maria, pois os outros filhos e filhas do primeiro casamento de José já estavam casados, e levou-os para ficarem seguros no Egito.

Segundo o Proto-Evangelho de Tiago, Zacarias em razão da perseguição de Herodes foi morto no Templo ao pé do altar quando foi interrogado pelos soldados romanos sobre o paradeiro do filho que lhe tinha nascido, o qual ele tinha escondido numa caverna nas montanhas com sua mãe, Isabel (Cap. XXIII). De modo que pode se supor Isabel deve ter vivido nas montanhas até a morte de Herodes, o Grande, quando foi possível à ela retornar à sua própria casa, considerando que essa mudança deve ter se dado ao mesmo tempo que Maria e José retornaram após um ano do Egito para a Galiléia, tal como narrado na História de José o Carpinteiro (Cap. VIII). Considerando que  a simplicidade é o curso natural do destino, assim  também podemos considerar que tal como Maria retornou com Jesus para a Galiléia, Isabel também retornou com João, pois foi desde o ventre que os destinos dessas duas crianças se entrelaçaram em razão dos anúncios do anjo Gabriel. 

Certamente, João seguiu os passos educacionais condizentes com a sua alta posição social, sendo ele, João, filho de um sacerdote do Templo, e descendente de Aarão, irmão de Moisés, primeiro dos sacerdotes levitas do Senhor (Êxo. 29). Impensável, que Isabel tirasse o direito de nascença de seu filho, primogênito e herdeiro de seu pai Zacarias, que tanto o queria para para que seu trabalho sacerdotal tivesse continuidade e  em razão disso Zacarias o consagrou ao Senhor desde a sua concepção. Pois esse é o destino de obediência à Deus dos Levitas, segundo à Lei Mosáica, sobre a qual a religião judáica se ergueu e se sustentou. Do mesmo modo como Maria foi educada pelos sacerdotes do Templo de Jerusalem, o mesmo se deu com João. Em vista da alta posição ocupada peia família de Zacarias entre o povo judeu, propagar a idéia que João era um “bronco” sem educação que vivia no deserto, por conta de sua falta de dinheiro, é uma ignorância dos costumes dos judeus, além do mais caso Zacarias não tenha sido assassinado conforme acredita a tradição católica, mais ainda se pode ter a certeza de que João tenha sido iniciado em todos os conhecimentos sacerdotais dos levitas. 

Todavia, considerando a suposição católica como correta, o pai de João, Zacarias, teria morrido no ano 12 d.C. João teria entre 18 e19 anos de idade. E, como levita deve ter sido um esforço manter o seu voto de não tocar nos mortos, para não se tornar impuro. Com a morte do seu pai, Isabel ficou dependente de João para o seu sustento. Ora, era normal ser o filho mais velho a sustentar a família com a morte do pai. João era o filho único de Isabel. O mesmo aconteceu com Jesus. Naturalmente, João teve que se licenciar de suas atividade no Templo pois teria que cuidar de sua mãe que ficara desamparada, e para poder manter a ambos com o suor do seu trabalho conforme a lei, possivelmente ele resolveu comprar um gado miúdo e se tornar pastor, mudando-se com ela para Hebrom, próximo ao deserto da Judéia, o mesmo deserto onde Jesus faria o seu jejum e seria tentado por Satanás. E isso certamente não é uma coincidência, mas um feliz predestinação tanto de João como de Jesus. Ali João teria iniciado uma vida de pastor e travado contato com os essênios, judeus ascetas, que tinham um modo de vida estóico e simples. Foi apenas a morte de sua mãe Isabel por volta de 28 d.C, que João possivelmente estabeleceu uma convivência mais estreita com a comunidade essênia, porquanto não admitia-se mulheres em seu meio, e se preparar para o seu ministério que começou no ano 15o. do imperador romano Tibério, ou seja, em 29 d.C., pois Augusto César falecera em 14 d.C. aos 88 anos. Foi assim que Flavio Josefo descreveu os essênios:

“Os essênios, a terceira seita (* entre os judeus, as outras duas eram os fariseus - apegados à Lei Mosáica, própria dos sacerdotes e aos rituais - e os saduceus - com forte influência da cultura helênica e desapegada às tradições, comum entre os ricos e governantes), atribuem e entregam todas as coisas, sem exceção, à providência de Deus. Crêem que as almas são imortais, acham que se deve fazer todo o possível para praticar a justiça e se contentam em enviar suas ofertas ao templo, sem lá ir fazer os sacrifícios, porque eles o fazem em particular, com cerimônias ainda maiores. Seus costumes são irrepreensíveis e sua única ocupação é cultivar a terra. Sua virtude é tão admirável que supera de muito a de todos os gregos eis de outras nações, porque eles fazem disso todo o seu empenho. e preocupação, e a ela se aplicam continuamente. Possuem todos os bens em comum, sem que os ricos tenham maior parte do que os pobres; seu número é de mais de quanto mil. Não tem nem mulheres, nem criados, porque estão persuadidos de que as mulheres não contribuem para o descanso da vida; quanto aos criados, é ofender à natureza, que fez todos os homens iguais, querer sujeitá-los; assim eles se servem uns aos outros e escolhem homens de bem da ordem dos sacrificadores (*só levitas descendentes de Aarão eram sacrificadores, podiam lidar com os sacrifícios, João era um sacrificador), que recebem tudo o que eles recolhem do seu trabalho e tem o cuidado de dar alimento a todos. Esta maneira de viver é quase a mesma da dos que chamamos plistes e vivem entre os dácios.” (Livro XVIII - Cap. II -760. )

Com a explicação clara de Flavio Josefo cujo testemunho histórico é aceito sem discussão por todos historiadores contemporâneos, conseguimos nos dar conta que o papel de João é exatamente como sacerdote sacrificador levita preparar o “sacrifício” de Jesus como o cordeiro sem mácula oferecido como holocausto à Deus na Páscoa, tal como foi disposto pelo Senhor para os levitas: “Quando um de vós (*levitas) fizer uma oferta ao Senhor, será dentre o gado maior ou menos que oferecereis. Se a oferta for um holocausto tirado do gado maior, oferecerá um macho sem defeito; e o oferecerá à entrada da Tenda de Reunião para obter o favor do Senhor. PORÁ A MÃO SOBRE A CABEÇA DA VÍTIMA, QUE SERÁ ACEITA EM SEU FAVOR PARA LHE SERVIR DE EXPIAÇÃO”. (Lev. 1:2-4) Em razão disso que João ao ver Jesus se encaminhando na direção dele para ser batizado Jesus disse : “Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.” (Jo 2:29)

Sobre João, Isaías profetizou com lindos versos:
“Consolai, consolai meu povo, diz vosso Deus. Animai Jerusalém, dizei-lhe bem alto que suas lidas estão terminadas, que sua falta foi expiada, que recebeu, da mão do Senhor, pena dupla por todos os seus pecados. Uma voz exclama: “Abri no deserto um caminho para o Senhor, traçai reta na estepe uma estrada real para o nosso Deus.” (Is. 40:1-3)
“Como são belos sobre as montanhas os pés do ‘mensageiro’ que a anuncia a felicidade, que trás as boas novas e anuncia a libertação, que diz a Sião ( * monte sobre o qual se assenta Jerusalém): Teu Deus reina !!!!” (Is. 52:7)
“ (Será dito:) Abri, abri a estrada, aplainais! Retirai do caminho do meu povo todo obstáculo” (Is. 57: 14) Pois, o pecado é o obstáculo à felicidade, e para retirar o pecado do povo de Deus que João, passa a promover o batizado nas águas do Jordão. 

Ora, naquele tempo o povo judeu em razão do regime de vassalagem à Roma desde conquista de Jerusalém, em 63 a.C., pelo general romano Pompeu tinha que pagar altos tributos, vivendo em grande penúria e necessidade. Devido aos impostos pagos aos romanos para conservarem a vida e não se tornarem escravos, nem todo homem judeu tinha o dinheiro para pagar às ofertas necessárias para a purificação dos filhos recém-nascidos e nem mesmo pelo tributo do recenseamento que integrava todo jovem de 20 anos nascido de mãe judia ao povo judáico, para se tornar um verdadeiro “filho de Deus”. De modo que só aqueles que tinham posses e que tinham condições de cumprir com os altos custos de ser um “verdadeiro israelita” dentro dos costumes estabelecidos pela Lei dada pelo Senhor à Moisés. De modo que o número de excluídos do povo de Deus era crescente, não só essas pessoas por falta de dinheiro eram excluídas da sociedade judáica quanto também de uma posição social e política, pois eram consideradas “impuras” e desprezadas, impedidas de uma convivência religiosa, se tornando assim um espécie de pária social. 

Em vista dessa situação de injustiça e de inteira falta de misericórdia, João, como sacerdote levita trás o recurso do “batismo” pela água como um ritual expiatório, mas sobretudo “purificador”, limpando o corpo do crente de todas “impurezas”, dos pecados, dando-lhe uma nova condição de "pureza" e o reintegrando a sociedade, de forma a dar-lhe um sentido de “pertencimento” a um grupo social, que não só o acolhe como lhe de o necessário “propósito” para viver e existir, para amar e servir à Deus.

Portanto, João, ao começar a batizar os indivíduos excluídos da sociedade religiosa judáica. ele criou uma questão política, bem documentada por São João, Evangelista, logo no início do seu Evangelho:
“Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: ‘Quem és tu?’ Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: ‘Eu não sou o Messias (* Salvador).’ ‘Pois então, quem és, perguntaram-lhe eles. És tu Elias ( * No Livro de Malaquias, o retorno do profeta Elias, século IX a.C., foi profetizado "antes que venha o grande e temível dia do Senhor", o que fez dele um arauto do Messias)?’ Disse ele: ’Não o sou.’ “És tu o Profeta?’ Ele respondeu: ’Não.’Perguntaram-lhe de novo: ‘Dize-nos, afinal quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?’ Ele respondeu: ‘EU SOU A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO: ENDIREITAI O CAMINHO DO SENHOR, como disse o profeta Isaías.’ Alguns dos emissários eram fariseus. Continuaram a perguntar-lhe: “Como, pois, batizas, se tu não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?’ João respondeu: ‘Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.’ Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.” (Jo. 2:1-28)

João chamou a atenção dos sacerdotes do Templo por seu discurso humanitário? De modo algum!!!! Chamou a atenção porque os sacerdotes estavam perdendo fiéis, perdendo dinheiro, do momento que o batismo de João livrava gratuitamente o crente do pecado sem que fosse necessário um “sacrifício” expiatório, sem ter que pagar nada para isso. Afinal, quase tudo nessa vida versa sobre dinheiro e poder, e nada mais!

Sobre João escreveu Flavio Josefo: “… João, cognominado Batista. Era um homem de grande piedade que exortava os judeus a abraçar a virtude, a praticar a justiça e a receber o Batismo, depois de terem tornado agradáveis a Deus, não se contentando em não cometer pecados, mas unindo-o a pureza do corpo à da alma. “ (Livro XVIII - Capítulo VII - 781)
O papel de João, o Batista, não se define por sua morte ignóbil para satisfazer os prazeres de luxúria de uma jovem insensata que quis sua cabeça numa bandeja de prata para dançar sensualmente para um rei judeu saduceu sem nenhuma moral, cuja lascívia fazia jus a Satanás. Não, João, o Batista, se define por sua vida, por seu imenso papel na vida de Jesus, um papel que foi definido pelo próprio Jesus segundo São Lucas da seguinte maneira: 

“Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem no luxo, estão nos palácios dos reis. Mas, enfim, que fostes ver? Um profeta? Sim, digo-vos, é mais do que um profeta. Este é aquele de quem está escrito: EIS QUE ENVIO O MEU MENSAGEIRO ANTE A TUA FACE; ELE PREPARARÁ O TEU CAMINHO DIANTE DE TI” (Mal. 3:1) Pois, digo-vos, entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o menor no reino de Deus é maior do que ele.” (Lc. 7:24-28) 

Mateus em seu Evangelho é mais específico ao escrever as seguintes palavras de Jesus: "Desde a época de João Batista até o presente, o reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam. Porque os Profetas e a Lei tiveram a palavra até João. E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia voltar (Mal. 4:5)." Ouvindo o que Jesus dissera a respeito de João Batista muitos acreditaram que João Batista era Elias acorreram para serem batizados por João, contudo os doutores da lei e os fariseus se negaram a receber o batismo e com isso frustraram o designo de Deus, e conspiraram para a prisão e morte de João, o que veio a ocorrer pelas mãos do Tetrarca da Galiléia e da Peréia, Herodes Antipas (* 20 a.C - 39 d.C., rei de 1 a.C - 39 d.C e morreu pobre no exílio), que levou João à morte ainda no verão daquele ano de 29 a.C. Contudo o seu legado permanece até o dia de hoje, perpetuado no ritual de Batismo que introduz todo cristão na comunidade dos seguidores dos ensinamentos de Jesus, seguindo seus passos em direção ao Reino de Deus, assim realizando em cada um o desígnio da felicidade eterna dada por Deus a todos que nele confiam, o servem e o amam.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 13. O MISTÉRIO DO JEJUM DE JESUS NO DESERTO

JESUS, AMOR & FÉ *


13. O MISTÉRIO DO JEJUM DE JESUS NO DESERTO

Alguém poderá me recordar que Jesus foi batizado primeiro e depois foi para o deserto ser tentado por Satanás. Convenha-se que isso não faria o menor sentido nem em termos da tradição religiosa judáica, menos ainda considerando que Jesus era o “avatar” do próprio Deus desde a sua gestação e nascimento. Novamente temos que recordar as limitações dos nossos irmãos do passado, apesar de alguns terem dado seu testemunho tendo a graça de acompanhar os eventos da manifestação da passagem de Jesus pela Terra Santa, paradoxalmente, nós apesar de não termos sido testemunhas ocular viemos a crer e, mais do que isso, nós fomos agraciados com novos conhecimentos que nos permitem até dizer que que podemos conhecer melhor Jesus hoje do que os contemporâneos do seu tempo. 
Outro ponto é que os romanos por ocasião da formação da religião romana cristã não possuíam um perfeito conhecimento da religiosidade dos judeus, além do que a barreira linguística contribuía para guardar os conhecimentos do Deus dos judeus, sobre o qual  os judeus tinham um sentimento de “propriedade”, porquanto segundo a tradição mosáica os judeus é que formavam o “o povo escolhido” de Deus. O conceito de um Deus “universal” não era bem aceita entre os judeus, que exerciam a descriminação como parte cotidiana de sua cultura. Apesar de um de seus principais profetas, Isaías, o qual nascera no ano de 760 a.C., de uma família nobre do reino de Judá, e sendo chamado por Deus no ano de 740 a.C. ao ministério profético - que exerceu por cerca de 50 anos-, ter se consagrando pelo acerto de suas profecias e mais do que isso pode-se dizer que Isaías não só foi o profeta do Messias, mas, também foi o profeta que revelou uma face misericordiosa e universalista do Deus dos judeus. Por esses motivos o livro profético de Isaías é uma leitura obrigatória para todo aquele que almeja ir ao encontro de Jesus e seguir seus ensinamentos.
Ora, Jesus aos 20 anos, como todo bom judeu, fez o seu recenseamento pagando o imposto devido ao Templo de Jerusalém, como contribuição devida ao Senhor em resgate de sua vida, tal como foi estabelecido na Lei (Êxodo 30:11-16) passando assim a integrar oficialmente o “povo de Deus”. Também, como bom filho não desamparou a sua mãe e dela cuidou até que o tempo de sua manifestação pública, a sustentando com o suor de seu trabalho de marceneiro, ofício que aprendera com seu pai terreno José. Muito se especula erroneamente o que Jesus teria feito nesse tempo que é um hiato na sua história terrena. Imagina-se muitas coisas, muitas aventuras, como se o próprio Deus precisasse disso! Mas, ninguém pensa no óbvio - no mais simples, talvez porque o óbvio é a verdade que não se quer ver-, que aquilo que Deus queria conhecer estava justo na simplicidade da vida humana e não na sua pompa e circunstância. É no seio da vida familiar e na convivência comunitária que Jesus poderia compreender a profundidade da natureza humana. Jesus, Deus em seu avatar terreno,  teve a oportunidade de vivenciar os anseios e as inquietações de um jovem adolescente e depois a complexidade da vida adulta e suas exigências, inclusive, tendo a oportunidade de se apaixonar, de amar e dar vazão as suas necessidades hormonais, da mesma forma que estava sujeitos às funções orgânicas do seu corpo físico (isso mesmo, Jesus também urinava e evacuava do mesmo modo que comia e bebia!!!). Portanto, não tenhamos a tola ingenuidade que Deus sendo o criador do “sexo” não o fosse experimentar na condição humana, do mesmo modo que experimentou comer, beber, rir, chorar, dançar, brincar e tudo o mais que faz parte da vida humana. Eu acho uma graça imensa quem prega uma vida de Jesus sem “necessidades” físicas, se assim o fosse, não haveria pois também a necessidade de morrer. Destarte, que o primeiro passo para compreender o Jesus divino é compreender o HOMEM JESUS!!!
A pratica de qualquer forma de “jejum” visa promover uma mudança de estado da consciência, de um estado materialista para um espiritualizado. Essa é uma prática comum desde que o mundo é mundo entre os que buscam elevar-se, e como diria Buda, de quem busca a “iluminação”. Sem dúvida segundo o costume religioso dos  judeus os homens com vocação para servir o Senhor (Yavéh, Javé, ou Jeová), fossem eles profetas, rabis ou mestres teriam que passar por um ritual de consagração para se tornarem “santos" para Deus.  Está escrito no livro sagrado do Levítico: 21;8 “Terás, pois, o sacerdote por santo, porque ele oferece o pão (pão ázimo, maná) de teu Deus: ele será santo para ti, porque eu, o Senhor que vos santifico sou santo”.  Mais adiante se lê no livro sagrado dos Números 6;2-4: “Quando um homem ou uma mulher fizer o voto de nazireu * (em hebráico ‘nazar’, que significa separar, consagrar) separando-se para se consagrar ao Senhor abster-se-á de vinho e de bebida inebriante; não beberá vinagre  de vinho, nem vinagre de outra bebida inebriante; não beberá suco de uva, não comerá nem uvas frescas, nem uvas secas. Durante todo o tempo de seu nazireato não comerá nenhum produto da vinha , desde as sementes até as cascas de uva".  
Os jejuns mais famosos na tradição judaica são os jejuns de quarenta dias de Moisés e de Elias. Daniel, o profeta, jejuou na preparação para receber as suas revelações. Segundo a tradição o grande profeta Elias teria fundado a comunidade dos essênios, no monte Carmelo. A palavra essênio significa curador ou terapeuta, e seus membros chegavam a viver 120 anos e tinham por costume jejuar por 40 dias uma vez por ano, pois usavam o jejum como uma forma de purificação de seus corpos  e aumentar a sua comunhão com Deus. 
Nós poderemos assim depreender que Jesus faz seu primeiro jejum conforme o costume essênio de forma a vir estabelecer uma total comunhão entre o seu corpo físico, o avatar de Jesus com o seu ser divino de Deus. Esse será o jejum de 40 dias no deserto. O segundo jejum se dará ao modo nazireu quando Jesus se separar do mundo para consagração total a Deus, na véspera de sua paixão, tal como se pode ler em Mateus 26;29 : “Digo-vos: Doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no reino do meu Pai.” Passagem esta constante também dos evangelhos de Marcos 14;25 e Lucas 22;18.
Quando João Batista iniciou o seu ministério para “endireitar as veredas para a vinda do Senhor”, por volta de 27 d.C. ou 29 d.C., Jesus deixou sua mãe amada em boas mãos e dirigiu-se ao deserto da Judéia, entre Jerusalém e o mar Morto, a fim de se preparar para a sua altíssima missão de ser o "Servo de Deus", tal como descrito pelo profeta Isaías. 
Na narrativa dos Evangelhos, Jesus faz a sua “expiação” quanto às tentações a que estaria sujeito na condição humana, e nesse “dialogo consigo mesmo” teve também como interlocutor o seu anjo caído, Satanás. O outrora Arcanjo da Luz e da Sabedoria, Lúcifer, que fez oposição à Deus por causa da criação do homem, rebelando-se contra o próprio Deus ele foi expulso dos céus por seu irmão o Anjo da Face do Senhor, o arcanjo Miguel.  Condenado a viver na Terra e entre os homens, Lúcifer passou a se chamar Satanás, que quer dizer o “adversário”. 
Sim, Satanás estava a espreita dessa hora de poder confrontar o próprio Deus em seu avatar de Jesus, que não era outro senão o arcanjo Miguel, a Face de Deus, dando à Deus sua experiência na condição humana. Eis porque essa passagem é importante e só poderia acontecer “antes” do batismo, quando Jesus ainda estava tomando sua decisão de seguir em frente com o seu “sacrifício expiatória para o bem da humanidade”. Pois, não haveria maior tentação para Jesus que essa: a de continuar sendo apenas humano e não manifestar a sua divindade. Porquanto, estando encarnado, mesmo sendo o próprio Deus, apesar de sua condição divina estava sujeito também ao uso do "livre arbítrio" tal como todo ser humano. E será nessa ferida aberta da tentação do coração de Jesus que Satanás vai colocar seu dedo malévolo (Mt. 4). 
Por isso que Satanás inicia seu ataque dizendo: “Se és Filho de Deus *(arcanjo Miguel), ordena que estas pedras se tornem pães.” Pois a “fome” é um sofrimento doloroso humano, e Jesus sentia fome em seu jejum. A isso Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. (Deut. 8:3) Porquanto, nós sabemos que a palavra de Deus alimenta alma e a salva. 
Satanás, então, foi mais fundo e transportou Jesus ao pináculo mais alto do templo na cidade santa e disse-lhe:”Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos com cuidado para não machucares a teu pé nenhuma pedra (Salmo 90, 11s).” Respondeu Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Deut. 6:16)”. Se a subsistência é o primeiro drama humano, fonte de sofrimento, o segundo é sem duvida a mortalidade a que está condenado, mas a resposta de Jesus é certeira pois Deus não deve ser desafiado a provar a sua própria existência, essa seria a causa principal de sua crucificação , quando ouviria de seus perseguidores a zombaria; “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!” (Mt. 27: 42-43). 
Então, Satanás o transportou para o pico mais alto das montanhas e lhe mostrou a glória de todos os reinos do mundo e disse a Jesus: “Dar-te-ei tudo isto, se prostrando-te diante de mim, me adorares.” Respondeu-lhe Jesus: “Para trás Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás.” (Deut. 6:13) Eis a última tentação de Jesus, a mais humana de todas, que é o desejo humano de igualar-se em seu poder a Deus, desejo esse que foi imbuído em Adão pelo próprio Satanás e que levou Adão ao pecado primordial que o fez perder a sua condição de perfeição que lhe foi dada por Deus, o que condenou a si e a toda a criação dependente da necessidade física e condenada a mortalidade. Jesus em sua condição humana deu a resposta que Adão deveria ter dado a Satanás, mas não deu, e por sua deslealdade foi castigado por Deus. E assim, Jesus derrotou brilhantemente Satanás, não como Filho de Deus, mas como o HOMEM JESUS!!!
Eis que assim surgiu o Servo, a luz das nações tal como descreveu Isaías:
“Ilhas, ouví-me, povos de longe, prestai atenção!!! O Senhor chamou-me desde o meu nascimento, ainda no seio da minha mãe, ele pronunciou o meu nome. Tornou a minha boca semelhante a uma espada afiada , cobriu-me com a sombra de sua mão… Disse-me: Tu és meu servo em quem eu me rejubilarei”… E agora o Senhor fala, ele que me formou desde o meu nascimento para ser seu Servo, para trazer-lhe de volta Jacó e reunir-lhe Israel, porque o Senhor me fez essa honra e meu Deus tornou-se minha força. Disse-me: ‘Não basta que seja meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; VOU FAZER DE TI A LUZ DAS NAÇÕES PARA PROPAGAR A MINHA SALVAÇÃO ATÉ OS CONFINS DO MUNDO.” (Is. 49: 1-6)
Após seu jejum perfeito aos olhos do Pai, Jesus rompeu as cadeias injustas, desatou as cordas do jugo, mandou embora as opressões e libertou seu corpo de qualquer apego à matéria e fortaleceu o seu Espírito. Então, Jesus alcançou a sua mais perfeita condição humana como só um homem antes dele um dia o foi semelhante,  a sua criatura Adão. E nessa condição de homem perfeito a sua luz surgiu na aurora, e suas feridas não tardaram a cicatrizar-se, pois a sua justiça caminhava diante dele e a glória do Senhor seguia à sua retaguarda. E a luz dele levantou-se na escuridão e a noite resplandeceu como dia pleno, e o Senhor passou a guiar seus passos constantemente e o alimentou no árido deserto, renovando o seu vigor. (Is. 58)
* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.