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domingo, 4 de outubro de 2015

JESUS, AMOR & FÉ - 6. JOSÉ E JESUS, O PAI DA TERRA E O FILHO DO CÉU

JESUS, AMOR & FÉ *


6. JOSÉ E JESUS, O PAI DA TERRA E O FILHO DO CÉU


Num tempo em que nenhum adulto abaixava-se para falar com uma criança, nem raramente sentava-se no chão para brincar com elas, muito menos conversava com crianças, e menos ainda era dado a uma criança ter alguma opinião, vocês precisam concordar que o comportamento do menino Jesus era um escândalo!!!! Não precisa ir longe, imaginem se algum de nós tivesse falado com os pais como ele falara a José com apenas 5 anos... Palmadas e castigo direto!!!!! Hahaha!!! José era um pai muito bonzinho mesmo!!! Mas, que o nosso menino-Deus aguardasse, pois seu pai observava muito bem as leis mosáicas e não seria insensato e daria um modo de ensinar a Jesus como deveria se comportar em meio aos humanos. 

Adiante veremos que Jesus teve as suas sérias dificuldades para se adaptar à condição humana, do mesmo modo que nós tivemos e, afinal, de uma maneira ou de outra, por bem ou por mal todos acabamos por nos tornar um ser adulto, livre das agruras dos erros inocentes da infância. Ou seja, não é fácil crescer e virar gente, nem para Jesus o foi!!! E muito menos ainda foi fácil para José ser o pai terreno de Jesus!!!

Todos nós sabemos que uma criança mais dotada de inteligência dá mais trabalho que outra com uma inteligência normal. Até recentemente professores costumavam tratar super-dotados como doentes mentais, por pura ignorância deles, já que não conseguiam lidar com esse tipo de criança, a qual se entedia facilmente, pois normalmente está à frente do aprendizado da classe de estudo que frequenta. Costumava-se rotular essas crianças como super-ativas ou dispersivas, quando na verdade na maioria das vezes não era um caso nem outro. Atualmente há um interesse em todo o mundo em crianças que apresentem alguma forma de inteligência acima da média, as chamadas super-dotadas, apesar que o fator de "genialidade" nem sempre tenha a ver com esse aspecto super-dotado, mas principalmente com uma capacidade ainda não identificada que os próprios gênios costumam dizer que se deve a uma "inspiração" que lhes vem de cima, de fora deles, a qual os faz obcecados com uma idéia, totalmente focados e tremendamente persistentes em tornar essa idéia em realidade. 

Pois bem, hoje, sabemos que crianças mais inteligentes precisam estar ocupadas aprendendo sempre coisas novas, e não devem estar sujeitas apenas a um ensino de um aprendizado massificado, como se pensava no século XIX, em decorrência da sociedade resultante da Revolução Industrial e o advento de uma filosofia comunista-socialista que nivelava por baixo o processo educacional, com o objetivo de criar uma padronização para os que viriam a ser tratados como números e não nomes, numa escravização subliminar  ao novo sistema produtivo emergente tão nocivo quanto os outros que o precederam, devido a ganância humana de acumular cada vez mais riqueza e poder, e assim exercitar o domínio de um ser humano sobre outro.

Porém, a idéia da individualidade dada pela inteligência a cada ser humano não é nova, mas no passado bem se sabia disso, tanto que originou o velho jargão de que "quem tem olho em terra de cego é rei". A inteligência era vista como um bem precioso, tanto que o rei judeu Salomão escreveu dois livros sobre o bom uso da inteligência: Provérbios e Sabedoria. Ambos textos merecedores de uma profunda leitura para quem aprecia o bom uso da racionalidade humana.

Assim sendo, não foi de admirar que José preocupado com o futuro de Jesus e desejoso que ele se adaptasse mais facilmente a sua condição humana tivesse interesse em bons mestres para orientar a genialidade de seu filho. E é sobre o papel do mestre na vida de Jesus que versa o relato a seguir:

Naquele mesmo sábado, em que Jesus deu vida aos passarinhos de barro, que secou o menino valentão chamado Anás, que cegou seus acusadores e também respondeu ao seu pai, alguém mais prestou atenção aos acontecimentos.

"Próximo dali estava um professor chamado Zaqueu (cujo nome etimologicamente significa 'puro') . Quando ouviu Jesus falar essas coisas a seu pai, encheu-se de admiração. Estranhou que sendo ainda menino, falasse de tal modo. 
Passados alguns dias, procurou José e disse-lhe: 
- Tens um filho perspicaz e inteligente. Deves confiá-lo a mim para que aprenda as letras. Além das letras, eu lhe transmitirei toda a sabedoria. Ensinarei a saudar todos os idosos, a respeitá-los como mais velhos e como pais e a amar os seus iguais. 
Mas, José que irritara-se por causa do menino, disse ao professor: 
- Quem será capaz de ensinar uma pequena cruz* (sinal usado pelos iletrados para assinar seu nome) a esse menino? Pensas que, acaso, o podes fazer? Ele é mais humilde e dócil do que todos… Mas…
Ouvindo essas palavras proferidas por seu pai, o menino Jesus começou a rir e disse a Zaqueu:
- Mestre, tudo o que meu pai acaba de dizer é pura verdade. Eu sou aqui o Senhor; e vós sois estrangeiros. Só a mim foi dado o poder. Eu existi antes, existo agora e estou convosco. Não sabeis quem eu sou. Eu sei donde viestes, quem sois, quando nascestes e quantos anos durará vossas vidas.
Na verdade, te digo, ó mestre: Eu existia quando nasceste e existia antes que nascesses. Se queres ser mestre perfeito, ouve-me e te ensinarei a sabedoria que ninguém conhece, a não ser eu e aquele que me enviou para instruir-vos.
Eu sou, na realidade teu professor, embora tu sejas chamado de meu mestre. Conheço a tua idade, sei exatamente quanto durará a tua vida. Quando vires a cruz, que meu pai mencionou, então acreditarás que tudo o que eu disse é verdade. Eu sou aqui o Senhor. Vós sois estrangeiros. Eu sou sempre o mesmo.
Os judeus que estavam ali presentes e o escutavam encheram-se de admiração e gritaram:
- Ó prodígio raro e inaudito! Este menino não tem cinco anos e pronuncia palavras que jamais ouvimos de algum pontífice, ou escriba ou fariseu!
Respondeu Jesus:
- Ficais admirados, mas não acreditais naquilo que vos disse. Eu sei, no entanto, exatamente quando vós e vossos pais nasceram. Anuncio-vos ainda uma coisa inaudita: sei tão bem quando o mundo foi criado, como o sabe aquele que me enviou.
Ouvindo-o falar assim, os judeus tiveram medo e não puderam lhe responder. Então o menino, aproximando-se, brincava e saltava rindo deles. Dizia:
- Eu sei que vós sois pouco capazes de maravilhar-vos e sois curtos de inteligência. A mim foi tributada a glória, para minha consolação, apesar de menino. 
O professor disse a José, pai de Jesus:
- Vamos traze-me à escola esse menino e eu lhe ensinarei as letras.
José tomou Jesus pela mão e o conduziu à escola.
O professor começou a instruí-lo com palavras persuasivas. Escreveu o alfabeto. Depois insistia cuidadosamente, repetindo muitas vezes o que escrevera. Mas o menino permaneceu calado e não lhe deu ouvidos por muito tempo.
O professor irritou-se e bateu-lhe na cabeça.
O menino respondeu:
- Não procedeste bem. Por acaso, não sou eu que devo instruir-te (ou corrigir-te) em vez de ser instruído (ou corrigido) por ti? Eu conheço as letras que ensinas. Muitos te julgarão, pois estas letras são para mim bronze que soa ou címbalo que tine: não emitem voz audível, nem dão a glória da sabedoria ou a força da alma ou da mente.
O menino calou-se por um pouco. Depois repetiu as letras com muito talento." (Evangelho do Pseudo-Tomé - Capítulo VI) 

Nesse texto, o nome de Zaqueu como primeiro mestre de Jesus nos remete a uma passagem narrada por Lucas, em que estando Jesus em Jericó (próximo a Jerusalém) e atravessando a cidade um homem muito rico e chefe dos publicanos recebedores de impostos, chamado Zaqueu, por ser de pouca estatura subiu numa árvore para ver Jesus passar em meio a multidão. Passando Jesus debaixo da árvore levantou os olhos e disse à ele: "- Zaqueu desce depressa porque é preciso que eu fique hoje em tua casa." Zaqueu desceu e recebeu Jesus cheio de alegria. A multidão murmurava; "- Olhem ele vai ficar na casa de um pecador..." Por sua vez, Zaqueu de pé diante de Jesus disse: "- Senhor eu vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém restituirei o quádruplo." E, Jesus disse a Zaqueu: "- Hoje entrou a salvação nesta casa; porquanto também este é filho de Abraão. Pois o filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido." (Lc 19; 1-9)

Ora, ao se ler a passagem do mestre Zaqueu é inevitável recordar-se de Zaqueu,  o publicano empoleirado numa árvore… Como logo se aprende, nas coisas de Jesus nada é mera coincidência.

Outra menção que remete a uma passagem  do Novo Testamento é a das letras que "são bronze que soa..", como é possível não lembrar-se das palavras de Paulo de Tarso: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa ou címbalo que retine" (I Cor. 13:1).

Como digo sempre, não existem coincidências no que diz respeito às coisas de Jesus, apenas sintonias!!! E no caso de Jesus tudo está devidamente conectado, tudo é sempre sintonia!!!! Nada, absolutamente nada acontece por acaso, pois o acaso não existe, pois, sim? 

Mas, se alguém pensa que o Mestre Zaqueu conseguiria dobrar o espírito indomável do menino-Deus... Bem, essa já é uma outra história e fica para o próximo capítulo.

* Da coletânea de crônicas diárias publicadas no meu  perfil do Facebook  de dezembro/2014 a abril/2015.

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